O estudo caracteriza-se como observacional e analítico. Foram analisados dados de 215 nadadores, sendo 80 do sexo feminino e 135 do masculino, selecionados aleatoriamente, os quais eram participantes dos principais campeonatos promovidos pela Federação Aquática Paulista (FAP). Destes atletas, 50 eram velocistas e 38 fundistas do estilo de crawl, 44 velocistas do estilo de borboleta, 40 do estilo de costas e 43 peitistas. Foi considerado atleta velocistas os especialistas nas provas que compreendem 50, 100 e 200 metros e os fundistas, especialistas em provas de 400, 800 e 1500 metros.
Após o consentimento dos dirigentes da FAP para realização da pesquisa, foram abordados os técnicos dos respectivos atletas com o intuito de aprovação. Todos os atletas foram esclarecidos sobre a pesquisa e autorizaram sua participação no estudo, mediante leitura e compreensão de um termo de consentimento livre e esclarecido (ver apêndice 1). O projeto referente ao estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FCT/UNESP- Presidente Prudente.
A coleta foi realizada de março a junho de 2009, durante as competições, e por se tratarem de eventos importantes para os participantes, à abordagem aos mesmos foi realizada em momentos distantes do período de preparação, como aquecimentos ou depois da sua prova, sem interferência no processo de recuperação ou concentração para realização de seu evento. Tal condição é sugerida por Pastre et al.(4).
31 2.2 Critérios de inclusão e exclusão
2.2.1 Critérios de inclusão:
- Aceitar o convite de participação respondendo ao inquérito e assinando o termo de consentimento livre e esclarecido.
- Ter mais de 18 anos de idade.
- Praticar natação a mais de dois anos.
- Competir os campeonatos realizados pela FAP.
2.2.2 Critérios de exclusão:
- Negar-se a assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. - Praticar natação a menos de dois anos.
- Não compreender as questões integrantes do inquérito.
- Ter tido lesões em outros momentos que não relacionados aos treinamentos e/ou competições de natação.
2.3 Técnicas e procedimentos
Os dados foram obtidos por meio de Inquérito de Morbidade Referida, utilizando como ferramenta para coleta um questionário construído a partir do modelo de Pastre et al.(4) e, conforme sugerido por Pastre(8) o instrumento foi
adaptado para atender condições especificas do esporte. Na presente pesquisa, os dados foram referentes ao tipo, local anatômico, mecanismo, momento e gravidade da(s) lesão(s).
32 Para tanto, foi elaborado um questionário específico baseado na experiência prática com a modalidade de natação. Optou-se por, no momento da entrevista, solicitar informações retroativas sobre a última temporada de treinos e competições.
Embora possa parecer um período relativamente longo para que o entrevistado possa se lembrar dos agravos ocorridos, vale lembrar que o atleta de alto rendimento possui características distintas dos não atletas. Segundo Netto Júnior(40), para este grupo a lesão é significativamente marcante e, não raro, os
impossibilita das suas atividades atléticas por determinado período de tempo, ao contrário do que se observa habitualmente em Inquéritos de Morbidade Referida em populações onde não há interesse especificamente dirigido para um tipo de agravo específico.
Por fim, deve-se esclarecer que o inquérito a ser utilizado foi previamente testado e validado por Pastre(8) no atletismo, principalmente no que se refere ao intervalo entre a exposição ao evento e o relato ao pesquisador, garantindo a fidedignidade dos achados em relatos, mesmo com intervalos de tempo de até oito meses.
Conforme o sugerido pelo mesmo autor(8), o instrumento foi adaptado para
atender condições específicas da natação. A partir disso, para garantir a fidedignidade dos dados coletados, foi realizado um piloto com 20 atletas. As principais mudanças ocorreram nos fatores relacionados ao tipo (muscular, osteo- articular e tendinopatias), mecanismo (volume, intensidade, impacto direto ou impulsivo e atividades complementares) e momento (treino de base, especifico, polimento e competição) das lesões, adaptados a realidade do ambiente atlético dos nadadores.
33 2.4 Descrição do instrumento de coleta
O questionário utilizado como instrumento de coleta de dados foi elaborado por meio de modelo fechado e contendo os dados pessoais relativas aos atletas (sexo, idade, peso, estatura, IMC, tempo de prática esportiva em anos, horas e metragem de treinamento por semana, dominância lateral, além da prova em que é especialista). Para obtenção das informações referentes às lesões, foram inseridas questões sobre o tipo de lesão, local anatômico, mecanismo causador, momento de instalação e gravidade da lesão (Apêndice 2).
Para efeito de estudo considerou-se a definição de LD a mesma utilizada por Bennell e Crossley(7), Pastre(8) e Pastre et al.(4).
O tipo de lesão era a descrição da lesão acometida pelo atleta. Quando o atleta não sabia informar o tipo de lesão que sofreu, o entrevistador definia cada lesão de forma clara e com linguagem acessível, para o esclarecimento da lesão sofrida pelo mesmo.
O local anatômico especificava o lugar de instalação da lesão no corpo dos nadadores. Assim, foi disponibilizada uma figura ilustrativa do corpo humano para que a pessoa pudesse identificar a região corporal que ocorreu a lesão (figura 1). No inquérito, o mecanismo de lesão seria a causa principal do surgimento da LD. Caracterizado pelo tipo de atividade atlética em que tais manifestações surgiram os sinais e sintomas típicos da lesão sofrida ou, em qual atividade a lesão se acentuam. Complementando a variável acima, o momento da lesão seria a fase em que o atleta sofreu a lesão prejudicando o seu planejamento dentro de um determinado ciclo de treino ou competição. Ambas as variáveis refletem a percepção subjetiva do atleta
34 segundo atividades atléticas, traduzidas por uma situação de treinamento ou competição.
Em relação à gravidade da lesão, tal item foi considerado à severidade do acometimento considerando-se a necessidade ou não de afastamento e, também, o tempo total de interrupção das atividades atléticas quando fosse o caso.
2.5 Organização e descrição das categorias das variáveis
No sentido de facilitar a análise e apresentação dos resultados, as variáveis foram subdivididas em categorias a partir de agrupamentos para representar blocos mais expressivos de resultados sem, no entanto, modificar a essência de sua origem ou as conclusões do estudo.
A variável tipo de lesão foi organizada em três grupos: lesão muscular, tendinopatias e lesões osteorticulares. Foi considerada lesão muscular, qualquer agravo nesta estrutura, como distensão, contratura, mialgia ou miosite. As tendinopatias continham agravos como, tendinite, tendinose, lesão tendínea ou outros danos específicos deste tecido. Para as lesões osteoarticulares, foram agrupados os agravos que acometiam estruturas ósseas e articulares como, entorse, luxação, fraturas, sinovite e lesões condrais(41,42).
Para determinação do local anatômico da lesão foi disponibilizada aos atletas uma figura ilustrativa do corpo humano no sentido de facilitar a identificação. Foram considerados as regiões cervicais, torácicas e lombares, ombro, braço, cotovelo, punho/mão, pelve, coxa, virilha, joelho, perna e tornozelo/pé.
No inquérito, o mecanismo de lesão é caracterizado pelo tipo de atividade atlética em que os sinais e sintomas apareceram ou se acentuaram. Dessa forma, o
35 mecanismo da lesão foi dividido nas principais condições causadoras entre os nadadores, sendo “elevado volume” (caracteriza-se por treinos para ganho de resistência e gesto esportivo excessivamente repetitivo), “elevada intensidade” (atividade de elevada velocidade e gesto esportivo excessivamente rápido e explosivo), “impacto direto ou impulsivo” (gestos específicos de saída, virada e chegada), “atividades complementares” (atividades não aquáticas, mas que estão presentes no plano de treino e ajudam no desempenho dos nadadores, como a musculação, alongamento, treinos de coordenação, de saltos e corda elástica).
O momento da lesão foi dividido em fase de treinamento e competição. A fase de treinamento compreendia o período de “base” ou bloco de preparação geral, realizado no inicio de temporada (visa ao estímulo de variadas habilidades físicas sem atenção à especificidade). O período “específico” (treinamento que exerce estímulos relacionados às modalidades, desde distância a estilos) e o período de “polimento” seria o treino regenerativo pré-competitivo que visa ao descanso do atleta para a competição.
Em relação à gravidade da lesão, consideraram-se três níveis ou graus de acometimento. Grau I é a lesão responsável pela mudança na dinâmica de treinamento seja na freqüência, volume ou intensidade sem interrupção total do mesmo. Grau II é caracterizada por aquela que resulta na interrupção, pelo período de um a sete dias, das atividades esportivas. Considerou-se lesão de Grau III, aquela que afasta o sujeito por mais de uma semana das atividades de treinamentos e competições.
36 2.6 Descrição dos custos
Os gastos referentes ao material empregado no estudo foram de caráter particular, ou seja, de responsabilidade do próprio pesquisador. Não havendo para este estudo, qualquer fonte financiadora.
2.7 Aspectos legais da pesquisa
A participação da população investigada ocorreu mediante leitura, compreensão e autorização por escrito de um termo de consentimento livre e esclarecido, o qual foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Presidente Prudente.
2.8 Procedimentos estatísticos
Para analise dos dados, inicialmente foi verificado se existia relação entre dominância lateral e sexo quanto à presença e ausência de lesão. Para esta analise foi utilizado o Odds Ratio e Intervalo de Confiança de 95%. Como os resultados não apresentaram diferenças significantes, as analises foram feitas sem distinção de dominância lateral e sexo.
Para comparação das variáveis entre os atletas com presença ou ausência de lesão, inicialmente foi determinada a normalidade dos dados por meio do teste de Kolmorov e Smirnov. Quando a distribuição normal foi aceita, o teste t de Student para amostras independentes foi aplicado (peso e altura) e nas situações onde a distribuição normal não foi aceita, foi aplicado o teste de Mann Whitney.
37 O estudo da associação entre tipo de lesão, mecanismo, e local anatômico em cada especialidade, foi feito por meio do teste de Goodman para contrastes entre e dentro de populações multinomiais.
Foram utilizadas letras minúsculas e maiúsculas para indicar as diferenças significativas entre os níveis do(s) fator(es) em comparação. A sistemática de leitura deve ser a seguinte:
i-) letras minúsculas (comparação entre letras dentro de uma coluna): usadas para comparação dos níveis do fator colocado nas linhas.
ii-) letras maiúsculas (comparação entre letras dentro uma linha): usadas para comparação dos níveis do fator colocado nas colunas.
A interpretação das letras (maiúsculas ou minúsculas) deve ser feita considerando que letras iguais mostram resultados que não são estatisticamente diferentes. Todas os testes foram feitos com nível de significância de 5%.
38 3 RESULTADOS
A tabela 1 mostra as porcentagens de ausência ou presença de lesão entre as especificidades. Não houve diferença significante em cada modalidade e entre as modalidades. Descritivamente, pode-se notar que, com exceção, aos fundistas, a maioria dos atletas foi acometida por lesão.
Tabela 1. Distribuição de freqüências, absoluta e relativa (%) segundo o estilo dos nadadores na presença ou ausência de lesão.
Lesão
Especificidade Presente Ausente
Velocistas 30 (60,00) 20 (40,00)
Fundistas 17 (44,74) 21 (55,26)
Borboleta 23 (52,27) 21 (47,73)
Costas 24 (60,00) 16 (40,00)
Peito 27 (62,79) 16 (37,21)
Pode ser visibilizada na tabela 2 que foi referida 0,99 lesão por atleta entrevistado. As maiores taxas, considerando a especificidade foram observadas para os velocistas de crawl que referiram 1,18 lesão e 1,25 em nadadores de peito. Quando calculada a taxa de lesão por atleta lesionado o maior aumento nos valores é notado para os nadadores de fundo.
Tabela 2. Distribuição da taxa de lesão por atleta e lesão por atleta lesionado nas diferentes especialidades.
Lesão
Especificidade Taxa de lesão por atleta Taxa de lesão por atleta
lesionado Velocistas 1,18 1,97 Fundistas 0,86 1,94 Borboleta 0,75 1,43 Costas 0,87 1,46 Peito 1,25 2,00 Total 0,99 1,77
39 Na Tabela 3, a distribuição das variáveis de domínio lateral e sexo foi casual para ocorrência de lesão. Descritivamente, em ambas as variáveis a presença de lesão foi maior, destacando os atletas destros e do sexo feminino.
Tabela 3. Distribuição dos participantes segundo presença de lesão, domínio lateral e sexo. Lesão
Variável Categoria Presente Ausente Total Resultado
Domínio
Lateral Canhoto Destro 100 21 77 17 177 38 IC: 0,46-1,92 Odds: 0,94 Sexo Masculino Feminino 51 70 29 65 135 80 IC: 0,93-2,88 Odds: 1,63
Na Tabela 4, observa-se valores maiores para a maioria das variáveis dos lesionados em relação aos não lesionados, somente para a kilometragem semanal os valores foram menores. As diferenças estatísticas são notadas para idade e anos de prática esportiva.
40 Tabela 4. Distribuição das variáveis pessoais e de treinamento dos participantes segundo a presença ou ausência de lesão.
Lesão
Variável Ausente Presente
Idade 19,76±2,79 19 21,19±3,63 20 * Peso 70,02±10,36 70 71,34±11,83 70,5 Estatura 1,76±0,08 1,76 1,77±0,10 1,77 IMC 22,54±2,02 22,39 22,64±1,95 22,82 Anos de Prática 11,83±4,30 12 13,77±4,88 # 14 Freqüência Semanal 7,40±1,90 8 7,84±1,66 8 Kilometragem Semanal 43,23±12,31 45 43,07±10,40 42 *diferença significante em relação à mediana da idade dos participantes que não referiram lesão. (p<0,01)
# diferença significante em relação à média dos anos de prática dos participantes que não referiram lesão. (p<0,01)
De acordo com a Tabela 5, a mediana de idade de 21 anos para os fundistas lesionados foi significantemente maior em comparação aos atletas não lesionados. Nas outras modalidades observou-se distribuição casual.
Tabela 5. Distribuição segundo idade na ausência e presença de lesão nas diferentes modalidades atléticas.
Lesão
Especialidade Ausente Presente
Velocistas 20,05±2,68 19 21,00±3,90 19 Fundistas 18,71±2,37 18 21,88±4,33 21* Borboleta 20,62±3,10 20 20,35±2,79 20 Costas 18,87±2,28 18 20,25±2,71 19,50
Peito 20,50±3,01 20 22,31±3,27 20
41 Para as modalidades, em relação aos anos de prática esportiva, houve diferença estatisticamente significante para os fundistas (mediana) e para os especialistas do estilo costas (média) (Tabela 6). Nas outras modalidades atléticas a distribuição foi casual.
Tabela 6. Distribuição das medidas descritivas dos anos de prática segundo a ausência e presença de lesão nas diferentes modalidades atléticas.
Lesão
Especialidade Ausente Presente
Velocistas 12,70±4,70 14,50 14,40±4,34 14 Fundistas 9,47±2,58 10 16,29±5,58 14* Borboleta 12,43±4,57 12 12,24±4,57 12
Costas 10,37±3,76 10 13,58±3,74# 13
Peito 14,12±4,57 13,50 13,33±5,47 13
* diferença significante em relação à mediana de prática dos participantes que não referiram lesão (p<0,05). # diferença significante em relação à média de prática dos participantes que não referiram lesão (p<0,05).
Para os velocistas do estilo crawl e peito houve maiores taxas de lesões musculares e tendíneas em relação às osteoarticulares. Para as outras especialidades não foi notada diferença. A comparação entre as especialidades em cada tipo de lesão, também mostrou uma distribuição casual (Tabela 7).
42 Tabela 7. Distribuição de freqüências, absoluta e relativa (%) do tipo de lesão segundo modalidade atlética.
Tipo de Lesão
Especialidade Lesão Muscular Osteoarticular Lesão Tendínea
Velocistas 28 (37,29) a B 6 (10,17) a A 31 (52,54) a B Fundistas 8 (24,24) a A 6 (18,18) a A 19 (57,58) a A Borboleta 13 (39,39) a A 5 (15,15) a A 15 (45,45) a A Costas 7 (20,00) a A 8 (22,86) a A 20 (57,14) a A Peito 23 (42,59) a B 7 (12,96) a A 24 (44,44) a B
Letras maiúsculas comparam os tipos (colunas) dentro de cada especialidade (linhas) (A<B) e letras minúsculas, comparam especialidades dentro de cada tipo (a<b)
Os resultados do tipo do mecanismo de lesão em cada modalidade atlética estão apresentados na Tabela 8. Para os velocistas de crawl, o volume de treino (59,32%) e as atividades complementares (32,20%) foram significantemente mais freqüentes que a intensidade de esforço (0,00%). Além disso, o volume de trabalho, também apresentou diferença significante para o impacto direto ou impulsivo (8,47%). Para os nadadores fundistas e os velocistas especialistas nos estilos borboleta e peito, o volume de trabalho foi o mecanismo mais referido e apresentou diferença estatisticamente significante em comparação aos outros mecanismos. Para os nadadores de costas a maioria das lesões ocorreram pelo volume de treino (57,14%) que apresenta diferença significante em relação à intensidade (1,85%) e impacto (1,85%).
Quando comparados os mecanismos de lesão em relação as especialidades, identificou-se que para o volume de trabalho houve uma distribuição relativa significantemente maior no estilo peito (90,74%) em relação aos nadadores de costas (57,14%) e velocistas de crawl (59,32%) e, os fundistas de crawl (87,88%) em relação aos velocistas (59,32%). Para o mecanismo atividades complementares
43 houve diferença significante entre os velocistas (32,20%) em relação aos nadadores de peito (5,56%), e casual entre os outros estilos.
Tabela 8. Distribuição de freqüências, absoluta e relativa (%) do mecanismo de lesão segundo modalidade atlética.
Mecanismo de Lesão
Especialidade Volume Intensidade Impacto Ativ. Comp.
Velocista 35 (59,32) a C 0 (0,00) a A 5 (8,47) a AB 19 (32,20) b BC Fundista 29 (87,88) bc B 0 (0,00) a A 1 (3,03) a A 3 (9,09) ab A Borboleta 24 (72,73) abc B 2 (6,06) a A 0 (0,00) a A 7 (21,21) ab A
Costas 20 (57,14) ab B 2 (5,71) a A 3 (8,57) a A 10 (28,57) ab AB Peito 49 (90,74) c B 1 (1,85) a A 1 (1,85) a A 3 (5,56) a A
Letras maiúsculas comparam os mecanismos (colunas) dentro de cada especialidade (linhas) (A<B) e letras minúsculas, comparam especialidades dentro de cada mecanismo (a<b)
Os resultados observados na tabela 9 mostram a distribuição dos momentos de ocorrência de lesão segundo a especialidade. Para os velocistas, houve maior distribuição para a base em relação aos demais (P<0,05) e o especifico em relação ao polimento e a competição. Para os fundistas, nadadores de costas e de peito os momentos de base e especifico apresentou diferença significante em relação aos demais. Para os nadadores de borboleta observou-se maior significância para o momento de base.
44 Tabela 9. Distribuição de freqüências, absoluta e relativa (%) do momento de lesão segundo modalidade atlética.
Momento da Lesão
Especialidade Base Específico Polimento Competição
Velocista 43 (72,88) a C 15 (25,42) a B 0 (0,00) a A 1 (1,69) a A Fundista 18 (54,55) a B 12 (36,36) a B 1 (3,03) a A 2 (6,06) a A Borboleta 24 (72,73) a B 6 (18,18) a A 1 (3,03) a A 2 (6,06) a A Costas 20 (57,14) a B 14 (40,00) a B 1 (2,86) a A 0 (0,00) a A Peito 32 (59,26) a B 20 (37,04) a B 2 (3,70) a A 0 (0,00) a A
Letras maiúsculas comparam os mecanismos (colunas) dentro de cada especialidade (linhas) (A<B) e letras minúsculas, comparam especialidades dentro de cada mecanismo (a<b)
Na tabela 10, notou-se que os fundistas apresentaram maior freqüência de lesões de Grau I em relação ao Grau II. Para as demais modalidades a distribuição da gravidade da lesão foi casual. Considerando a gravidade da lesão entre as especialidades, notou-se que para as de Grau III, os velocistas apresentaram maior distribuição relativa em relação aos nadadores de peito.
Tabela 10. Distribuição de freqüências, absoluta e relativa (%) da gravidade da lesão segundo modalidade atlética.
Gravidade da Lesão
Especialidade Grau I Grau II Grau III
Velocistas 18 (30,51) a A 13 (22,03) a A 28 (47,46) b A Fundistas 19 (57,58) a B 5 (15,15) a A 9 (27,27) ab AB Borboleta 14 (42,42) a A 7 (21,21) a A 12 (36,36) ab A
Costas 12 (34,29) a A 11 (31,43) a A 12 (34,29) ab A Peito 25 (46,30) a A 18 (33,33) a A 11 (20,37) a A
Letras maiúsculas comparam os tipos (colunas) dentro de cada especialidade (linhas) (A<B) e letras minúsculas, comparam especialidades dentro de cada tipo (a<b)
45 As distribuições do local de ocorrência de lesões em cada modalidade atlética apresentam-se na tabela 11. Os velocistas e fundistas de crawl têm significativamente mais lesões em MMSS que nos MMII e tronco. Para os outros estilos o local da lesão é casual. Entre os estilos, considerando o segmento anatômico, observou-se que para os MMSS os fundistas lesionam-se significativamente mais em relação aos nadadores de costas. Para os MMII, os nadadores de costas referiram mais lesões que os fundistas. Para lesões ocorridas no tronco houve uma distribuição casual entre todos os estilos.
Tabela 11. Distribuição de freqüências, absoluta e relativa (%) do local de ocorrência de lesão segundo modalidade atlética.
Local da Lesão Especialidade MMSS MMII Tronco Velocistas 32 (54,42) ab B 13 (22,03) ab A 14 (23,73) a A Fundistas 23 (69,70) b B 5 (15,15) a A 5 (15,15) a A Borboleta 18 (54,55) ab A 8 (24,24) ab A 7 (21,21) a A Costas 17 (48,57) a A 11 (31,43) b A 7 (20,00) a A Peito 18 (33,33) ab A 25 (46,30) ab A 11 (20,37) a A
Letras maiúsculas comparam os tipos (colunas) dentro de cada especialidade (linhas) (A<B) e letras minúsculas, comparam especialidades dentro de cada tipo (a<b)
A Tabela 12 descreve a distribuição dos locais anatômicos referidos em ocorrências de lesões, segundo a especialidade. Destaca-se o ombro como o local com maior ocorrência de lesão com exceção ao estilo peito que apresentou a virilha como local mais acometido.
46 Tabela 12. Distribuição de freqüências, absoluta e relativa (%) da modalidade atlética segundo local anatômico acometido.
Especialidades Local
Anatômico Velocista Fundistas Borboleta Costas Peito
Cervical (3,39) 2 (0,00) 0 (0,00) 0 (0,00) 0 (0,00) 0 Torácica (5,08) 3 (3,03) 1 (3,03) 1 (5,71) 2 (7,41) 4 Lombar (15,25) 9 (12,12) 4 (18,18) 6 (14,29) 5 (12,96) 7 Braço (5,08) 3 (6,06) 2 (0,00) 0 (0,00) 0 (1,85) 1 Cotovelo (1,69) 1 (9,09) 3 (6,06) 2 (8,57) 3 (11,11) 6 Punho/mão (0,00) 0 (3,03) 1 (0,00) 0 (5,71) 2 (0,00) 0 Ombro (47,46) 28 (51,52) 17 (48,48) 16 (34,29) 12 (20,37) 11 Pelve (3,39) 2 (0,00) 0 (0,00) 0 (0,00) 0 (5,56) 3 Coxa (5,08) 3 (3,03) 1 (0,00) 0 (2,86) 1 (5,56) 3 Virilha (0,00) 0 (0,00) 0 (0,00) 0 (0,00) 0 (22,22) 12 Joelho (13,56) 8 (6,06) 2 (15,15) 5 (14,29) 5 (11,11) 6 Perna (0,00) 0 (0,00) 0 (0,00) 0 (2,86) 1 (0,00) 0 Tornozelo/pé (0,00) 0 (6,06) 2 (9,09) 3 (11,43) 4 (1,85) 1
47 4 DISCUSSÃO
Dos 215 atletas avaliados, 121 relataram ao menos uma lesão durante a temporada corrente. Tais achados concordam com estudos de Rodeo(15) e Chenet al.(43) que verificaram elevada freqüência de lesões na natação. A exposição constante associado ao elevado volume de trabalho, como demonstrado neste trabalho, parece ser um fator determinante para tal ocorrência. Segundo Rodeo(15),
Pink e Tibone(17) e Grote et al.(20) , atletas competitivos podem nadar cerca de 10 a 20 km por dia, durante 6 a 7 vezes por semana, isso equivale aproximadamente a 2500 braçadas em um único dia, o que contribui para alto risco de lesões.
Observa-se que a relação entre sexo e domínio lateral com ocorrência de lesão teve distribuição casual, sem diferença estatística significante o que concorda com os achados de Weldon e Richardson(44), tanto para questões de gênero como da dominância lateral, e discorda de outros estudos de mesma natureza que, constataram maior freqüência de lesão entre as mulheres quando comparadas aos homens(16,23).
As características antropométricas e de treinamento foram investigadas e nota-se relação entre os anos de prática esportiva e a idade dos participantes com as ocorrências de lesão. Para os especialistas do estilo costas e fundistas houve relação entre maior exposição e ocorrência de lesões analisando a variável anos de prática. Por outro lado, a faixa etária dos participantes deste estudo, não permite hipóteses relacionadas ao envelhecimento, como as levantadas por Faulkner et al.(24) e Maharam et al.(25) que incluem perda de flexibilidade, força e potência muscular em atletas acima de 40 anos de idade.
48 Em relação as variáveis antropométricas referentes ao peso, estatura, IMC, freqüência e kilometragem semanal dos treinos, no estudo, não houve diferença significante em relação às ocorrências de lesões nos nadadores. No entanto, no estudo de Bernardi et al.(45), houve associação significante entre estatura, IMC, volume de treinamento, frequência de competições dos atletas no acometimento de lesões na modalidade de natação.
Explorações relacionadas ao tipo de lesão também foram feitas. Nota-se, para os participantes desta pesquisa que as tendinopatias são as mais citadas, independente da especialidade, o que corrobora os achados de Weldon e Richardson(44) e Rupp et al.(46). As razões abordadas para ocorrência de tal lesão