5 Estudo I: Cálculo de Barreiras em Instalações de Radioterapia Externa
5.3 Materiais e métodos
5.3.2 Descrição da instalação de radioterapia externa
A instalação de radioterapia externa do Hospital de Santa Maria de Lisboa, que foi analisada neste trabalho, encontra-se equipada com um acelerador linear de partículas da marca
Elekta, modelo Synergy, capaz de trabalhar com energias até 15 MeV.
O isocentro do acelerador linear Synergy localiza-se a 1 metro da fonte de radiação e os ângulos de rotação da sua gantry são considerados simétricos.
O LINAC está preparado para funcionar com técnicas de radioterapia conformacionais a três-dimensões (3D-CRT) ou de intensidade modulada (IMRT).
A informação relativa ao tempo de funcionamento e ao número de doentes/tratamentos realizados por um dos três LINACs, existentes no Serviço de Radioterapia do Hospital de Santa Maria, encontra-se descrita na tabela 11. Esta informação é baseada nos dados referentes ao ano de 2011.
Tabela 11. Informação relativa ao funcionamento de um dos LINACs do HSM.
Informação Valor
Nº de semanas de trabalho por ano 50 Nº de dias de trabalho por semana 5 Nº de horas de trabalho por dia 13 Nº de doentes por ano 767 Nº de doentes por semana 15,3 Nº de tratamentos por ano 14743 Nº de tratamentos por semana 295
Nos cálculos de barreiras, realizados neste trabalho, foi utilizada a energia mais elevada de funcionamento do acelerador linear, que neste caso é de 15 MeV, de maneira a serem projetadas as barreiras com as espessuras mais conservadoras.
Como se trata de um LINAC de alta energia, nos cálculos apresentados, para além de se ter em consideração o feixe de raios-X, utilizado durante o tratamento de radioterapia, também se teve em conta a contribuição da radiação de neutrões, produzida no interior da sala, e os raios gama produzidos como resultado da captura neutrónica.
As plantas da instalação de radioterapia externa encontram-se representadas nas figuras 13 e 14. Nestas plantas, estão assinalados os pontos de medição, com a numeração de P1 a P10, sobre os quais os cálculos das espessuras das barreiras foi baseado. Estes pontos localizam-se nas áreas adjacentes às barreiras e distam 0,30 m da respetiva barreira de proteção.
O isocentro do LINAC Synergy encontra-se representado na figura 13 sob a forma de um ponto, onde as linhas que se intersetam ao seu lado representam os feixes de radiação emitidos pelo acelerador, que pretendem informar sobre a direção de rotação da gantry.
Figura 14. Planta da instalação de radioterapia externa em corte vertical e identificação dos
pontos de medição.
Na tabela 12 é possível observar os tipos de barreiras de proteção existentes na instalação de radioterapia que foi analisada, assim como as respetivas áreas que lhes são adjacentes. A identificação/classificação destas estruturas foi realizada tendo como referência os pontos de medição representados nas figuras 13 e 14.
Tabela 12. Classificação das barreiras de proteção e das respetivas áreas adjacentes. Ponto de
Medição
Classificação da Barreira
Identificação da Área Adjacente à Barreira
Classificação da Área
P1 Primária Exterior sem acentos Não controlada P2 Primária Zona técnica: consolas Controlada P3 Primária Teto - Exterior Não controlada P4 Secundária Exterior Não controlada P5 Secundária Zona técnica: gabinete e consolas Controlada P6 Secundária Sala de braquiterapia adjacente Controlada P7 Secundária Sala de tratamento adjacente (LINAC) Controlada P8 Secundária Teto - Exterior Não controlada P9 Secundária Labirinto da sala de tratamento Controlada P10 Porta Zona técnica: consolas Controlada
A barreira de proteção associada ao ponto P7 é considerada uma barreira secundária, quando estamos a ter em consideração apenas a orientação do feixe de radiação do LINAC
No entanto, é necessário ter em atenção que adjacente a esta instalação encontra-se outra sala de tratamentos de radioterapia externa, onde o feixe de radiação do seu LINAC (designado de Synergy S) pode ser direcionado para a barreira associada ao ponto P7. Deste modo, é necessário considerar não só uma barreira secundária mas também uma barreira primária na parede que é comum às duas instalações, tal como se encontra representado na figura 15.
Nesta situação, passa a existir dois pontos de medição associados a esta barreira, que são eles:
o P7_pri : ponto de medição associado à barreira primária P7 do bunker que contém o LINAC Synergy S;
o P7_sec : ponto de medição associado à barreira secundária P7 do bunker que contém o LINAC Synergy S.
Figura 15. Planta da instalação de radioterapia externa, que tem em consideração a sala de
barreira secundária, tendo em conta o bunker do LINAC Synergy, ou uma barreira primária+barreira secundária, tendo em conta o bunker do LINAC Synergy S), a barreira final projetada é a resultante do mecanismo sobre o qual resultou a barreira com a maior espessura, de maneira a assegurar o cumprimento de todos os requisitos de segurança.
No caso concreto da instalação do Serviço de Radioterapia do HSM, a barreira associada ao ponto P7 é formada pela barreira primária e pela barreira secundária, que foram determinadas tendo em conta o bunker do LINAC Synergy S.
A instalação de radioterapia externa do HSM apresenta uma altura de 3 metros e a dimensão das suas barreiras de proteção pode ser visualizada na tabela 13.
Tabela 13. Dimensão das barreiras de proteção, que se encontram associadas aos pontos de
medição das figuras 13 e 14.
Ponto de
Medição Dimensão da barreira (m)
P1 6,7 (largura) P2 4,9 (largura)
P3 5,6 (largura) por 11,2 (comprimento) P4 3,7 (largura)
P5 3,5 (largura) P6 11,2 (largura) P7 10,4 (largura)
P8 3,8 (largura) por 11,2 (comprimento)
Na projeção da instalação de radioterapia externa do HSM, os materiais utilizados na construção das barreiras de proteção foram os seguintes:
o Barreiras primárias: betão com barita; o Barreiras secundárias: betão normal; o Porta: Homirad-B® 10
10
Homirad-B®: Material criado e patenteado pela empresa espanhola CT-RAD, que apresenta uma densidade entre os 3,6 – 4,1 Kg/dm3 e permite uma proteção simultânea contra fotões e neutrões (CT- RAD).