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escore de indicador de depressão igual a doze pontos (BDI), o que indica um nível leve de

depressão, confirmado pela Entrevista Diagnóstica. O pai do bebê não foi avaliado quanto à

depressão, pois não mantinha contato com sua filha, e Carla. O exame realizado pelas Escalas

Bayley revelou que Clara apresentava um desenvolvimento cognitivo, motor e sócio-emocional

esperado para a sua faixa etária (BSDI- II).

Na avaliação inicial, Carla relatou estar sentindo medo por não conseguir cuidar a bebê,

sozinha. Contou que desde a gravidez chorava muito. Carla relatou que engravidou três meses

após estar namorando o pai do bebê, o qual ela conheceu em seu ambiente de trabalho. Segundo

Carla, desde que ele soube da gravidez, eles não se viram mais, pois ele negava ser o pai. Carla

foi morar na casa de sua irmã e de seu cunhado e os dois sobrinhos, desde o início da gravidez,

para ser cuidada por eles.

2.2 Delineamento e procedimentos

Foi utilizado um delineamento de Estudo de Caso Coletivo (Stake, 1994), de caráter

longitudinal, buscando-se compreender o comportamento exploratório dos bebês, e os

comportamentos de mães com indicadores de depressão, frente ao comportamento exploratório

dos bebês em cada sessão de psicoterapia.

Tratando-se de uma pesquisa inserida no contexto da prática clínica, a pesquisadora

menciona brevemente, a seguir, as idéias de Stricker (1992) sobre a relação entre pesquisa e

prática clínica. Na concepção do autor, a pesquisa e a prática têm uma mútua dependência no

conjunto do conhecimento de disciplinas, e a relação entre elas é íntima e coordenada.

Procurando exemplificar esta relação entre pesquisa e prática, o autor afirma que os profissionais

têm um amplo conhecimento da literatura gerada pela pesquisa, a qual usam para orientar suas

intervenções e, quando as informações não estão disponíveis, a pesquisa é necessária para

preencher esta lacuna. Stricker também cita algumas características essenciais e comuns, as quais

devem ser desenvolvidas tanto por um cientista como por um profissional. Entre estas, o autor

salienta a atitude intelectual em que ambos devem observar, refletir, concluir, experimentar e

ficar alerta aos resultados, reaplicando continuamente os mesmos métodos, e nenhum

investigador nem clínico deve precipitar-se por conclusões, ou contaminar-se por preconceitos.

primeiro refere-se ao conhecimento dos resultados de pesquisa, o segundo envolve a

consideração ativa das implicações da pesquisa para o exercício da profissão, e o terceiro

considera a execução da pesquisa ou real integração da pesquisa e da prática profissional. De

acordo com o autor, o presente estudo encontra-se no terceiro nível de significado, uma vez que

busca uma integração da pesquisa sobre o comportamento exploratório dos bebês e das mães na

situação de prática profissional.

Além disso, a perspectiva relacional adotada pela autora desta tese, a qual considera tanto

os aspectos objetivos como os subjetivos para o estudo do comportamento exploratório do bebê,

no contexto da interação mãe-bebê, assim como a noção de o comportamento exploratório do

bebê estar em contínuo processo de desenvolvimento, justifica a investigação sobre o tema na

situação clínica de psicoterapia. Como parte do projeto de pesquisa longitudinal mencionado

acima (Piccinini & cols, 2003), o presente estudo seguiu os mesmos procedimentos daquele

projeto, embora não se tenha utilizado todos os instrumentos de coleta de dados detalhados

naquele projeto

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. Assim, destaca-se, a seguir, apenas os instrumentos utilizados no presente

estudo.

No primeiro contato com as mães, era preenchida a Ficha de Contato Inicial (Anexo A),

para obtenção de dados gerais de cada família, usados para verificar se ela se enquadrava nos

critérios iniciais do estudo. As famílias eram então convidadas para um encontro nas

dependências do Instituto de Psicologia da UFRGS. Neste encontro, os participantes assinavam o

Consentimento Livre e Esclarecido, que visava esclarecer os objetivos da pesquisa, o nome e o

telefone do pesquisador responsável (Anexo B). Na seqüência, aplicava-se, então, o Inventário de

Depressão de Beck – BDI (Beck & Steer, 1993), e a Entrevista Diagnóstica, para se investigar os

sintomas de depressão materna. Também era realizada a Entrevista de dados demográficos do

casal, com perguntas sobre a configuração familiar, a Entrevista sobre Gestação e Parto, a

Entrevista sobre o Relacionamento do Conjugal, bem como a filmagem da Observação da

interação mãe-bebê, pai-bebê e pais-bebê. Neste primeiro encontro, os mesmos instrumentos

eram aplicados no pai do bebê, com as devidas adaptações.

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Os seguintes instrumentos eram também aplicados na mãe: Entrevista sobre Gestação e Parto, Entrevista sobre o

Relacionamento do Conjugal. Entrevista sobre a Maternidade, Entrevista sobre o Desenvolvimento do Bebê,

Observação da interação mãe-bebê, pai-bebê e pais-bebê. Os seguintes instrumentos eram aplicados no pai:

Relacionamento do Conjugal, Entrevista sobre a Paternidade, e Entrevista sobre o Desenvolvimento do Bebê,

Observação da interação mãe-bebê, pai-bebê e pais-bebê.

No segundo encontro, que ocorria com a participação da mãe e do bebê, era realizada a

Entrevista sobre a Maternidade, a Entrevista sobre o Desenvolvimento do Bebê, e os bebês eram

examinados pela Escalas Bayley do Desenvolvimento Infantil (Bayley, 1993), para avaliação de

seu desenvolvimento cognitivo, motor e sócio-emocional. Cabe esclarecer que a avaliação dos

três bebês, considerados no presente estudo, foi realizada por uma psicóloga treinada no uso das

Escalas Bayley, a fim de não comprometer a relação terapêutica da autora.

Todos os procedimentos foram realizados no Laboratório de Observação do Instituto de

Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para que fossem gravados em áudio e

vídeo, simultaneamente.

Após o término destes encontros de avaliação pré-intervenção, cada caso era

individualmente discutido no grupo de supervisão clínica orientado pelo Dr. Luís Carlos Prado,

que se reunia semanalmente, a fim de se assegurar a indicação terapêutica para os casos. A partir

disso, a pesquisadora responsável pelo caso telefonava e agendava dia e horário para a primeira

sessão de psicoterapia, a qual ocorria, geralmente, uma semana após a avaliação pré-intervenção.

As sessões de psicoterapia também ocorriam no Laboratório de Observação, para que fossem

gravadas em áudio e vídeo. De acordo com a abordagem psicoterápica desenvolvida por Cramer

e Palácio-Espasa (1993), assim como a orientação e supervisão clínica do Dr. Luís Carlos Prado

aceitou-se nas sessões outros membros da família, segundo o consentimento das mães. Isto

ocorreu nos Casos II e III. No Caso II, os pais de Ana participaram de dois encontros

terapêuticos. No Caso III a irmã, o cunhado e o sobrinho participaram de uma sessão terapêutica.

Nestes casos, o critério utilizado para a participação dos membros da família foi o de morar na

casa. No Caso I, ocorreu o formato mais freqüente das psicoterapias da primeira idade, ou seja, a

presença da mãe, do bebê e do terapeuta (Cramer & Palácio-Espasa, 1993). Outro aspecto que

variou entre os casos atendidos, mas permitido por esta abordagem psicoterapêutica, foi o

número de sessões psicoterapêuticas. O Caso I participou de 12 sessões, o Caso II 8 sessões, e o

Caso III 9 sessões. Todos os casos tiveram variações de duração de tempo em cada sessão, mas

ocorria em torno de uma hora.

As participantes foram informadas sobre o número de sessões disponíveis para cada uma

delas, e da filmagem das sessões de psicoterapia. Caso houvesse necessidade, após o período de

atendimento oferecido gratuitamente, as participantes eram encaminhadas para atendimento

oferecido pela Clínica de Atendimento Psicológico da UFRGS. Isto ocorreu apenas no Caso I,

pois verificou-se a necessidade de uma psicoterapia de casal, que se estendeu após o atendimento

oferecido como parte do presente projeto.