4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
4.9 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)
Para Sanvicente (1997) a Demonstração de Resultados compreende valores acumulados entre duas ou mais datas, é onde a empresa indica os resultados das suas atividades num período especifico.
A demonstração do resultado, ou DRE, é composta pelas receitas, despesas e custos, na qual todos são revertidos para o resultado de acordo com o princípio fundamental da competência, ou seja, as despesas e receitas serão consideradas pelo seu fato gerador e não pelo seu pagamento ou recebimento.
A DRE serve, portanto, para que se avalie a situação legal e fiscal (tributária) da empresa. Com base nela também se realizam análises para avaliar os indicadores de aceitabilidade.
Esta, sendo proposta para seis exercícios consecutivos é dada através do Quadro 12:
Quadro 12 – Demonstrativo do Resultado projetado para os seis primeiros exercícios
ANO I ANO II ANO III ANO IV ANO V ANO VI
3.000.000,00 3.780.000,00 3.990.000,00 4.200.000,00 4.200.000,00 4.200.000,00 478.500,00 602.910,00 636.405,00 669.900,00 669.900,00 669.900,00 2.521.500,00 3.177.090,00 3.353.595,00 3.530.100,00 3.530.100,00 3.530.100,00 1.860.000,00 2.232.000,00 2.356.000,00 2.480.000,00 2.500.000,00 2.520.000,00 661.500,00 945.090,00 997.595,00 1.050.100,00 1.030.100,00 1.010.100,00 611.454,11 672.949,27 752.847,43 804.371,27 799.082,52 739.299,69 50.045,89 272.140,73 244.747,57 245.728,73 231.017,48 270.800,31 12.011,01 65.313,78 58.739,42 58.974,90 55.444,20 64.992,07 38.034,88 206.826,96 186.008,15 186.753,84 175.573,29 205.808,24
(=)Resultado Líquido do Exercício (=)Resultado antes do IR e CSLL (=)Receita Operacional Líquida
(-)Custos Mercadoria Vendida
(=)Lucro Operacional Bruto
(-)Despesas Operacionais
(+)Receita Operacional Bruta
(-)Deduções sobre Rec. Op. Bruta
DISCRIMINAÇÃO VALOR
PROJEÇÃO - DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
(-)Contribuições - IR e CSLL
5 ANÁLISE DO PROJETO
No presente capítulo propõe-se uma análise completa de retorno do projeto, onde se avaliam a Aceitabilidade, o Ponto de Equilíbrio bem como a Sensibilidade do Projeto, através da Taxa Interna de Rentabilidade (TIR), do Valor Presente Líquido (VPL) e do Payback, sendo estudada posteriormente, a Vulnerabilidade do investimento.
5.1 ACEITABILIDADE
Slack et al. (1997) descreve que além da viabilidade do projeto, que consiste em identificar e relacionar quais os investimentos financeiros e gerenciais serão necessários para sua implementação, é preciso verificar a sua aceitabilidade. A aceitabilidade refere-se à resposta do questionamento: “Quanto este projeto vale a pena?”, ou seja, avaliar o retorno em melhoria de desempenho e financeiro que o investimento estudado representará.
5.1.1 Ponto de Equilíbrio
O ponto de equilíbrio mostra o nível de atividades que uma empresa precisa empenhar para que ela passe a ter lucro no período de exercício (Casarotto Filho e Kopittke, 1998).
Seguindo a metodologia proposta, pode se afirmar resumidamente que o Ponto de Equilíbrio trabalha seus resultados com base no faturamento mínimo ou quantidade de vendas que a empresa precisará efetuar, equilibrar as entradas e saídas, ou seja, para “se pagar” no determinado exercício. O ponto de equilíbrio como o próprio nome já diz, equilibra despesas e receitas, fechando o saldo disponível em zero. Dessa forma, o que fechar acima do mesmo será lucro, e o que fechar abaixo, será considerado prejuízo.
Tendo em vista que está se trabalhando em valores totais, estima-se o ponto de equilíbrio calculado através da divisão dos Custos Fixos pelo percentual da Margem de Contribuição. Cabe lembrar que a margem de contribuição é obtida pela diferença obtida através da receita deduzida dos custos de comercialização e dos custos variáveis, representada na DRE pelo Lucro Bruto (GITMAN, 2004).
Para análise da proposta trabalhada no presente estudo, utilizou-se como base o indicador referente ao Ponto de Equilíbrio Financeiro - PEF, o qual traz consigo o valor exato
de receitas que a empresa precisa ter ao final do mês, visando cobrir completamente as suas despesas. Para isso, utilizou-se da fórmula matemática que divide o total das Despesas pela Margem de Contribuição (que nesse caso equivale ao valor Lucro Bruto do exercício). Obtido o valor, multiplica-se o mesmo pelas Receitas Brutas do mês, chegando-se por fim ao valor financeiro exato acerca do ponto de equilíbrio. Pode-se ainda dividir esse valor, pelo preço de venda (PV) de cada unidade, resultando então o número mínimo de unidades necessárias que devem ser vendidas para o atingimento do valor financeiro (o ponto de equilíbrio em quantidade de unidades). Como base para o cálculo matemático utilizaram-se os valores obtidos no fluxo de caixa do Quadro 11 (Apêndice A).
Os resultados obtidos referentes aos seis exercícios propostos são trazidos junto ao Quadro 13:
Quadro 13 – Relação dos Pontos de Equilíbrio calculados de acordo com o Ano
Relação PE x ANO Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano 6
Ponto de Equilíbrio
Financeiro (R$) 3.594.914,33 3.416.369,70 3.735.931,91 3.942.007,64 3.955.708,16 3.074.011,19
Ponto de Equilíbrio em
Unidades (QTDE.) 35,95 32,54 35,58 37,54 37,67 29,28 Fonte: Elaborado pelo Acadêmico
Através da leitura do Quadro 13, podem-se fazer algumas explanações. Primeiramente, dá-se destaque ao resultado do ponto de equilíbrio obtido para o primeiro ano de exercício da empresa, que fecha em R$ 3.594.914,33 - valor que ficou acima dos R$ 3.000.000,00 propostos no faturamento - o que traduz exatamente o porquê do prejuízo neste exercício. O mesmo destaque pode ser feito para o número de Unidades, que fechou aproximadas 36. No ano trabalhado, é projetada a venda de 30 Unidades, o que justifica mais uma vez o prejuízo acumulado, visto que a empresa precisaria vender, pelo menos mais seis unidades para que não negativasse ao final do ano.
Nos anos subsequentes, as receitas conseguem superar o ponto de equilíbrio, o que pode ser visto através do cruzamento dos resultados do Quadro 12 com o Fluxo de Caixa do Quadro 10. Tais resultados justificam por que a partir do segundo ano a empresa consegue fechar seus indicadores de maneira positiva, pagando todas as suas despesas, tendo ainda entradas de caixa positivas ao final de cada exercício. Aproveita-se ainda para dar um destaque ao ano seis, que possui a média mais baixa de todas. Tal fato é traduzido pela redução brusca no total de despesas, visto que são eliminados valores anuais aproximados em R$ 180.000,00 referentes à divida junto ao BNDES, que está completamente sanada para o
exercício analisado. Sendo assim, já que não possuirá tais saídas, precisaria faturar menos, em teoria, para cobrir os seus gastos totais.
5.1.2 Rentabilidade
Segundo Matarazzo (2003), os índices de rentabilidade mostram qual a rentabilidade dos capitais investidos, isto é quanto renderam os investimentos e, portanto, qual o grau de êxito econômico da empresa. Em resumo, a remuneração sobre o capital investido no negócio. No caso do projeto proposto, para se chegar à rentabilidade, basta dividir o lucro líquido da empresa, aferido em um determinado tempo, pelo valor do investimento inicial. O resultado, expressado em percentual, representará a rentabilidade do negócio no período proposto. Para se compreender melhor o que esses valores nos traduzem, basta comparar as taxas percentuais obtidas neste indicador às rentabilidades pagas em bancos, como a poupança ou o CDB, por exemplo.
A rentabilidade calculada sobre o projeto em estudo, referente ao exercício de seis anos consecutivos é traduzida no Quadro 14:
Quadro 14 – Análise da Rentabilidade do Projeto nos seis primeiros exercícios
Análise Fórmula Utilizada ANO I ANO II ANO III ANO IV ANO V ANO VI
Rentabilidade LL / INV 5,46% 29,72% 26,73% 26,83% 25,23% 29,57% Fonte: Elaborado pelo Acadêmico
Ao final do primeiro ano, a mesma não se mostrou muito atrativa, pagando menos que os produtos bancários oferecidos atualmente, porém torna-se muito atrativa a partir do segundo ano, onde se aproxima da casa dos trinta por cento, mantendo-se praticamente constante com pequenas oscilações até o final do período analisado.
Como as aplicações bancárias, a exemplo de uma caderneta de poupança ou CDB, por exemplo, pagam atualmente algo em torno de 6% ao ano, o valor obtido a longo prazo, mostra ser um excelente investimento. No entanto, deve-se considerar que um investimento bancário possui um risco muito menor que um investimento em uma empresa, além de oferecer muito mais liquidez, ou seja, maior facilidade de transformar os ativos em moeda. Fazendo, portanto, um balanceamento geral de Riscos x Retorno, o investimento na empresa aparenta ser um ótimo negócio se comparada às outras aplicações, pois mesmo oferecendo menos
segurança, tem um retorno aproximado que pode ser até seis vezes maior que o banco, mostrando-se assim muito atrativo apesar dos riscos.
5.1.3 Lucratividade
Para Duarte (2007), a simples percepção do “lucro” é insuficiente para representar o sucesso e a prosperidade de um negócio. Esses números, se analisados isoladamente, podem induzir os gestores a conclusões equivocadas, comprometendo o processo de tomada de decisão nas organizações. Em cima deste “problema”, o mesmo trabalha o conceito de lucratividade. Segundo ele, a lucratividade é um conceito que referencia mais as conclusões sobre o rumo dos negócios e o sucesso do empreendimento.
Em suma, o cálculo e o resultado da lucratividade podem ser obtidos através da divisão do Lucro pelas Vendas, sendo o resultado multiplicado por cem (para obtenção do percentual).
Quadro 15 – Análise da Lucratividade do Projeto nos seis primeiros exercícios
Análise Fórmula Utilizada ANO I ANO II ANO III ANO IV ANO V ANO VI
Lucratividade LL / RL 1,51% 6,51% 5,55% 5,29% 4,97% 5,83%
Fonte: Elaborado pelo Acadêmico
Os índices obtidos para a Lucratividade do projeto (Quadro 15) mostraram-se relativamente baixos, visto que o resultado apresentou taxas que variam em média aproximadas na casa dos 5%, nível considerado baixíssimo se comparado com os resultados inicialmente esperados. Analisando o projeto nessa ótica, o negócio, portanto, não se mostra atrativo, visto que a aplicação da poupança nas condições da economia atual rende aproximados 6% ao ano mais a TR (Taxa Referencial), possuindo ainda total liquidez, maior segurança sobre o valor aplicado, contando também com uma cobertura de até R$ 250.000,00 em garantias cobertas pelo FGC, no caso do banco vir a quebrar ou dar um calote. Tais fatores reafirmam, portanto que a Rentabilidade obtida na execução do projeto, não se mostra atrativa vista pelos aspectos observados.