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CAPÍTULO I – EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DE BUTAFOSFANA MAIS

2.5 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL E ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os animais foram blocados por ordem de parição (secundíparas e multíparas) e por data prevista do parto. Como os animais estavam no primeiro dia de lactação, não houve blocagem por produção de leite. Dentro de cada um dos 52 blocos, os animais foram alocados aleatoriamente aos tratamentos.

O modelo estatístico teve os efeitos fixos de bloco, tratamento com CO, tratamento com CB e a interação de ambos, através do procedimento de modelos mistos, com análises repetidas no tempo, do procedimento MIXED do SAS (v.9.14).

Dentro do efeito de bloco foram inclusos os efeitos de ordem de parição, de data de parto e de ECC. O procedimento GLIMMIX do SAS foi utilizado para analisar dados de distribuição não normal, como incidência de doenças e índices reprodutivos. O teste de Tukey-Kramer foi utilizado para comparar as médias ajustadas de cada tratamento a um nível de significância de 5%.

Amostras MS% %RM %PB %EE %FDN %FDA %LIG %Ca %P %Na %K

39

3 RESULTADOS

Algumas informações zootécnicas relevantes no estudo são descritas a fim de relatar a situação das vacas durante o período experimental. O número médio de lactações dos animais experimentais foi de 2,85. Os animais ficaram em média 21 dias no lote pré-parto e 16 dias no pós-parto. A média de ECC das vacas no parto foi de 3,43 e na saída do lote pós-parto foi de 3,20; assim, a perda de ECC nos primeiros 16 dias foi em média de 0,23 ponto. O peso corporal das vacas no parto foi em média 722 kg e na saída do lote pós-parto foi de 683 kg. Com isso, a perda de peso médio durante o pós-parto foi de 39 kg.

Não hove diferença (P>0,05) nos resultados de aferições da temperatura em nenhum dos tempos e tratamentos. Percebeu-se que as médias se mantiveram muito próximas umas das outras: dia 1 (38,84ºC), dia 3 (38,89ºC), dia 7 (38,94ºC) e dia 14 (38,91ºC).

Na observação da frequência de dificuldade dos partos, 76,0% foram categorizados fáceis ou sem assistência, 10,5% tiveram intervenção leve e 13,5%

foram partos considerados difíceis e tiveram intervenção com tração do(a) bezerro(a).

Contudo, na distribuição em cada um dos tratamentos não houve diferença (P>0,05) no grau de dificuldade do parto. Também em relação as observações dos partos, 5,8%

foram gemelares e 94,2% simples. Da totalidade dos partos, ocorreram 11 natimortos (5,3%) e não houve nenhum caso de aborto durante o período experimental.

A fim de manter um controle e verificar a eficácia da dieta pré-parto, foram mensurados semanalmente valores de pH urinário das vacas no lote pré-parto. A média do pH urinário ao longo de 15 semanas foi de 6,42, indicando uma moderada acidose metabólica, um pouco além dos valores de pH urinário desejáveis neste período, entre 5,5 e 6,0.

As médias ajustadas e respectivos erros padrões das variáveis que foram avaliadas são apresentadas nas tabelas a seguir. Conforme pode ser observado na Tabela 3, a produção média de leite (kg/d) nos 100 primeiros dias de lactação foi maior (P<0,05) em vacas tratadas com CB e menor (P<0,05) em vacas que receberam CO como tratamento.

Nas análises dos componentes do leite (teores de gordura, proteína, lactose, sólidos totais e CCS) não foram observadas (P>0,05) diferenças entre os tratamentos.

No entanto, observou-se menores (P<0,05) valores de NUL para vacas do grupo CB (Tabela 3).

40 TABELA 3 - MÉDIAS DE PRODUÇÃO E COMPOSÃO DO LEITE DOS TRATAMENTOS E SUAS INTERAÇÕES: CN: controle negative; CO: tratamento cálcio oral; CB: tratamento cianocobalamina mais butafosfana; CP: controle positive; NUL: nitrogênio ureico no leite

EPM

P- value1 Varáveis CN COCB CP CNxCOCNxCBCNxCP Produção de leite 100 dias (kg/d) 48,12ab 47,12b 48,65a 48,00ab 0,42<0,010,030,05 Teor de gordura (%) 4,554,844,694,730,130,180,910,34 Teor de proteína (%) 3,873,913,803,800,080,810,220,71 Relação gordura:proteína1,171,271,271,260,040,290,280,25 Teor de lactose (%) 4,464,454,444,500,040,480,650,29 Teor de sólidos (%) 13,9614,3013,9614,030,160,200,400,39 NUL (mg/dL) 14,00ab 14,93a 12,75b 14,24ab 0,700,080,170,02 Escore linear CCS (log) 3,553,453,683,330,180,200,950,49

41

TABELA 4 - MÉDIAS DE CONCENTRÃO DELCIONICOE BETA-HIDROXIBUTIRATO AO LONGO DO EXPERIMENTO DO TRATAMENTOS E SUAS INTERAÇÕES: CN: controle negative; CO: tratamento cálcio oral; CB: tratamento cianocobalamina mais butafosfana; CP: controle positive; iCa: cálcio iônico; BHB: beta-hidroxibutirato.

EPM

P- value1 Varáveis CN COCB CP CNxCOCNxCBCNxCP Concentração iCa (mmol/l)0,9840,9980,9951,0180,0100,040,100,60 iCa 0h (mmol/l) 0,9770,9550,9850,9800,0130,300,240,58 iCa 12h (mmol/l) 0,960b 1,003ab 0,961ab 1,006a 0,016<0,010,890,05 iCa 24h (mmol/l) 0,9770,9780,9860,9970,0130,640,270,70 iCa 36h (mmol/l) 0,980c 1,000b 0,995bc 1,039a 0,012<0,010,03<0,01 iCa 72h (mmol/l) 1,027b 1,054ab 1,045ab 1,069a 0,0120,050,180,02 Concentração BHB fita (mmol/L)0,9440,8720,9060,9530,0600,820,700,29 BHB d3 (mmol/L) 0,8360,8100,8040,8690,0510,710,790,37 BHB d7 (mmol/L) 0,9770,9151,0210,9600,0800,450,581,00 BHB d14 (mmol/L) 1,0190,8900,8751,0310,0850,880,980,10

42 TABELA 5 - INCIDÊNCIA DE DOENÇAS NOS-PARTO COMPARANDO OS TRATAMENTOS E SUAS INTERAÇÕES: CN: controle negative; CO: tratamento lcio oral; CB: tratamento cianocobalamina mais butafosfana; CP: controle positive; HCSC: hipocalcemia subclinical; RP: retenção de placenta.

EPM

P- value1 Varáveis CN COCB CP CNxCOCNxCBCNxCP Incidência de Cetose 0,432a 0,215b 0,450a 0,384ab 0,3210,030,140,21 Incidência de HCSC 0,7270,8040,8380,8010,3790,700,350,32 HCSC 0h 0,4540,6610,5360,5880,4200,070,970,28 HCSC 12h 0,5570,4450,5930,4610,3030,080,710,88 HCSC 24h 0,5360,6130,4790,4600,2910,740,370,61 HCSC 36h 0,505a 0,450b 0,505ab 0,195c 0,321<0,010,040,05 HCSC 72h 0,2940,2220,2180,1890,3530,400,360,76 Incidência de Mastite 0,011a 0,012a 0,002b 0,006ab 0,6050,17<0,010,18 Incidência de RP 0,1380,1250,0970,0410,5300,500,370,58 Incidência de Metrite 0,1330,1210,0560,1000,5040,600,230,45

43 TABELA 6 - ANÁLISES BIOQUÍMICAS REALIZADAS NOS-PARTO COMPARANDO OS TRATAMENTOS E SUAS INTERAÇÕES: CN: controle negative; CO: tratamento cálcio oral; CB: tratamento cianocobalamina mais butafosfana; CP: controle positive.

EPMP- value1 Varáveis CN COCB CP CNxCOCNxCBCNxCP Albumina (g/dL)3,1373,1203,1443,1510,0400,90 0,640,76 Albumina d03,2653,0273,3443,3310,0800,12 0,190,16 Albumina d13,2003,1633,1383,1500,0440,96 0,550,76 Albumina d33,0643,1223,0083,0640,0580,33 0,320,99 Albumina d73,0273,1733,0793,0530,0530,27 0,530,11 Globulina (g/dL)3,1233,1603,1743,0350,1210,67 0,760,46 Globulina d02,8202,7342,7422,8420,1320,95 0,900,50 Globulina d13,0232,9752,9542,9040,0890,58 0,430,99 Globulina d33,1103,0403,5653,0070,3110,32 0,500,44 Globulina d73,5503,8543,4463,3710,2370,63 0,220,43 Proteína total (g/dL)6,2546,2676,1816,1570,0950,95 0,330,84 Proteína d06,0835,7616,0866,1730,1860,53 0,260,27 Proteína d16,2026,1386,1155,9360,1090,27 0,200,60 Proteína d36,1556,1816,0036,0860,1240,66 0,320,82 Proteína d76,6006,9736,5266,4250,2360,53 0,200,30

44 EPMP- value1 VaráveisCN COCB CP CNxCOCNxCBCNxCP NEFA (mmol/L)0,6291,0520,5950,5890,2220,35 0,270,33 NEFA d00,7100,6850,6900,6700,0600,700,800,64 NEFA d70,5220,9550,4840,5010,4550,31 0,300,97 Colesterol (mg/dL)69,52a 65,00b 70,17a 68,15ab 1,7360,03 0,210,41 Colesterol d058,3050,7160,4958,432,2430,20 0,230,22 Colesterol d163,4461,1265,3262,001,8830,13 0,460,80 Colesterol d370,8565,1467,9668,102,0500,17 0,980,15 Colesterol d786,0683,2087,3484,472,4550,24 0,600,90 Bilirubina (mg/dL)0,4540,4370,4190,4290,0210,91 0,460,64 Bilirubina d00,3820,3790,3780,3680,0250,78 0,780,90 Bilirubina d10,3710,4300,3840,4150,0330,18 0,990,69 Bilirubina d30,5920,5060,5290,5520,0550,56 0,880,32 Bilirubina d70,4280,3520,3020,3420,0460,32 0,310,33 Triglicerideo (mg/dL)8,115ab 8,851a 7,646b 8,305ab 0,4080,09 0,220,92 Triglicerideo d010,079,379,2310,230,6140,81 0,980,17 Triglicerideo d17,358,327,528,080,4280,08 0,920,64 Triglicerideo d37,868,077,107,890,5440,34 0,360,58 Triglicerideo d77,06 ab 9,63 a 6,67 b 7,01 ab 1,0030,15 0,140,27

45 EPMP- value1 VaráveisCN COCB CP CNxCOCNxCBCNxCP AST (U/L)88,3089,2882,1788,204,4550,42 0,410,57 AST d071,3561,2068,3369,262,4600,07 0,310,06 AST d182,7682,5379,1987,933,7710,26 0,800,23 AST d399,23a 93,25ab81,63b 91,91ab4,9560,66 0,050,09 AST d7100,41121,9098,98102,2210,9610,26 0,340,41 GGT (U/L)23,8023,9123,2423,291,1280,94 0,600,98 GGT d024,2722,2724,3024,530,9410,35 0,230,24 GGT d123,7523,3721,89*23,000,7610,86 42 0,10 GGT d323,1721,7420,57*21,690,9950,87 0,060,20 GGT d723,9829,2426,0523,842,8400,60 0,560,19 Ureia (mg/dL)29,8929,6427,9528,750,9200,75 0,100,54 Ureia d027,4726,0624,8126,850,9210,73 0,410,06 Ureia d127,8128,0327,7327,481,0010,99 0,750,82 Ureia d331,8731,9429,6330,161,3000,81 0,120,86 Ureia d732,7833,00*31,7830,261,1710,58 0,110,46

46 CN: controle negative; CO: tratamento cálcio oral; CB: tratamento cianocobalamina mais butafosfana; CP: controle positive; NEFA: ácido graxo não esterificado; AST: enzima aspartato transaminase; GGT: enzima glutamiltransferase; P: fósforo; Mg: magnésio.

EPM

P- value1 Varáveis CN COCB CP CNxCOCNxCBCNxCP P (mg/dL)5,1265,5405,1685.0680,2420,550,370,29 P d04,8674,4405,2004,8790,2480,140,120,83 P d14,9135,0234,9674,7670,1740,800,560,38 P d35,6245,4895,5425,6420,1810,920,840,51 P d75,0367,1354,9604,9400,8820,240,200,23 Mg (mg/dL) 2,8852,8182,9422,9330,0520,460,100,58 Mg d0 2,4222,3312,5082,7500,0960,430,100,09 Mg d1 3,6613,5613,6843,6600,0950,510,530,70 Mg d3 3,0682,9373,1042,9120,1340,230,970,82 Mg d7 2,3682,4042,4672,3900,0700,770,550,43

47 As concentrações de iCa foram maiores às 12h (P<0,01), 36h (P<0,01) e 72h pós-parto (P=0,05) no tratamento com CO e às 36h pós-parto (P<0,05) no tratamento com CB. Também houve diferença na interação CP (P<0,05) às 36h e às 72h pós-parto, com maiores concentrações de iCa nos animais CP, tratados com Ca oral e com cianocobalamina mais butafosfana. Não houve diferença (P>0,05) nas concentrações de BHB entre os grupos Tabela 4.

Na Tabela 5 estão descritas as incidências de algumas enfermidades. A incidência de cetose foi menor (P<0,05) em vacas tratatas com CO e na interação CP (P<0,05), porém na comparação de médias entre CO vs. CP não houve (P>0,05) diferença.

A incidência de hipocalcemia subclínica não foi diferente entre os tratamentos durante todo o período pós-parto, mesmo porque nesta avaliação todos os tempos são avaliados em conjunto, mesmo aqueles anteriores ao início de suplementação dos tratamentos, além de tempos muito distantes dos momentos da suplementação.

Porém no tempo 36h pós-parto, vacas do grupo CO apresentaram menor (P<0,05) incidência de HCSC comparado aos demais tratamentos. Animais do grupo CP tiveram incidências ainda menores (P<0,01) comparadas até mesmo ao grupo CO. A incidência de mastite clínica foi menor (P<0,01) no grupo de vacas CB comparada aos demais grupos. Outras incidências de desordens como deslocamento de abomaso, retenção de placenta e metrite não diferiram (P>0,05) entre os tratamentos.

Concentrações médias de albumina, globulina, proteína total, colesterol, bilirrubina, triglicerídeos, enzimas AST e GGT, ureia, P e Mg são mostradas na Tabela 6. Para vacas suplementadas apenas com CB, concentrações mais altas (P<0,05) de colesterol foram observadas comparado as vacas do grupo que foram suplementadas apenas com CO. Vacas que receberam somente CO apresentaram maiores (P<0,05) concentrações de triglicerídios em relação às vacas que receberam somente CB como tratamento. Essa diferença nas concentrações de triglicerídeos ocorreu também (P<0,05) na análise do dia 7 pós-parto.

Não houve diferença nas concentrações de AST ao longo do experimento em nenhum dos tratamentos. No entanto, quando analisado isoladamente no terceiro dia após o parto, houve menor (P<0,05) concentração de AST em vacas tratadas somente com CB em relação às vacas do CN.

Para as concentrações da enzima GGT, ao longo do estudo, não houve diferença em nenhum dos tratamentos (P>0,05). Porém, no primeiro e terceiro dia pós-parto, houve tendência (P<0,07) de menores concentrações de GGT no grupo de vacas tratadas com CB.

Apenas no sétimo dia pós-parto houve uma tendência (P=0,10) em menor concentração de ureia em vacas tratadas apenas com CO. As demais concentrações

48 de analitos, metabólitos e minerais não apresentaram nenhuma diferença entre os tratamentos.

Produção de leite 100 dias (kg/d)

kg/vaca/dia

CN CO CB CP

*

FIGURA 1 – MÉDIAS DE PRODUÇÃO DE LEITE EM 100 DIAS DE LACTAÇÃO COMPARANDO OS TRATAMENTOS E SUAS INTERAÇÕES. (*) INDICA QUAL TRATAMENTO APRESENTOU DIFERÊNÇA (P ≤0,05).

FIGURA 2 – MÉDIAS DE CONCENTRAÇÃO DE BHB (FITA) EM TRÊS DIFERENTES MOMENTOS DE AFERIÇÃO COMPARANDO OS TRATAMENTOS E SUAS INTERAÇÕES.

49

0,9 0,92 0,94 0,96 0,98 1 1,02 1,04 1,06 1,08 1,1

iCa 0h iCa 12h iCa 24h iCa 36h iCa 72h

iCa (mmol/dL)

Concentração de iCa

CO CB CP CN

*

**

FIGURA 3 - MÉDIAS DE CONCENTRAÇÃO DE iCA EM CINCO DIFERENTES MOMENTOS DE AFERIÇÃO COMPARANDO OS TRATAMENTOS E SUAS INTERAÇÕES. (*) INDICA EM QUAIS TEMPOS HOUVE DIFERÊNÇA (P ≤0,05).

0,8 0,85 0,9 0,95 1 1,05 1,1

Concentração iCa

(mmol/dL)

CN CO CB CP

*

FIGURA 4 - MÉDIAS DE CONCENTRAÇÃO DE ICA NO PÓS-PARTO COMPARANDO OS TRATAMENTOS E SUAS INTERAÇÕES. (*) INDICA EM QUAL TRATAMENTO HOUVE DIFERÊNÇA (P ≤0,05).

50

4 DISCUSSÃO 4.1 GERAL

A propriedade em que o estudo foi conduzido contém um rebanho com média de produção de leite de 40 kg/vaca/dia. Associado ao potencial genético dos animais, se tem uma nutrição e manejo impecáveis, garantindo índices zootécnicos muito acima da média da região. O manejo de pré e pós-parto são bem realizados, proporcinando um período de transição efetivo. Essa somatória de fatores positivos ao rebanho fez com que o estudo realizado tivesse um alto grau de desafio em relação às moléculas testadas. Contudo, esse desafio proporcionou um estudo concreto e com mínima interferência de fatores externos que pudessem desqualificar os resultados obtidos.

4.2 PRODUÇÃO DE LEITE

Na avaliação da produção de leite no período de 100 dias de lactação, observou-se um melhor deobservou-sempenho dos animais tratados com butafosfana mais cianocobalamina, demonstrando uma melhora no metabolismo energético, possivelmente devido a uma maior ingestão alimentar (LOPEZ et al., 2004). A

12 22 32 42 52 62

HCSC 0h HCSC 12h HCSC 24h HCSC 36h HCSC 72h

%

CN CO CB CP

*

FIGURA 5 – INCIDÊNCIA DE HCS EM CINCO DIFERENTES MOMENTOS DE AFERIÇÃO COMPARANDO OS TRATAMENTOS E SUAS INTERAÇÕES. (*) INDICA EM QUAIS TEMPOS HOUVE DIFERÊNÇA (P ≤0,05).

51 butafosfana garante a disponibilidade de maiores concentrações intracelulares de íons fosfato para formação de novas moléculas de ATP, tornando mais eficiente o ciclo de Krebs, principal responsável pela geração de energia (DENIZ, 2008). Já a vitamina B12, que tem papel fundamental como cofator enzimático e age diretamente no metabolismo energético. Possivelmente esta tenha facilitado a conversão de ácidos graxos em succinil-CoA, um passo essencial para a entrada destes no ciclo de Krebs e a sua utilização como um substrato gliconeogênico (KENNEDY et al., 1990).

Provavelmente a menor média de produção de leite no grupo de vacas tratadas apenas com CO (FIGURA 1) está relacionado ao possível estresses que o produto da suplementação oral de formiato de cálcio, forçado, causa nos animais nas primeiras horas pós-parto. Outra hipótese para a menor produção foi a menor mobilização de tecido adiposo em que as vacas do grupo CO apresentaram.

4.3 CONCENTRAÇÕES DE BETA-HIDROXIBUTIRATO (BHB)

A incidência de cetose (clínica + subclínica) encontrada no estudo (36,5%) está acima dos valores descritos para rebanhos norte-americanos de 28% (MCART et al., 2012), porém abaixo de valores encontrados por Gordin et al. (2017), de 43%. Há vários fatores de risco para cetose e entre eles está a alta produção de leite. O fato deste rebanho ser um dos mais produtivos do país, certamente contribuiu para a alta incidência de cetose verificada. A relação das concentrações de BHB sanguíneos com a data da coleta foi significativa; o pico de BHB ocorreu entre o 7º e o 14º dia pós-parto, concordando com os dados de Chang et al. (2008).

No pós-parto os animais tipicamente passam pelo balanço energético negativo e para conseguir manter a produção no início da lactação é necessário algum grau de mobilização de tecido corporal. A lipólise acentuada pode se tornar um problema, resultando em cetose, mas a mobilização reduzida pode não dar suporte à produção de leite no pós-parto. Assim, as produções de leite mais baixas para animais com concentrações de BHB inferiores a 0,6 mmol/L são resultados de uma mobilização insuficiente ou até inexistente para dar suporte à produção no início da lactação.

Assim, os resultados do presente trabalho se diferenciam um pouco dos resultados de Ospina et al. (2010) e das conclusões de LeBlanc (2017) que afirmam que a cetose afeta negativamente a produção de leite.

As concentrações de BHBA não foram afetadas significativamente para nenhum dos tratamentos (FIGURA 2) e esse resultado contraria principalmente os estudos com butafosfana mais cianocobalamina, que tipicamente relatam menores

52 concentrações de BHBA em vacas tratadas (LOHR et al., 2006, DENIZ et al., 2008, FÜRLL et al., 2010, ROLLIN et al., 2010, PEREIRA et al., 2013, GORDON et al., 2017).

Contudo, a não diferença obtida em nosso estudo pode ser explicada pelo incremento na produção de leite que vacas tratadas com CB apresentaram e, com isso, as concentrações de BHBA provavelmente seriam maiores, porém o tratamento CB fez com que as concentrações não subissem. Em outras palavras, maiores produções de leite acompanhadas de concentrações de BHB não aumentadas nos animais tratados com CB, podem ser interpretadas como um resultado favorável.

Há uma hipótese de que vacas leiteiras de alta produção no início da lactação podem ter uma deficiência relativa ou real de cianocobalamina (GIRARD e MATTE, 2005) e a falta dela pode prejudicar o metabolismo energético. A enzima metilmalonil- CoA mutase é dependente de cianocobalamina, sendo essa que transforma metilmalonil-CoA em succinil-CoA. Portanto, a cianocobalamina é importante para a entrada do propionato no ciclo de Krebs e a utilização de propionato para a gliconeogênese (MYKKÄNEN e KORPELA, 1981; GIRARD e MATTE, 2005).

4.4 CONCENTRAÇÕES DE CÁLCIO IÔNICO (iCa)

A incidência de HCSC observada no presente estudo, 78%, está muito acima dos valores encontrados em outros trabalhos. Reinhardt et al. (2011), Chamberlin et al. (2013) e Martinez et al. (2014) relataram valores de 40 a 55% de incidência de HCSC em vacas multíparas. Esse valor relativamente alto encontrado em nosso trabalho certamente está associado ao maior número de coletas realizadas durante os primeiros momentos pós-parto em comparação aos demais estudos. No presente estudo, cinco coletas foram realizadas e bastava uma das concentrações ser inferior a 1,0 mmol/L para esta vaca ser categorizada como hipocalcêmica. Se contabilizarmos apenas as primeiras 24 horas pós-parto, a incidência se reduz para aceitáveis 52%. Por outro lado, adotou-se o limiar de 1,0 mmol/L (ou 8,0 mg/dL) para diferenciar vacas hipocalcêmicas das normocalcêmicas e se adotássemos o limiar 8,6 mg/dL recomendado por Martinez et al. (2014) certamente a proporção de vacas categorizadas como hipocalcêmicas seria ainda maior.

O aumento abrupto nos requerimentos de Ca de vacas leiteiras periparturientes desafia seus mecanismos homeoréticos para manter a concentração ótima de Ca no sangue. Através dos resultados obtidos no experimento, observamos que as vacas tratadas com formiato de cálcio tiveram um incremento na concentração de iCa após

53 as aplicações no pós-parto imediato; 0 e 24 horas pós-parto. Essa diferença a favor dos animais suplementados com Ca oral se manteve por aproximadamente 12 horas após as suplementações (FIGURA 3), em concordância com os resultados de Carneiro et al. (2017), sendo que as maiores concentrações de iCa se deram com 12 e 36 horas pós-parto.

Estudos sobre o efeito do Ca oral no pós-parto têm sido promissores, particularmente em vacas multíparas e de alto potencial produtivo. Martinez et al. (2016b) demonstraram que a concentração sérica de iCa foi maior para vacas suplementadas com Ca oral (CaCl2 e CaSO4) em comparação com vacas não suplementadas. Afshar Farnia et al. (2018) compararam o efeito da combinação da dieta acidogênica no final de gestação e Ca oral (CaCl2) pós-parto, concluindo que a combinação de ambos proporcionou uma maior concentração de Ca no sangue às 6 e 12 horas após o parto e a suplementação de cálcio oral.

Em seu estudo, Oetzel (2013) fez a suplementação de cálcio oral com menor espaço de tempo entre um tratamento e outro (de 12 em 12 horas), e também suplementou com cálcio oral uma primeira dose com 12 horas antes do parto. Por mais que haja incremento na concentração de iCa nas vacas suplementadas, a grande dificuldade nesse protocolo é definir o momento correto para a suplementação no pré-parto.

A importância de entender a duração sistêmica da suplementação de cálcio oral foi e continua sendo motivo de estudos na área. As vacas absorvem uma quantidade eficaz de cálcio na circulação sanguínea em aproximadamente 30 minutos após a suplementação, mantendo concentrações aumentadas de iCa no sangue por 4 a 6 horas (OETZEL, 2013). Se as amostras forem coletadas de 8 horas em diante do tratamento, as diferenças são minimizadas ou até mesmo deixam de existir. Porém, no nosso protocolo de suplementação e com o formiato como fonte de cálcio, o grupo suplementado manteve seus níveis de cálcio distintos e mais elevados por até 12 horas após cada tratamento, comparado com grupos não tratados com cálcio oral (FIGURA 4). Os efeitos do Ca no sangue são mais prováveis de serem obtidos se o Ca oral for administrado dentro das primeiras 24 horas pós-parto (HERNANDEZ et al., 1999).

Apesar do fosfato, oriundo da molécula de Butafosfan, ter influência na absorção de Ca, o equilíbrio metabólico destes elementos é estabelecido por mecanismos dinâmicos, com rápida recuperação da relação sérica (FLASSHOFF 1974, SCHUH 1994). Os resultados refletem as respostas obtidas por Karatzias (1985), relativos à administração de solução fosfórica em vacas leiteiras, que mostraram não haver influência sobre os níveis séricos de fósforo, e consequentemente de Ca, mantendo-se os teores fisiológicos durante todo o período experimental.

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4.5 INCIDÊNCIAS DE DOENÇAS

A incidência de desordens no pós-parto está associada a um decréscimo da produção de leite. Suthar et al. (2013) ressaltaram que as doenças no início de lactação são as principais causas de perdas econômicas, seja pelo custo do diagnóstico e tratamento, ou pela redução na produtividade. Segundo Edwards e Tozer (2004), produções de leite de vacas doentes foram aproximadamente 15 kg/dia inferiores às produções de leite de vacas sadias. Os resultados nesse trabalho não foram expressivos para diminuição das desordens no pós-parto. Teoricamente, vacas que apresentam melhores níveis de cálcio nos primeiros dias pós-parto, são animais com menos desordens nesse período. Não foi observado esse comportamento para as maiorias das doenças analisadas nesse estudo.

Vacas tratadas com CO tiveram menores incidências de cetose (FIGURA 5).

Apesar da incidência ser menor para esse grupo de vacas tratadas, as concentrações de BHB não foram diferentes. Em vacas tratadas apenas com CB, foram observadas incidências menores de mastite. Provavelmente, vacas suplementadas com CB tiveram melhor aporte energético, e com isso, maior resistência a infecções na glândula mamária. Esse resultado não foi observado em outros estudos realizados com a mesma molécula.

A suplementação de cálcio oral utilizada nas vacas nas primeiras horas após o parto resulta em melhor calcemia e reflete menores incidências nos casos de hipocalcemia subclínica. Como observado no estudo, vacas suplementadas com o formiato de cálcio, além de apresentarem maiores concentrações de iCa no sangue, o grupo tratatado apresenta menor incidência de HCS nas primeiras 36 horas pós-parto. Esse resultado está de acordo com outros trabalhos em que o objetivo foi avaliar a suplementação de cálcio oral no pós-parto (MARTINEZ et al., 2016; CARNEIRO et al., 2017).

Reinhardt et al., (2011) demostraram que a HCS está relacionada a outras desordens como, retenção de placenta, metrite, mastite, deslocamento de abomaso e cetose. O aporte de cálcio nas primeiras horas é de suma importância para manter padrões fisiológicos importantes para saúde da vaca leiteira. Além de menores concentrações de hipocalcemia subclínica, vacas tratadas com CO apresentaram menores incidências de cetose (FIGURA 5). O resultado observado pode ser relacionado com melhores níveis de cácio para vacas desse grupo e, consequentemente, melhores resultados na interação entre o metabolismo mineral e energético. Também podemos concluir que as concentrações e incidências de cetose

55 foram menores nesse grupo de vacas, uma vez que a produção de leite também foi menor TABELA 1. Dessa forma, vacas que mobilizam menos reservas corporais são animais com menores incidências de cetose, porém com menores produções de leite.

4.6 ANÁLISES BIOQUÍMICAS

Confirmando os achados de Deniz et al. (2008) no tratamento com CB em vacas recém paridas não foram encontradas diferenças nas concentrações de glicose sanguínea. No entanto, contrariando os resultados de Hansel et al. (1992), que observaram uma redução nos níveis de cortisol e um consequente aumento de insulina e glicose em bovinos tratados com butafosfana e cianocobalamina. Esse resultado vem de encontro aos resultados obtidos por Cuteri et al. (2008), podendo ser atribuído ao fato da glicose ser muito estável, em função aos diversos mecanismos de homeostase da glicemia em vacas leiteiras.

As concentrações de colesterol em todos tratamentos estão abaixo de valores fisiológicos (90-120mg/dL) (KANECO, 1997), fato que não é comum no período lactacional, atribuído à maior concentração plasmática de lipoproteínas (GONZÁLEZ

As concentrações de colesterol em todos tratamentos estão abaixo de valores fisiológicos (90-120mg/dL) (KANECO, 1997), fato que não é comum no período lactacional, atribuído à maior concentração plasmática de lipoproteínas (GONZÁLEZ

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