Fonte: Adaptação da fórmula apresentada pela SEMPLA.
Este parâmetro considera que a concentração de estabelecimentos industriais minimiza o gasto com ramificações, portanto, quanto maior a densidade construída industrial em um distrito, menor o gasto com ramificações.
A generalização do uso deste parâmetro é mais complexa já que é necessário um esforço braçal nas cidades que não possuem relatórios com o total de metros de construção por distrito.Quando isso ocorrer, é mister buscar informações junto às secretarias municipais de finanças que devem apresentar a tabulação do Cadastro de Imóveis do município, que exige a criação de outra tabela agrupando as informações por ruas e distritos. Para alguns municípios, empresas particulares já elaboraram cd-rom com essas informações, facilitando o trabalho. Com a soma das metragens feita, basta utilizar as expressões 1.1 e 1.2 para atribuir os pesos de atratividade.
6.5. Próximos passos para a redação oficial da Tese
Na próxima etapa da pesquisa, pretende-se abordar mais detalhes sobre as normas técnicas de projeto para a rede canalizada de gás natura sobre:
Vazão mínima, vazão máxima, capacidade do reservatório (pulmão), demanda sazonal, fator de utilização, fator de carga; tipos de arranjos físicos da rede e das estações de compressores e de medições.
Pesquisa às normas: ABNT (NBR-12712) - Projeto de Sistemas de Transmissão e Distribuição de Gás Combustível ; AGA - American Gas Association (Report n° 3; Report n°
7; Report n° 8) e ANSI - American National Standard for Industry (B - 31.8;B - 16.104; B - 16.), conforme lista SANTOS et alli (2001).
7. Estudo de Caso
7.1. Objetivos deste capítulo
Verificação da coerência do modelo proposto, tendo em vista a facilidade na obtenção de dados para o Município, as diferentes características de seus 96 distritos e o conhecimento do plano de negócios da Concessionária e servir de base como um exemplo numérico, para conclusões sobre as relações propostas no objetivo geral.
7.2. Breve histórico sobre a rede de distribuição de Gás Natural no Município de São Paulo para uso residencial, comercial, serviços e industrial
A história do fornecimento de gás em São Paulo tem início em 1872, para iluminação pública. Conforme levantamento feito por MASSARA (2002), a cronologia dos principais acontecimentos no âmbito da implantação e uso do gás no Município de São Paulo é a seguinte:
1872: criação da “The San Paulo Gas Company”
1880: início a distribuição de gás domiciliar, somente para iluminação 1901: primeiro fogão a gás, no Palácio do Governo
1912: Controle pela São Paulo Tramway, Light and Power LTd.
Final dos anos 20: lâmpadas elétricas começam a dominar o mercado; expansão do serviço de gás em residências, para aquecimento – Construção do Gasômetro da Mooca.
1929: contrato para a San Paulo Gas Company executar rede de fornecimento de gás
1936: Os últimos lampiões a gás foram desativados (re-inaugurados pela Comgás em 2000) Década de 50: concentração da rede na região central da cidade, caminhando para os Jardins e Vila Mariana (ver figura 7.1. a).
1959: A empresa é nacionalizada com o nome de “Companhia Paulista de Serviços de Gás”
1967: primeira Lei sobre instalações prediais de gás
1968: Passa para o controle municipal e se torna “Companhia Municipal de Gás”
1971: construção da Usina Massinet Sorcinelli (gás de nafta) e do sistema para alta pressão incluindo municípios vizinhos de São Paulo
1974: Mudança de nome para COMGÁS – Companhia de Gás de São Paulo 1975: a rede avança no sentido Lapa e Santana (ver figura 7.1 b )
1976: Decreto Municipal determinando a obrigatoriedade de instalações prediais de gás Até 1976, só existe rede por gás de nafta ainda em ferro fundido, intitulado “subsistema I”
servindo comércio e residências e pequena indústria. Nesse ano é criado o chamado
“subsistema II”, primeiro servindo média e grande indústria e pequena quantidade de comércio.
Década de 80: incremento da exploração da Bacia de Campos. Em São Paulo, somente 10%
da população possuía gás canalizado
1983: Controle passa para o Governo Estadual
1984: Controle passa para a estatal CESP – Companhia Energética de São Paulo
1989: conversão do gás de nafta para gás natural das primeiras residências na zona oeste do Município e substituição da tubulação de ferro fundido por polietileno.
Início dos anos 90: população atendida não passa de 8%
1993: a Usina Massinet Sorcinelli começa a produzir gás natural e tem início o programa de conversão de comércio e residencias em larga escala (iniciado em 89).
1999: privatização da empresa com controle acionário da British Gas e Shell e lançamento de programa para expansão do uso industrial
2001: criação do programa de co-geração de energia na Usina de Piratininga
2003: expansão da rede, até Santo Amaro (sul) , Santana (norte), Lapa (oeste) (ver figura 7.1.c.).
2006: expansão em pontos da zona leste: Itaquera, José Bonifácio, Vila Jacuí, Guaianazes e intensificação de uso no Parque Dom Pedro (revista Gás Brasil, dezembro, 2004), (ver figura 7.1.d).
(a) 1958 (b) 1975 (c) 2003 (d) 2006 Figura 7.1. Cobertura da rede de distribuição nos distritos paulistanos
Fonte: PMSP, 1958; COGEP, 1975; Rodriguéz, 1999 (estimativa); Gás Brasil, 2004 (estimativa) Elaboração MASSARA, 2002 e 2004. Figura sem escala.
7.3. Breve caracterização do Município e pesquisa de valores numéricos para os bancos de dados
Para a coleta dos valores numéricos que foram utilizados para a atribuição de pesos, utilizamos dois grupos básicos de informações.
Grupo 1- Informações obtidas em mapeamento (muitas vezes já separando os distritos em 5 intervalos):
% Atendimento da rede de abastecimento de água
% Atendimento da rede de coleta de esgotos
% Atendimento da rede de iluminação Pública
Extensão da rede de distribuição da área já servida até o distrito em estudo Vias de tráfego intenso no distrito
Número de lançamentos imobiliários (residenciais e serviços) por distrito Estratificação de Uso do Solo (residencial)
Volumes e Faixas de Tarifas
Informações apresentadas para os 96 distritos de São Paulo, conforme a tabela 7.1., as quais foram atribuídos os pesos (conforme a tabela 7.2.).
Zona oeste Zona centro
Alto de Pinheiros Bela Vista Campo Belo Pedreira Água Rasa Moóca Anhanguera Vila Guilherme Barra Funda Bom Retiro Campo Grande Pinheiros Aricanduva Pari Brasilândia Vila Maria
Butantã Cambuci Campo Limpo Sacomã Artur Alvim Penha Cachoeirinha Vila Medeiros
Jaguara Consolação Capão Redondo Santo Amaro Belém Ponte Rasa Casa Verde
Jaguaré Liberdade Cidade Ademar Saúde Brás Pq. do Carmo Freguesia do Ó
Jardim Paulista República Cidade Dutra Socorro C. Tiradentes São Lucas Jaçanã Lapa Santa Cecília Cursino Vila Andrade Cangaíba São Mateus Jaraguá
Morumbi Sé Grajaú Vila Mariana Carrão São Miguel Limão
Perdizes Ipiranga Cidade Líder São Rafael Mandaqui
Raposo Tavares Itaim Bibi E.Matarazzo Sapopemba Perus
Rio Pequeno Jabaquara Guaianases Tatuapé Pirituba
Vila Leopoldina Jardim Ângela Iguatemi Vila Curuçá Santana
Vila Sônia Jd. São Luís Itaim Paulista Vila Formosa
Marsilac Itaquera Vila Jacuí São Domingos
Moema Jardim Helena Vila Matilde Tremembé
Parelheiros José Bonifácio Vila Prudente Tucuruvi Lajeado
Zona sul Zona leste Zona norte
Tabela 7.1. Distritos, subprefeituras e zonas dentro do Município de São Paulo.
62
Arquivo de Informações Faixa 1 Faixa 2 Faixa 3 Faixa 4 Faixa 5
Índice de inclusão/exclusão social -1,00 - (-0,60) -0,60- (-0,20) -0,20-+0,20 0,20-0,60 0,60-1,00
Índice de Desenvolvimento Humano 0,245-0,368 0,368-0,491 0,491-0,614 0,614-0,737 0,737-0,860
Uso do solo predominante residencial horizontal comercial/res.horizontal residencial vertical comercial/res.vertical residencial/industrial
Desenvolvimento urbano proteção ambiental urbanização e qualificação reestruturação e requalificação urbanização em consolidação urbanização consolidada proteção ambiental residencial média densidade residencial alta densidade
residencial baixa densidade res/serv/com média densidade res/serv/com média densidade
Taxa de Urbanização 0,411-0,529 0,529-0,647 0,647-0,764 0,764-0,882 0,882-1,00
Número lançamentos imobiliários 0-3 4-7 8-15 16-24 25-33
Dens. Dem.(hab/km2) 46-4680 4680-9360 9360-14040 14040-18720 18720-23400
Renda média chefe de família (R$) 457-1.246 1.246-2.035 2.035-2.824 2.824-3.613 3.613-4.402
Número de domicílios 2114-18936 18936-35757 35757- 52579 52579- 69401 69401 - 86223
Volume (m3) 0 -0 0,01 - 8 8,01 - 17 17,01 - 40 acima de 40
Valor (R$) 11,24 11,24 11,75 12,65 12,65
Distância ao núcleo já servido (km) dentro da área 1-6 7-14 15-22 23-30
Extensão da vias denro dos distritos (km)
Vias de tráfego intenso até 20% 21 - 40% 41 - 60% 61 - 80% 81 - 100%
Distância ao núcleo já servido (km) 0-7 7-14 15-22 23-30 acima de 31
Dens. Construída Residencial (m2/km2) 65-280.544 280.544-561.023 561.023-841.567 841.567-1.122.111 1.122.111-1.402.655
Dens. Construída Comercial (m2/km2) 5-5-338.787 338.787-677.568 677.568-1.016.350 1.016.350-1351132 1.351.132-1.693.913
Dens. Construída Industrial (m2/km2) 0-41.429 41.429-82.857 82.857-124.286 124.286-165.714 165.714-207.123
41 - 60% 61 - 80% 81 - 100%
% atendimento por rede de abastecimento de água, coleta de esgotos e iluminação pública (média dos três)
até 20% 21 - 40%
Zoneamento res/serv/com alta densidade
Banco 1
Banco 2
Banco 3 (só para o uso residencial)
Banco 4
industrial
Tabela 7.2. Resumo 14 da Atribuição de pesos aos parâmetros quantitativos e qualitativos para o Estudo de Caso Elaboração: MASSARA, V.M., 2004.
14 Como existem distritos que se encontram em mais de um grupo simultaneamente para os parâmetros uso do solo, desenvolvimento urbano e zoneamento, foi calculada a média dos pesos em cada distrito, conforme é apresentado na tabela 7.4..
7.4. Atribuição de Pesos – Exemplos
Tabela 7.3.. Banco de Dados 1. Indicadores de Planejamento Urbano. Elaboração: Massara, V.M., 2004.
Tabela 7.4.. Banco de Dados 2. Indicadores de Qualidade de Vida Elaboração: Massara, V.M., , 2004.
Tabela 7.5.. Banco de Dados 3. Demanda e Retorno para uso residencial Elaboração: Massara, V.M., 2005.
Tabela 7.6.. Banco de Dados 4. Sistema Canalizado Elaboração: Massara, V.M., 2005.
Tabela 7.7. Resumo dos 4 “ Rankings” (para o uso residencial) Elaboração: Massara, V.M., 2005.
7.5. Próximos passos para a redação oficial da Tese
A próxima etapa relativa ao estudo de caso compreenderá os seguintes tópicos:
Definição do ranking de atratividade usando critérios de potencial de consumo (demanda) e retorno esperado (através das fórmulas de faturamento descritas no Capítulo 5, notas de rodapé 7, 8 e 9) para os segmentos comercial/serviços e industrial, segundo o agrupamento por semelhança de projeção de volume consumido do gás natural, ou seja, agrupando estabelecimentos de porte semelhante mesmo que de segmentos econômicos diferentes, em faixas de demanda conforme determinado pela concessionária (no caso deste estudo, a Comgás) e descrito no Capítulo 5 deste exemplar.
Para o uso institucional (instituições públicas), verificar com a Concessionária o plano de tarifas e o que representa em retorno, para decidir se devemos ou não considerar o setor.
Definição do ranking de adensamento15 através do cálculo da demanda pelo Banco 3 e das vendas da concessionária. Ressaltar que “adensar” a rede de gás natural não significa, aumentar o número de consumidores; é apenas fazer aqueles que já estão ligados à rede, usar mais GN, sem correr o perigo de acabar adensando outras infra-estruturas, como saneamento e energia elétrica, que já estão no limite de saturação nos bairros mais ricos da cidade de São Paulo.
Análise dos diversos “rankings” como respaldo as relações propostas no objetivo geral:
Observar se existe coincidência entre os resultados obtidos é o que ocorre na realidade para os distritos já servidos por gás canalizado e para aqueles que já estão no Plano de Negócios de Expansão da concessionária e assim, verificar a coerência do modelo proposto.
Através de comparações entre as várias classificações obtidas conforme o banco de dados e a interação entre os parâmetros, comentar os resultados e o porquê das diferenças na atratividade para um mesmo distrito.
Definir os parâmetros com maior influência na determinação da atratividade, através do estudo individual de cada um dos bancos de dados e pelo agrupamento dos distritos em uma mesma posição, verificando os pesos atribuídos e as possíveis coincidências entre peso, parâmetro e posicionamento no ranking.
8.
Conclusões Preliminares
Planos diretores não fazem menção a metas de atendimento das infra-estruturas que não sejam consideradas “prioritárias” como saneamento, pavimentação e iluminação pública.
(mesmo quando a concessionária de gás era controlada pelo Poder Público).
Embora existam decretos referentes a geoprocessamento das redes do subsolo, sua implantação, mesmo nas concessionárias privadas é incipiente.
O método não destrutivo de abertura de valas, propicia economia a Concessionária e menor transtorno a população embora o trabalho noturno ainda gere polêmica entre os moradores.
O uso do polietileno está de tal forma difundido, que em breve deverá substituir o aço, mesmo nas exigências de pressão para fornecimento exclusivamente industrial.
Os modelos que aliam os “overlays” à fotos aéreas são bastante dinâmicos e abrangentes para determinação da expansão de mercados para as infra-estruturas de forma geral. O geomarketing é o principal deles e tem grande difusão no Mundo todo. Porém o nosso
“modelo simplificado”, agrega parâmetros sob a ótica urbana, levando em conta fatores desprezados pelos modelos baseados em geoprocessamento e aerofotogrametria, além de dispensar o mapeamento através de coordenadas geográficas que sempre é oneroso e necessita de atualização especializada constante.
Quanto à generalização dos parâmetros e seus pesos, apresentamos até o momento simplificações de mapas e tabelas sobre Plano Diretor que devem ser aprimoradas mas já estão encaminhadas e apontam total viabilidade. A criação de um manual que acompanha o sistema computacional e simplifique a atribuição de pesos para utilização dos bancos de dados,também é um diferencial da proposta deste trabalho.
Para características de planejamento urbano (BD1), ressaltamos que, áreas onde a ocupação industrial entrou na média calculada de pesos para os parâmetros uso do solo e zoneamento, tiveram melhor classificação em relação àquelas onde a ocupação residencial e comércio/serviços é predominante.
Em análise superficial, todos os parâmetros sobre índice de qualidade de vida (BD2), apresentam mesmo grau de influência no “índice de atratividade”.
15 Para tal, é necessário obter junto a Concessionária, o volume vendido por distrito e tipo de uso.
Para os fatores de consumo e retorno (BD3), o parâmetro decisivo está associado ao número de domicílios, talvez pela pequena diferença entre as tarifas cobradas nas 5 faixas.
Este ranking apresentou diferenças gritantes em comparação a realidade e por isso requer maior estudo, lembrando que, ao calcular demanda e retorno para usos comerciais, serviços e industrias, poderemos tirar conclusões melhor fundamentadas.
Para os parâmetros do sistema canalizado (BD4), a associação entre a pequena distância do núcleo já servido e os distritos com maior concentração industrial (visando a economia em ramificações), são determinantes para o melhor posicionamento à atratividade de expansão da rede canalizada de GN (neste exemplo, a tabela 7.7, apenas computa a densidade construída residencial).
É necessário reforçar que neste estudo estamos utilizando todos os distritos para cálculo do índice de atratividade, mesmo aqueles já cobertos pela rede há décadas e assim deveriam somente ser exemplos de adensamento. Porém para verificar a correspondência entre os resultados e a realidade, consideramos relevante o estudo simultâneo dos 96 distritos.
Lembramos ainda que, possíveis diferenças entre o ranking obtido e a realidade, necessitam de análise ampla que agregue dados sobre o processo de ocupação e urbanização do Município, desta forma, isso explica em parte os bairros centrais que há cem anos eram considerados de elite, recebendo todos os tipos de infra-estrutura e que hoje sofrem com o processo de evasão populacional, apresentando características em todos os âmbitos piores do que muitos bairros ainda não servidos.
Lembramos mais uma vez, que este “exercício” apresenta os dados coletados e organizados apenas para o uso residencial.
Ressaltamos também, que esta análise ainda não utilizou recursos estatísticos, considerando como “índice de atratividade” a soma simples dos pesos.
Como é proposto no objetivo geral os parâmetros irão interagir dentro de seu próprio banco de dados (como no exemplo das tabelas do Capítulo 7) e na próxima fase do estudo, globalmente, formulando relações entre os parâmetros de diferentes bancos de dados.
O modelo proposto somente será generalizado em sistema computacional após analisadas e explicadas todas as classificações obtidas.
9.
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