1 INTRODUÇÃO
2.1 TIPOS DE MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS
2.1.6 Descolamentos e destacamentos
O descolamento consiste na separação entre o revestimento argamassado e a sua base, e pode ser percebido através do ensaio de percussão, a partir do som cavo que ele emite. Trata- se da perda de aderência por fadiga no revestimento, sujeitando-se a solicitações que ultrapassam a sua resistência de aderência entre as camadas. O destacamento, por sua vez, é resultado do descolamento, e acontece quando há queda de parte do revestimento, isto é, advém da separação da argamassa de sua base, implicando em riscos de segurança aos usuários (MAGALHÃES, 2002; ZANONI, 2015). A Figura 16 representa um exemplo de descolamento.
Figura 16 - Descolamento
______________________________________________________________________________ O descolamento pode se apresentar de três maneiras diferentes (CINCOTTO; SILVA; CARASEK, 1995):
a) Descolamento com empolamento: acontece quando a superfície do reboco se descola do emboço, que pode formar bolhas que crescem com o tempo, e sua origem geralmente é devido à hidratação do óxido de magnésio da cal lenta;
b) Descolamento em placas: se dá quando o revestimento se destaca, e pode ocorrer de duas formas, quando a placa de descola facilmente, e quando ela se descola com dificuldade. A primeira é devido à argamassa magra e/ou inexistência da camada e chapisco. A segunda ocorre quando a argamassa é rica em cimento, ou pela execução de camada muito grossa, ou quando a superfície da base é muito lisa ou absorveu substância hidrófuga, ou ainda pela inexistência da camada de chapisco;
c) Descolamento com pulverulência: se dá pelo desolamento da camada hidrorrepelente que move o reboco, que se desintegra facilmente. Pode ter origem no excesso de finos no agregado, argamassa magra ou rica em cal, inexistência de carbonatação da cal, ou execução de uma camada de argamassa muito grossa.
As causas de destacamento e descolamento são iguais, já que um leva à manifestação do outro. As origens mais comuns são: deformação da estrutura de concreto armado, suporte instável, variações higrotérmicas e de temperatura, inexistência de detalhamentos construtivos, assentamento sobre superfície contaminada, mão de obra falha, mau controle dos serviços (CHAVES, 2009).
2.1.7 Bolhas
É muito comum o surgimento de bolhas, manchas e descascamento nas pinturas em alvenarias, como apresentado na Figura 17. Tais problemas podem aparecer por diversos motivos desde a má aplicação da tinta, até o tempo de espera de secagem do reboco e ainda o excesso de umidade. De acordo com Valle (2008) entre essas anomalias, os únicos que não surgem logo após a aplicação da tinta são aqueles causados por excesso de umidade. Entretanto, há ainda os problemas causados pela umidade do ar, vazamento de instalações hidráulicas e infiltrações, sendo que estes últimos podem ser identificados quando há danos irreversíveis no reboco, alvenaria ou ainda na estrutura. Quando as manchas ou bolhas aparecem no meio da parede ou no forro, são sinal de infiltração por vazamento de tubulação hidráulica, se houver,
deve ser consertado. Os problemas originados por infiltração de umidade do solo, por sua vez, podem ser impedidos pela correta impermeabilização da viga baldrame.
Figura 17 - Bolhas
Fonte: Alves (2010)
Segundo Verçoza (1991) a manifestação desse problema e a origem da umidade por ser classificada da seguinte maneira:
a) Umidade da chuva: provém das áreas externas para as internas através de pequenas trincas, devido a ação da chuva;
b) Umidade de construção: causada pela presença de água em materiais porosos como o concreto, argamassa, pintura e tijolos, durante a execução. Normalmente esse tipo de umidade desaparece em torno de seis meses;
c) Umidade de condensação: originada pela umidade do ar combinada com uma superfície fria, surgindo assim a condensação de água;
d) Umidade de capilaridade: resultante da absorção de água presente no solo por capilaridade pelas fundações das paredes e pavimentos até as paredes e pisos; e) Umidade acidental: proveniente de falhas em tubulações hidráulicas.
2.2 INSPEÇÃO
Para que se faça um diagnóstico preciso de uma manifestação patológica, inicialmente é necessário realizar uma inspeção visual para que se faça uma coleta de dados, classificando todas as anomalias observadas, bem como sua intensidade e localização. Para um profissional
______________________________________________________________________________ habituado, a inspeção visual muitas vezes pode ser o bastante para identificar a origem do problema da edificação, contudo, algumas vezes é necessário que se faça ensaios específicos e análise dos projetos para sustentar o diagnóstico (TUTIKAN; PACHECO, 2013).
A inspeção é uma atividade técnica que abrange a coleta de dados, de projeto e de execução, análise minuciosa da edificação, elaboração de relatórios, avaliação do estado da obra e as orientações, que pode ser de nova vistoria, obras de manutenção, de recuperação, reforço ou de reabilitação da estrutura (HELENE, 2007).
Segundo Tutikan e Pacheco (2013) a avaliação e estudo de uma manifestação patológica deve permitir que o observador determine, com precisão, a origem, mecanismo e danos causados, de modo que o permita analisar e concluir as técnicas de recomendações mais eficientes. Em geral, a inspeção é caracterizada pelas seguintes etapas:
a) Realização de uma ficha de antecedentes, da estrutura e do ambiente, fundamentado em documentação existente e visita a obra;
b) Estudo visual geral da estrutura; c) Apuração dos danos;
d) Determinação de regiões para a execução de ensaios, medições, analises físico- químicas no concreto, nas armaduras e no ambiente em seu entorno;
e) Determinação das técnicas de ensaio, medições e análise mais apurada, etc.; f) Realização de medições, ensaios e analise físico-química.
De acordo com o tipo de estrutura e das anomalias avaliadas inicialmente, é imprescindível que se faça uma verificação mais detalhada da estrutura, para que o diagnostico seja o mais preciso possível (TUTIKAN; PACHECO, 2013).
2.2.1 Inspeção periódica
A inspeção periódica é um componente essencial na organização da manutenção preventiva. Se bem executada, é um mecanismo indispensável para garantir a durabilidade da edificação, visto que o seu intuito é registrar falhas e anomalias e analisar a relevância que elas podem ter tendo em vista o comportamento e segurança estrutural. A inspeção periódica deve ser apropriada ao tipo de estrutura, podendo variar os procedimentos a serem adotados, e os
requisitos mínimos necessários, de peça para peça dentro de uma estrutura (SOUZA; RIPPER, 2009).
A inspeção periódica instrumentada consiste na programação de um conjunto de observações eficientes que, ao serem constatadas formulários apropriados a singularidade da construção e ao ambiente em seu entorno, permitem a tomada imediata de providencias necessárias, quando for o caso. Todas as falhas e anomalias averiguadas neste tipo de inspeção devem ser registradas e enviadas para o responsável pelo cadastro e acompanhamento da estrutura, que as avaliará e tomará as medidas corretas. A frequência das inspeções varia de acordo com a idade, vulnerabilidade da estrutura ou os componentes dela (SOUZA; RIPPER, 2009).