Intervenção Comunitária e Desenvolvimento Local
SOCIAL DO PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA
4. Os desafios do trabalho do Assistente Social no Programa Minha Casa Minha Vida
A partir do acima exposto, é preciso compreender que é nesse cenário e Pro- grama habitacional que o Profissional de Serviço Social também tem se inserido. A respeito do Trabalho Social, campo onde também se interesse assistentes sociais e outros campos do saber como profissionais do campo da sociologia e pedagogia, entre outros, tal trabalho se insere num campo de inúmeras dispu- tadas, tensões e contradições.
Os impactos sociais da inserção urbana segregada dos empreendimentos do PMCMV recaem sobre o trabalho social, particularmente na fase do pós- -ocupação dos condomínios (Oliveira, 2016).
Os Assistentes Sociais (nosso objeto de estudo na temática habitacional) são solicitados a atuar na “linha de frente” deste trabalho como mediadores entre Estado e a população beneficiária, considerando-se todos os problemas de ordem estrutural dos empreendimentos habitacionais e o tipo de inser- ção urbana produzida, a falta de provisão de equipamentos sociais e serviços públicos quando estes deveriam integrar o projeto elaborado (Oliveira, 2016).
Paz e Taboada (2010, p. 71) caracterizam o trabalho social como sendo processos e ações que dão ancoragem a direção em programas de enfrenta- mento à desigualdade social e sustentabilidade dos programas de Habitação de Interesse Social (HIS).
Silva (et al., 2018, p. 200) destaca que, a compreensão do Trabalho Social como um processo, origina-se no princípio que se desenvolve, nas disparida- des entre a temporalidade e a capacidade dos profissionais intervirem sobre as famílias e a que é estabelecida nos modelos e normas estabelecidas para os projetos de provisão habitacioanal.
Tais diferenças incorrem em “desafios de ordem macro e microestruturais (político, institucional, ideológicos e culturais) que se expressam na cotidiani- dade do fazer profissional e na reprodução das relações sociais, que devem ser
2018 et al., p. 200). Logo, sobre a execução do trabalho social, é importante destacar que:
Na atualidade, a execução do TS permanece sob responsabilidade do poder municipal, distrito federal ou estados, que podem optar pela exeução direta ou mista. Os próprios normativos, como a Portaria nº 21, estimulam a terceiriza- ção do Trabalho Social, pois foram concebidos dentro da racionalidade do Estado mínimo (...) (Silva, et al., 2018, p. 202).
Á Vista disso, faz-se necessário que o profissional de Serviço Social com- preenda o seu campo de atuação no referido Programa Habitacional, como sendo permeado por tensões, disputas de poder, e à sua prática profissional é demandada o cumprimento de intervir entre as forças antagônicas que atuam nas políticas sociais (SILVA, et al., 2018). Assim, o seu “grande desafio está na construção de processos de trabalho que busquem tensionar a lógica do Pro- grama e de fragmentação das políticas sociais (Silva, et al., 2018).
Nalin (2013, p. 176), salienta, a respeito das instituições que atuam na Política de Habitação de Interesse Social, tanto as de âmbito nacional como as internacionais, que estas encarregam a categoria dos Assistentes Sociais sobre a ““reeducação” dos mais pobres a viverem harmoniosamente em condomínios ou em conjuntos habitacionais”, desconsiderando as reais causas da exclusão e apartação social”(Nalim, 2013, p. 176).
Ainda sobre a questão da processualidade da atuação do Assistente Social no TS, debruçados sobre a pesquisa de Nalim (2013,p. 176) com assistentes sociais que atual no trabalho técnico social do PMCMV, percebemos que a mesma compara a política de saúde e de assistência social, no que tange à regionalização, no sentido de que nestas, existe uma continuidade, a constru- ção de vínculos entre profissionais e usuários, o que não ocorre na Política de Habitação de Interesse Social.
Considerando o Assistente Social como um profissional assalariado, e que se situa, desde a gênese do surgimento da profissão, nos processos contradi- tórios entre capital e trabalho, faz-se extremamente importante também pro- blematizar o contexto econômico, social e político onde o mesmo atualmente está inserido para planejar e executar suas atividades inerentes ao seu fazer profissional, o qual tem como Projeto Político Profissional uma posição ao lado da defesa dos direitos da classe trabalhadora.
Portanto, o Assistente Social é parte de um trabalho coletivo, que não foge às mutações e metamorfoses no mundo contemporâneo, que tem seus significados e suas consequências (Antunes, 2000, p.16), que não podem ser naturalizadas
mas sim, desveladas na busca de estratégias que levem a desatar as amarras da inércia frente a um quadro estrutural de precarização do trabalho.
Precarização esta, movida pela busca desenfreada pelo lucro e é, por sua vez, o motor da maximização da produtividade, do desemprego, da flexibi- lização das relações de trabalho, dos quadros enxutos de mão de obra nas organizações empresarias e institucionais, dos vínculos precários de trabalho, dos vínculos de natureza temporária, dos profissionais multitarefas, da flexibi- lização e intensificação das jornadas de trabalho, das relações hierárquicas de trabalho de natureza abusiva e de descartabilidade dos profissionais que não seguem aos ditames empresariais, a subcontratação por empresas que segundo Harvey (1992, p.8) “(...) recorrem a práticas flexíveis de admissão para com- pensar os custos potenciais de desemprego provocado por futuras mudan- ças no mercado”. Logo, nos espaços ocupacionais de atuação no âmbito do PMCMV, não é diferente:
As consequências dessa forma de condução das políticas públicas para o trabalho social são profundas, pois a terceirização desconfigura o significado e a ampli- tude do trabalho técnico realizado pelos assistentes sociais e demais trabalhadores sociais, desloca as relações entre a população, suas formas de representação e a gestão governamental, pela intermediação de empresas e organizações contratadas (Nalin, 2013, p. 183, apud Raichelis,2009, p. 384).
Ainda que sejam muitos os desafios que o profissional de Serviço Social enfrenta em sua prática profissional, o mesmo deve buscar estratégias para sobrepujar as mesmas constituindo-se em um conjunto de ações de caráter socioeducativo e ações voltadas para a mobilização e organização dos sujeitos sociais, que se complementam e articulam – (CFESS, 2016, p. 44)
Conseguinte, tal documento apoiando em (apud Ortiz, 2010, p. 333), aponta que as ações profissionais na política urbana são efetivadas através da intersetorialidade, ou seja, deve estar articulado com saberes e práticas de pro- fissionais de outras áreas do conhecimento. Tal movimento, apesar de estar pautado em uma perspectiva de totalidade, viabilizam uma interação capaz de superar a fragmentação de saberes.
Considerações Finais
habitacional com recorte para sua atuação no Programa Minha Casa Minha Vida nos marcos do desenvolvimento do capitalismo em tempos recentes.
Buscamos, para tanto, as bases que pavimentaram a sua trajetória ao longo da história da formação social brasileira, no esforço de descortinar os impasses que permeiam a profissão no atual contexto histórico no intuito de pos- sibilitar a formulação de estratégias de atuação pela categoria profissional, considerando o papel pedagógico de atuação dos assistentes sociais no espaço urbano, buscando uma prática profissional pautada no horizonte de emanci- pação humana.
Vimos assim, que o início da profissão em questão, se deu como resposta a dinâmica capitalista no que tange às construções das áreas centrais na busca pela modernização.
Atualmente o Trabalho Social nos programas habitacionais é pautado por normativas que, se por um lado atrelam a provisão de moradias à intervenções na esfera social e na busca pela “amenização das desigualdades sociais”, por outro não deve ter sua atuação engessada pelas mesmas, seu trabalho carece de continuidade e interdisciplinaridade.
Não podemos deixar de destacar que nos programas habitacionais, como o PMCMV, atuam diversos agentes, tanto os de caráter público, como privados e, portanto, o Trabalho Social precisa ser compreendido como não sendo o único responsável pelos efeitos causados nos mesmos, como a segregação sócio espacial que afeta as famílias contempladas pelos programa e esta recai sobre os resultados do trabalho social.
Compreendemos que a categoria do Serviço Social precisa caminhar opos- tamente aos interesses e ideários do capital para que possa consolidar, no seu cotidiano, os princípios do seu projeto ético político.
Portanto, os tais precisam perceber-se não como meros operacionalizadores de políticas do Estado mas capazes de desvelar as relações contraditórios que permeiam a esfera da vida social e assim criar estratégias coletivas de enfren- tamento. Para tanto, observa-se a importância dos profissionais que compõe o trabalho social no PMCMV, como os assistentes sociais, se fortalecerem em diversos espaços de discussão buscando estratégias de atuação e reflexão.
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