• Nenhum resultado encontrado

4.0 DESAFIOS DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES E GESTORES

Na busca das relações culturais, sociais e ética

4.0 DESAFIOS DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES E GESTORES

Desenvolver ações que visem à aquisição de atitudes éticas de cidadania mediante a elevação da autoestima em membros de uma comunidade que não tiveram acesso aos bens sociais, auxiliando professores e jovens da comunidade civil organizada a investirem em sua formação.

Maria Inêz Araujo

Dialogar entre profissionais da Educação, nada mais é que fomentar reflexões sobre o dia a dia do ambiente escolar ou espaços não formais, objetivando promover mudanças de postura e, por conseguinte, m

udanças de valores. A necessidade de ressignificar valores e atitudes frente à diversidade é ultrapassar os limites daquilo que se considera como verdade absoluta e que o universo educacional ainda insiste em preservar.

Essa sessão objetiva discutir a formação dos professores e os desafios no ambiente escolar, baseando-se a partir da formação ambiental, bem como a formação de professores na perspectiva inclusiva. Durante toda discussão os resultados da coleta de dados irão dialogar com o que está posto na literatura.

A formação de professores e gestores na perspectiva ambiental e inclusiva da PcD é fundamental por entender que todos momento de busca do conhecimento e discussão das experiências são fundamentais para possibilitar a melhoria da qualidade de ensino, além de ser via de promoção da cidadania.

Assim sendo, é importante que o docente esteja em constate processo de formação. Da mesma forma que não há conhecimento científico sem senso comum, não existe prática sem teoria, escola sem aluno. Buscar a qualificação e refletir o dia a dia da escola é fundamental. A formação do profissional da educação possibilita melhoria da prática docente, levando em consideração a trajetória pessoal do professor, uma vez que a trajetória profissional está conexa com a vida pessoal, individual e na interação com o coletivo.

O processo reflexivo possibilita ao profissional desenvolver estratégias indispensáveis na construção do processo ensino aprendizagem. É um veículo importante para auxiliar e compreender a diversidade e as mudanças exigidas no campo educacional, enfrentando as dificuldades existentes na sala de aula, porque não existe

compreensão de mundo sem que haja reflexão sobre o próprio mundo. Os espaços escolares necessitam ser repensados, devendo ser compreendido e percebido de forma ampliada daquilo que a própria história nos contou. Vivem-se tempos de grandes desafios. A relação escola/aluno necessita ser refletida.

Partindo das considerações descritas acima, realiza-se o seguinte questionamento: Como os professores e gestores estão dialogando com a diversidade? Ser humano, meio ambiente, gênero, inclusão da PcD, são entre tantos outros assuntos que fazem parte do dia a dia da escola?

É nesta perspectiva de análise, que Boaventura (2004) afirma que, a sociedade está vivenciando uma crise, uma fase de transição paradigmática. No campo educacional, muitas vezes os profissionais da educação não estão sabendo criar condições reais de acesso à aprendizagem e oportunidades de maneira igualitária, respeitando as especificidades e individualidades de cada sujeito.

Essa transição paradigmática pode ser representada por duas dimensões principais: a dimensão epistemológica e a dimensão social, destacando a “hipercientifização da emancipação” como o processo que diferenciou o conhecimento científico do senso comum, ocasionando ruptura epistemológica que colocou o conhecimento científico como algo superior e muitas vezes inalcançável, distante da realidade da maior parte da população.

Para Boaventura, a maneira de reaver a emancipação seria transformando o conhecimento científico em um novo senso comum através de uma nova ruptura epistemológica. Desta forma, necessário se faz que a dimensão política da educação crie condições de promover a formação integral do sujeito, desenvolvendo a criticidade, a autonomia e a autoria na construção do seu conhecimento, formando sujeitos da emancipação, visto em Freire como defesa pedagógica baseada na atividade direta com as classes populares e na defesa de sua necessidade de emancipação social.

Para Poulantzas (1981), o que ocorre na realidade é que o ensino voltado às classes populares prioriza a disciplina, o respeito à autoridade e uma verdadeira adoração ao trabalho intelectual que se encontra aquém da realidade escolar.

Diferente disso, um processo educativo pautado na emancipação perpassa pela intrínseca necessidade de práxis pedagógicas. O professor como um dos atores envolvidos nesse processo, deve estar em constante reflexão sobre sua prática, buscando valorizar conhecimentos e práticas não hegemônicas.

Como qualquer cidadão, o professor é um sujeito que tem limitações e visões de mundo, como qualquer cidadão e que, segundo Arroyo (2000, p. 45), coloca um pouco de si em cada escolha pedagógica, ou seja, “há algo de nós, de nossas crenças e esperanças, de nossas descrenças e desânimos”. No entanto, cabe ao educador, a partir de um trabalho individual, quebrar seus próprios paradigmas e se questionar sobre o tipo de educação que está oferecendo diante das novas exigências.

É inegável a necessidade de repensar os papéis preestabelecidos e as visões pré-concebidas de educação, afinal, estamos imersos a uma diversidade de pensar, de comportamentos, de modelos de vida no cotidiano da escola. É indispensável uma prática docente reflexiva e continuamente atualizada diante de uma sociedade que privilegia a padronização total, marginalizando o diferente.

De acordo com Nóvoa (1995, p. 25), “é no contexto da escola que o docente constrói a sua profissão”. Com isso, a escola deve ser um espaço de discussão e ação, no qual formam-se parcerias, reflete-se sobre a prática pedagógica diária e sobre o que fazer, por que fazer e como fazer, a “formação não se constrói por acumulação (de cursos, conhecimentos ou técnicas), mas sim, mediante um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de reconstrução permanente de uma identidade pessoal” (Op.cit, 1995, p. 25).

A escola deve ter o papel de agir como produtora de uma ideologia que busque a aceitação e valorização das diferenças. Segundo Gramsci (1984) a educação tem grande significado estratégico na luta contra a ideologia dominante, já que pode atuar no sentido de destruir a hegemonia da classe burguesa através da formação de intelectuais de outras classes, capazes de propagar suas concepções de mundo.

O papel político e social do profissional de educação na sociedade atual requer constante atualização de conhecimentos, busca de uma prática pedagógica pautada em valores morais e éticos e de uma formação holística do indivíduo. A escola, que antes compartilhava com a família a responsabilidade (mesmo que extraoficial) de educar as crianças e jovens, encontra-se hoje sozinha nesse árduo trabalho. A desestruturação das famílias, inversão e até ausência de valores presentes na sociedade contemporânea aumentam sobremaneira o peso das responsabilidades da escola.

O professor comprometido com o seu trabalho vê-se diante do desafio de formar cidadãos conhecedores dos seus direitos e deveres; despertar o senso crítico diante de questões políticas e ambientais, por exemplo; trabalhar valores essenciais para uma vida digna em sociedade; promover o respeito às diferenças, entre inúmeros outros

desafios. Percebe-se com isso que a formação continuada e a práxis pedagógica deixaram de ser apenas necessárias, uma vez que são imprescindíveis aos professores e gestores.