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7. RESULTADOS

7.2. Experimento 2: Investigação dos efeitos do pré-tratamento com fenofibrato e

7.2.1 Delineamento experimental 2

48

7.2. Experimento 2: Investigação dos efeitos do pré-tratamento com fenofibrato e pioglitazona oral 5 dias antes da infusão intranigral de MPTP

A partir dos resultados obtidos no experimento 1, optamos por investigar se o fenofibrato e a pioglitazona teriam os mesmos efeitos benéficos comportamentais e neuroquímicos incluindo efeitos sobre a morte celular programada, ao fazer um pré-tratamento com estes fármacos. Realizamos os mesmos testes feitos no experimento anterior, porém incluímos a dosagem de caspase-3 na SNpc para mensurar a apoptose, importante característica presente na DP.

7.2.1. Delineamento experimental 2

A

49

B

Figura 16: representação esquemática do delineamento experimental 2.

7.2.1.1. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato e pioglitazona oral 5 dias antes da infusão intranigral de MPTP no teste de campo aberto

O grupo CMC + MPTP apresentou uma redução significativa da frequência de locomoção (P<0.001) e frequência de levantar (P<0.001) em comparação com o grupo CMC + sham 24 horas após a cirurgia estereotáxica. Foi encontrada uma diferença significativa entre os grupos pioglitazona + MPTP e fenofibrato + MPTP e o grupo CMC + MPTP na freqüência de locomoção (P<0.001) e frequência de levantar (P<0.001) no mesmo tempo. Além disso, o grupo CMC + MPTP não apresentou diferença significativa na freqüência de locomoção ou frequência de levantar com os demais grupos nos dias 7, 14 e 21 após a cirurgia, com efeitos significativos no tratamento [F(5.203) = 4.413, P=0.0008] e semana [F (3.203) = 5.988, P=0.0008] e uma interação tratamento  semana [F(15.203)= 2.327, P=0.0044] para a freqüência de locomoção e efeitos significativos de tratamento [F(5.216)= 5.868, P<0.0001] e semana [F(3.216)= 18.58,

50

P<0.0001] e um tratamento  interação semana [F (15.216)= 3.868, P<0.0001] para a frequência de levantar (tabela 1).

Tabela 1 - Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato e pioglitazona na frequência de locomoção e levantar no teste do campo aberto em ratos após administração intranigral de MPTP

Grupo

Tabela 1 - Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato e pioglitazona na frequência de locomoção e levantar no teste do campo aberto em ratos após administração intranigral de MPTP. Os dados são expressos como média ± sem. ***P< 0.001, comparado com o grupo CMC + sham;

###P<0.001, comparado com o grupo CMC + MPTP (ANOVA de duas vias seguida pelo teste de Bonferroni).

51

7.2.1.2. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato e pioglitazona oral 5 dias antes da infusão intranigral de MPTP no teste denatação forçada

A análise do tempo de imobilidade mostrou diferença significativa entre os grupos CMC + MPTP e CMC + sham. Uma redução significativa foi observada nos grupos fenofibrato + MPTP e pioglitazona + MPTP quando comparados com o grupo CMC + MPTP [F(5.51) = forçada 22 dias após a cirurgia. (A) tempo de imobilidade. (B) tempo de natação. Os dados são expressos como média ± sem (n = 8-10/grupo). *P<0.05, **P<0.01, comparado com o grupo CMC + sham, ###P<0.0001, ##P<0.001, em comparação com o grupo CMC + MPTP (ANOVA de uma via seguido pelo teste de Tukey).

52

7.2.1.3. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato e pioglitazona oral 5 dias antes da infusão intranigral de MPTP na esquiva ativa de duas vias

No teste de esquiva ativa, 22 dias após a administração de MPTP, uma redução do número de esquivas (P<0.05) foi observada no grupo de CMC + MPTP em comparação com o grupo CMC + sham durante a sessão de treino. Uma diferença significativa também foi encontrada entre o grupo CMC + MPTP em comparação com os grupos fenofibrato + MPTP e pioglitazona + MPTP na sessão treino e sessão de teste (figura 18). Em contrapartida, os grupos de CMC + sham (P<0.0001), fenofibrato + sham (P<0.0001) e pioglitazona + sham (P<0.0001) exibiram um aumento significativo no número de esquivas na sessão teste, em comparação com a sessão treino, com efeitos significativos de tratamento [F(5.87)= 9.167, P<0.0001] e tempo [F(1.87)= 151.6, P<0.0001], mas sem interação [F(5.87)= 0.6926, P=0.6304].

0

Figura 18 - Efeitos do fenofibrato e pioglitazona após a infusão de MPTP na tarefa de esquiva ativa de duas vias 21 dias (sessão treino) e 22 dias (sessão teste) após a cirurgia. Os dados são expressos como média ± sem (n = 8-10/grupo). *P<0.05, ***P<0.0001, comparado com o grupo CMC + sham, ###P<0.001 comparado com o grupo CMC + MPTP, +++P<0.001, em comparação com o grupo CMC + sham na sessão de treino (ANOVA de duas vias seguido pelo teste de Bonferroni).

53

7.2.1.4. Efeitos do fenofibrato e pioglitazona nos níveis de dopamina e metabólitos DOPAC e HVA no estriado

Os níveis de DA apresentaram redução significante apenas no grupo CMC + MPTP em comparação com o grupo de CMC + sham [F(5.51) = 11.04, P<0.0001]. Os grupos fenofibrato + MPTP (P<0.05) e pioglitazona + MPTP (P<0.001) foram significativamente diferentes do grupo CMC + MPTP, mas não grupo sham CMC +. sham (figura 19A). Da mesma forma, o grupo CMC + MPTP exibiram redução significativa das concentrações de DOPAC comparado ao grupo CMC + sham [F(5. 51) = 4.040, P<0.001, figura 19B]. Além disso, os grupos fenofibrato + MPTP (P<0.05) e pioglitazona + MPTP (P<0.05) foram significativamente diferentes do grupo CMC + MPTP, mas não do grupo CMC + sham. Ademais, a concentração de HVA foi significativamente reduzida no grupo de CMC + MPTP (P<0.001) em comparação com o grupo CMC + sham [F(5.51) = 5.101, P=0.0008]. Foi encontrada diferença significante entre os grupos fenofibrato + MPTP (P<0.001) e pioglitazona + MPTP (P<0.0001) em relação ao grupo CMC + MPTP, mas não ao grupo CMC + sham.

54

0 500 1000 1500

SHAM MPTP

___________

CMC FENO CMC FENO

____________

PIO PIO

**

## ###

HVA (ng/g)

Figura 19 - Efeitos do fenofibrato e pioglitazona sobre as concentrações estriatais de (A) DA, (B) DOPAC, e (C) HVA induzidos por MPTP. Os dados foram obtidos 24 horas após a exposição à neurotoxina e são expressos como média ± sem (n = 9-10/grupo). *P<0.05,

**P<0.01, ***P<0.001, comparado com o grupo CMC + sham, #P<0.05, #P<0.01, ###P<0.001, comparado com o grupo CMC + MPTP (ANOVA de uma via seguida pelo teste de Tukey).

7.2.1.5. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato e pioglitazona oral 5 dias antes da infusão intranigral de MPTP na porcentagem de neurônios positivos para TH na SNpc

A administração de MPTP levou à perda neuronal significativa na SNpc 24h após a cirurgia [F(5.103)= 11.45, P<0.0001] (figura 20A) no grupo CMC + MPTP em comparação com o grupo CMC + sham. O grupo CMC + MPTP exibiu cerca de 33% de perda neuronal após a injeção de MPTP comparado ao grupo CMC + sham. Após a injeção de MPTP, o grupo fenofibrato + MPTP foi significativamente diferente (P<0.001) do grupo CMC + MPTP (~ 20%

da perda neuronal). O grupo pioglitazona + MPTP também exibiu uma diferença significativa (P<0.001) após a administração de MPTP em comparação com o grupo de CMC + MPTP (~

19% de perda neuronal). Não foi observada diferença na perda neuronal entre os grupos pioglitazona + MPTP e fenofibrato + MPTP com o grupo CMC + sham. A figura 20B (resultado qualitativo) confirma os resultados quantitativos da imunorreatividade para TH.

C

55

0 50 100 150

CMC SHAM

FENO CMC PIO MPTP ____________PIO ____________FENO

TH-ir neurônios (% control)

***

## ##

Figura 20 - Efeito do pré-tratamento com fenofibrato e pioglitazona antes da infusão de MPTP na porcentagem de perda de neurônios imunorreativos para TH (TH-ir) na SNpc (figura 20A) e fotomicrografia de secções representativas de neurônios TH-ir (figura 20B) em ratos na SNpc 24 horas após a cirurgia. Os dados foram obtidos 24 horas após a exposição à neurotoxina e são expressos como média ± sem (n = 9-10/grupo). *P<0.05, **P<0.01, ***P<0.001, comparado com o grupo cmc + sham, #P<0.05, #P<0.01, ###P<0.001, comparado com o grupo CMC + MPTP (ANOVA de uma via seguida pelo teste de Tukey).

7.2.1.6 Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato e pioglitazona oral 5 dias antes da infusão intranigral de MPTP na ativação da caspase-3 na SNpc

A determinação da ativação de caspase-3 na SNpc foi realizada 24 horas após a infusão de MPTP. Observou-se uma diferença significativa entre o grupo CMC + MPTP e grupo CMC + sham [F(5.27)= 7.219, P=0.0004]. Além disso, observou-se uma diferença significativa entre os grupos pioglitazona + MPTP e fenofibrato + MPTP com o grupo CMC + MPTP (P<0.0001). Os grupos fenofibrato + MPTP e pioglitazona + MPTP não foram significativamente diferentes do grupo de CMC + sham, conforme mostrado na figura 21.

B A

56

Caspase-3

0 200 400 600 800

SHAM MPTP

CMC FENO PIO

____________

*

###

###

RFU/ming of proteina (x10-2 )

CMC FENO PIO

____________

Figura 21 - Determinação da ativação de caspase-3 na SNpc foi realizada 24 horas após a infusão de MPTP. Observou-se uma diferença significativa entre o grupo CMC + MPTP e grupo CMC + sham [F(5.27) = 7.219, P=0.0004]. Além disso, observou-se uma diferença significativa entre os grupos pioglitazona + mptp e fenofibrato + MPTP com o grupo CMC + MPTP (P<0.0001). Os grupos fenofibrato + MPTP e pioglitazona + MPTP não foram significativamente diferentes do grupo de CMC + sham. Os dados são expressos como média ± sem (n = 21/grupo – pool de amostras). *P<0.01, comparado com o grupo CMC + sham,

###P<0.0001, em comparação com o grupo CMC + MPTP (ANOVA de uma via seguida pelo teste de Tukey)

7.3. Experimento 3: Investigação dos efeitos do pré-tratamento com fenofibrato oral 5 dias antes do início das injeções intraperitoneais de rotenona

Conforme já dito anteriormente, a partir de todos estes efeitos benéficos dos agonistas do PPAR, queríamos investigar se havia neuroproteção contra a formação dos CL, uma característica importante presente na DP e que contribui para a morte dos neurônios dopaminérgicos. Assim, realizamos um terceiro experimento com a rotenona i.p., modelo utilizado em nosso laboratório capaz de reproduzir esta característica, e com o fenofibrato, administrado previamente à rotenona.

7.3.1. Delineamento Experimental

57

Figura 22 – Representação esquemática do delineamento experimental 3.

7.3.1.1. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato oral 5 dias antes do início das injeções intraperitoneais de rotenona no teste de campo aberto

O grupo CMC + rotenona demonstrou redução significativa na distância (P<0.001) e velocidade percorrida (P<0.01) em comparação com o grupo de CMC + óleo. Além disso, os grupos CMC + rotenona e fenofibrato + rotenona apresentaram diferença significativa entre si na distância (P<0.001) e velocidade percorrida (P<0.001) 24 horas após o último dia de tratamento com rotenona e fenofibrato. Ainda, o grupo CMC + rotenona não apresentou diferença significativa nos mesmos parâmetros em comparação com os outros grupos 7, 14 e 21 dias após o último tratamento com rotenona e fenofibrato [F (3.116) = 3.562, P=0.0164], semanas [F (3.116) = 13.34, P<0.0001] e interação [F (9.116) = 5.003, P<0.0001] na distância (figura 23A) e

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no tratamento [F (3.116) = 4.241, P=0.0070], tempo de semanas [F (3.116) = 1.778, P=0.1553] e interação [F (9.116) = 2.183, P=0.0280] na velocidade percorrida (figura 23B).

A

0 10 20 30

40 CMC+ÓLEO

FENO+ÓLEO CMC+ROTENONA FENO+ROTENONA

***

###

Dia 1 Dia 7 Dia 14 Dia 21

Distância (mt)

B

0.00 0.05 0.10

0.15 CMC+ÓLEO

FENO+ÓLEO CMC+ROTENONA FENO+ROTENONA

**

###

Dia 1 Dia 7 Dia 14 Dia 21

Velocidade (mts)

Figura 23 - Efeitos de fenofibrato (100 mg/kg) 5 dias antes do início da administração rotenona no teste de campo aberto 1, 7, 14 e 21 dias após o término do tratamento nos parâmetros de distância (figura 23A) e velocidade percorrida (figura 23B). Os valores são expressos como média ± sem (n=8-10/grupo). ***P<0.001; **P<0.01 em comparação com o grupo CMC + óleo.

###P<0.001 em comparação com o cmc + rotenona. ANOVA de duas vias seguida pelo teste post hoc de Bonferroni.

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7.3.1.2. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato oral 5 dias antes do início das injeções intraperitoneais de rotenona no teste de natação forçada

O parâmetro tempo de imobilidade mostrou um aumento significativo entre os grupos CMC + rotenona e CMC + óleo. Ao mesmo tempo, observou-se uma redução significativa no grupo fenofibrato + rotenona em comparação com o grupo CMC + rotenone [F (3.30) = 10.09, P=0.0001] (figura 24A). Além disso, o grupo fenofibrato + rotenona apresentou um aumento significativo no parâmetro tempo de natação em comparação com o grupo CMC + rotenona [F (3.30) = 6.142, P=0.0025] (figura 24B). Não houve fez diferença significativa entre os grupos CMC + óleo e fenofibrato + rotenona em ambos os parâmetros analisados. No parâmetro tempo de escalada, não houve diferença significativa entre os 4 grupos (dados não mostrados).

A B dados são expressos como média ± sem (n = 8-10/grupo). *P<0.05, **P<0.01, comparado com o grupo CMC + óleo, ###P<0.0001, ##P<0.001, em comparação com o grupo CMC + rotenona (ANOVA de uma via seguido pelo teste de Tukey).

7.3.1.3. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato oral 5 dias antes do início das injeções intraperitoneais de rotenona no teste de esquiva ativa de duas vias

60

Na esquiva ativa de duas vias realizada 22 dias após o tratamento com as duas drogas, a análise do parâmetro número de esquivas mostrou número reduzido de esquivas (P<0.05) para o grupo CMC + rotenona em comparação ao grupo CMC + óleo durante a sessão treino e teste.

Estes ratos demonstraram diferença significativa entre os grupos CMC + rotenona e fenofibrato + rotenona tanto na sessão treino quanto na sessão teste (figura 25). Além disso, houve um aumento significativo no número de esquivas no grupo CMC + óleo na sessão teste comparado com a sessão treino (P<0.001). Houve também uma diferença significativa entre os grupos CMC + rotenona e fenofibrato + rotenona, ambos na sessão treino e na sessão teste (P<0.001) como indicado pelos fatores tratamento [F(3.66) = 25.76; P<0.0001], tempo [F(1.66) = 159.2;

P<0.0001] e interação [F(3.66) = 2.188; P=0.0977].

0 10 20 30 40 50

TREINO TESTE

___________

ÓLEO ROTENONA

___________

___________

CMC FENO

___________

CMC FENO CMC FENO CMC FENO

**

ÓLEO ROTENONA

+++ ###

## ***

me ro de E s quiv a s

Figura 25 - efeitos do pré-tratamento com o fenofibrato sobre a administração de rotenona no teste de esquiva ativa de duas 22 dias após a cirurgia. Esta figura mostra o parâmetro ―número de esquivas‖. Os dados são expressos como média ± sem (n = 8-10/grupo). *P<0.05, **P<0.01, comparado com o grupo CMC + óleo, ##P<0.001, ###P<0.0001, em comparação com o grupo CMC + rotenona; +++P<0.0001 comparado ao grupo CMC + óleo no treino (ANOVA de duas vias seguido pelo teste de Bonferroni).

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7.3.1.4. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato oral 5 dias antes do início das injeções intraperitoneais de rotenona na concentração de DA e metabólitos

Vinte e três dias após o tratamento com fenofibrato e rotenona foi demonstrado que a concentração de DA estriatal estava significativamente reduzida no grupo rotenona + óleo (P<0.0001) em comparação ao grupo CMC + óleo (figura 26A). Contudo, o grupo fenofibrato + rotenona demonstrou um aumento significativo na concentração de DA quando comparado ao grupo CMC + rotenona [F(3.30) = 7.979; P<0.01]. Da mesma forma, o grupo CMC + rotenona apresentou uma redução significativa da concentração de DOPAC comparado aos grupos CMC + óleo e fenofibrato + rotenona [F(3.27)= 6.984; P<0.001] e P<0.01] respectivamente (figura 26B).

A B concentração de DA 23 dias após término do tratamento com as duas drogas. (A) concentração de da estriatal. (B) concentração de DOPAC estriatal. Os dados são expressos como média ± sem (n = 8-10/grupo). *P<0.05, **P<0.001, comparado com o grupo CMC + óleo, ##P<0.001, em comparação com o grupo CMC + rotenona (ANOVA de uma via seguido pelo teste de Tukey).

7.3.1.5. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato oral 5 dias antes do início das injeções intraperitoneais de rotenona na quantificação dos neurônios dopaminérgicos na SNpc

62

A administração de rotenona causou uma perda neuronal significante na SNpc 23 dias após a última dose das duas drogas [F (3.65) = 23.99; P<0.0001], figura 27A e figura 27B no grupo CMC + rotenona se comparado ao grupo CMC + óleo. O grupo CMC + rotenona apresentou cerca de 35% da morte neuronal após administração da toxina quando comparado ao grupo CMC + óleo. Ao mesmo tempo, o grupo fenofibrato + rotenona exibiu uma diferença significativa [P<0.0001] comparado ao grupo CMC + rotenona, cerca de 28%. Não observamos diferença entre o grupo fenofibrato + rotenona em relação ao grupo CMC + óleo na perda neuronal.

A

0 50 100 150

CMC FENO CMC

ROTENONA

____________ ____________

FENO

T H -i r n e u rô n io s (% c o n tr o le )

***

###

ÓLEO

63

Figura 27 - Efeitos do pré-tratamento com o fenofibrato sobre a administração de rotenona na quantificação de neurônios dopaminérgicos 23 dias após o término do tratamento com as duas drogas. (27A) quantificação de neurônios dopaminérgicos através de imunohistoquímica para TH. (27B) fotomicrografia de secções representativas de neurônios TH-ir na SNpc. Os dados são expressos como média ± sem (n = 8-10/grupo). ***P<0.0001, comparado com o grupo CMC + óleo, ###P<0.0001, em comparação com o grupo CMC + rotenona (ANOVA de uma via seguido pelo teste de Tukey).

7.3.1.6. Efeitos do pré-tratamento com fenofibrato oral 5 dias antes do início das injeções intraperitoneais de rotenona administradas por 28 dias na quantificação da α-sinucleina na SNpc e estriado

A forma como este experimento foi executado diferiu um pouco dos anteriores do delineamento 3. Aqui também foi realizado um pré-tratamento com fenofibrato durante 5 dias antes do início das injeções de rotenona. Porém demos continuidade ao tratamento com a rotenona por 28 dias já que com 10 dias não conseguimos visualizar os agregados de α-sinucleína (dados não mostrados). Portanto, o tratamento com fenofibrato e rotenona foi prolongado até o 28° dia após os primeiros 5 dias de tratamento com o fenofibrato, totalizando

64

33 dias.

A administração de fenofibrato atenuou a agregação de α-sinucleina causada pelas injeções de rotenona na SNpc e estriado, como mostra a figura 28A. Assim pudemos observar diferença significativa entre os grupos CMC + rotenona e fenofibrato + rotenona [F(1.53)=

15.16; P<0.01. O grupo CMC + fenofibrato apresentou 30% a menos de agregados de α-sinucleína na SN e 33% no estriado quando comparado ao grupo CMC + rotenona.

A figura 28B é uma imagem ilustrativa da presença de α-sinucleina na SNpc e estriado.

A

0 50 100 150

CMC FENO CMC FENO

__________ __________

ROTENONA ROTENONA

** *

_______ _______

Subst. Negra Estriado

-sinucleína (% controle)

B1 B2

Figura 28: Efeitos do pré-tratamento com o fenofibrato sobre a administração de rotenona na quantificação de agregados de α-sinucleina 28 dias após o início do tratamento com a rotenona.

A figura 28A mostra a quantificação dos neurônios com presença de α-sinucleina na SN e no estriado. As figura 28B1 e figura 28B2 são fotomicrografias de secções representativas de neurônios positivos para α-sinucleína na SNpc e estriado respectivamente em aumento de 10x e 40x. Os dados são expressos como média ± sem (n = 4-6/grupo). **P<0.01 e *P<0.05, comparado com o grupo CMC + rotenona, (ANOVA de duas vias seguido pelo teste de Bonferroni).

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8. DISCUSSÃO

8.1. Efeitos do fenofibrato oral administrado 1 hora após infusão com MPTP intranigral

O MPTP é comumente utilizado como modelo animal de DP. Assim, vários estudos demonstraram redução significativa dos níveis de DA estriatal em ratos lesados com esta toxina (Da Cunha et al., 2001; Sedelis et al., 2001; Dauer e Przedborski, 2003; Santiago et al., 2010;

Barbiero et al., 2011; Phani et al., 2012).

Neste primeiro experimento, o fenofibrato foi capaz de proteger contra os efeitos neurotóxicos causados pelo MPTP como hipolocomoção, comportamento tipo depressivo, estresse oxidativo e degeneração dos neurônios dopaminérgicos na SNpc com consequente redução de DA no estriado.

De forma mais específica, foi demonstrado que o fenofibrato, agonista do PPAR-α, protegeu contra a drástica redução da locomocão induzida pelo MPTP 24h após a lesão. Este resultado revelou que o fenofibrato foi eficaz para impedir a disfunção motora induzida por MPTP em ratos. Entretanto, 7, 14 e 21 dias após a cirurgia, os animais lesados com MPTP demostraram um aumento na distância e velocidade percorrida, que é sugestivo de uma recuperação do sistema dopaminérgico, demonstrado na figura 10. Esta hipocinesia observada 24h após a infusão da toxina provavelmente ocorreu pela neurodegeneração dopaminérgica da SNpc e uma conseqüente diminuição dos níveis de DA no estriado. Este comprometimento motor transitório já foi descrito por outros autores (Heikkilä e Sonsalla, 1992; Fredriksson e Archer, 1994; Sedelis et al., 2001; Tillerson et al., 2002; Perry et al., 2004). A recuperação motora demonstrada provavelmente indica que houve um mecanismo compensatório através do aumento da atividade de neurônios dopaminérgicos remanescentes. Corroborando nossos

66

resultados, Kreisler et al., (2010), demostraram que a ingestão de 0,2% de fenofibrato, durante uma semana, presente na dieta de ratos foi capaz de proteger contra a hipolocomoção um dia após a administração de MPTP. De acordo com Kreisler et al., (2007) a concentração de MPP+ na SNpc não interferiu com a administração de fenofibrato. Estes mesmos autores demonstraram que a quantificação de MPP+ foi semelhante nos grupos MPTP e MPTP + fenofibrato, concluindo que o fenofibrato não interferiu com a enzima MAO-B, responsável pela conversão de MPTP em MPP+.

Os resultados obtidos neste estudo também mostraram que a infusão intranigral bilateral de MPTP produziu comportamento tipo-depressivo conforme avaliado através do teste de natação forçada (figura 11). Para evitar que a hipolocomoção prejudicasse o efeito tipo depressivo, estes testes foram realizados após a recuperação do comprometimento motor, inicialmente prejudicada devido à lesão dopaminérgica (Lapointe et al., 2004; Lima et al., 2006;

Reksidler et al., 2007; Tadaiesky et al., 2008; Santiago et al., 2010). Assim, pudemos descartar a interferência de uma possível hipolocomoção no teste de natação forçada, o que poderia levar a um resultado falso positivo. Não encontramos trabalhos que tenham relacionado o fenofibrato com comportamento tipo depressivo, e surpreendentemente, observamos que o fenofibrato apresentou efeitos antidepressivos no comportamento tipo depressivo causado por MPTP nos dois parâmetros analisados. Este resultado foi observado pelo aumento significativo no parâmetro tempo de natação e pela redução significativa no parâmetro tempo de imobilidade do grupo MPTP + fenofibrato, quando comparado com o grupo MPTP + CMC. De acordo com Detke et al., (1995) e Costa et al., (2013), o tempo de natação está relacionado com o sistema serotoninérgico e o tempo de imobilidade com os sistemas dopaminérgico e noradrenérgico.

Deste modo, nossos resultados estão de acordo com esses autores que associam, por exemplo, a

67

neurotransmissão dopaminérgica com o comportamento de imobilidade no teste de natação forçada (Detke et al., 1995; Reneric et al., 2002; Santiago et al., 2010). Estas constatações sugerem, portanto, um envolvimento destes neurotransmissores na depressão associada a modelos animais de DP (Schrag 2004; Santiago et al., 2010; Aarsland et al., 2012; Leentjens, 2011).

Esses dados estão alinhados com o turnover de DA realizado 23 dias após MPTP que mostraram uma reversão pelo fenofibrato dos níveis reduzidos de DA. Também foi observado uma redução no turnover da DA no grupo MPTP + fenofibrato e aumento no grupo MPTP + CMC. Estes dados confirmam que o fenofibrato foi capaz de atenuar a diminuição de DA estriatal produzida pela toxina.

Embora não tenhamos dosado serotonina e noradrenalina no presente estudo, outros autores já haviam demonstrado por exemplo, que a infusão de MPTP intranigral em ratos levou à redução nos níveis de serotonina no hipocampo, 21 dias após a infusão da neurotoxina (Santiago et al., 2010). Pain et al., (2013) também observaram uma redução da serotonina no hipocampo e no mesencéfalo de camundongos que receberam infusão intraperitoneal de MPTP. Além disso, Rozas et al., (1998), apresentaram dados que mostraram que os níveis de serotonina diminuiam, uma semana após a infusão de MPTP em camundongos. Outros estudos recentes constataram que os modelos animais de DP são capazes de reproduzir o comportamento tipo depressivo, como uma comorbidade da doença (Pankova et al., 2004; Litteljohn et al., 2008, 2009; Vuckovic et al., 2008; Santiago et al., 2010, 2013; Barbiero et al., 2014). Assim, acreditamos que a possível causa do aumento do tempo de natação está relacionado com o sistema serotonérgico.

De acordo com Rivas-Arancibia (200), Dorado-Martinez (2001) e Da Cunha et al., (2001), os animais lesados com MPTP apresentaram um efeito amnésico na tarefa de esquiva,

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