4 DEPENDÊNCIA E OS LIMITES DO DESENVOLVIMENTISMO
4.1 DEPENDÊNCIA REVISITADA: A IMPORTÂNCIA DO DEBATE
É razoável que se questione o porquê de voltar ao tema da dependência e isso em conexão com o desenvolvimentismo num momento em que essas teorizações, para muitos, aparecem como datadas ou, no mínimo, algo realmente a ser entregue “a crítica roedora dos ratos”. Pelo menos três motivos podem ser elencados para tanto. Primeiro, pela importância e impacto que essas teorizações tiveram à época de suas formulações e que continuam ter até hoje, seja como um paradigma a ser seguido ou completamente negado. Nesse sentido, o presente estudo defende a ideia de que existe pertinência teórica e heurística na produção intelectual realizada pelos “dependentistas”, principalmente, quando acrescidas das novas reflexões que já vem sendo realizadas, ponto este que será analisado mais adiante. Como afirmam alguns autores, dentre eles José Maurício Domingues, referindo-se especificamente à versão Cardoso e Faletto:
“... a teoria parece ainda suportar o ônus da prova do confronto com a realidade, uma vez que seus conceitos principais – dependência, centro e periferia (mais a semiperiferia) e desenvolvimento e subdesenvolvimento – têm bom desempenho ao enquadrar as realidades contemporâneas. Essas questões, bem como a sobreposição entre essas categorias, seguem sendo bastante concretas.” (DOMINGUES, 2010, p. 11)
Entretanto, não só a obra de Cardoso e Faletto tem sido avaliada como ainda relevante. Não pára de crescer o número de publicações retomando outros autores diretamente vinculados à construção da teoria da dependência, inclusive polemizando contra as atuais posições assumidas por Cardoso quanto ao papel da globalização e mesmo criticando posições teóricas assumidas no passado. Assim, autores como Dos Santos, Marini, Bambirra, Frank, vem sendo alvo de vários tipos de estudos (MARTINS, 2011; BICHIR, 2013), ao mesmo tempo, suas obras não disponíveis em português vem sendo publicadas (sobretudo pelo CLACSO).
Segundo, elas podem usadas como um caso típico (no sentido de tipo ideal weberiano) do processo de conflito, concorrência e inovação que ocorre no âmbito das teorias sociais. Como tentarei demonstrar a seguir, De um lado, as “teorias da Dependência”, nas suas versões “marxistas”, é uma reação, embora de maneira diversa, ao estruturalismo da Cepal. Por outro lado, é possível afimar que existe uma versão estruturalista da dependência. Há, entre as versões a serem examinadas, concordâncias, mas também substanciais conflitos e discordâncias quanto à maneira teoricamente adequada de entender o fenômeno da dependência. Os conflitos entre
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as versões, bem como os momentos de rupturas e mudança teórica serão examinados como parte do processo de acumulação de conhecimento, apesar de pontos de vistas diferentes.
Terceiro, elas apontam, os limites do desenvolvimentismo enquanto teorização e enquanto projeto político. Mesmo no caso de Furtado, um teórico do desenvolvimentismo, já apontava as limitações desse projeto em curso nos anos 50 e 60, caso mudanças de ordem estrutural não fossem efetivadas. O divisor de águas e, por assim dizer, o teste “severo” das aspirações desenvolvimentistas, ocorreu em abril de 1964 com a derrocada política do Governo Goulart por um golpe de Estado. Temos então um fato de muita relevância quando se pensa no surgimento dessas teorias, aqui me referindo especificamente a versão Cardoso e Faletto e ao grupo oriundo da UNB (Theotônio dos Santos, Vãnia Bambirra e Ruy Mauro): elas representam uma reflexão pós-golpe, pós-trauma, um ajuste de contas com o nacional desenvolvimentismo. Claro está que se trata de um processo que já vinha em curso como se observou no Capítulo passado. O fato é que as previsões da Cepal sobre o processo de industrialização haviam falhado. Nas palavras de um Cepalino:
Os autores afirmam que essa expectativa otimista sobre a viabilidade de um desenvolvimento industrial autônomo, de base nacional, foi desvanecendo nos primeiros anos da década de 1960. As três economias de maiores dimensões pareciam as mais promissoras, mas em nenhuma delas se confirmavam as expectativas favoráveis geradas previamente... Observando-se esses casos em conjunto, o que não se cumpriu das expectativas estruturalistas? Houve aumentos da produtividade do trabalho, mas estes não foram acompanhados por uma forte absorção de mão-de-obra e,portanto,tampouco se refletiram em aumentos de salários e em melhorias na distribuição da renda; sim, houve diversificação da estrutura produtiva, mas os graus da sua complementaridade intersetorial e integração vertical — sobretudo no que corresponde aos ramos produtores de bens de capital — ficaram longe do esperado; o desenvolvimento careceu do caráter nacional que supostamente teria; o Estado foi partícipe, mas não garantiu esse caráter, nem os outros resultados.
(RODRIGUEZ, 2009, p.269-270)16
Então, além de uma situação política, no caso do Brasil, mas em pouco tempo, da Argentina, do Uruguai , Paraguai e do próprio Chile, na qual as forças democráticas tinham sido derrotadas, havia ainda o peso de uma malograda tentativa de estabelecimento de um processo de “desenvolvimento industrial autônomo”. O que deu errado? A tentativa de resposta é urdida na reflexão das teorias da dependência.
Vale ressaltar, ainda, que o próprio conceito de dependência aparece como uma espécie de “articulador”, dentro da cena brasileira, não só nas teorias que serão aqui examinadas. Por
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exemplo, esse conceito foi usado pela intelectualidade do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), embora de maneira diversa (TOLEDO, 1977). Na verdade, o conceito de dependência pode ser encontrado em toda uma série de interpretações de cunho político, econômico e cultural que fazem parte do pensamento social brasileiro e latino-americano (LOVE,1990 p.144).
4.2 TEORIAS DA DEPENDÊNCIA: A QUESTÃO DAS ORIGENS E AS CLASSIFICAÇÕES
Um dos grandes estudiosos das teorias sobre o desenvolvimento do capitalismo na América Latina faz uma observação de extrema importância sobre o que as caracteriza:
Although a distinctive body of thought wich could be labeled "Latin Américan school of development and underdevelopment" only emerged in the postwar period, one of its origins can be found in the debate between Victor Raul Haya de la Torre and Jose Carlos Mariategui during the late 1920s and early 1930s. (..) This debate sets the scene for the two major strands which can be found withinthe Latin Américan school: the structuralist-reformist and the Marxist revolutionary.What unites these two strands is that they both argue against neoclassical and modernization theory and that they define underdevelopmentas being the outcome of a process of world capitalist accumulation which continually reproduces both poles of the world system. They argue that underdeveloped countries have peculiarities of their own and for this reason neoclassical and modernization theory have little relevance for understandingthis reality, and worse, the policies which are derived from these theories do not address the fundamental problem of underdevelopment and can even aggravate it. The major difference between these two paradigms is that the structuralists think that by reforming the international and national capitalist systems it is possible to overcome underdevelopment. Meanwhile for the Marxist only world socialism can ultimately overcome underdevelopment and the inequalities of the contemporary world capitalist system. As will be seem next, it is this difference which is at the heart of the Haya-Mariategui controversy. Reform or revolution? This is a key question underlying the discussions of the postwar Latin Américan development school. The different answers to his question, which were at the centre of the debate between Haya de la Torre and Mariategui in the late 1920s and early 1930s, defined the two major strands within the Latin American development school.” (KAY, 1991, p.31)
Assim, reconhecendo as duas vertentes que contribuíram, de forma significativa, para o entendimento dos problemas que solapam o desenvolvimento econômico na região, ele aponta o fato de uma divisão fundamental a partir das premissas adotadas em cada uma das formas de abordagem: reforma ou revolução? De fato, esse é um dilema fundamental quando se pensa tanto na produção teórica, bem como nas opções políticas com as quais se defrontaram a intelectualidade e as elites políticas, nesse caso, principalmente nas décadas de 1950-1960.
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Tomando como base a controversa literatura sobre as origens das teorias da dependência, algumas coisas se tornam evidentes. Ela nasce na América Latina, durante a década dos 60. Nasce dentro de um campo transicional entre a teorização Cepalina e um marxismo não escolástico, que se colocava contra as teorizações da III internacional. É fato, que encontramos o conceito de dependência bem antes dos anos 60. Mas, como enfatizado, sem se especificar exatamente a que fenômeno estamos nos referindo, tudo pode ser dependente ou, pior, para essa perspectiva, interdependente. Trabalhos enfatizam a herança Cepalina (LOVE,1990,1996), outros a marxista, especificamente uma teoria do imperialismo ou uma recriação dessa teoria , adaptada a periferia (PALMA,1978). O resto parecem ser variações do tema em torno desse núcleo. Não e possível desprezar o fato de que as teorias da dependência são, em última análise, uma arma de combate à desolação política da América Latina. As dificuldades de localizá-las dentro de um espectro marxista tradicional são evidentes. Há um esforço, do meu ponto de vista, anacrônico, à luz do que sabemos hoje, na tentativa de mostrar um maior ou menor grau de fidelidade à tradição marxista representada pelo próprio Marx, Lenin, Trostki, ou outros. Que duas versões foram inspiradas no campo marxistas, não há dúvida, como ficará evidente. Por outro lado, é inegável a novidade que vem associada com a renovação e/ou quebra dessa mesma tradição. Mesmo numa versão considerada mais estruturalista, a influencia marxista é perceptível. Não à toa que Furtado ira afirmar que a conceituação centro-periferia de Raul Presbich, implicitamente, tinha como referência uma teoria do imperialismo, já que a Divisão Internacional do Trabalho não “nasce do nada” e é um processo histórico (FURTADO, 2014). Por outro lado, apenas afirmar que o capitalismo é imperialista sem especificar os processos e de que forma isso acontece na periferia é uma platitude. Por isso, a ideia de uma análise de “situações concretas de dependência” ganha relevo. Nessa mesma linha, não é de estranhar que o núcleo da teoria da dependência estivesse latente nas análises da Cepal. O fato é que, do ponto de vista do marxismo e da escolástica da Internacional Comunista, pela primeira vez se havia delineado um quadro no qual a experiência acumulada e a presença de uma intelectualidade pujante possibilitava formular algo novo. Do ponto de vista da Cepal, com sua teorização e assessoria aos diversos governos, algo tinha falhado. O ponto crucial será responder à pergunta como o capitalismo se forma, como se desenvolve e influencia os países fora da Europa, ou seja, periféricos, e se existem, ou não, possibilidades de superação de uma herança de pobreza e desigualdade.
Assim, se é possível afirmar que as teorias da dependência são uma resposta à derrota política e econômica do projeto desenvolvimentista, é também possível afirmar, a partir do testemunho dos próprios teóricos, que essa elaboração se deu de forma coletiva, simultânea e,
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ao que tudo indica, às vezes de forma independente dos núcleos de pesquisadores que estavam diretamente envolvidos nesse processo. Isso é de importância fundamental para o argumento que venho desenvolvendo ao longo desse trabalho, tanto ponto de vista de uma Sociologia dos intelectuais quanto a Sociologia do conhecimento. Em outras palavras, as teorias sociais são uma construção coletiva; se assentam numa trajetória de grupos na qual conceitos e métodos são criados, debatidos e redefinidos. Além do mais, essa construção está referenciada dentro de uma estrutura social concreta e é mediada pelos vínculos que os membros de cada grupo possuem em termos de classe, opção política e vinculação institucional, não sendo, por isso mesmo, um processo mecânico, na qual a teoria é uma simples emanação de uma posição de classe ou de uma opção política. Lembro, aqui, a posição de Bourdieu (1980) que pensa a estruturação do campo intelectual comandada por uma lógica interna. Ao mesmo tempo é possível perceber que se dependência aparece como um tema estruturador das diversas reflexões, é igualmente perceptível que as análises e especificações de como esse processo ocorre concretamente ganha tons variados e diferentes ênfases. Assim, parece evidente que temos um campo teórico ao qual poderíamos chamar de dependentista, mas ele está longe de ser homogêneo. Nesse sentido, a disputa intracampo se faz em torno não só próprio conceito de dependência, mas principalmente da interpretação desse processo e de seus desdobramentos econômicos e políticos. É preciso notar que as divisões e tensões, ao que tudo indica, não aparecem temporalmente, com o seu “desenvolvimento”, mas na sua própria estruturação. Uma das possíveis causas desse fenômeno é o fato de que a estruturação do campo dependentista é um amálgama de posições de crítica ao campo desenvolvimentista pelos que dele não participavam e, ao mesmo tempo, de autocrítica dos próprios participantes do campo desenvolvimentista. Como exemplo dos que se colocavam fora do campo, temos Fernando Henrique, Theotônio dos Santos e Ruy Mauro Mariny, como ficará explicito. O caso exemplar dos que se colocavam dentro do campo é Celso Furtado. Mas há outros. Se olharmos a literatura, tanto Furtado, como Osvaldo Sunkel e até o próprio Prebisch no seu último trabalho O capitalismo periférico estariam situados dentro desse campo (BRESSER-PEREIRA, 2010, PALMA, 1978, SANTOS, 2000)
Antes de adentrar em detalhes sobre as diferenças de ênfases e mesmo de antagonismo entre os dependentistas, é preciso dar um passo preliminar trazendo à tona as diferentes classificações encontradas na literatura e também utilizadas pelos dependentistas, como forma de por certa ordem naquilo que se aparenta caótico. A discussão dessas classificações tem, ao mesmo tempo, como objetivo demonstrar que existe uma base na literatura (nacional e internacional) para incluir os nomes dos autores que são alvo de estudo nessa pesquisa. Dado o
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volume da literatura sobre teoria da dependência, escolhi focar em autores que fazem um trabalho de síntese e são largamente citados, além dos próprios dependentistas.
Na visão de Bresser Pereira (2010), que usa claramente como critério aceitação de que é possível um projeto desenvolvimento nacional posto que existe uma burguesia que abraça essa proposta, existem pelo menos três versões da teoria da dependência, que são as seguintes: a da “superexploração capitalista”, da “dependência-associada” e da “contradição nacional-dependente”:
Geralmente, a interpretação da dependência se divide em duas versões – a versão original da super-exploração e a versão da dependência associada. Houve, entretanto, uma terceira interpretação que denomino “nacional- dependente”. (Idem., 2010, p. 34)
Para que fique clara, a visão da superexploração (marxista) refere-se a André Gunder Frank, Ruy Mauro Marini, Theotônio dos Santos e Vânia Bambirra. Na visão de Bresser- Pereira, o que caracteriza essa versão:
A primeira interpretação adota um raciocínio consistente, mas que acaba sendo utópico. Dada a assumida impossibilidade de uma burguesia nacional na América Latina, os trabalhadores não teriam escolha senão trabalhar pela revolução socialista. Era, portanto, uma teoria próxima da do imperialismo, porque admitia claramente a existência do imperialismo, mas ao mesmo tempo criticava radicalmente a interpretação nacional-burguesa por negar qualquer possibilidade de desenvolvimento nacional no âmbito do capitalismo subdesenvolvido. (Ibid., p. 34)
A versão da “dependência-associada” é sustentada pelos trabalhos de Cardoso e Faletto. Quanto à essa versão, escreve ele, resumindo:
A dependência associada pode ser resumida – com todos os riscos implícitos em um resumo – em uma idéia simples: já que os países latino-americanos não contam com uma burguesia nacional, não lhes resta alternativa senão se associarem ao sistema dominante e aproveitarem as frestas que ele oferece em proveito de seu desenvolvimento.17 (Ibid., p. 34)
17 Antes de resumir, afirma ele: “A versão da dependência associada derivou diretamente da Escola de Sociologia de São Paulo e é também marxista em suas origens, embora a maioria de seus proponentes tenha abandonado o marxismo depois de ela ter sido formulada16. Sua análise é uma reação imediata ao golpe militar que começou no Cone Sul em 1964 e uma reflexão sobre o “milagre econômico” que começou no Brasil em 1968. Os pesados investimentos industriais feitos naquela época promoveram mais uma etapa da industrialização por substituição de importações e, ao mesmo tempo, pareciam ser a causa subjacente de um novo pacto político que unia os tecnocratas do Estado aos empresários industriais e às empresas multinacionais, excluindo radicalmente os trabalhadores. Em consequência, o novo modelo de desenvolvimento que emergiu após meados dos anos 1960, ou seja, o modelo de desenvolvimento dependente e associado era autoritário no nível político e concentrador de renda no nível econômico.” (ibidem, p.37)
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A última está vinculada aos nomes Celso Furtado e Oswaldo Sunkel (1969)18. O próprio Bresser adere a essa versão:
A terceira versão da interpretação da dependência é a interpretação nacional- dependente, associada a Celso Furtado e Oswaldo Sunkel. Incluo-me nessa visão do desenvolvimento e do subdesenvolvimento latino-americanos. Os intelectuais que, a meu ver, compartilham a interpretação nacional- dependente entenderam claramente que a crise política e econômica dos anos 1960 foi causada por uma série de fatos históricos novos que exigiam uma nova interpretação, mas esses fatos não justificavam nem o abandono da crítica ao imperialismo, como aconteceu com a dependência associada, nem a afirmação da absoluta impossibilidade de uma burguesia nacional, como aconteceu com as interpretações da super-exploração e da dependência associada. A interpretação nacional-dependente reconhece o caráter dependente das elites latino-americanas, e por essa razão pode ser considerada como parte da interpretação da dependência, mas, na medida em que trata essa dependência como relativa e contraditória, pode também ser vista como uma interpretação independente. (Idem, p.34)
Outros estudos tentam classificar essas teorias de acordo com a série de temáticas desenvolvidas, levando a uma lógica mais nominalista que substantiva (SANTOS, 2000). As classificações levam em conta diferentes critérios e, por isso mesmo, incluem ou excluem certos autores. Uma das classificações mais interessantes me parece a de Gabriel Palma (1978, p.898). Ele leva em conta os grupos de pesquisa aos quais os estudiosos estavam vinculados. Um primeiro grupo seria o do CESO (Centro de estúdios sociales da universidad de Chile) composto por Rui Mauro Marini, Thetônio dos Santos, Vania Bambirra, Andre Gunder Frank,Orlando Caputo e Roberto Pizzarro. Comentando o que é define esse grupo, nos diz dele:
Its essential characteristic is that it attempts to construct a ‘theory of Latin american underdevelopment’ in which the dependent character of these economies is the hub on which the whole analysis of underdevelopment turns: the dependent character of Latin American economies would trace certain processes causally linked to its underdevelopment. (Idem, p.898)
Um segundo grupo estaria vinculado à Cepal e tem como componentes Celso Furtado e Oswaldo Sunkel. Aqui é importante deixar claro não só as características, mas saber o porquê se colocar dois Cepalinos tão importantes dentro do campo dependentista:
The second approach, found principally in Sunkel and Furtado, is that which is characterized by the attempt to reformulate the ECLA analyses of Latin Américan development from the perspective of a critique of the obstacles to ‘national development’. This attempt at reformulation is not a simple process of adding new elements (both political and social) which were lacking in the ECLA analysis, but a thorough-going attempt to proceed beyond that analysis, adopting an increasingly different perspective. (Ibid, p.898)
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E, finalmente o terceiro grupo é representado por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto. Nesse caso, um cepalino, Faletto e um crítico do desenvolvimentismo, Cardoso, mas ambos, à época, vinculados ao ILPES. O que caracteriza essa abordagem, se contrastada principalmente com a primeira, é o foco em a “análise concreta de situações de dependência”:
Finally, I distinguish that approach which deliberately attempts not to develop a mechanico-formal theory of dependency (and much less, a mechanico- formal theory of Latin American underdevelopment based on its dependent character) by concentrating its analysis on what have been called ‘concrete situations of dependency’. (Ibid., p. 899)
E continua ele:
It is not that this approach does not recognize the need for a theory of capitalist development in Latin America, but that (in part as a reaction to the excessive theorizing in a vacuum characteristic of other analyses of dependency) it places greater emphasis upon the analysis of concrete sitnations. The