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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.4 ASPECTOS DA CONTABILIDADE

2.4.4 Demonstrativos Contábeis

As demonstrações contábeis relatam a quem é de interesse os fatos contábeis registrados no período e sua apresentação é de maneira codificada dos dados lançados no referente período.

As demonstrações contábeis é a conseqüência da escrituração contábil e por isso os lançamentos devem estar assegurados de sua veracidade através de documentos aptos. As demonstrações contábeis deixam de existir a partir do momento em que a empresa não possua uma escrituração contábil regular, feita de acordo com as praticas contábeis. E, esses demonstrativos podem ser classificados como obrigatórios e não obrigatórios.

De acordo com Iudícibus e Marion (2007 p.73) os demonstrativos que são obrigatórios são os exigidos por lei, sendo conhecidos como demonstrações financeiras, os demonstrativos contábeis não obrigatórios são aqueles não exigidos por lei, o que não quer dizer que sejam menos importantes que os obrigatórios.

A lei 11.941/09 que alterou parte da lei 6.404/76, que é a lei das sociedades por ações que rege os fundamentos contábeis que devem ser aplicados a qualquer tipo de empresa. De acordo com a lei 11.941/09 as demonstrações contábeis obrigatórios são: Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) e Demonstração do Valor Adicionado (DVA).

Segundo o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) (2002 p.71), em seu manual de procedimentos contábeis para Microempresas e Empresas de pequeno porte referencia que “a legislação comercial exige que, anualmente, as empresas elaborem um Balanço Patrimonial e uma Demonstração de Resultado do Exercício”.

Como este trabalho irá abordar apenas empresas enquadradas como Mês e EPPs não irão abordar todas as demonstrações contábeis, e irá falar somente do Balanço Patrimonial (BP) e das Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE).

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2.4.4.1 Balanço Patrimonial (BP)

O Balanço Patrimonial exprime a posição patrimonial da empresa de maneira quantitativa e qualitativa, possui propriedade estática, é como um retrato da posição patrimonial da empresa.

Conforme com a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC-T) 3.2.2.1 “o Balanço Patrimonial é constituído pelo Ativo, pelo Passivo e pelo Patrimônio Líquido.”

O Balanço Patrimonial (BP) é formado por duas colunas, a coluna da direita é chamada de Passivo e Patrimônio Líquido e o da esquerda é chamado de Ativo. Conforme a sociedade por ações ou lei 6.404/76, o lado direito é denominado apenas de Passivo.

Conforme Iudícibus (2008, p.6) “Conforme as intitulações da lei, o balanço é composto por três elementos básicos:”

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO: compreende os bens e direitos da empresa e as aplicações de recursos

PASSIVO: abrange as exigibilidades.

PATRIMONIO LIQUIDO: abrange o valor líquido da empresa, a diferença entre o ativo e o passivo.

Quadro 3- Elementos do Balanço Patrimonial Fonte: adaptado de Iudicibus (2008 p.6)

Segundo Marion (2009) são exemplos de ativos: bens (máquinas, terrenos, estoques, dinheiro, veículos e instalações), direitos (contas a receber duplicatas a receber, ações, conta bancárias, caixa e títulos de créditos).

Os passivos são obrigações da empresa para com terceiros, que podem ser exigidos em curto prazo ou em longo prazo, dessa forma menciona as duas principais categorias de passivos, as dos exigíveis em curto prazo (circulante) e em longo prazo (não circulante).

Os passivos são obrigações que empresa possui com terceiros, que podem ser classificadas como a curto prazo (circulante) e a longo prazo (não circulante), que são as duas principais classes de passivos.

Para fins didáticos pode-se utilizar o sentido de passivo como “lado das dividas, das obrigações”, conforme Marion (2009, p.48).

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No lado do passivo são demonstradas todas as obrigações que a empresa tem para com terceiros, independente de curto ou longo prazo, enquanto o patrimônio líquido é o total do ativo subtraído do total do passivo.

De acordo com Iudícibus, Martins e Gelbcke (2008, p.312), “no Balanço Patrimonial, a diferença entre o valor dos ativos e o dos passivos e resultados de exercícios futuros representa o Patrimônio Líquido, que é o valor contábil pertencente aos acionistas ou sócio”.

Com a alteração da lei 6.404/76 pela lei 11.941/09, algumas alterações na estrutura do balanço patrimonial foram realizadas no intuito de padronizar os demonstrativos contábeis. Veja a seguir no quadro as mudanças realizadas e seus comparativos:

Com a lei 11.941/09 alterando a lei 6.404/76, foram feitas alterações na estrutura do Balanço Patrimonial com o propósito de padronizar os demonstrativos contábeis ficando assim configuradas.

ANTES DEPOIS

ATIVO CIRCULANTE

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO ATIVO PERMANENTE

INVESTIMENTO IMOBILIZADO DIFERIDO

ATIVO CIRCULANTE ATIVO NÃO CIRCULANTE

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO INVESTIMENTO

IMOBILIZADO INTANGÍVEL PASSIVO CIRCULANTE

PASSIVO EXIGÍVEL A LP RES. DE EXER. FUTUROS PATRIMÔNIO LÍQUIDO CAPITAL SOCIAL RESERVA DE CAPITAL

PASSIVO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE EXIGÍVEL A LONGO PRAZO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

CAPITAL SOCIAL RESERVA DE CAPITAL AJUSTE DE AVALIAÇÃO

40 RESERVA DE REAVALIAÇÃO RESERVAS DE LUCROS LUCROS OU PREJUIZOS ACUMULADOS PATRIMONIAL RESERVAS DE LUCROS ·PREJUIZOS ACUMULADOS

Quadro 4 - discriminação do ativo e do passivo, lei 6.404/76 x 11.941/09

Fonte: adaptado de http://www.anefac.com.br/imagens/congresso2008/download/ernesto.pdf

Dentro das demonstrações contábeis, o Balanço Patrimonial segue como a mais clássica das demonstrações e serve como instrumento de análise da posição patrimonial da empresa e, seu levantamento geralmente é feito anualmente.

2.4.4.2 Demonstração do Resultado do Exercício (Dre)

A demonstração do resultado do exercício tende a demonstrar da maneira organizada e mais eficiente possível os totais de receitas, deduzidas dos custos e despesas da empresa por um determinado período, para que se possa alcançar em valores o lucro obtido no exercício.

Segundo Assaf Neto (2001, p. 75):

A demonstração de resultados do exercício visa fornecer, de maneira esquematizada, os resultados (lucro ou prejuízo) auferidos pela empresa em determinado exercício social, os quais são transferidos para contas do patrimônio líquido. O lucro (prejuízo) é resultante de receitas, custos e despesas incorridos pela empresa no período e apropriados segundo o regime de competência, ou seja, independentemente de que tenham sido esses valores pagos ou recebidos.

A estrutura da DRE é formada por contas que também esta contida no plano de contas. As contas de receitas, os custos e de despesas operacionais e não operacionais devem seguir a estrutura dos seguintes grupos conforme a atualização implantada pela lei de 11.638/07 e posteriormente a lei 11.941/09.

RECEITA BRUTA DE VENDAS E SERVIÇOS (Inclui o total das receitas apuradas no período) (-) Deduções, descontos concedidos, devoluções (-) Impostos sobre vendas

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(-) Custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados = RESULTADO BRUTO

(É o resultado da subtração da receita líquida e o custo) (-) Despesas de vendas

(-) Despesas gerais e administrativas (-) Despesas financeiras líquidas (-) Outras despesas operacionais (+) Outras receitas operacionais = RESULTADO OPERACIONAL

(É o resultado da adição das outras receitas operacionais ao resultado bruto e subtração das despesas)

(-) Outras despesas (+) Outras receitas

= RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DOS IMPOSTOS, CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES

(É a subtração ou adição do Resultado Operacional com as outras despesas e receitas)

(-) Contribuição social

(-) Provisão para Imposto de Renda (-) Participações

(-) Contribuições

= LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

Quadro 5 - Demonstração do Resultado

Fonte: adaptado de http://www.anefac.com.br/imagens/congresso2008/download/ernesto.pdf

A DRE é uma demonstração que visa facilitar o entendimento do seu usuário, possui suas informações dispostas de forma simples, claras e objetivas. Sua função é fazer com que seu usuário entenda como se chegou a certo resultado em determinado período.

A DRE tem como missão fazer com que os usuários entendam como foi alcançado certo resultado do exercício da maneira mais simples, e objetiva possível, e de acordo com Marion (1998, p. 110), “o sucesso dessa gestão, sem dúvida, será

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medido comparando-se o resultado do exercício (obtido pela demonstração do resultado do exercício)”.

2.4.4.3 Outras Demonstrações

As demonstrações contábeis contam ainda com outras demonstrações, como a demonstração do lucro ou prejuízo acumulado, a demonstração do valor adicionado e a demonstração do fluxo de caixa. Do lucro apurado pela DRE apenas uma parte é destinada a distribuição de lucros aos sócios, o restante desse lucro é reinvestido na própria empresa. E conforme Marion (2009) depois de evidenciado o lucro líquido do exercício, este é distribuído e demonstrado na Demonstração de lucros e prejuízos acumulados.

As movimentações financeiras da empresa são evidenciadas também no Fluxo de Caixa. Que conforme Viceconti (2002, p.269) a Demonstração do Fluxo de Caixa, “visa identificar as modificações ocorridas na posição financeira da empresa. Logo nesta demonstração serão contempladas apenas as entradas e saídas de recursos financeiros (moeda).

A demonstração do valor adicionado (DVA) mostra de que maneira esta sendo distribuída a riqueza gerada pela empresa durante o período. E conforme Marion (2009, p. 512) a demonstração do fluxo de caixa “deverá evidenciar o valor da riqueza gerada e sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração desta riqueza”. A importância dessa demonstração se dá, pois é nela que se verifica onde estão sendo empregados os recursos da empresa.

Na demonstração do Fluxo de caixa estão ressaltadas as movimentações financeiras da empresa, e que de acordo com Iudicibus, Martins e Gelbcke (2006, p. 398) “o objetivo da demonstração do fluxo de caixa é prover informações relevantes sobre os pagamentos e recebimentos, em dinheiro, ocorridos durante um determinado período”.

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