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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

5.3. Delineamento experimental e caracterização dos tratamentos

O delineamento experimental foi realizado, com oito tratamentos, e uma repetição totalizando oito parcelas experimentais. As parcelas tinham dimensões de 22,0 × 3,5 m, totalizando uma área de 77 m2. As parcelas foram

delimitadas por chapas galvanizadas fixadas ao solo em profundidade de aproximadamente 10 cm nas laterais e na extremidade superior, sendo que na extremidade inferior havia uma calha coletora do escoamento (Figura 2).

Figura 2: Esquema de disposição das parcelas com o sistema coletor para todos os tratamentos; solo descoberto (SDPP), sucessão trigo-soja em preparo convencional (TSPC), reduzido (TSPR) e direto (TSPD), sucessão aveia-milho em preparo convencional (AMPC) e direto (AMPD), pastagem de alfafa rotacionada com trigo-soja em preparo convencional (RALF) e pastagem de setária, siratro e desmódio rotacionada com trigo-soja em preparo convencional (RSSD).

Os tratamentos avaliados estão descritos a seguir:

1- SDPP: Solo descoberto em preparo convencional desde o inverno de 1976. Essa é a parcela padrão da Equação Universal de Perdas de Solo, onde o preparo do solo é realizado no sentido do declive com uma aração com arado reversível e duas gradagens com grade hidráulica. O preparo era realizado duas vezes ao ano, simultaneamente aos preparos das parcelas com culturas anuais. Para mantê-la descoberta durante todo o ano eram realizadas capinas com enxada ou retirarada manual da vegetação espontânea. Conforme a filosofia da USLE, os valores obtidos no primeiro ano experimental não são utilizados para determinação dos fatores K e C, isto porque o primeiro ano serve para estabilização do sistema, tirando o efeito residual do manejo e cobertura do período anterior à experimentação.

2- TSPC: Sucessão trigo-soja em preparo convencional, com uma aração com arado reversível e duas gradagens, realizadas no sentido do declive incorporando os restos culturais. Os tratamentos foram semeados com semeadora de plantio direto tracionada mecanicamente. O trigo foi semeado no espaçamento de 17 cm entrelinhas, sendo depositadas 60 - 63 sementes por metro linear. A soja foi semeada com espaçamento de 50 cm entrelinhas e depositando-se 30 sementes por metro linear. A colheita era realizada manualmente com foice e a palha era espalhada por toda a parcela, antes da realização dos preparos de solo. Para obtenção do Fator C desse tratamento utilizaram-se as perdas de solo do período de junho de 1977 a maio de 1987.

3- TSPR: Sucessão trigo-soja em preparo reduzido (uma gradagem leve no sentido do declive sobre a resteva da cultura anterior), utilizando a mesma semeadora e os mesmos espaçamentos do tratamento 2. Para obtenção do Fator C desse tratamento utilizaram-se as perdas de solo do período de julho de 1979 a maio de 1987.

4- TSPD: Sucessão trigo-soja em plantio direto. A semeadura era realizada no sentido do declive, sobre a palha da cultura anterior colhida e picada, utilizando a mesma semeadora e os mesmos espaçamentos do tratamento 2. Para obtenção do Fator C desse tratamento utilizaram-se as perdas de solo do período de junho de 1977 a maio de 1987.

5- AMPC: Sucessão aveia-milho em preparo convencional, com incorporação da resteva das culturas (uma aração com arado reversível e duas gradagens, realizadas no sentido do declive). A semeadura das culturas era realizada logo após o preparo. O milho foi semeado com espaçamento entrelinhas de 100 cm, sendo depositadas 5 sementes por metro linear no sentido do declive. Para obtenção do Fator C desse tratamento utilizaram-se as perdas de solo do período de junho de 1977 a maio de 1987.

6- AMPD: Sucessão aveia-milho em plantio direto desde o verão de 1977. A semeadura era realizada sobre a palha da cultura anterior colhida e picada, utilizando a mesma semeadora e os mesmos espaçamentos do tratamento 5. Para obtenção do Fator C desse tratamento utilizaram-se as perdas de solo do período de maio de 1978 a maio de 1987.

7- RALF: Pastagem de alfafa (Medicago sativa) desde o verão de 1978 até o inverno de 1984. A pastagem era cortada de duas a seis vezes no ano e deixada sobre a parcela, como cobertura morta. A partir do inverno de 1984 a parcela passou a ser utilizada com a sucessão trigo-soja em preparo convencional. Para obtenção do Fator C da pastagem de alfafa utilizaram-se as perdas de solo do período de julho de 1979 a junho de 1984. Para obtenção do Fator C da rotação entre pastagem de alfafa e trigo-soja convencional utilizaram- se as perdas de solo do período de maio de 1978 a maio de 1987. Os dados de perdas de solo entre julho de 1984 e maio de 1987 foram utilizados para obtenção do Fator C para o efeito residual da pastagem de alfafa na sucessão trigo-soja em preparo convencional.

8- RSSD: Pastagem de setária + siratro + desmódio (Setaria sphacelata + Macroptilium atropurpureum + Desmodium ovalifolium, respectivamente) desde o verão de 1980 até o inverno de 1984. A pastagem era cortada de duas a seis vezes no ano e deixada sobre a parcela, como cobertura morta. A partir do inverno de 1984 a parcela passou a ser utilizada com a sucessão trigo-soja em preparo convencional. Para obtenção do Fator C da pastagem de setária+siratro+desmódio utilizaram-se as perdas de solo do período de junho de 1980 a junho de 1984. Para obtenção do Fator C da rotação entre pastagem de alfafa e trigo-soja convencional utilizaram-se as perdas de solo do período de junho de 1980 a maio de 1987. Os dados de perdas de solo entre julho de 1984 e maio de 1987 foram utilizados para obtenção do Fator C

para o efeito residual da pastagem de setária+siratro+ desmódio na sucessão trigo-soja em preparo convencional.

Uma visão geral da área do experimento, bem como o detalhamento de alguns tratamentos e do sistema coletor do escoamento são apresentados na Figura 3.

Figura 3: Vista de algumas parcelas experimentais de campo; (a) com milho em estádio inicial em preparo convencional; (b) parcela com soja em estágio final em preparo convencional; (c), parcela padrão (solo descoberto); e, (d) visão geral das parcelas com destaque ao sistema coletor de escoamento. (Fotos: Prof. Elemar Antonino Cassol).

As perdas de solo que ocorreram no primeiro ciclo de cada tratamento foram desconsideradas devido à correção do solo seguida de revolvimento do mesmo, bem como para estabilização de cada sistema de manejo e cobertura do solo. Assim, utilizaram-se os dados de dez anos de perdas de solo para os tratamentos 1, 2, 4 e 5; nove anos para os tratamentos 6 e 7; oito anos para o tratamento 3 e sete anos para o tratamento 8.

(a) (b)

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