4. ATIVISMO TRANSNACIONAL E COMUNICAÇÃO DIGITAL
4.1 DELIMITANDO O ATIVISMO E SUAS DIMENSÕES FUNDAMENTAIS
Embora o ativismo transnacional possua peculiaridades e nuances próprias, como veremos mais à frente, este deve ser compreendido sociologicamente e politicamente como parte de um fenômeno maior que é o ativismo político em geral. Por isso, para compreendê-
lo, devemos levar em conta a literatura sobre teorias da ação coletiva e dos movimentos sociais, bem como outras teorizações correlatas.
Três termos precisam ser esclarecidos pois serão bastante citados e, por vezes, intercambiados: Ativismo, ação coletiva e movimentos sociais. São terminologias que possuem um cerne em comum, mas que carregam sutis diferenças. A noção de movimentos sociais esteve historicamente vinculada a análises de movimentos de trabalhadores ou organizações operárias, principalmente na perspectiva da esquerda. A partir do século XX essa expressão sofreu alguma ampliação servindo para designar o agir de atores sociais que buscavam romper os processos de alienação e se movimentavam coletivamente para combater opressões, carregada de um certo valor moral positivo. Não por acaso, a utilização da expressão “movimento social” é incomum para denominar movimentos fascistas, racistas etc. Já a expressão “ação coletiva” se difundiu geralmente como parte dos processos de movimentos sociais ou como uma forma de falar da mobilização de um conjunto de pessoas em prol de uma causa, geralmente numa perspectiva um pouco mais ampla e nem sempre carregada da premissa da existência de classes sociais ou proletariado – mas mantendo a perspectiva do confronto – estando mais acoplada a bandeiras que envolvem direitos civis, advocacy ou inserção social de minorias (ALONSO, 2009; GOHN, 2010; MEDEIROS, 2012; NUNES, 2014).
De um modo ou de outro, mesmo esta tentativa de distinção não é exata, pois diversos analistas irão intercambiar esses termos e tanto autores liberais quanto autores de influência marxista farão uso de ambas as expressões em diversas passagens, de forma não muito diferenciada. Na verdade, não há um consenso sobre um conceito amplamente aceito sobre movimentos sociais ou sobre a ideia de ação coletiva. Para Melucci (1989):
O que é empiricamente chamado de "movimento social" é um sistema de ação que liga orientações e significados plurais. [...] Eu defino analiticamente um movimento social como uma forma de ação coletiva (a) baseada na solidariedade, (b) desenvolvendo um conflito, (c) rompendo os limites do sistema em que ocorre a ação (MELUCCI, 1989, p. 56).
Portanto, um movimento social é uma forma de ação coletiva mais estruturada. E como afirma o autor, “uma ação coletiva não pode ser explicada sem levar em conta como os recursos internos e externos são mobilizados, como as estruturas organizacionais são constituídas e mantidas, como as funções de liderança são garantidas” (Melucci, 1989, p. 56).
Somando-se a isso devemos colocar as variáveis contextuais que também interferem no surgimento e emergência de uma ação coletiva.
E o ativismo é justamente a postura pró-ativa de indivíduos que agem conjuntamente e sistematicamente em prol de uma causa, seja através de ações coletivas pontuais e menos estruturadas, seja através de um movimento coletivo estruturado mais perene. Por isso, o foco desta pesquisa é o ativismo (em sua forma transnacional) e não apenas movimentos sociais globais. Pois considera-se que, para ser importante na arena internacional, uma ação coletiva não precisa necessariamente ocorrer apenas na forma de um movimento social ou a partir de um formato organizacional tradicional. Atualmente, o ativismo, enquanto fenômeno político relevante, não está restrito à formação de movimentos sociais, mas também tem sua relevância em ações coletivas contenciosas capitaneadas por grupos mais ou menos estruturados (como ONGs, coalizões etc.), e ainda por mobilizações em rede pontuais menos estruturadas. Neste sentido, incorpora-se a contribuição de Sidney Tarrow, Doug McAdam e Charles Tilly (2001) em Dynamics of Contention quando abordam a discussão dos movimentos sociais e da ação coletiva enquanto fenômeno de confronto político. Como explica Tarrow (2012), em entrevista sobre a obra e sua recepção nos dois lados do Atlântico:
É verdade que tínhamos uma postura crítica em relação à pesquisa norte- americana por concentrar sua atenção nos movimentos, enquanto nós nos interessávamos pelo fenômeno mais geral, que viemos a chamar de “política confrontacional”. Muitos dos nossos críticos acreditavam erroneamente que estávamos apenas dando um nome novo a algo que eles já estavam estudando os movimentos sociais. Mas, na verdade, estávamos tentando estender as fronteiras da disciplina para abarcar a política confrontacional de todos os tipos. Creio que esperávamos demais dos nossos leitores americanos ao exigir que acreditassem que poderiam usar o mesmo enquadramento analítico para entender movimentos, greves, guerras civis, revoluções etc (TARROW, 2012, p. 13).
Ou seja, embora as expressões como movimentos sociais, ação coletiva, ativismo recebam usos terminológicos com sutis peculiaridades, como vimos, todas tratam, na prática, do alinhamento coletivo de indivíduos que agem ou se mobilizam politicamente em prol de um objetivo comum, com alguma estruturação e tendência ao confronto por objetivarem mudar a realidade.
Feita essa delimitação geral, um segundo esclarecimento conceitual se refere ao recorte sobre o tipo de ativismo que está sendo estudado. O fenômeno do ativismo que será
objeto desta pesquisa adota um recorte de três premissas delimitadoras: Ativismo enquanto ação (a) coletiva, (b) política e (c) não definida por preceitos morais. O adjetivo transnacional deve ser considerado uma forma, um modo de ativismo e não um novo tipo a ponto de ser conceitualmente independente. Por isso, grande parte da análise aqui proposta trata do ativismo enquanto fenômeno político contencioso e levará este para a sua forma na arena internacional.
A dimensão coletiva é aquilo que transcende o indivíduo, isto é, que envolve pelo menos um grupo de indivíduos. Para efeitos desta pesquisa, considera-se que um indivíduo isoladamente não é suficiente para constituir uma ação coletiva e não serão analisadas ações de cunho meramente individuais. A título de delimitação, estipula-se que três ou mais indivíduos podem constituir minimamente um grupo, ao passo que apenas um ou dois seria insuficiente para tanto. Ou seja, para que um grupo se forme é preciso haver alguma triangulação, sendo insuficiente a existência de um binômio. Mas a questão quantitativa é menos importante para determinar o grupo ativista. A cumplicidade entre militantes em prol de uma causa é um elemento fundamental para que uma mera aglomeração quantitativa de indivíduos se torne uma ação ativista, como aponta Jordan (2012, p. 12):
Activism is essentially something done together by many people, but we must be careful with the sense of group or collective that is employed here. What is essential to activism is not simply being more than one, as we are in a cinema, but a sense of solidarity in pursuit of transgression. There has to be a sense of shared identity, which can best be understood at this stage as people recognizing in one another the anger, fear, hope or other emotions they feel about a transgression.
Ainda que muitos movimentos nasçam a partir da ação de um indivíduo ou que tenham como símbolo uma figura individual, nestes casos, a própria ideia de liderança pressupõe que haja um movimento coletivo através do qual um conjunto de outros indivíduos seguem um líder, compartilhando valores entre si e agindo de forma conjunta. A noção de indivíduo será citada no decorrer do texto sempre no sentido figurativo, isto é, indivíduo não como ente independente mas como componente da ação coletiva mais ampla.
Já o recorte da dimensão política implica em excluir, por exemplo, mobilizações de cunho estritamente religioso, cultural, comportamental, folclórico etc. Porém, importante ressalvar que uma mobilização coletiva de caráter religioso, por exemplo, pode tornar-se um ativismo político quando ultrapassa a fronteira do privado e almeja mudanças na vida pública,
passando a agir neste sentido. Neste caso, ainda que tenha origem espiritual, trata-se de ativismo político de inspiração religiosa. Portanto, a denominação “política” não está na origem do movimento ou em suas inspirações e sim na perspectiva ideológica e em suas aspirações. Ou seja, quando os seus objetivos se configuram como bandeira que visa mudar a organização social, as relações de poder e o sentido dos bens públicos, temos um ativismo político, independente de suas origens.
Se as dimensões coletiva e política podem ser definidas a título de recorte delimitador através das estipulações descritas acima, a terceira dimensão – não definir o ativismo por preceitos morais – requer um debate teórico e uma justificativa mais prolongada. Isso ocorre pois o caráter moral como pressuposto definidor do ativismo envolve uma discussão conceitual de fundo, sendo o mecanismo da estipulação insuficiente neste caso. Atualmente, é possível encontrar autores qualificando como ativismo diversos tipos de movimentos, seja de extrema-esquerda, antissistema, extrema direita, xenófobos, fascistas, redes ativistas religiosas, grupos racistas, ONGs de advocacy etc. Mas é recorrente a vinculação da ideia de ativismo a movimentos sociais de esquerda, libertários ou que pressupõe bandeira e métodos considerados minimamente legítimos. Para Reitan (2007), por exemplo, o ativismo consiste em um papel assumido por indivíduos ou atores coletivos para resistir ao que é considerado politicamente errado ou para agir em nome de uma mudança política através de táticas pacíficas ou transgressivas. Embora esta seja uma definição razoável em alguns de seus aspectos, nota-se que se exclui qualquer tipo de violência como expressão de ativismo, o que pressupõe, enquanto conceito de ativismo, um valor moral como premissa. Esta linha de raciocínio também influenciou o ativismo transnacional principalmente quando este tema se tornou mais recorrente nas Ciências Sociais a partir dos anos de 1960. O enfoque neste momento se deu a partir da perspectiva de estudos dos movimentos sociais, os quais eram considerados ético-moralmente guiados e não-violentos. Em outras palavras, tais análises excluíam grupos que utilizavam táticas ilegais ou terroristas, por exemplo. Os estudos sobre as práticas terroristas eram realizados por uma outra seara de pesquisadores, concentrada na temática do terror. Logo, tanto autores que trabalhavam com a temática do terrorismo internacional, quanto autores relacionados aos estudos dos movimentos sociais em âmbito internacional, em geral não comungavam da mesma área.
Moore (2012) e Asal (2012) realizaram separadamente uma experiência de levantamento de tópicos relacionados ao terrorismo e movimentos sociais em um conjunto de periódicos acadêmicos. Através de métodos diferentes, os resultados são convergentes. No
caso de Asal (2012), a consulta foi realizada por meio da palavra-chave "social movements". Os primeiros 1000 artigos foram selecionados e foi feita uma triagem da palavra "terror" no título resultando em pouquíssimas correspondências, o mesmo ocorreu inversamente. No caso de Moore (2012), a procura foi realizada em revistas acadêmicas tradicionais do campo dos movimentos sociais, tais como American Journal of Sociology, American Sociological Review, and Mobilization referente às publicações do período 1960-2012. A tendência de ambas as pesquisas aponta o não estudo de terrorismo por parte dos movimentos sociais e vice-versa.
Asal (2012) relata ser problemática esta separação de ramos de estudos, já que para ele a única diferença entre terrorismo e as chamadas redes de ativismo transnacional se daria pela uso da violência pelo primeiro:
On more than one occasion I have had the unpleasant experience of being yelled at for suggesting that Al Qaeda is just as much of an activist network as the International Campaign to Ban Landmines. Indeed if you compare different transnational activist networks (TANs) across a wide spectrum of policy areas to a variety of terrorist organizations across an equally wide variety of policy areas according to their behavior and strategic use of contentious behavior (as opposed to their policy objectives which you might like or dislike) the one key difference between the groups labeled as terrorist and those that are referred to as TANs or social movements are that the
terrorist groups use violence and the “traditional” TANs do not (ASAL,
2012, s/p).
Outro fator que pode contribuir para esta separação se dá ao fato de os estudiosos de movimentos sociais trabalharem com movimentos de grande mobilização de apoiadores, o que não ocorre geralmente em grupos violentos. Assim, excluir-se-ia grupos de terrorismo (MOORE, 2012). Porém, observa-se que a cadeia trazida por grupos que usam o terror também cresce em escala e extensão, possivelmente menos visíveis publicamente.
Estas similitudes de um grupo enquadrado como terrorista com os movimentos sociais é também apontada por outros autores. Muitos pesquisadores compreendem que o estudo focado em terrorismo tem contribuído para o entendimento de violência política. Porém, nem todos se convencem de que os estudos focados em movimentos sociais são melhor compreendidos quando separados dos estudos de terrorismo, como é o caso do autor White (2012), o qual observa que muitos grupos terroristas seguiam antes o curso do ativismo político tradicional até que assumiram a luta armada após sofrerem violência do Estado. Diferentes pesquisadores consideram um avanço para os estudos de ações coletivas,
resultantes de uso de violência ou não, a aproximação de métodos de análise dos movimentos sociais com a empiria focada do terrorismo. Por exemplo, a securitização do ambiente internacional encabeçado pelos EUA, e aderido por diversos países ao redor do mundo após o 11 desetembro, alerta sobre a ameaça de um outro tipo de difusão do ativismo transnacional já que sua securitização afeta outros grupos não terroristas, como imigração por exemplo (OLESEN, 2011). Deste modo, uma análise mais ampla permite fazer cruzamentos entre o terrorismo e a imigração sem ser barrado por fronteiras engessadas de áreas de conhecimento.
Esta distinção de ramos de estudos é justificada em grande parte pelo fato de que autores que trabalham com o terrorismo são geralmente orientados por estudos de segurança firmados em estratégias de contraterrorismo. Já os autores focados nos movimentos sociais são comumente envolvidos com as causas nas quais eles apoiam e simpatizam, de tal modo que são influenciados por comprometimentos normativos (ASAL, 2012; GOODWIN, 2012; MOORE, 2012).
Com base nesta segmentação, questiona-se se o terrorismo é o domínio de um grupo especializado em violência (que não seria ativismo) ou se o terrorismo é uma tática/estratégia que alguns grupos ativistas lançam mão (YOUNG, 2012). Questionar se um movimento que utiliza táticas terroristas pode ser enquadrado como um grupo ativista envolve justamente a concepção do que é ativismo, ou seja, definir se há ou não uma premissa moral embutida na ideia do ativismo. Por isso, adentrar um pouco mais na discussão sobre o que é terrorismo e como isso se relaciona com o ativismo nos servirá para delinear as linhas conceituais que serão adotadas neste trabalho. Oberschall (2012, s/p) resume a definição de terrorismo da seguinte maneira:
There is no agreed-upon definition of terrorism, but most agree that it is collective, not individual; it is political, not criminal (although some terrorists morph into criminal); it is covert; and it is violent, the violence striking without warning and often victimizing indiscriminately officials, combatants and non-combatant civilians alike, including those belonging to groups the terrorists stand for. In the confrontation between insurgents and states, between challengers and regimes, terrorism is one of several modes of confrontation ranging from peaceful and conventional political action to extremes of collective violence.
Esse entendimento amplo de terrorismo é bastante controverso. Por exemplo, o Código44 dos Estados Unidos define terrorismo como uma violência premeditada, motivada
politicamente contra alvos não combatentes e perpetrada por grupos subnacionais ou agentes clandestinos (BRYM, 2012). O fato de excluir Estados dessa definição, como aponta Brym (2012), legitima ações estatais violentas contra alvos não combatentes, sendo muitas vezes apenas enquadradas como um ato de manutenção da segurança contra insurgentes. Notadamente o uso da violência política pode ser realizada por entes estatais ou não-estatais, porém, no caso de estudos de terrorismo comumente exclui-se os Estados ou foca-se apenas em ativistas não-estatais, apesar de muitos reconhecerem o Estado como potencial perpretador deste tipo de violência (WHITE, 2012).
É comum dentre os argumentos que denominam certos grupos como terroristas a presença de traços morais, de Direito e de regras de guerra. Porém, Porta (2012) esclarece que as ações terroristas em si seriam menos determinadas por esses traços e mais por questões ideológicas e políticas. Nesse caso, as formas da ação coletiva determinariam o terrorismo, mais do que seus fundamentos de ação (PORTA, 2012). É por isso que autores como Asal (2012) e Goodwin (2012) definem terrorismo como o ato de usar civis como alvo para prejudicá-los, seja em nome de uma causa amplamente simpatizada ou não. Tais atos, como vimos, podem ainda ser protagonizados por um governo ou ator não-governamental. Importante ressaltar que esse atos tidos como terroristas não são definidos como tais pelos agentes que os praticam, tratando-se, na realidade, de uma adjetivação vinda de fora (ASAL, 2012; WHITE, 2012).
Na análise da Global Terrorism Database (GTD)45, o terrorismo é frequentemente uma ação sem a identificação do perpretador, permitindo até três possibilidades de preenchimento para este campo em cada ataque (MILLER; LAFREE, 2012). Este é um indicativo de que as ações terroristas podem ser perpetradas por grupos muitas vezes não identificados. Ao reconhecer a dificuldade em atribuir o responsável por ataques terroristas, este estudo reforça a necessidade de se trabalhar com a ação terrorista enquanto prática de um grupo ao invés de ser definidora do grupo ou determinante para o entendimento da ação coletiva como um todo.
Observa-se que os ataques suicidas são considerados uma última ferramenta de um grupo que se acredita carente de poder tradicional frente a uma força militar estatal, sendo comumente identificada como uma tática empregada por ativistas para incitar uma resposta de
45 A instituição coletou informações de aproximadamente cem mil ataques terroristas ocorridos entre 1970 e
2010 – dados incluíam quando, onde, e como os ataques ocorreram, assim como as possíveis informações dos perpetradores (MILLER; LAFREE, 2012).
autoridades (BRYM, 2012). Esse é um exemplo do uso de práticas terroristas como última alternativa frente a outras opções de baixo impacto. No caso do ataque suicida, "Apparently, strategic thinking, cultural forces, public opinion, and emotional responses combine to incite some movement members to engage in suicide attacks" (BRYM, 2012, s/p). Moore (2012) menciona um estudo sobre o terror enquanto tática usada por grupos que propagam uma causa política com limitado apoio popular e com uma pequena base de apoiadores para mobilizar. Assim, de um lado a prática do terror seria menos atraente para grupos de amplo apoio popular, assim como o protesto em massa seria mais atraente neste caso. O poder popular tem um forte apelo, enquanto aqueles que têm menor número de apoiadores precisariam ampliar o seu poder, e a violência pode ser um artifício de ampliação deste poder (MOORE, 2012).
Miller e LaFree (2012) são categóricos ao afirmar que terrorismo é uma ferramenta de movimentos sociais objetivando realizar um objetivo comum. A dupla reconhece que identificar o perpetrador respeitando as informações obtidas a partir das fontes documentais (meios de comunicação, documentos governamentais abertos) não é uma tarefa simples, já que accountability, atribuição e responsabilidade não são características desse tipo de ação terrorista: "For just over 40% of all attacks in the GTD there is no perpetrator information available. Although perpetrators of terrorism frequently seek attention for their actions, there are times when it is not in their best interest to do so" (MILLER, LAFREE, 2012 s/p). Assim, apenas metade dos ataques terroristas são atribuídos a um grupo específico. Miller e Lafree (2012) comentam sobre a dificuldade de se atribuir responsabilidade aos ataques terroristas de alto impacto baseando-se em fontes midiáticas. Isto porque, geralmente estes meios buscam explicar o acontecimento antes mesmo de existir um quadro interpretativo razoável e também há a tendência de responsabilizarem indivíduos no intuito de personificar o ataque. Outro ponto que dificulta a identificação é a subdivisão de grupos formais em novos grupos, ou a criação de alianças, ou ainda a relocação de membros, mudança de liderança e até mesmo mudança de nomes (MILLER; LAFREE, 2012). Isto confirma o caráter não-estático dos grupos perpetradores de ataques terroristas, revelando um traço de movimento, inclusive com limiar tênue entre certos grupos. A observação desses movimentos permitiu aos autores