Políticas Macroeconômicas
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3. Demanda Agregada e Oferta Agregada
3.1 Demanda Agregada
A curva de demanda agregada (DA) é a relação entre a quantidade demandada de todos os bens e serviços e o nível de preço da economia.
Y = C + i + G + eL
Sendo: (a) Y = PIB real; (b) C = Consumo; (c) I = Investimento; (d) G = Compras do governo;
(e) EL = Exportações líquidas = Exportações – Importações.
A quantidade demandada depende inversamente do nível de preços: quanto menor o nível de preços, maior a quantidade demandada (e vice-versa). Para entender a inclinação negativa da curva de DA, supondo que G seja dado pela política do governo, é necessário explicar como as variações em P afetam C, I, e EL (MANKIW, p. 694-697; KRUGMAN; WELLS, p.
632-633; SAMUELSON; NORDHAUS, p. 383; BLANCHARD, p. 124-125):
• Efeito riqueza (relação entre P e C): se P aumenta, o dinheiro das pessoas compra menos bens, logo a riqueza real das pessoas fica menor e C cai.
• Efeito taxa de juros (relação entre P e I): se P aumenta, as pessoas precisam de mais dinheiro para comprar bens e serviços (efeito riqueza). Dada a oferta de moeda, o aumento da demanda de moeda acarreta o aumento da taxa de juros. E o aumento da taxa de juros leva à queda de I.
• Efeito taxa de câmbio (relação entre P e EL): se P aumenta, as taxas de juros sobem (efeito taxa de juros). Aumenta a demanda de estrangeiros por ativos financeiros domésticos, logo aumenta a oferta de moeda estrangeira no mercado de câmbio. A taxa de câmbio se aprecia, favorecendo as importações e prejudicando as exportações, logo EL cai.
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• Resumo: a curva de DA tem inclinação negativa porque um aumento em P reduz a quantidade demandada de bens e serviços porque caem: C (efeito riqueza), I (efeito taxa de juros) e El (efeito taxa de câmbio).
A DA também aumenta para um nível dado de P, se algum evento (que não P) aumenta C, I, G ou EL (nesse caso, a curva de DA se desloca para a direita), com destaque para mudanças: nas expectativas, na riqueza, no estoque de capital físico, na política fiscal, na política monetária. Exemplos: (a) Aumento de C: aumento da riqueza das famílias (aumento do preço das ações, etc.), aumento da preferência das famílias para consumir mais e poupar menos; efeito de corte dos impostos; expectativas otimistas; etc. (b) Aumento de I: expectativas otimistas; efeitos da queda da taxa de juros; incentivos fiscais; etc. (c) Aumento de G: aumento dos gastos sociais, etc. (d) Aumento de EL: crescimento econômico nos países que compram nossas exportações; aumento das exportações por causa de depreciação da taxa de câmbio, etc. (MANKIW, p. 697-698; KRUGMAN; WELLS, p. 635-637; SAMUELSON; NORDHAUS, p.
384; BLANCHARD, p. 125-126).
3.2 Oferta Agregada de Longo Prazo
A curva de oferta agregada (OA) é a relação entre a quantidade ofertada total de bens e serviços e o nível geral de preços da economia. A curva de oferta agregada de longo (médio) prazo (OALP) é vertical (perfeitamente inelástica). A quantidade ofertada de longo (médio) prazo é fixa e dada pela taxa natural de produção (Yn) (MANKIW, p. 698-700; KRUGMAN;
WELLS, p. 745-746).
Yn representa o montante de produção que a economia produz quando o desemprego está em sua taxa natural (un). Yn é também chamada de produção potencial ou produção de pleno emprego. Yn não depende de P (dicotomia clássica). Yn é determinada pelas variáveis reais que impactam a função de produção agregada: tecnologia, trabalho, capital físico, capital humano e recursos naturais (MANKIW, p. 508-511; KRUGMAN; WELLS, p. 642-645):
Y = A * F(L, K, H, n)
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(d) K = Capital físico: estoque de máquinas, equipamentos e estruturas utilizadas na produção;
(e) H = Capital humano: conhecimento e habilidades que os trabalhadores adquirem por meio de educação, treinamento, saúde, etc.; (f) N = Recursos naturais: insumos de produção que a natureza oferece, como por exemplo, terrenos, depósitos minerais, água, etc.
A curva OALP se desloca quando um evento altera os determinantes de Yn. Exemplos de aumento da OALP (deslocamento da OALP para a direita): (a) Aumento de A: inovações tecnológicas que aumentam a produtividade; (b) Aumento de L: imigração, queda da taxa natural de desemprego, etc.; (c) Aumento de K: investimentos; (d) Aumento de H: melhoria das condições de educação, etc.; (e) Aumento de N: novas jazidas minerais; etc. (MANKIW, p. 700-701).
3.3 Oferta Agregada de Curto Prazo
A curva de oferta agregada de curto prazo (OACP) é positivamente inclinada. Num período curto de tempo, um aumento em P tende a provocar um aumento na quantidade de bens e serviços ofertados. Temos três teorias que procuram explicar a inclinação positiva da OACP, todas considerando como causa principal algum tipo de imperfeição (temporária) dos mercados (MANKIW, p. 702-705; KRUGMAN; WELLS, p. 638-640):
• Teoria dos salários rígidos: os salários nominais são rígidos no curto prazo, ajustam-se lentamente, devido aos contratos de trabalho e normas sociais. As empresas e os trabalhadores definem o salário nominal antecipadamente com base nos preços esperados (PE). Se P > PE, a receita da empresa é maior, mas os salários nominais estão fixos. A produção fica mais rentável, por isso as empresas aumentam a produção e o emprego.
Assim, o aumento de P causa o aumento de Y, então a curva OACP é positivamente inclinada.
• Teoria dos preços rígidos: muitos preços são rígidos no curto prazo, devido ao “custo de menu”, que são os custos de reajuste de preços (imprimir novos menus, alterar etiquetas de preços, etc.). As empresas estabelecem preços antecipadamente baseados em PE.
Se o Banco Central aumentar a oferta de dinheiro de forma inesperada, no curto prazo, as empresas, sem “custo de menu” podem aumentar seus preços imediatamente. As Aula 04
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empresas com “custo de menu” esperam para aumentar seus preços, o que aumenta a demanda por seus produtos, então elas aumentam a produção e o emprego. Assim, P superior é associado com Y superior, então a curva OACP é positivamente inclinada.
• Teoria das percepções equivocadas: as empresas podem confundir as mudanças em P com as mudanças no preço relativo dos produtos que vendem. Se P>PE, a empresa vê o seu aumento de preço antes de perceber que todos os preços estão subindo. A empresa pode acreditar que seu preço relativo está subindo, e pode aumentar a produção e o emprego. Assim, um aumento em P pode causar um aumento em Y, fazendo a curva OACP positivamente inclinada.
Essas três teorias têm em comum que, no curto prazo, Y desvia de Yn quando P desvia de PE (MANKIW, p. 705-707):
Y = Yn + a (P – Pe)
• Onde: (a) Y = Produção; (b) Yn = produção natural; (c) a>0: parâmetro; (d) P = Nível geral de preços; (e) PE = Nível esperado de preços.
• Curto prazo: (a) Quando P>PE, então: Y>Yn; (b) Quando P<PE, então: Y<Yn.
• Longo prazo: PE=P e Y=Yn.
• Tudo que desloca a OALP também desloca a OACP. Além disso, a curva OACP também se desloca com mudanças nos PE. Por exemplo, se PE aumenta, os trabalhadores e as empresas estabelecem salários mais altos. Em cada P, a produção fica menos rentável, então Y cai, e a OACP se desloca para a esquerda.
3.4 Flutuações Econômicas
O modelo DA-OA é utilizado para a análise das flutuações econômicas. Considera-se que no início (tempo 0) a economia se encontra no equilíbrio de longo prazo, no ponto de intersecção das curvas de DA e OACP e OALP, com produção natural (Y0=Yn) e nível Aula 04
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econômicas são deslocamentos da DA e OA (MANKIW, p. 707-719; KRUGMAN; WELLS, p.
648-653; BLANCHARD, p. 129-136):
• Efeitos de uma queda na DA, por exemplo, por uma onda de pessimismo (quebra no mercado de ações, etc.): (a) Cai a DA (curva de DA se desloca para a esquerda); (b) No curto prazo (tempo 1): cai a produção (Y1<Yn) e o nível dos preços (P1<PE0); (c) No longo prazo (tempo 2): aumenta a OACP (a curva de OACP desloca para a direita, devido P1<PE0 no curto prazo), aumenta a produção até a taxa natural (Y2=Yn) e cai o nível dos preços até igualar o nível esperado de preços (P2=PE2).
• Efeitos de uma queda da OACP, por exemplo, por causa do aumento dos preços do petróleo (eleva os custos): (a) Cai a OACP (curva de OACP se desloca para a esquerda); (b) No curto prazo (tempo 1): a produção cai (Y1<Yn) e o nível de preços se eleva (P1>PE0);
(d) No longo prazo: o governo pode usar as políticas monetária e fiscal para aumentar a DA (deslocar a curva de DA para a direita), aumentando a produção até a taxa natural (Y=Yn), mas o nível de preços irá aumentar até igualar o nível esperado de preços (P2=PE2).