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A Associação Brasileira do Drywall lançou um manual com o intuito de alertar as construtoras sobre a gestão de resíduos, também por se tratar de uma demanda cada vez maior, e para atendimento das exigências da legislação ambiental brasileira.

Uma correta gestão ambiental no canteiro de obras deve ser executada não somente pela solicitação da legislação, mas para gerar maior qualidade e produtividade, fazendo com que os acidentes de trabalho diminuam, da mesma forma promovendo a redução dos custos de produção. Com a correta destinação e a diminuição de geração dos resíduos, menor é o uso dos recursos naturais.

Segundo a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO DRYWALL (2009):

A coleta seletiva ou diferenciada melhora a qualidade do resíduo a ser reformas ou demolições são conhecidos como entulhos. A Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição – ABRECON (2020) conceitua entulhos como: ”conjunto de fragmentos ou restos de tijolo, concreto, argamassa, aço, madeira, etc., provenientes do desperdício na construção, reforma e/ou demolição de estruturas, como prédios, residências e pontes”.

A construção civil é uma das atividades mais antigas que se pode reconhecer e desde os primórdios da humanidade foi executada de forma artesanal, gerando como subprodutos grande quantidade de entulho mineral. Este setor também responsável pelo consumo excessivo de recursos naturais provenientes de fontes não-renováveis (LEVY; HELENA, 1995; LINTZ et al., 2012).

Atualmente a indústria da construção civil é conhecida como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social, porém é uma das grandes geradoras de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012), pois além da grande exploração dos recursos naturais, a geração de resíduos da construção e demolição possui índices alarmantes, produto do desperdício nas obras de

construções, reformas e demolições (HALMEMAN, 2009). Segundo Ulsen et al.

(2010), cerca de 90% da massa total de resíduos de construção civil (RCC) gerada no Brasil e na Europa é composta por concretos, argamassas, solo e gesso.

Conforme a Associação Brasileira do Drywall todos os componentes utilizados para a execução de uma estrutura são 100% recicláveis. Tornando os resíduos gerados pelo drywall, como as chapas de gesso e massas de tratamento das juntas, perfis estruturais de aço galvanizado, parafusos, fitas de papel para tratamento de juntas e banda acústica, materiais de destinação correta para o meio ambiente.

O canteiro de obras deve ser projetado de tal forma que facilite a coleta e o armazenamento dos resíduos gerados, conforme Figura18. Os materiais devem 45 ser previamente separados de outros materiais com madeira, papéis, restos de alvenaria (tijolo, blocos, argamassa, etc.) e lixo orgânico.

Figura 8 – Armazenagem dos resíduos de gesso

Fonte: CETESB, 2020.

O local de armazenagem dos resíduos de gesso na obra deve ser seco. A armazenagem pode ser feita em baia com piso concretado ou em caçamba. Devem ser também coletados e armazenados em local específico nos canteiros, separados de outros materiais como madeira, metais, papéis, plástico, restos de alvenaria (tijolos, blocos, argamassa) e lixo orgânico.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) define os RCC como resíduos provenientes de construções, reparos, reformas e demolições, incluindo os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis, como tijolos, concreto, rochas, solos, gesso, argamassa, fiação elétrica, entre outros demais materiais denominados entulhos de obra, que devem ser separados pelo gerador, segundo critérios pré-estabelecidos, e encaminhados para reciclagem ou disposição

final, sendo proibido o descarte desses materiais em aterros sanitários, encostas, corpos d’água, terrenos baldios e em áreas protegidas por lei (BRASIL, 2002).

A Resolução CONAMA n°307 estabeleceu as diretrizes para a adequada gestão dos resíduos de construção civil. Segundo esta resolução municípios e grandes geradores passam a ser responsáveis pela segregação e disposição dos resíduos gerados de acordo com a classificação estabelecida (BRASIL, 2002). Os geradores devem ter como objetivo prioritário a não geração dos resíduos, buscando, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final.

A resolução CONAMA n° 307/2002 estabeleceu as diretrizes para a adequada gestão dos resíduos de construção civil. A resolução proibiu a disposição dos resíduos da construção civil em lixões, aterros sanitários e áreas de bota-fora forçando assim a formação de iniciativas para a disposição dos RCC como as usinas de reciclagem. Segundo esta resolução municípios e grandes geradores passam a ser responsáveis pela segregação e disposição dos resíduos gerados de acordo com a classificação estabelecida os resíduos devem ser destinados para locais apropriados conforme a classe e legislações específicas.

As prefeituras devem definir o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil - PMGRCC e os grandes geradores devem elaborar o Programa de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil – PGRCC para cada empreendimento. Segundo a ENGESSUL (2009) os geradores atualmente consideram que destinar o gesso em conformidade com as normas técnicas, significa apenas depositar o material nos aterros industriais operados por empresas privadas.

O gesso, inicialmente utilizado em obras de arte e decorações, é um dos mais antigos materiais utilizados pelo homem, conforme confirmam algumas descobertas arqueológicas importantes (PERES et al., 2001), mas devido as suas características e propriedades passou a ser utilizado não apenas em decoração, mas também em acabamentos, argamassas autonivelantes para contra pisos, placas, blocos, cola e gessos acartonados (ROCHA, 2007; SOBRINHO et al., 2001).

Segundo pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), durante os anos de 2009 e 2012 as obras de

acabamento com gesso e estuque foi uma das atividades da construção civil com maior taxa de crescimento ao ano, ficando em 6º lugar com 76%, fato que pode ser explicado pelo baixo custo do gesso e disseminação de sistemas construtivos alternativos (PINHEIRO, 2011; SEBRAE, 2014).

Um desses sistemas construtivos alternativos é o drywall, um sistema de forro ou parede constituído por placas de gesso pré-fabricadas (gesso acartonado), parafusadas em uma estrutura metálica ou de madeira, gerando uma superfície apta a receber o acabamento final. A composição típica desse material é complexa, a parcela predominante é de gesso natural hidratado (gipsita), papel, fibras de vidro, vermiculita, argilas, amido, potassa cáustica (KOH), agentes espumantes e dispersantes (LINTZ et al., 2012).

As perdas nesse tipo de sistema construtivo são elevadas devido às atividades de corte da chapa, onde estima-se que entre 10 a 12% do gesso acartonado é transformado em resíduos durante a instalação das chapas de drywall nos EUA (PLACO DO BRASIL1, 2014 apud ERBS et al., 2015) e de 5% no Brasil, onde esse método de sistema construtivo ainda é pouco utilizado (SINIAT, 2012).

Segundo estudos realizados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas para Drywall (DRYWALL) é possível reciclar gesso acartonado, produzindo aglomerantes, desde que sejam removidos contaminantes incorporados no processo de geração de resíduos, pois o gesso volta a possuir as características químicas da sua matéria-prima, a gipsita, podendo ser utilizado: na indústria cimentícia, atuando como retardante de pega do cimento; no reaproveitamento nas fábricas de gesso, reincorporando os resíduos em certa quantidade no processo de produção; e no setor agrícola, para melhorar as características do solo e corrigir a acidez, de forma eficaz e economicamente viável (BRASIL, 2009; MARVIN, 2000).

A reciclagem do gesso acartonado é um processo simples e pode ser dividida em duas partes, onde o primeiro passo é retirar o revestimento de papel do núcleo de gesso, e depois triturar o núcleo de gesso através de um picador mecânico até que o material apresente a granulometria desejada para a calcinação (BAUER, 2012; PINHEIRO, 2011).

A calcinação do material é o responsável pela recuperação da capacidade aglomerante do gesso, pois é durante esse processo que o resíduo de gesso,

apresentado como sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO4.2H2O), é convertido em gesso reciclado (CaSO4.1,5H2O + 0,5H2O). A calcinação é feita submetendo-se o resíduo de gesso a queima em estufa com temperaturas controladas (SAVI, 2012).

Os estudos realizados por Savi (2012) mostram que o gesso reciclado apresenta valores de resistência a flexão entre 0,7 e 3,5 MPa, enquanto o gesso comercial apresenta resistência variando de 4,40 a 10,50 MPa. Porém, seu uso é interessante para produção de materiais que não demandam de resistência elevada ou para ser reutilizado no processo, colocando este produto hoje considerado nocivo ao meio ambiente na esfera sustentável.

Dentro do setor produtivo da construção civil, o gesso é um material que apresenta grande potencial de contribuição para sustentabilidade da indústria, devido ao baixo consumo energético do processo de produção e da viabilidade de reciclagem dos resíduos gerados ao longo de sua cadeia produtiva (JOHN;

CINCOTTO, 2003, 2007).

Ao invés do envio dos resíduos de gesso da construção civil para bota-fora, lixões, aterros sanitários ou industriais uma das alternativas de destinação do gesso é a agricultura. Outro uso do gesso na produção de materiais de construção é na indústria cimenteira, como retardante de pega. Podem ser utilizados os materiais minerados, subprodutos da construção civil e industriais. O gesso minerado ocorre nas formas dihidratada, hemidrato e anidrita. Os subprodutos industriais são derivados da fabricação de ácido fosfórico (fosfogesso), Fg, da captura de SO2 das chaminés de geradores alimentados com combustíveis fósseis, gesso de dessulfurização de gases efluentes ou da neutralização de ácido sulfúrico em muitas indústrias de processamento químico (SUMNER,1992).

Porém, apesar de todo o potencial de reciclagem, no Brasil ela é quase inexistente, com apenas algumas iniciativas isoladas, sendo necessários estudos que possam indicar novos usos para o material, como por exemplo o desenvolvimento de compósitos utilizando o gesso reciclado como material aglutinante.

Os danos ao meio ambiente assumem proporções maiores ao se considerar a produção total de entulho originada pelas perdas previstas em projeto acrescido do desperdício ocasionado pela falta de processos construtivos racionalizados e/ou

industrializados, para a execução de obras civis. Além disso, em toda a vida útil de uma edificação são gerados resíduos seja na fase de manutenção como na fase de reforma e adequação ao uso e até na fase de desocupação e demolição das construções.

Um fator que vem sendo discutido é que no processo construtivo tradicional, existe um alto índice de desperdício do material utilizado e também o não reaproveitamento do entulho

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