5.3 Acoplamento Magn´ etico
5.3.2 Densidade de spin
A an´alise da distribui¸c˜ao da densidade de spin ´e uma ferramenta ´util no estudo de compostos que apresentam intera¸c˜oes ferro ou antiferromagn´e- ticas entre centros paramagn´eticos, porque ajudam na compreens˜ao qua- litativa dessas intera¸c˜oes. Assim, al´em da constante de acoplamento J, ´e interessante estudar a distribui¸c˜ao de spin no sistema de interesse. Primei- ramente deve-se definir a conven¸c˜ao de sinal, uma vez que valores da den- sidade de spin podem ser positivos ou negativos. Na conven¸c˜ao usual, um el´etron desemparelhado tem um spin positivo, logo sua deslocaliza¸c˜ao re- sulta em uma densidade de magnetiza¸c˜ao de spin positiva sobre a mol´ecula. Esta ´e a defini¸c˜ao adotada neste trabalho.
A distribui¸c˜ao de densidade de spin de uma mol´ecula pode ser obtida a partir de t´ecnicas experimentais, tais como espectroscopia de ressonˆancia magn´etica nuclear (RMN), difra¸c˜ao de nˆeutrons polarizada (PND - Po- larized Neutron Diffraction) ou raios-X de dicroismo circular magn´etico (XMCD -X-ray magnetic circular dichroism) e tamb´em pode ser estimada por meio de c´alculos te´oricos.
Para o c´alculo da densidade de spin em compostos de coordena¸c˜ao pode- se usar v´arios m´etodos te´oricos dentre eles a DFT. Trabalhos na literatura mostraram que os resultados obtidos por DFT reproduzem as densidades de spin experimentais satisfatoriamente.95, 96, 97 Quanto ao conjunto de base, foi observado em trabalhos anteriores95 que pseudopotenciais podem dar valores errados para as densidades de spin e deve-se ter cautela no uso desse tipo de base. No nosso caso, a base usada para esses c´alculos (def2-TZVP) n˜ao tem pseudopotencial.
Os modelos de c´alculos das densidades de spin mais conhecidos s˜ao Mul- liken, NBO e AIM (Atoms in Molecules),98 sendo o primeiro mais usado e n˜ao necessita de c´alculo adicional por ser uma informa¸c˜ao dada nos output dos c´alculos de estrutura eletrˆonicas. Esse m´etodo apresenta problemas bem conhecidos que podem ser especialmente visto nas cargas atˆomicas calculadas. Vale ressaltar que o c´alculo da densidade spin ´e muito me- nos sens´ıvel `a escolha do m´etodo de an´alise populacional do que as cargas atˆomicas.
De acordo com a literatura,99, 100 a aproxima¸c˜ao AIM n˜ao d´a resultados significativamente melhores em compara¸c˜ao com os dados experimentais PND. Apesar de uma boa descri¸c˜ao do padr˜ao de distribui¸c˜ao de spin numa mol´ecula independer do m´etodo de an´alise populacional empregado, o m´etodo NBO parece proporcionar resultados mais confi´aveis do ponto de num´erico101 e por isso ser´a usado neste trabalho.
A popula¸c˜ao de densidade de spin dos ´atomos do composto [VCr] para o estado HS ´e apresentada na Tabela 5.23. Observa-se que a densidade de spin calculada para o ´atomo de crˆomio ´e 2,937 e para o ´atomo de van´adio ´e 2,717 enquanto que para os outros ´atomos os valores s˜ao pequenos. Este resultado revela que a densidade de spin desse complexo vem principal- mente dos ´atomos de Cr(3) e V(14), enquanto os ´atomos demais ´atomos fornecem uma pequena contribui¸c˜ao para o magnetismo do complexo, como esperado. As cargas atˆomicas s˜ao apresentadas para mostrar que elas s˜ao positivas para os ´atomos met´alicos o que deve ser esperado.
CAP´ITULO 5. RESULTADOS 80
Tabela 5.23: Densidade de spin e carga atˆomica calculadas para o composto [VCr].
´
Atomo Densidade de Spin Carga Atˆomica
Cr(3) 2,937 0,356 C(2,4,5,6,7) -0,075 0,060 N(1,8,9,10,11) 0,087 -0,616 C(12) (ponte) 0,021 0,143 N(13) (ponte) 0,032 -0,544 V(14) 2,717 0,763 N(15,16,17,18,23) -0,048 -0,679 C(19,20,21,22,24) 0,095 -0,110
Para explicar o comportamento do acoplamento magn´etico entre os cen- tros magn´eticos foi proposto que o el´etron desemparelhado pode induzir densidade de spin para os demais ´atomos da mol´ecula por dois mecanis- mos: deslocaliza¸c˜ao ou polariza¸c˜ao de spin.102, 103, 104 Como regra geral, a deslocaliza¸c˜ao de spin ´e mais importante para os ´atomos diretamente ligados ao centro met´alico e aumenta com o car´ater covalente da liga¸c˜ao metal-ligante. E tamb´em ´e mais importante para os orbitais do tipo σ do que para do tipo π.
No caso da polariza¸c˜ao de spin, o spin positivo no centro paramagn´e- tico pode induzir densidade de spin de sinal oposto nos ´atomos ligados a esse centro. Assim, o spin de um par de el´etron da liga¸c˜ao ´e polarizado de modo que a densidade de spin positiva ´e concentrada pr´oxima ao ´atomo que tem um el´etron desemparelhado e uma concentra¸c˜ao de densidade de spin negativa ´e favorecida em torno dos ´atomos ligados ao ´atomo com el´etron desemparelhado.102
No composto [VCr] observa-se esses dois mecanismos, a deslocaliza¸c˜ao de spin que ocorre entre dos ´atomos met´alicos para o cianeto da ponte e
polariza¸c˜ao que ocorre do crˆomio para os ´atomos de carbono dos demais cianetos e do van´adio para os ´atomos de nitrogˆenio dos cianetos ligados a ele.
A popula¸c˜ao de densidade de spin dos ´atomos dos compostos com ligan- tes N-heteroc´ıclicos para o estado HS s˜ao apresentadas nas Tabelas 5.24, 5.25, 5.26 e 5.27, respectivamente para o complexo com piridina, pirazina, picolina e dimetilaminopiridina.
Tabela 5.24: Densidade de spin e carga atˆomica calculadas para o composto [VCr]py.
´
Atomo Densidade de Spin Carga Atˆomica
Cr(1) 2,933 0,518 C(2) (ponte) 0,011 0,178 N(3) (ponte) 0,032 -0,535 C(4,5,6,7) -0,070 0,041 N(8,9,10,11) 0,082 -0,601 N(12) -0,026 -0,456 C(13,14) 0,024 0,058 C(15,17) -0,011 -0,244 H(16,18) 0,001 0,234 H(19,20) 0,000 0,252 V(21) 2,724 0,765 N(22,23,24,25,30) -0,048 -0,675 C(26,27,28,29,31) 0,095 -0,112 C(32) 0,019 -0,139 H(33) -0,001 0,247
Observa-se que a distribui¸c˜ao de densidade de spin para esses compostos s˜ao praticamente iguais ao do composto V[Cr(CN)6] e da mesma maneira, a
densidade de spin desses complexos prov´em dos ´atomos de crˆomio e van´adio e os demais contribuem muito pouco para o magnetismo. Esse resultado est´a de acordo com as constantes de acoplamento magn´etico calculadas que
CAP´ITULO 5. RESULTADOS 82
tamb´em foram bem pr´oximas entre esses compostos.
Tabela 5.25: Densidade de spin e carga atˆomica calculadas para o composto [VCr]pz.
´
Atomo Densidade de Spin Carga Atˆomica
Cr(1) 2,935 0,521 C(2) (ponte) 0,007 0,176 N(3) (ponte) 0,036 -0,524 C(4,5,6,7) -0,072 0,040 N(8,9,10,11) 0,084 -0,595 N(12) -0,026 -0,415 C(13,14) 0,026 0,032 C(15,17) -0,011 0,015 H(16,18) 0,000 0,243 H(19,20) 0,000 0,231 N(21) 0,015 -0,395 V(22) 2,723 0,767 N(23,24,25,26) -0,048 -0,675 C(27,28,29,30,32) 0,095 -0,115 N(31) -0,050 -0,673
Tabela 5.26: Densidade de spin e carga atˆomica calculadas para o composto [VCr]pic.
´
Atomo Densidade de Spin Carga Atˆomica
Cr(1) 2,933 0,515 C(2) (ponte) 0,007 0,176 N(3) (ponte) 0,035 -0,531 C(4,5,6,7) -0,070 0,046 N(8,9,10,11) 0,082 -0,605 N(12) -0,025 -0,463 C(13,14) 0,023 0,062 C(15,17) -0,010 -0,250 H(16,18) 0,001 0,233 H(19,20) 0,000 0,247 V(21) 2,726 0,765 N(22,23,24,25,30) -0,049 -0,670
Tabela 5.26 – continua¸c˜ao da p´agina anterior
´
Atomo Densidade de Spin Carga Atˆomica
C(26,27,28,29,31) 0,096 -0,119
C(32) 0,018 0,067
C(33) -0,001 -0,656
H(34,35,36) 0,001 0,241
Para esses compostos ´e observado tamb´em os mecanismos de desloca- liza¸c˜ao de spin que ocorre entre dos ´atomos met´alicos para o cianeto da ponte e o de polariza¸c˜ao que ocorre do crˆomio para os ´atomos de carbono dos demais cianetos e do nitrogˆenio do anel arom´atico e do van´adio para os ´
atomos de nitrogˆenio dos cianetos ligados a ele. A deslocaliza¸c˜ao de spin para a ponte ´e mais acentuada para o ´atomo de nitrogˆenio do que para o de carbono para todos esses complexos.
Tabela 5.27: Densidade de spin e carga atˆomica calculadas para o composto [VCr]dmapy.
´
Atomo Densidade de Spin Carga Atˆomica
Cr(1) 2,925 0,505 C(2) (ponte) 0,014 0,176 N(3) (ponte) 0,030 -0,535 C(4,5,6,7) -0,070 0,050 N(8,9,10,11) 0,080 -0,611 N(12) -0,020 -0,505 C(13,14) 0,018 0,060 C(15,17) -0,004 -0,325 H(16,18) 0,001 0,230 C(19) 0,009 0,236 H(20,21) 0,000 0,250 C(22,26) -0,001 -0,430 H(23,29) 0,000 0,229 H(24,27) 0,000 0,218 H(25,28) 0,001 0,211
CAP´ITULO 5. RESULTADOS 84
Tabela 5.27 – continua¸c˜ao da p´agina anterior
´
Atomo Densidade de Spin Carga Atˆomica
N(30) 0,012 -0,336
V(31) 2,722 0,761
N(32,33,34,35,36) -0,049 -0,672
C(37,38,39,40,41) 0,096 -0,116
As densidades de spin dos ´atomos dos compostos com a pirazina em ponte para o estado HS s˜ao apresentadas nas Tabelas 5.28 e 5.29. Para o Cr–pz–V ´e observado os mecanismos de deslocaliza¸c˜ao de spin, que ocorre do ´atomo de crˆomio para o nitrogˆenio da pirazina, e de polariza¸c˜ao que ocorre do crˆomio para os ´atomos de carbono dos cianetos e do ´atomo de van´adio para os ´atomos de nitrogˆenio dos cianetos ligados a ele. N˜ao ocorre deslocaliza¸c˜ao de spin do ´atomo de van´adio para o nitrogˆenio do anel.
Tabela 5.28: Densidade de spin e carga atˆomica calculadas para o composto Cr–pz–V.
´
Atomo Densidade de Spin Carga Atˆomica
C(1,2,3,4,12) 0,097 -0,094 N(5,6,7,8) 0,083 -0,594 N(9) 0,087 -0,604 N(10) (pz) 0,026 -0,422 N(11) (pz) -0,012 -0,382 N(13,14,15,16,26) -0,047 -0,690 C(17,18,19,20) -0,072 0,036 C(21,22) 0,007 0,036 C(23,24) 0,045 0,026 C(25) -0,087 0,096 H(27,28,29,30) 0,001 0,245 Cr(31) 2,934 0,513 V(32) 2,651 0,828
No Cr–pz–Cr ´e observado apenas o mecanismo de polariza¸c˜ao que ocorre dos ´atomos de crˆomio para os ´atomos ligados a ele. Esse resultado est´a de acordo com o esperado, uma vez que a constante de acoplamento magn´etico para esse composto foi muito pequena.
Tabela 5.29: Densidade de spin e carga atˆomica calculadas para o composto Cr–pz–Cr.
´
Atomo Densidade de Spin Carga Atˆomica
N(1,2,3,4,5,6,7,8) 0,084 -0,589 N(9,12) 0,090 -0,598 N(10,11) -0,009 -0,399 C(13,14,15,16,17,18,19,20) -0,073 0,034 C(21,22,23,24) 0,014 0,054 C(25,26) -0,090 0,096 H(27,28,29,30) 0,001 0,253 Cr(31,32) 2,934 0,512
CAP´ITULO 6. CONCLUS ˜AO E PERSPECTIVAS 86
Cap´ıtulo 6
Conclus˜ao e Perspectivas
O funcional PBE0 com inclus˜ao do modelo de solvata¸c˜ao IEF-PCM des- creveu as distˆancias de liga¸c˜ao e energias das transi¸c˜oes eletrˆonicas para os sistemas estudados com melhor concordˆancia com os valores experimentais do que o funcional B3LYP, nas mesmas condi¸c˜oes de c´alculo. Verificou-se que o uso de uma fun¸c˜ao de base tripla zeta ´e necess´ario para se observar as transi¸c˜oes d-d.
Foi observada uma rela¸c˜ao linear entre as distˆancias de liga¸c˜ao Cr–N com o pKa dos ligantes, mostrando o car´ater σ-doador desses ligantes o
que foi confirmado pela an´alise populacional NBO.
O c´alculo da constante de acoplamento magn´etico do [VCr] est´a de acordo com o fenˆomeno observado experimentamente de que esse com- posto ´e antiferromagn´etico. Os complexos com os ligantes N-heteroc´ıclicos tamb´em apresentaram constantes de acoplamento magn´etico negativas o que sugere um comportamento antiferromagn´etico por´em o valor de suas constantes n˜ao se diferenciaram significantemente do valor obtido para o composto [VCr]. Al´em disso, nos complexos com os ligantes arom´aticos o ˆ
nos compostos com os ligantes picolina e dimetilaminopiridina.
O efeito no valor da constante de acoplamento magn´etico do ligante N- heteroc´ıclico coordenado ao ´atomo de van´adio ao inv´es do ´atomo de crˆomio ´e pouco significativo sendo o mais relevante o aumento do valor de J para o composto com a dimetilaminopiridina.
A an´alise da densidade de spin mostrou que esta vem principalmente dos ´atomos de crˆomio e van´adio, enquanto os demais ´atomos fornecem uma pequena contribui¸c˜ao para o magnetismo do complexo, e ocorre por dois mecanismos, a deslocaliza¸c˜ao e polariza¸c˜ao de spin.
Como sugest˜ao, esses complexos n˜ao mostraram muito promissores para explorar as propriedades magn´eticas, por´em para um estudo fotoqu´ımico poderia ser interessante a s´ıntese dos complexos com os ligante pirazina ou dimetilaminopiridina devido as caracteristica das suas transi¸c˜oes eletrˆonicas.
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