CAPÍTULO II. SISTEMA FINANCEIRO, MERCADO, EMPRESAS DE CAPITAL ABERTO;
2.2. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E AS LEIS BRASILEIRAS! !16!
A Contabilidade, ao registrar todas as operações financeiras diárias da empresa, torna-se o principal fornecedor de dados para a construção e elaboração de relatórios financeiros. Importante base de informação que ajuda o tomador de decisão a compreender as implicações financeiras e também o potencial das várias alternativas. Esse processo, baseado num modelo de comunicação de informação,
permite à contabilidade apresentar, a cada demonstração contábil de cada período, uma informação econômico-financeira da empresa. E, ao considerar-se o processo sucessivo de apresentação de demonstrações, pode-se perceber que cada linha de uma demonstração traz, em si, uma informação do que ocorreu em períodos anteriores; cada conta ou rubrica de uma demonstração tem, em si mesma, uma informação acumulada de períodos anteriores. Isso é o mesmo que identificar na estatística uma série de registros históricos e sucessivos que forma uma série temporal, no processo de geração estocástico e, dependendo do tratamento, pode ser útil para predizer o comportamento futuro da empresa.
No Brasil, o processo de escrituração contábil, que corresponde ao registro de todos os fatos que ocorrem em uma empresa aberta ou não, está definido no Art. 177 da Lei nº 6.404:
A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência (BRASIL. Consolidação da Lei das Sociedades por Ações. Decreto-lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Rege contabilmente as Sociedades!Anônimas).
Através do processo orientado pelo regime de competência, são elaborados relatórios para análise e acompanhamento da situação financeira da empresa, denominados de demonstrações financeiras ou demonstrações contábeis, cuja função principal é informarem, de forma resumida, aos agentes (e.g. fornecedores, bancos, clientes, acionistas, governo) a posição na qual se encontra a empresa. A lei 6.404, no Art. 176, determina as demonstrações financeiras a serem produzidas pelas empresas:
Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício:
I – balanço patrimonial;
II – demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III – demonstração do resultado do exercício;
IV – demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007);
V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado (Incluído pela Lei nº 11.638, de 2007) (BRASIL. Consolidação da Lei das Sociedades por Ações. Decreto-lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Rege contabilmente as Sociedades!Anônimas).
Dois são os documentos utilizados na pesquisa: demonstração de resultado do exercício (DRE) e balanço patrimonial (BP). Esse fato deve-se aos valores registrados em cada conta ou grupo de contas, com o objetivo de proceder ao cálculo de indicadores financeiros que evidenciem o desempenho das estratégias implementadas pela organização. No balanço patrimonial e na demonstração de resultados os grupos de contas são definidos:
Balanço Patrimonial – Demonstração contábil que tem por finalidade apresentar a posição contábil, financeira e econômica de uma empresa em determinada data. Representação gráfica conforme figura 2.
Grupos de Contas (Art. 178) – No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitarem o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.
§ 1º No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos:
I – ativo circulante; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009);
II – ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).
§ 2º No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos: I – passivo circulante; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009);
II – passivo não circulante; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009);
III – patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (BRASIL. Consolidação da Lei das Sociedades por Ações. Decreto-lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Rege contabilmente as Sociedades!Anônimas). Essa demonstração deve ser estruturada de acordo com os preceitos da Lei nº 6.404-76 e segundo os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade.
ATIVO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE ATIVO NÃO CIRCULANTE ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO
INVESTIMENTOS IMOBILIZADO
INTANGIVEL
PASSIVO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE
PATRIMÔNIO LÍQUIDO CAPITAL SOCIAL RESERVAS DE CAPITAL
AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL RESERVAS DE LUCROS
(-) AÇÕES EM TESOURARIA (-) PREJUÍZOS ACUMULADOS
Figura 2 - Representação gráfica do balanço patrimonial
De modo geral, será abaixo resumido cada item constante do quadro acima, a fim de elucidarem-se tais classificações:
ATIVO CIRCULANTE – Neste grupo são registrados os recursos financeiros que se encontram à disposição imediata da entidade, compreendendo os meios de pagamento em moeda e em outras espécies, os depósitos bancários à vista e os títulos de liquidez imediata, com vencimentos até o termino do semestre seguinte.
ATIVO NÃO CIRCULANTE – Neste grupo são registrados os recursos financeiros que não se encontram à disposição imediata da entidade, compreendendo os títulos de com vencimentos após o término do semestre seguinte, os investimentos em empresas coligadas, os gastos em bens tangíveis e intangíveis:
• REALIZÁVEL A LONGO PRAZO – registra contas da mesma natureza das do ativo circulante, porém realizáveis após o término do exercício seguinte, como os títulos derivados de vendas, empréstimos a sociedades coligadas ou controladas, adiantamento à diretores e acionistas, que não constituíram negócios na exploração do objeto da companhia.
• INVESTIMENTOS – registra as participações permanentes em outras sociedades e os bens e direitos que não se destinem à manutenção das atividades da empresa.
• IMOBILIZADO – registra os bens e direitos, tangíveis, utilizados na consecução das atividades fim da entidade. Bens tangíveis são aqueles que têm corpo físico, tais como terrenos, máquinas, veículos,
benfeitorias em propriedades arrendadas, direitos sobre recursos naturais.
• INTANGÍVEL – registra os ativos intangíveis, compreende o conjunto de bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia. Trata-se de um desmembramento do ativo imobilizado, que, a partir da vigência da Lei 11.638/2007, passa a contar apenas com bens corpóreos de uso permanente.
PASSIVO CIRCULANTE – Neste grupo são registradas as obrigações da empresa. São as obrigações conhecidas e os encargos estimados da empresa cuja liquidação se espera que ocorra dentro do exercício social seguinte, ou de acordo com o ciclo operacional da empresa. No caso de o ciclo operacional da empresa ter duração maior que a do exercício social, a concepção terá por base o prazo desse ciclo.
PASSIVO NÃO CIRCULANTE – Neste grupo são registradas as obrigações da empresa, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, quando se vencerem após o exercício seguinte.
PATRIMÔNIO LÍQUIDO – O patrimônio líquido representa os recursos próprios da empresa, o valor é calculado pela diferença entre o valor do Ativo e o valor do Passivo. Portanto, o valor do patrimônio líquido pode ser positivo, negativo ou nulo. O patrimônio líquido é formado pelo registro das contas:
• CAPITAL – Nesta conta são registrados os investimentos efetuados pelos proprietários na empresa e os registros decorrentes de incorporação de reservas e lucros.
• RESERVAS DE CAPITAL – Nesta conta é registrada a contribuição do lançamento de ações que ultrapassar o seu valor nominal. Será registrado também dessa conta o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não capitalizado.
• AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL – Nesta conta serão registradas as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo ao valor de mercado.
• RESERVAS DE LUCROS – Nesta conta são registrados os valores referentes à apropriação de lucros da empresa.
• AÇÕES EM TESOURARIA – Nesta conta são registrados os recursos aplicados na aquisição de ações.
• PREJUÍZOS ACUMULADOS – Conta redutora do Patrimônio Líquido registra o saldo acumulado dos prejuízos líquidos. No caso de o Patrimônio Líquido ser negativo, caracteriza o estado de insolvência baseada em saldos. Isto é, a empresa tem valor econômico negativo, assunto aprofundado no capítulo III desta tese.
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE):
A demonstração do resultado evidenciará a formação dos vários níveis de resultados, mediante confronto entre as receitas e os correspondentes custos e despesas.
A demonstração do resultado do exercício, no Art. 187, discriminará:
I – a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;
II – a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;
III – as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;
IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009);
V – o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto;
VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009); VII – o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.
§ 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados:
a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e
b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos (BRASIL. Consolidação da Lei das Sociedades por Ações. Decreto-lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Rege contabilmente as Sociedades!Anônimas).
Dessa forma, o Demonstrativo do Resultado do Exercício apresentará a seguinte estrutura, ainda de acordo com a Lei 6.404-76:
1. Receitas de Venda de Mercadorias 2. ( - ) Deduções da Receita Bruta
Vendas Canceladas Abatimentos e Descontos Impostos sobre Vendas 3. ( = ) Receita Líquida
4. ( - ) Custo das Mercadorias Vendidas 5. ( = ) Lucro Bruto
6. ( - ) Despesas Operacionais Despesas com Vendas Despesas Administrativas
Despesas Financeiras deduzidas das Receitas Financeiras Resultado Participações Sociais
7. ( = ) Resultado Operacional
9. ( + / - ) Resultado Não-Operacional
10. ( = ) Resultado antes das Provisões Tributárias 11. ( - ) Participações e Contribuições
12. ( = ) Lucro/Prejuízo Líquido do Exercício A seguir, a descrição de cada elemento:
Receita Bruta de Vendas e Serviços – As vendas deverão ser contabilizadas pelo valor bruto, incluindo o valor dos impostos. Estes impostos, bem como as devoluções e os abatimentos, deverão ser contabilizados em contas individualizadas, que serão tratadas como contas redutoras das vendas.
Deduções da Receita Bruta – São representadas pelas contas de vendas canceladas, abatimentos e impostos incidentes sobre vendas.
a) Vendas Canceladas é conta devedora que deve incluir todas as devoluções de vendas. Correspondem à anulação de valores registrados como receitas brutas de vendas e serviços.
b) Abatimentos e Descontos sobre vendas e serviços são aqueles concedidos incondicionalmente.
c) Impostos incidentes sobre vendas devem ser deduzidos da receita bruta de vendas. A receita bruta deve ser registrada pelos valores totais, incluindo os impostos sobre ela incidentes.
d) Custo das Mercadorias Vendidas – A apuração do custo dos produtos vendidos está diretamente relacionada aos estoques da empresa, pois representa a baixa efetuada nas contas dos estoques por vendas realizadas no período.
Despesas/Receitas Operacionais – São as despesas pagas ou incorridas para vender produtos e administrar a empresa; abrangem também as despesas líquidas para financiar suas operações; os resultados líquidos das atividades acessórias da empresa são também considerados operacionais.
Participações em Resultado – Serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto de Renda.
As participações estatutárias: • De empregados, • Administradores • Partes beneficiárias
Serão determinadas, nessa ordem, com base nos lucros que restantes após deduzida a participação anteriormente calculada.