GRUPO QUE SE BENEFICIA
3.4 DESCONFORTOS E BENEFÍCIOS DO PROCEDIMENTO
No que se refere a possíveis desconfortos, a participação neste estudo representou risco mínimo de ordem física, pois a criança poderia cansar-se durante os procedimentos de avaliações, devido ao tempo prolongado, e posteriormente nas sessões de terapia. Como benefício, as crianças receberam, gratuitamente, avaliação fonoaudiológica completa e tratamento fonológico para os desvios de fala. É importante ressaltar que esta pesquisa não ofereceu compensações financeiras a seus participantes.
3.5 AMOSTRA
O ensaio clínico randomizado apresenta determinada sequência para seleção da amostra desta pesquisa, conforme exemplificado nas seções seguintes.
3.5.1 Cálculo amostral
Para esta pesquisa foi realizado um cálculo amostral em que se quantificou a variável de estudos da área de fala de maior significância, ou seja, a variável em que se quer evidenciar o principal resultado/progresso do estudo, que é o Percentual de Consoantes Corretas-Revisado (PCC-R). (SHRIBERG et al., 1997). Para esse número foi calculado o desvio padrão, baseado em artigos semelhantes ao delineamento deste estudo. O erro de amostragem foi determinado em 7%. (MURPHY et al., 2015). O resultado deste cálculo totalizou a amostra desta pesquisa, chegando ao número de 24 crianças.
3.5.2 Recrutamento da amostra
O recrutamento das crianças foi realizado no período entre junho e agosto de 2016, quando foram avaliadas 35 crianças para chegar ao número específico da amostra que contemplasse os critérios de elegibilidade desta pesquisa.
Para o recrutamento da amostra foram selecionadas crianças encaminhadas pelo setor de triagem fonoaudiológica do Serviço de Atendimento Fonoaudiológico (SAF) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Esse setor faz parte de um estágio de acolhimento de crianças que aguardam na fila de espera por atendimento fonoaudiológico. As crianças foram selecionadas por meio da triagem específica da área da fala.
3.5.2.1 Avaliações para o recrutamento da amostra
Na etapa de recrutamento, realizaram-se avaliações prévias em 35 crianças a fim de alcançar o tamanho amostral específico. Foram elas:
a) anamnese geral − protocolo padrão disponibilizado pelo serviço de atendimento fonoaudiológico da instituição de ensino, no qual constam perguntas sobre dados gestacionais, desenvolvimento da linguagem, desenvolvimento neuropsicomotor, queixas auditivas e visuais, questões comportamentais e sociais do desenvolvimento da criança, bem como possíveis patologias presentes;
b) avaliação fonológica − essa avaliação foi realizada por meio do Instrumento de Avaliação Fonológica (INFONO), de Ceron (2015), desenvolvido em forma de software, o qual possibilita, mediante a nomeação de figuras, a avaliação fonológica das 19 consoantes do Português Brasileiro (PB) nas diferentes posições e estruturas silábicas. A amostra de fala foi gravada e transcrita foneticamente no próprio software no momento da coleta. Essa ferramenta permite que as transcrições e os dados fonológicos possam ser conferidos em qualquer momento da pesquisa. O resultado evidenciou o sistema fonológico da criança, o inventário fonético e os processos fonológicos, devendo ser interpretados pelo profissional para caracterizar o desvio fonológico. O INFONO
(CERON, 2015) foi utilizado devido a sua praticidade na coleta e por possibilitar a análise imediata dos dados;
c) avaliação do sistema estomatognático − realizada por meio da Avaliação Miofuncional Orofacial com Escore (AMIOFE) (FELÍCIO et al., 2014), a qual permitiu identificar alterações miofuncionais, bem como distorções da fala. Foram selecionadas as crianças que não apresentaram alterações dos órgãos fonoarticulatórios e das funções do sistema estomatognático, as quais poderiam interferir na produção correta dos sons;
d) avaliação audiológica básica − os procedimentos de avaliação audiológica foram realizados em cabine acústica com audiômetro clínico de dois canais, da marca Fonix Hearing Evaluator, modelo FA 12, tipo I, e fones auriculares tipo TDG-39P, da marca Telephonics. A avaliação da imitanciometria foi realizada no equipamento AT235 − Interacoustics − disponibilizado no SAF da UFSM. Primeiramente foi inspecionado o meato acústico externo e realizada a Audiometria Tonal Limiar (ATL), procedimentos em que foram detectados os limiares auditivos comportamentais nas frequências de 500 a 4000 Hz, classificação de acordo com Nort Hen e Dows (1984). Os limiares auditivos esperados ficaram entre 0 e 15 dB nível de audição. Após, foi realizada a Logoaudiometria, com identificação das partes do corpo − em razão das trocas de fala − para determinar o Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF) e o Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF). Os resultados precisavam ser compatíveis com a média apresentada na audiometria de cada criança. Após a realização do LRF e do IPRF, a criança foi submetida ao procedimento de imitanciometria, procedimento que serviu para pesquisar a curva timpanométrica e os reflexos acústicos, sendo possível obter resultados sobre o funcionamento da região de orelha média, descartando problemas orgânicos. A curva timpanométrica esperada para cada indivíduo, nesta pesquisa, era a curva do tipo ‘’A’’, que corresponde ao adequado funcionamento da orelha média. Os resultados dos reflexos acústicos variam de acordo com cada criança, pois dependem da ocorrência do limiar, que pode ser encontrado na ATL, porém, os reflexos precisariam encontrar-se presentes nas frequências de 500 a 4000Hz.
3.5.2.2 Resultado do recrutamento da amostra − crianças incluídas e excluídas da pesquisa
No total, foram avaliadas 35 crianças; destas, oito possuíam desvio fonético/fonológico, duas delas possuíam queixas relacionadas ao desenvolvimento de linguagem, apontado para uma hipótese inicial de atraso de linguagem, e uma apresentava frênulo lingual alterado. Essas 11 crianças, que não se incluíram nesta pesquisa, foram orientadas quanto ao resultado das avaliações realizadas e receberam explicações sobre o motivo pelo qual as mesmas não receberam atendimento. Além disso, um relatório complementando a triagem inicial foi confeccionado e as mesmas voltaram à fila de espera para uma nova chamada e possível atendimento. Assim, chegou-se ao número de 24 crianças com DF.
Das 24 crianças, 14 (58,3%) eram do gênero masculino e 10 (41,7%) do gênero feminino. A média de idade foi igual a 6,8 anos (seis anos e 10 meses); o desvio padrão foi de 0,89 anos (10,6 meses) e o coeficiente de variação foi de 13,1%, indicando que o grupo estudado de crianças foi considerado homogêneo em relação à idade. O teste para a igualdade de médias não evidenciou diferença significativa entre a idade média do gênero masculino e do feminino (p = 0,7282).