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Descendentes dos tchecos e eslovacos no Brasil

Nos capítulos anteriores olhámos para situação dos imigrantes tchecos e eslovacos no passado e hoje em dia e neste capítulo pretendemos focar-nos no último grupo do nosso interesse: os descendentes dos tchecos e eslovacos no Brasil. Como não se sabe bem o número dos imigrantes tchecos e eslovacos, fica ainda mais difícil mapear a occorrência dos seus descendentes.

Durante nossa pesquisa feita no país buscámos os descendentes e os entrevistámos por

motivo de conhecer esse grupo. Podemos caraterizar os 13 participantes (8 homens e 5 mulheres) a partir de 3 aspectos: 9 pessoas têm ascendência tcheca e 4 pessoas eslovaca:

5 delas pertencem à 1ª geração, ou seja, são filhos do imigrante, 8 pertencem à 2ª geração, quer dizer que são netos:

Quanto à composição etária, dividimos os participantes em 4 categorias a partir de 21 anos o que foi a idade do participante mais jovem:

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Durante as entrevistas com estas pessoas, focámo-nos na série de perguntas abaixo:

Como se trata das histórias individuais, não é possível generalizar as respostas em forma de estatística. Em vez disso, descrevemos um curto resumo de cada pergunta. A primeira

pergunta já foi respondida através do gráfico que caraterizou a amostra dos participantes: a pessoa da origem tcheca ou eslovaca foi o parente ou avô dele, prevalece a segunda opção.

Comumente, tratou-se dos emigrantes que chegaram para o Brasil na segunda metade do século XX, principalmente durante ou depois da Guerra, antes do estabelecimento do comunismo na Tchecoslováquia. Como já na altura foi arriscado fugir do país, não se tratou de emigração coletiva mas individual ou em grupo de poucas pessoas. As pessoas que entrevistámos residem nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, por isso, a resposta à pergunta sobre o destino dos seus antepassados foi semelhante: esses se instalaram nas cidades mencionadas ou nos seus redores.

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De 13 pessoas entrevistadas, 11 responderam que seu antepassado da origem tcheca/eslovaca já não está vivo, os 2 restantes ainda vivem e participaram na pesquisa anterior. Quanto à questão da língua, falava-se tcheco/eslovaco em casa de 4 pessoas e 2 delas se consideram capazes em comunicar-se em tcheco básico, contudo, não se consideram bilíngues desde a infância; alguns outros frequentaram curso de tcheco na União Cultural Tcheco-

Brasileira em São Paulo por interesse pessoal. Das pessoas com a ascendência eslovaca,

ninguém fala o idioma.

Em relação aos costumes, tradições ou comidas, mantinham-se poucos: a maioria dos respondentes era capaz de nomear umas tradições ou comidas tchecas/eslovacas mas em geral exprimiram a opinião que não se falava da pátria em casa tanto para conhecer bem esse aspecto da cultura desde a sua infância. Alguns supõem que é por causa dos motivos negativos que forçaram seus antepassados fugir do seu país.

Apesar disso, todos os entrevistados exprimiram imenso interesse pela sua origem, cultura e história do país donde veio seu antepassado: de 13 pessoas, 8 já visitaram a República Tcheca ou Eslováquia, alguns até encontraram seus parentes ali. Em geral, todos os respondentes são conscientes das suas raízes e lêem as notícias sobre os acontecimentos na República Tcheca ou Eslováquia.

Como já mencionámos, as pessoas entrevistadas encontram-se principalmente nas três cidades e algumas deles se conhecem com os outros. Em São Paulo, a comunidade (principalmente tcheca) é muito ativa e por isso, os descendentes dos tchecos participam nos eventos culturais com outros descendentes ou com emigrantes tchecos da nova geração. No Rio, como já constatámos, não existe uma comunidade com o programa e encontros formais, contudo, os descendentes conhecem alguns tchecos/eslovacos. Em Porto Alegre, graças à

Associação Cultural Tcheco-Brasileira, existem ligações entre os descendentes que participam

nas reuniões.

A penúltima pergunta sobre a identidade dos respondentes trouxe os resultados interessantes: 6 pessoas responderam que sentem a ligação à República Tcheca ou Eslováquia e mesmo que os seus antepassados não tivessem falado muito da sua origem, na vida adulta decidiram descobrir mais sobre as suas raízes. Os restantes 7 pessoas em princípio não sentiram muita ligação (além do sobrenome) porque no Brasil todos têm origens diferentes. No outro

lado, admitiram que após a entrevista, começaram a pensar mais na história da sua família e iniciaram uma pesquisa pessoal sobre a República Tcheca/Eslováquia.

Todos os participantes responderam positivamente à última pergunta, mas a maneira como passar a sua herança tcheca/eslovaca aos filhos é questionável. Como alguns respondentes

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não falam a língua (ou falam um pouco graças ao curso, mas não é no nível nativo) e não sabem muito de costumes ou comidas da “primeira mão”, ou seja, através do seu antepassado com a origem tcheca/eslovaca, não há muito para passar aos filhos. Felizmente, na época da internet e possibilidades de viajar livremente, há chance de manter a consciência sobre o país dos seus avôs ou bisavôs.

5.1.1. Resumo da pesquisa entre os descendentes dos tchecos e eslovacos

Após de pesquisar e entrevistar as pessoas, podemos dizer que mesmo que pequena, encontra-se no Brasil uma comunidade dos descendentes dos tchecos e eslovacos. Em comparação com os descendentes dos outros povos como japoneses ou italianos, não se trata de grandes números de pessoas, nem se mantêm muitos costumes típicos. Isso pode ter várias razões: primeiro, maioria dos emigrantes no século XX chegou individualmente e não em grandes grupos que podiam manter a cultura ou idioma; esses emigrantes não sentiam necessidade de se destacar, ao contrário, rapidamente se incorporaram na sociedade brasileira. Segunda observação importante é a opinião comum entre descendentes sobre as informações que receberam dos seus antepassados-imigrantes que já tinham falecido: aqueles não falavam muito a sua língua materna e em geral, não falavam muito da sua vida antes da chegada para o Brasil, como se tivessem deixado ela atrás. Essas são só as nossas especulações, mas podemos supor que na altura que fugiram do país, seja por causa da Guerra, religião ou comunismo, foi a fugida involuntária e não favorecida e esse pode ser um dos motivos porque não mencionaram muito a sua pátria. Por isso, os descendentes da primeira geração, ou seja filhos, ainda têm algum conhecimento, cartas, fotografias ou documentos que encontraram em casa depois do falecimento do antepassado tcheco/eslovaco, enquanto em caso dos netos, os conhecimentos já diminuem. Por isso, podemos supor que a ligação à República Tcheca ou Eslováquia enfraquece com cada geração.

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