5.1. ASPECTOS GERAIS
A partir dos conhecimentos adquiridos na revisão bibliográfica, parte-se para a análise da frota de caminhões circulantes nas rodovias brasileiras. O quantitativo de veículos aqui estudado refere-se ao banco de dados do cadastramento do RNTRC do ano de 2009, visto que foram os dados com maior grau de detalhamento fornecido pela ANTT.
A definição do quantitativo dos centros de reciclagem será definida após a simulação de cenários propostos em 4 etapas. Em um primeiro momento será definida a idade ideal para a inclusão dos veículos antigos no ciclo da Renovação da Frota e posteriormente definido o n° de centros de reciclagem em todo o país, para acolher a frota descartada. O mesmo procedimento será repetido para encontrar a idade e a taxa de processamento que consigam manter os centros de reciclagem em funcionamento, após a renovação ser concluída.
Estes procedimentos estão descritos e analisados nos itens a seguir, porém a conclusão do processo de simulação será apresentada no capítulo seguinte.
5.2. ESTRUTURAÇÃO DO PROCESSO DE SIMULAÇÃO
O planejamento logístico das operações que conformam o sistema é extremamente necessário de forma a aperfeiçoar a utilização de recursos e definir estratégias capazes de subsidiar na tomada de decisões.
Nesse sentido, e com o incremento de ferramentas que tem permitido a avaliação e o desempenho de vários sistemas, o presente trabalho utilizará uma técnica de pesquisa operacional para implementar um planejamento logístico, voltado principalmente para a definição de um veículo em fim de vida, ou seja, para a determinação da idade limite que o veículo continuará circulando na implantação do programa de renovação de frota, como também para a quantificação do número de centros de reciclagem distribuídos pelo país.
A Pesquisa Operacional é um ramo da ciência administrativa que fornece instrumentos para a análise de decisões, e consiste, basicamente, em construir um modelo de um
sistema real existente ou em concepção. No caso de um sistema existente o objetivo do estudo é analisar o desempenho do sistema para escolher uma ação no sentido de aprimorá-lo, enquanto que no caso de um sistema em concepção o objetivo é encontrar a melhor estrutura desse futuro sistema (Andrade, 1998).
Esta sistemática é obtida na concepção de três principais componentes de um modelo de Pesquisa Operacional: alternativas, critérios objetivos e restrições, aplicáveis a qualquer técnica de desenvolvimento do processo decisório, de forma a encontrar a melhor escolha dentre os cenários expostos no modelo.
Dentre as várias técnicas de Pesquisa Operacional, tais como Programação Linear, Teoria de Filas, Programação Dinâmica, entre outras, será utilizada a técnica de Simulação.
5.3. INTRODUÇÃO DAS ETAPAS E CENÁRIOS
A simulação será desenvolvida em 4 etapas, a primeira etapa consiste em escalonar a frota para o programa de renovação, posteriormente na 2° etapa, serão estimados o número de centros de reciclagem necessários para acolher e processar a frota reciclada pelo país.
Em um terceiro momento, o escalonamento da frota será realizado para os veículos que tornam-se um VFV naquele ano, de forma a manter estabilizado o crescimento da frota, não permitindo que a média de idade se eleve novamente.
1\ ETAPA
Escalonamento para Renovação de Frota
3\ ETAPA
Escalonamento da frota para a manutenção dos
centros de reciclagem 2\ ETAPA Estimativa do número de centros de reciclagem 4\ ETAPA Estimativa do número de centros de reciclagem Figura 5.1: Etapas do processo de simulação
1° ETAPA: ESCALONAMENTO PARA A RENOVAÇÃO DE FROTA
A idade em que um caminhão é considerado um veículo em fim de vida será estabelecida por meio de simulação. Para isso, foram criados cenários relacionando a faixa etária dos veículos, o quantitativo da frota e a taxa de processamento dos centros
Foram criados 3 cenários, considerando os VFV com 30, 25, e 20 anos. Para cada cenário foram realizadas simulações com o quantitativo de veículos que deveriam ser sucateados por ano, para que a frota de caminhões com idade elevada fosse eliminada de circulação, formando assim subcenários.
Desta maneira, criou-se 4 subcenários dentro de cada cenário, onde foi possível a simulação da retirada para o sucateamento e reciclagem de 30.000, 40.000, 50.000 e 60.000 veículos por ano, apresentados na Figura 5.2.
1\ ETAPA
Escalonamento para Renovação de Frota
Cenário 1: VFV > 30 anos Subcenário 1: Tx Sucat. = 30.000 veic/ano Subcenário 2: Tx Sucat. = 40.000 veic/ano Subcenário 4: Tx Sucat. = 60.000 veic/ano Subcenário 3: Tx Sucat. = 50.000 veic/ano Cenário 2: VFV > 25 anos Subcenário 1: Tx Sucat. = 30.000 veic/ano Subcenário 2: Tx Sucat. = 40.000 veic/ano Subcenário 4: Tx Sucat. = 60.000 veic/ano Subcenário 3: Tx Sucat. = 50.000 veic/ano Cenário 3: VFV > 20 anos Subcenário 1: Tx Sucat. = 30.000 veic/ano Subcenário 2: Tx Sucat. = 40.000 veic/ano Subcenário 4: Tx Sucat. = 60.000 veic/ano Subcenário 3: Tx Sucat. = 50.000 veic/ano
Figura 5.2: Cenários propostos para a 1° etapa
Para cada cenário, também foi feita a simulação da Renuncia Fiscal por parte do Governo de forma a subsidiar o bônus oferecido ao proprietário do veículo na entrega de VFV nos centros de reciclagem. O valor do bônus utilizado na simulação variou de R$ 15.000 a R$ 40.000.
Vale lembrar que os dados utilizados pra a criação destes cenários partiram da base do RNTRC do ano de 2009 e por isso o escalonamento da frota nos cenários começa a partir deste ano. Como podem ser vistos nos itens seguintes.
CENÁRIO 1: Evolução da frota com a retirada de circulação de veículos com