• Nenhum resultado encontrado

2 MERCADOS INTERNOS DE TRABALHO SOB DIFERENTES OLHARES:

3.5 Descrição da EMBAP e do seu processo de beneficiamento

A Empresa de Beneficiamento de Arroz de Pelotas - EMBAP6 - é uma indústria de beneficiamento de arroz de grande porte localizada na cidade de Pelotas, no Estado do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma companhia aberta, uma Sociedade Anônima do setor da alimentação voltada para o mercado interno brasileiro e com forte inserção no mercado internacional de arroz beneficiado. O grupo empresarial ao qual a EMBAP faz parte concentra suas atividades nas áreas de industrialização e comercialização e alimentos (arroz, feijão e leite em pó) e de produção e distribuição de insumos agrícolas. O grupo empresarial ainda possui outras unidades no Rio Grande do Sul e em Estados como o Paraná, Maranhão e Pernambuco, além de unidades distribuidoras para o varejo em diversos estados brasileiros e no Distrito Federal.

6

Para facilitar a descrição bem como resguardar a identidade da empresa pesquisada, será utilizado o nome fictício “EMBAP” com referencia a ela. Também os nomes dos trabalhadores serão preservados, sendo denominados “Entrevistados”.

A EMBAP está situada em uma área industrial, distante alguns minutos do centro urbano de Pelotas. A planta industrial é composta pelos escritórios administrativos, por silos para o recebimento e armazenagem do arroz em casca e pelo parque de beneficiamento.

O arroz proveniente das granjas é descarregado na EMBAP através dos chamados “tombadores”. Os tombadores são elevadores que inclinam o caminhão possibilitando o arroz escorrer da carroceria por ação gravitacional. Em geral o arroz chega da lavoura com uma umidade que varia de 20 a 25%. A tarefa inicial, depois de identificar as características do arroz e o grau de umidade, é reduzir a umidade até 12%. Em períodos de maior movimentação devido à colheita, há uma redução inicial da umidade para patamares em torno de 15%, sendo o arroz depositado nos silos de armazenamento onde recebe ventilação. Com a diminuição do fluxo do arroz da lavoura, o processo de secagem é definido até o ponto ideal de umidade.

Antes propriamente de iniciar o processo de beneficiamento o arroz é submetido a testes de umidade e de qualidade do grão. Nessa fase o arroz passa pela etapa chamada “pré-limpeza”, momento em que as impurezas que chegam da lavoura com o arroz são separadas em máquinas especiais. Uma pequena amostra dos grãos é submetida a um processo de beneficiamento experimental em uma máquina especial a fim de serem determinadas as diretrizes do processo de beneficiamento.

O arroz dentro da EMBAP circula por galerias com roscas helicoidais que conduzem os grãos de um lugar a outro sob o controle dos operadores. Existem também elevadores que movimentam o arroz no sentido vertical, de forma que o grão transita pelos vários setores da indústria.

Seguindo o processo, o arroz passa pelo setor da EMBAP denominado de “descasque”, onde os grãos são descascados em máquinas chamadas descascadores. Nesse processo a casca é retirada através da pressão de roletes de borracha e a casca separada por pressão de ar. A casca vai para a caldeira onde é utilizada como energia, e o arroz vai para os separadores. Nos separadores é apartado o “arroz de marinheiro”, chamado assim por estar ainda com casca e o “esbramado” que já está sem casca. O arroz esbramado segue para um separador densimétrico, que retira pedras e por um equipamento com um imã que retira todo tipo de partícula que contenha metal. O “arroz de marinheiro” retorna para ser descascado.

Depois dos separadores, o arroz vai para o beneficiamento que é o setor onde é realizado o polimento e separação dos grãos quebrados (canjicão), da quirela7 e de algumas impurezas.

No setor de beneficiamento existem os chamados “brunidores e as “KB’s” que são os responsáveis por retirar o farelo do grão de arroz. Os brunidores trabalham sem água e com pedra sob atrito e as KB’s, por sua vez, operam com água e o acabamento é feito com um fuso, ou seja, uma barra de aço sob pressão. Nessa fase do processo de beneficiamento os brunidores clareiam o arroz até um percentual de 35% de brancura, onde começa o processo chamado “polimento”. O processo de polimento com água ou water polish, é realizado nas KB’s, onde os grãos chegam a passar duas vezes pelo processo de polimento, alcançando até 40% de brancura. Nessa etapa os grãos inteiros e quebrados ainda estão misturados.

Depois o arroz vai para as máquinas classificadoras, chamadas de “classificadeiras” no jargão da indústria do arroz. Nas classificadeiras é onde ocorre a separação do arroz quebrado, do inteiro, da quirela e das impurezas. Essas máquinas trabalham no sentido horizontal com telas sobre telas de diferentes milímetros, umas sobrepostas às outras. O excedente vai para os “trieur”, que são cilindros rotatórios que separam o arroz sob ação da gravidade. O trieur classifica os grãos de arroz e separa-os em inteiros e quebrados. Os quebrados, posteriormente, são usados em determinado percentual que vão determinar a classificação final do arroz.

Em todo esse processo o arroz percorre tubulação e galerias através de roscas helicoidais, conforme dito anteriormente. Todo esse arroz vai para o setor de eletronização.

O setor de eletronização retira do grão de arroz as várias imperfeições como as denominadas a seguir: o amarelo, o picado, o manchado, o gesso, o gessado, o barriga, barriguinha, mofado e marinheiro.

Na EMBAP, depois da eletronização, o arroz é armazenado e fica em descanso por um período de aproximadamente quatro horas, para depois dar o brilho para outras KB que com mais água e mais pressão dão o acabamento final. Nesse processo o arroz fica armazenado em caixas de metal onde aguarda o pedido

7

Quirera ou quirela é um grão quebrado com dimensões geométricas variáveis considerado, por isso, um subproduto do arroz sendo frequentemente utilizado na alimentação de animais.

do empacotamento. Existe ainda antes do empacotamento o processo de dosagem, onde é efetuada a mistura de percentual de gesso, de quebrado e até mesmo de quirela que irão determinar o tipo de arroz que será empacotado, conforme o pedido. A penúltima etapa do beneficiamento é a chamada eletronização, onde os grãos são separados milimetricamente antes de caírem na caixa de armazenamento e do setor de empacotamento.

No setor de empacotamento da EMBAP existem duas empacotadeiras e uma enfardadeira. Uma máquina empacota 65 sacos de 1 kg por minuto. No turno de 8 horas são empacotados 20 mil quilos.