4 MATERIAL E MÉTODOS
4.3 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL
4.3.1 Protocolo Anestésico
O protocolo anestésico realizado em todos os animais deste estudo constatou inicialmente da medicação pré-anestésica (MPA) com acepromazina na dose de 0,1 mg/kg, não ultrapassando a dose de 1,5 ml por animal e meperidina na dose de 2 mg/kg ambas associadas na mesma seringa e administradas pela via intramuscular. Decorridos 15 minutos da MPA, o animal foi tricotomizado na região da punção da veia cefálica e na região lombo-sacra onde é feita a anestesia epidural. O acesso venoso foi obtido através da inserção de um cateter de diâmetro adequado para o tamanho do animal e iniciada a infusão de Ringer com lactato, no volume de 10 ml/kg/hr, por esta via até o final do experimento. A sedação foi obtida com a administração de propofol na dose de 3mg/kg pela via intravenosa (IV) em bolus e mantida com a infusão contínua do mesmo na dose de 0,2 mg/kg/minuto IV até o termino do procedimento cirúrgico. Para adequar a taxa de infusão do propofol os animais deveriam permanecer com todos os reflexos protetores presentes, sendo estes:
4.3.2 Fármacos e Técnica Empregados para Realização da Anestesia Epidural
O animal foi posicionado em decúbito ventral com os membros pélvicos flexionados de modo que as cristas ilíacas fossem evidenciadas (posição de esfinge). Foi realizada rigorosa assepsia com álcool-iodo-alcool na região lombo-sacro. O tamanho da agulha hipodémica variou de acordo com tamanho e estrutura física dos animais. A introdução da agulha no espaço epidural foi certificada com uma injeção de 1 ml de ar com a seringa de baixa resistência. A administração dos fármacos foi realizada de acordo com os seguintes grupos experimentais:
Grupo 1 - Foi administrado 0.40 mg/kg de bupivacaína a 0.5% e diluídos para
um volume total de 0.26 ml/kg de solução fisiológica, pela via epidural, através da agulha introduzida no espaço lombo-sacro.
Grupo 2 - Foi administrado 0.40 mg/kg de bupivacaína a 0.5% associado a
1µg/kg de sufentanil e diluídos para um volume total de 0.26 ml/kg de solução fisiológica, pela via epidural, através da agulha introduzida no espaço lombo-sacro.
O responsável pela avaliação dos animais não conheceu a natureza dos agentes administrados pela via epidural. Os animais foram aleatoriamente distribuídos nos grupos experimentais através de sorteio prévio.
Caso houvesse em algum paciente analgesia insatisfatória, fato evidenciado pela elevação superior a 20% da freqüência cardíaca, respiratória e/ou da pressão arterial, 3 mg/kg de propofol IV eram injetados e o animal era intubado e mantido em anestesia inalatória empregando-se para tanto isoflurano, inicialmente com metade da concentração alveolar mínima (0,7%), a qual era aumentada se o animal durante a cirurgia apresentasse aumento dos valores de freqüência cardíaca, respiratória ou da pressão arterial. Avalio-se quantitativamente o tempo requerido para realização da intubação nos dois grupos estudados.
4.3.3 Procedimento Cirúrgico
Os animais foram submetidos a cirurgias ortopédicas dos membros pélvicos, que provocassem dor de grau moderado a intenso.
4.3.4 Avaliação Paramétrica
A freqüência cardíaca e respiratória foram avaliadas nos períodos pré e trans-operatório, a pressão arterial, a concentração de isoflurano e do dióxido de carbono no ar expirados, foram avaliados no período trans-operatório. As avaliações paramétricas para as freqüências cardíaca e respiratória, pressão arterial, concentração expirada de isoflurano no ar e as concentrações de dióxido de carbono expiradas no ar foram avaliadas a cada 10 minutos após a realização da anestesia epidural.
4.3.4.1 Freqüência e Ritmo Cardíaco (FC)
A freqüência cardíaca expressa em movimentos por minuto e o ritmo cardíaco foram analisados através de monitor de eletrocardiograma (ECG) na derivação DII.
4.3.4.2 Freqüência Respiratória (FR)
Expressa em movimentos por minutos através da amplitude torácica uma vez que os animais não estavam intubados.
4.3.4.3 Pressão Arterial Sistólica, Diastólica e Média (PAS, PAD e PAM)
A pressão arterial invasiva foi mensurada através da colocação de um cateter, de diâmetro apropriado para cada animal na artéria metatársica do membro oposto ao que foi realizado a cirurgia, conectado ao monitor multiparamétrico.
4.3.4.4 Concentração de Isoflurano no Ar Expirado (Iso expirado)
O s valores referentes a concentração de isoflurano no ar expirado foi determinada em porcentagem, por meio de um analisador de gases acoplado entre o tubo endotraqueal e a traquéia corrugada do aparelho de anestesia.
4.3.4.5 Concentração de Dióxido de Carbono no Ar Expirado (ETCO2)
O s valores referentes a concentração de ETCO2 no ar expirado foi determinada em
milímetros de mercúrio (mmHg), por meio de um capnógrafo acoplado entre o tubo endotraqueal e a traquéia corrugada do aparelho de anestesia.
4.3.5 Metodologia para Avaliar Latência e Duração do Bloqueio Motor e Sensitivo dos Fármacos Utilizados na Anestesia Epidural
Após a realização da anestesia epidural os animais foram submetidos a um estímulo mecânico na membrana interdigital dos membros posteriores e anteriores por uma pinça hemostática protegida por um garrote borracha em cada extremidade, realizando o fechamento da cremalheira até a terceira trava nos posteriores e até a primeira trava nos anteriores. O estímulo foi repetido até a terceira trava da cremalheira da pinça hemostática a cada um minuto para avaliação do tempo de latência do bloqueio motor e sensitivo.
Ocorrendo o bloqueio motor ou sensitivo nos membros posteriores, verificado através da ausência de retração do membro pelo animal (bloqueio motor) ou ausência de manifestações dolorosas como ganido, choro ou olhar o membro submetido a pressão (bloqueio sensitivo) a avaliação foi interrompida.
O período de tempo compreendido entre a administração dos fármacos pela via epidural e a observação do relaxamento do anus também foi avaliada.
Ainda, para avaliação da extensão do bloqueio motor foi avaliado o tempo de latência nos diferentes dermátomos e em que altura da medula os fármacos chegaram através do teste do panículo, ou seja, pinçamento da pele na região da coluna entre as apófises espinhosas através da pinça hemostática.
Para avaliação da duração de ação dos fármacos, entre M4, M5, M6, foi utilizado o mesmo método descrito acima, sendo que neste caso utilizou-se o pinçamento apenas nos membros posteriores.
4.3.6 Momentos Avaliados
M0: Antes da medicação pré-anestésica.
M1: 5 minutos após administração dos agentes anestésicos no espaço epidural. M2: 20 minutos após administração dos agentes anestésicos no espaço epidural. M3: 30 minutos após o inicio da cirurgia.
M4: Imediatamente após o termino da cirurgia. M5: 60 minutos após o termino da cirurgia. M6: 120 minutos após o termino da cirurgia.
4.3.7 Metodologia para Dosagem de pH e Gases sangüíneos
As amostras sangüíneas foram colhidas nos períodos trans-operatório, nos momentos M1, M2 e M3, por uma seringa de 3ml, heparinizada, acoplada a uma torneira de três vias que por sua vez estava acoplada a um extensor, conectado a um cateter na artéria metatársica.
As amostras foram processadas no analisador de gases sangüíneos, obtendo-se o pH, pressão parcial de oxigênio (PaO2) no sangue arterial e de dióxido de carbono (PaCO2),
saturação arterial de oxigênio (SaO2) e bicarbonato (HCO3-), conforme métodos descritos por
Clark (1956) e Severinghaus e Bradley (1958).
4.3.8 Metodologia para Dosagem do Cortisol
Para determinação do cortisol as amostras sangüíneas foram colhidas nos momentos M1, M2 e M3 por uma seringa de 3ml, heparinizada, acoplada a uma torneira de três vias que estava acoplada a um extensor, conectado a um cateter na artéria metatársica.
As amostras imediatamente após a coleta foram transferidas para tubos vacutainer® e centrifugadas a 1500G durante 5 minutos.
Após a centrifugação o soro foi colocado no ependorf e congelado a -20 graus para posterior processamento.
Foi realizada uma medição quantitativa de cortisol através do teste de radioimunoensaio no soro.
A concentração sérica de cortisol foi dosada por radioimunoinsaio por um kit coat-a-count no laboratório de dosagem de hormônio do Departamento de Reprodução Animal (VRA) da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo.
4.3.9 Avaliação da Analgesia
A qualidade da analgesia no período pós-operatório foi avaliada nos momentos M4, M5 e M6 empregando-se duas escalas:
- Método de Escala Visual Analógica (EVA), esse método constitui-se da avaliação do grau de analgesia, sempre feita pelo mesmo veterinário, colocando o resultado de sua determinação em uma escala de 0 a 10cm, onde o 0 corresponde a “nenhuma” dor e 10 corresponde a “pior dor possível” (HANSEN, 1997; HOPKINS et al., 1998; LASCELLES et al., 1994; LLOYD-THOMAS, 1990 ).
- Escala do Hospital Veterinário da Universidade do Colorado constituiu-se da avaliação do grau de analgesia e sedação, sempre feita pelo mesmo veterinário, utilizando-se a pontuação descrita no quadro 1. A pontuação 0 corresponde ao animal calmo, sem dor, e a pontuação igual a 25 corresponde ao animal com a pior dor possível (HELLYER; GAYNOR, 1998).
Todos os animais receberam 2 mg/kg de cetoprofeno pela via intravenosa, dez minutos antes do termino da cirurgia, com o intuito de melhorar a qualidade analgésica dez minutos antes do termino da cirurgia.
Caso o nível de dor fosse maior ou igual a 4 na EVA e ou superior a 10 na escala da Colorado State University Teaching, era realizado o resgate com tramadol, na dose de 2 mg/kg IV.
Durante o período pós-operatório os animais foram submetidos ao pinçamento interdigital dos membros posteriores imediatamente após a cirurgia, onde avaliou-se a presença ou não de atividade motora, caracterizada por um simples tremor muscular, ou a retração do membro frente ao estímulo. Enquanto não houvesse a presença de resposta motora o paciente era mantido sobe avaliação a cada 10 minutos.
Continua
Quadro1: Escala da Colorado State University Veterinary Teaching Hospital
CATEGORIA: DESCRIÇÃO: ESCORE:
Conforto Dormindo ou calmo 0
Acordado, interessado pelos sons 1
Leve agitação; deprimido e sem interesse pelos sons 2
Agitação moderada 3
Extremamente agitado 4
Movimento Normal 0
Alteração de posição ou relutante ao movimento 1
Agitação violenta 2
Aparência Normal 0
Alterações suaves; pálpebras parcialmente fechadas; orelhas baixas ou movimentação anormal
1
Alterações moderadas; olhos fundos ou vidrados; aparência desgastada
2
Alterações severas; olhos sem brilhos; pupilas dilatadas; expressão facial de dor; posição anormal; gemidos durante a respiração; bruxismo 3 Comportamento sem manipulação Normal 0 Alterações mínimas 1
Algumas anormalidades; menor mobilidade; sem preocupação com sons
2