4. MATERIAIS E MÉTODOS
4.2 Delineamento experimental
subcutânea, 25 cercárias por animal, conforme detalhado por Pellegrino e Macedo
(1955).
Após a infecção experimental, os animais infectados e seus controles foram
acompanhados por 8 e 14 semanas para avaliação mortalidade, carga parasitária,
patologia e resposta imulógica. Foram realizadas comparações apenas entre
camundongos do mesmo sexo e infectados com o mesmo lote de cercárias no intuito de
evitar variações dependentes desta variável.
4.2 Delineamento experimental
Antes do inicio do experimento, todos os animais utilizados foram submetidos
ao tratamento oral com 4mg/Kg de Ivermectina (Laboratório Chemitec
Agro-Veterinária, São Paulo, Brasil) por sete dias consecutivos (Klement et al.1996) e com 75
mg/Kg em dose única de Cestox®. (MERCK). No 10º dia após o final do tratamento os
camundongos fêmeas e machos entre 6 a 8 semanas foram separados nos diferentes
grupos experimentais e infectados por S.mansoni, conforme descrito anteriormente. Para
eutanásia e necropsia cada animal foi anestesiado intraperitonealmente com solução de
Ketamina e Xilazina (88 mg/Kg de Dopalen – Sespo Indústria e comércio Ltda, Jacareí,
São Paulo, Brasil e 16 mg/Kg de Kensol – Laboratórios Köing S.A., Avellaneda,
Argentina). Após a anestesia, amostra de sangue de cada animal experimental foi
coletada pelo plexo braquial e, logo em seguida, os animais foram eutanasiados por
deslocamento cervical e necropsiados para quantificação da carga parasitária e avaliação
das alterações imunológicas e patológicas. Para avaliação da carga parasitária os
animais foram inicialmente submetidos à perfusão sanguínea para recuperação dos
vermes adultos e digestão de tecidos para quantificação dos ovos retidos. A perfusão
induz a destruição do arcabouço tecidual e impede que os tecidos destes animais sejam
utilizados para a avaliação de parâmetros histopatológicos. Desta forma, grupos
separados de animais foram utilizados para a avaliação de parâmetros parasitológicos e
imunológicos e histopatológicos. Para confirmar a uniformidade das amostras quanto à
infecção, as coletas de fezes e sangue foram realizadas em todos os animais analisados.
42
Para avaliação parasitológica e imunológica na fase aguda, um total de 26
camundongos Balb/c (WT) e 18 camundongos Balb/c geneticamente deficientes no
receptor de IL-33 (ST2
-/-) foram infectados por 25 cercárias de S.mansoni e 6 animais de
cada grupo foram mantidos não infectado. Após 8 semanas da infecção, 10 animais
ST2
-/-e 14 animais WT foram anestesiados para coletada de sangue e após a eutanasia
foram utilizados para avaliação da carga parasitológica, que constou de coleta de
amostra de fezes para a confirmação de eliminação de ovos do parasito; perfusão
sanguínea para recuperação e contagem dos vermes adultos; digestão tecidual do fígado
(lobo esquerdo), baço, pulmões e intestino delgado e grosso para quantificação da
retenção de ovos nestes órgãos, os demais lobos hepáticos: lobo direito recuperação de
granuloma e o bilobado foi congelado para posterior quantificação de Hidroxiprolina.
No dia seguinte, as fezes foram coletadas dos animais restantes que, posteriormente,
foram anestesiados para coleta de sangue e necropsiados para recuperação do fígado
utilizado para as demais avaliações imunológicas: o lobo bilobado do fígado foi
separado e congelado para quantificação de citocina, atividade enzimática de peroxidase
de eosinófilo (EPO), mieloperoxidase (MPO), o lobo direito hepático foi
homogeneizado para recuperação de granulomas hepáticos, o lobo esquerdo foi
congelado para quantificação de N-acetilcosaminidase (NAG).
Para a análise da taxa de sobrevivência e as alterações da fase crônica da
infecção outro lote de 30 camundongos Balb/c (WT) e 30 camundongos Balb/c
geneticamente deficientes no receptor de IL-33 (ST2
-/-) foram infectados por 25
cercárias de S.mansoni e 8 animais de cada grupo foram mantidos não infectados. Os
eventuais casos de óbitos foram anotados semanalmente e ao final de 14 semanas os
animais foram eutanasiado e necropsiado e seguiu-se da mesma maneira descrita na fase
aguda. Finalmente, para a análise histopatológica foram utilizados 18 camundongos WT
e 18 camundongos ST2
-/-, sendo que 6 animais de cada grupo foram mantidos não
infectados, 6 animais infectados foram eutanasiados e necropsiados durante a fase aguda
e 6 na fase crônica da infecção por S. mansoni. Amostras do tecido hepático de cada
animal foram recolhidas, fixadas e montadas em parafina para as análises
histopatógicas. A figura 2 ilustra o procedimento utilizado os 3 experimentos, por meio
de organograma contendo a fases aguda, crônica e histologia.
43 Figura 2.Organograma experimental para avaliação de carga parasitária, análise bioquímica
(ALT e AST), sorológica, avaliação imunológica e avaliação histopatológica.
Fígado Histologia 88 animais Balb/c WT 70 animais Balb/c ST2 20 animais Balb/c WT 20 animais Balb/c ST2 -/-Eutanásia e Necropsia Fase Aguda(8 semanas) e Fase Crônica(14 semanas)
Perfusão Digestão Fezes Sangue Fígado
Ovos no baço, pulmão, fígado e intestino OPG Soro: IgM,IgG, IgG1, IgE, ALT, AST
EPO, MPO e citocina tecido e granuloma, Hidroxiprolina, NAG Infecção por S. mansoni 25 cercárias Observação da mortalidade Vermes
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4.2.1 Obtenção de antígenos de S. mansoni
Para obtenção de antígenos de vermes adultos (SWAP) de S. mansoni foram
utilizados camundongos Swiss infectados experimentalmente a 45-50 dias com 100
cercárias do parasito, rotineiramente utilizados no laboratório de Esquistossomose para
manutenção do parasito. Para a produção de SWAP, vermes adultos, machos e fêmeas,
foram recuperados por perfusão sanguínea dos animais infectados, realizada conforme
descrição de Pellegrino e Siqueira (1956) e detalhado a seguir. Os vermes recuperados
foram lavados, concentrados e liofilizados e mantidos em dissecador até o momento de
uso. Para a produção de antígeno, os vermes liofilizados são macerados em nitrogênio
liquido e homogeneizados em tampão fosfato (PBS - 137 mM NaCl, 2,7 mM KCl,
4,3mM Na
2HPO
4.7H
20, 1,4 mM KH
2PO
4) contendo coquetel de inibidores de proteases
(1 tablete em cada 25 mL de tampão, Boehringer Mannheim, Indianápolis, USA),
conforme descrição detalhada por Dunne et al. (1997).
Para obtenção de antígenos SEA, os ovos de S. mansoni foram obtidos a partir
do fígado dos camundongos após 45-50 dias da infeção por S. mansoni, rotineiramente
utilizados no laboratório de Esquistossomose, conforme metodologia inicialmente
descrita por Pellegrino e Katz (1968) e por Fallon & Dunne (1999) e adaptada pelo
nosso grupo de pesquisa. Sucintamente, fígados de animais infectados foram coletados e
homogeneizados em salina gelada e concentrada (2 % de NaCl) por 2 minutos em
liquidificador na menor velocidade. A seguir, o homogenato foi passado através da
malha de filó (os debris retidos foram eliminados) e o material filtrado foi decantado em
cálice de 2L, em banho de gelo ou na geladeira, por 35 minutos para que os ovos se
depositem no fundo. Passado esse período o sobrenadante foi aspirado, tomando o
cuidado de deixar no fundo do cálice uma margem segura do homogenato com os ovos,
e em seguida o sedimento foi ressuspendido em solução salina concentrada e gelada.
Esse procedimento foi repetido até a obtenção de um sobrenadante limpo. Após as
lavagens, o sedimento contendo os ovos do parasito foi filtrado em peneiras de análise
granulométrica de modo sequencial; inicialmente a solução foi filtrada em peneira Tyler
150 de abertura 106 mm/µm, na qual ficam retido sedimentos maiores, e posteriormente
o material recolhido foi passado em peneira Tyler 400 de abertura 38 mm/µm, que
retém a maioria dos ovos de S. mansoni. Os ovos retidos na peneira são recuperados e o
No documento
Izabella Chrystina Rocha
(páginas 41-45)