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Mapa 3 – Mapa de Timor-Leste que inclui as regiões administrativas e as zonas por onde se distribuem as

4. TRANSCULTURAÇÃO NA ARQUITECTURA VISUAL TIMORENSE

4.2. Definindo a arquitectura tradicional timorense

Em termos muito gerais a arquitectura pode ser definida como a arte de construção de edifícios com intuitos estéticos e funcionais, que acolhe simultaneamente aspectos e preocupações de estilo e artísticas. Para os gregos antigos, a arquitectura era a sabedoria de construir. Modernamente, a funcionalidade e a estética são os dois pontos fulcrais que alicerçam a arquitectura e são esses os pontos-chave ao cuidado do arquitecto. A arquitectura é também o método ou o estilo de construção que caracterizam uma civilização e uma época, produto da cultura social que tem por objectivo servir a sociedade dentro de uma multi-variedade de aspectos e funções. Do ponto de vista social trata-se da estruturação dos espaços e da resolução das dificuldades relativas à organização dos lugares e à satisfação das exigências do quotidiano dos indivíduos. A arquitectura é expressão de cultura e de relações plurais humanas13.

Num sentido mais restrito, circunscrito à cultura timorense, a noção de arquitectura engloba a construção de edifícios habitáveis, tendo em vista a sua funcionalidade (acomodar pessoas e animais) e é tecnicamente assente em princípios rudimentares de engenharia. A arquitectura tradicional timorense procura satisfazer as necessidades físicas e morais das pessoas ao proporcionar abrigo seguro, comodidade, se possível economia na construção, que, no caso da arquitectura tradicional timorense tem a ver com a poupança de esforços e de energia dispensados para a sua construção.

13 Informação construída a partir da entrada “arquitectura” da Enciclopedia Universal Ilustrada

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É também um espaço e lugar de cultura onde a comunidade exprime a sua ideia de construir (ALMEIDA, CINATTI e MENDES, 1987: 26) e é uma expressão da cultura material.

A matéria-prima de construção das edificações tradicionais timorenses é inteiramente constituída por materiais de origem vegetal (ALMEIDA, CINATTI e MENDES, 1987: 26; THOMAZ, 2008: 268), amplamente disponíveis entre os recursos naturais da ilha. As casas são habitualmente construídas sobre estacas (THOMAZ, 2008: 268), variando a sua altura em relação ao solo conforme o estilo de técnica de construção da região onde se inserem. Observam-se contudo algumas habitações implantadas directamente sobre o solo, sem qualquer tipo de estacas a suportar-lhes a base da estrutura, mas estas representam apenas uma minoria do total das construções (ALMEIDA, CINATTI e MENDES, 1987: 26). O domínio europeu, nomeadamente o português, e a influência indonésia exerceram alguma influência na alteração dos estilos de construção e na introdução do tipo de casas alicerçadas directamente sobre o solo. As casas directamente assentes no solo, portanto sem estacas de madeira a elevar a plataforma que constitui a base da habitação, não são tradicionais da cultura arquitectónica dos grupos etnolinguísticos de Timor. Elas são uma introdução directa dos Portugueses e foram adoptadas por nativos, que as tentavam copiar atendendo à realidade dos estrangeiros (Portugueses).

As casas assentes directamente no solo, construídas, segundo a tipologia tradicional, em colmo e madeira, originalmente não tinham como função abrigar pessoas. Ninguém vivia nessas casas. A única funcionalidade que se sabe existir para elas é a de alojar os malai (estrangeiros) e de por vezes servirem como casas da guarda do liurai. Ainda mais excepcionalmente, algumas dessas casas poderiam desviar-se das suas funções de guarida para estrangeiros ou de vigia, sendo aproveitadas como casas de banho, o que traduz neste caso uma real aculturação de ideia da funcionalidade da casa. Colocar a casa de banho e a cozinha à parte, isto é, do lado de fora do resto da casa, é uma característica da «nova arquitectura» timorense, que encontramos actualmente um pouco por todo o território. Tradicionalmente, as habitações não possuem casas de banho, apêndice arquitectónico cuja funcionalidade é desconhecida para os Timorenses. Apenas a «cozinha», ou melhor, a lareira, onde se preparam as refeições, são dentro das casas.

O modelo português de casas, construídas em alvenaria e cimento não obedecia a nenhum estilo arquitectónico em especial, nem tampouco ia assentar as suas raízes na

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cultura tradicional arquitectónica portuguesa. Elas eram de construção simples, rápida e económica. Para os Portugueses seria algo muito mais prático que as casas tradicionais timorenses construídas em madeira e fibras vegetais. A intenção dos Portugueses ao construírem essas casas era simplesmente a de servirem como habitação para os metropolitanos. Salvo as excepções que existem em todos os casos, os colonos não iriam viver em casas de tipologia nativa, dado que não eram adequadas ao cariz civilizador emanado da administração.

Posteriormente, durante o período de ocupação colonial indonésia, estes só propagaram o que já existia, mas de um modo muito mais eficaz e em grandes quantidades. O interessante desta questão é que a transculturação dos modelos arquitectónicos das casas timorenses iniciada pelos Portugueses foi amplamente expandida pelos segundos proprietários do território, mas com objectivos estratégicos que os Portugueses não contemplavam. Os Indonésios propagavam esse modelo de construção simples e rápida de modo a realojarem facilmente grandes quantidades de pessoas num lapso de tempo relativamente curto. Neste caso, as transculturações efectuadas já não eram só ao nível da cultura arquitectónica, mas sim ao nível das abruptas mudanças que efectuavam nas populações, ao forçarem-nas ou incentivá-las a deslocarem-se das suas aldeias nativas para aldeamentos construídos com o propósito de separarem populações idênticas e de modo a enfraquecê-las através da divisão. Era literalmente dividir para reinar. Ao fazê-lo estavam a desconjuntar as raízes ancestrais dos nativos e a enfraquecer os laços familiares do clã e, numa base mais alargada, a desarticular o sentimento de agregação social do grupo tribal.

Presentemente, depois da segunda independência, em 1999, devido à influência dos largos contingentes de pessoas das zonas mais díspares do planeta que se encontram na ilha ao serviço da ONU e de organizações internacionais, a construção de habitações apresenta cada vez mais profundas influências de estilos desconexos, elaborados numa base de improviso, com materiais “modernos” que na realidade são os desperdícios e o lixo produzido pelos internacionais a viverem em Timor-Leste.

4.3. Arquitectura e simbolismo: representação identitária e etnicidade