Da mesma forma como foi estabelecido para a área de ensino e educação, a Emenda Constitucional nº 29, de 13 de setembro de 2000, veio determinar, percentuais que os entes públicos deveriam direcionar para custear ações e serviços públicos de saúde. Esse ato Constitucional determina que os Municípios Brasileiros devem investir anualmente um percentual mínimo 15% do produto de seus impostos.
Antes da aprovação dessa Emenda Constitucional, não havia nenhum dispositivo que exigisse a aplicação de percentuais mínimos na saúde, porém em alguns municípios essa exigência existia em Leis Orgânicas Municipais, segundo SILVA (2002 p.161).
Não seria difícil para os Municípios controlarem os recursos destinados para a área de Saúde se não existisse também as leis Federais nºs 8080/90 e 8.142/90 que dispõem sobre a criação e organização dos Fundos de Saúde.
QUADRO 16 – Demonstrativo da receita e despesa com saúde
MUNICÍPIO DE TURVO
RELATÓRIO RESUMIDO DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DEMONSTRATIVO DA DESPESA COM SAUDE
Período de jan/2006 a dez/2006
Receitas Realizadas R E C E I T A S ATUALIZADA PREVISÃO
(a) Até o 6º Bimestre (b) b/a %
RECEITAS DE IMPOSTOS E TRANSF. (I) Impostos
Multa, juros de mora e dívida ativa dos impostos Receita de transferências constitucionais e legais Da União
Do Estado
TRANSFERÊNCIAS DO SUS (II) Da União para o Município Do Estado para o Município
Demais Municípios para o Município Outras Receitas do SUS
RECEITAS DE OP. DE CREDITO SAUDE (III) OUTRAS RECEITAS ORÇAMENTARIAS ( - ) DEDUÇAO PARA O FUNDEF
11.187.560,42 407.613,00 27.500,00 10.752.447,42 5.621.107,85 5.131.339,57 1.554.000,00 1.504.000,00 50.000,00 0,00 0,00 0,00 8.684.400,00 1.335.615,00 9.979.008,94 454.760,41 50.954,53 9.473.294,00 5.039.926,87 4.433.367,13 1.193.374,49 1.148.874,49 44.500,00 0,00 0,00 0,00 3.438.088,22 1.388.080,56 89,20 111,57 185,29 88,10 89,66 86,40 76,79 76,39 89,00 0,00 0,00 0,00 39,59 103,93 T O T A L 20.090.345,42 13.222.391,09 65,81 Receitas Realizadas DESPESAS COM SAÚDE
(Por grupo e natureza da despesa)
PREVISAO ATUALIZADA
(c) Até o 6º Bimestre (d) d/c %
DESPESAS CORRENTES Pessoal e encargos sociais Juros e encargos da dívida Outras despesas correntes DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Inversões financeiras Amortização da dívida 4.214.935,09 2.198.948,25 0,00 2.015.986,84 679.126,00 679.126,00 0,00 0,00 3.351.625,11 1.711.166,82 0,00 1.640.458,29 71.571,85 71.571,85 0,00 0,00 79,52 77,82 0,00 81,37 10,54 10,54 0,00 0,00 T O T A L (IV) 4.894.061,09 3.423.196,96 69,95 Despesas empenhadas DESPESAS PRÓPRIAS COM AÇÕES E SERVIÇOS PÚBLICOS DE
SAÚDE Até o 6º Bimestre (e) % (e)
DESPESAS COM SAÚDE
( - ) DESPESAS COM INATIVOS E PENSIONISTAS
( - ) DESPESAS CUSTEADAS COM RECURSOS VINCULADOS Recursos de Transferências do SUS
Recursos de Operações de crédito Outros recursos
( - ) RESTOS A PAGAR SEM DISPONIBILIDADE DE RECURSOS
3.423.196,96 0,00 1.216.189,84 300.282,61 0,00 915.907,23 44.581,82 100,00 0,00 35,53 8,77 0,00 26,76 1,30
TOTAL DAS DESPESAS COM A SAÚDE (V) 2.162.425,30 63,17 RESTOS A PAGAR
CONTROLE DE RESTOS A PAGAR INSCRITOS EM EXERCICIOS ANTERIORES E
VINCULADOS A SAÚDE Aplicação mínima em 2005 (f) Aplicação apurada em 2005 (g) Inscritos em 31/12/2005 Cancelados em 2006 (h)
Restos a pagar de despesas (VI) 1.408.665,28 2.098.911,27 48.632,13 1.989,45 Percentual apurado nas despesas com ações e serviços na saúde (V – VI) / I
(2.162.425,30 – 1.989,45) / 9.979.008,94 x 100 21,67%
FONTE: Dados da contabilidade do Município de Turvo
O administrador público pode optar por ter uma contabilidade descentralizada do Executivo para o Fundo Municipal de Saúde, porém o foco
principal da criação de um Fundo específico é para gerenciar os diversos recursos financeiros de que dispõe, controlando suas fontes de receitas, as datas de ingressos, seus rendimentos financeiros e suas despesas nas ações estabelecidas.
Devido à diversidade de recursos recebidos pelos Fundos da Saúde, torna-se praticamente impossível administrar todos esses valores em uma única conta corrente, para isso torna-se necessária a criação de uma conta corrente específica para cada fonte de recurso.
Dos diversos recursos recebidos pelos Fundos de Saúde destacam-se: a) Programa de atenção básica: PAB – fixo;
b) programa de atenção básica: PAB – variável; c) média e alta complexidade – MAC;
d) sistema único de Saúde – SUS;
e) convênios (para obras, aquisição de equipamentos etc); f) saúde bucal;
g) vigilância epidemiológica; h) vigilância sanitária;
i) recursos do tesouro municipal (transferências); j) doações, entre outros.
Com base no demonstrativo, elaborado pelo Município, várias conclusões são extraídas. Inicialmente se observa que os valores projetados como receitas e despesas foram realizadas durante o exercício financeiro, dentro das expectativas projetadas, pois os percentuais de efetividade atingiram montantes superiores a 75%. Exceção se observa nas receitas intituladas “outras receitas orçamentárias” onde o percentual de efetividade não alcançou 40%.
As receitas contabilizadas nesse grupo são oriundas de convênios ou outras formas de repasses intergovernamentais. A falta de repasses, dos órgãos concedentes, acarretou reflexos nos percentuais apurados. O baixo percentual destinado a investimentos talvez seja o reflexo dessa falta de recebimentos de recursos.
O demonstrativo revela ainda que os valores recebidos a título de transferência financeira dos órgãos governamentais foram todos integralmente utilizados atingindo um montante de R$ 1.193.374,49 e que R$ 22.815,35 foram
apurados como superávit financeiro de fontes de recursos vinculadas à saúde do ano anterior para o ano em curso.
Fica fácil averiguar que o Município adota uma política de direcionamento de recursos muito maior do que o estabelecido em lei, pois no ano de 2005 foram designados recursos financeiros adicionais na ordem de R$ 690.245,99 atingindo um percentual de 22,35% em investimentos na área de saúde.
Para o exercício financeiro de 2006 houve também um excessivo volume de recursos canalizados para essa área. Se o Município tivesse direcionado R$ 1.495.456,29 já teria cumprido com o comando constitucional, porém o valor destinado pelo município para atender esse segmento foi de R$ 2.160.435,85 ocorrendo um excesso de valores destinados a área de saúde no valor de R$ 664.979,56 fazendo com que o Município pesquisado atingisse o coeficiente de 21,67%.
De posse de todos esses dados, o gestor público pode tomar diversas ações e gerenciar sob medida esse departamento. Ao analisar as despesas correntes, observa-se que boa parte desses recursos foram gastos com vencimentos e vantagens fixas, atingindo praticamente 50% do total de suas despesas conta apenas 2,09% de investimentos e outros 47,91% direcionados para despesas diversas, tais como medicamentos, material de consumo e profilático.
Entende-se que somente com demonstrativos e decisões gerenciais é que esse departamento poderá ter ações pautadas e bem estruturadas para atingir os objetivos propostos, os quais sejam, o atendimento e o bem estar da população.