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DESCRIÇÃO DOS DADOS

No documento juliagoesdasilva (páginas 63-67)

Os dados são anuais no período de 1970 a 2007coletados secundariamente nas bases do Banco Mundial, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e em Lane e Milesi- Ferretti (2012). O produto líquido foi obtido pela diferença entre o Produto Interno Bruto (PIB) e a resultante da soma de investimento e gastos do governo. Essas três variáveis, obtidas na base de dados do Banco Mundial, estão em dólares a preços constantes de 2000. Os gastos do governo são despesas de consumo final incluindo todas as despesas correntes do governo com pessoal, bens e serviços, e gastos com defesa e segurança nacional, exceto gastos militares. O investimento é a formação bruta de capital fixo, e inclui melhoramentos de terrenos instalações, maquinaria e compras de equipamentos e, construções de estradas, ferrovias, e escolas, por exemplo. O PIB é a soma do valor adicionado bruto de todos os produtores residentes na economia mais os impostos de produtos e menos quaisquer subsídios não incluídos no valor dos produtos.

A série da taxa real de juros internacional foi construída, conforme Barro e Sala-i- Martin (1990) e Huang (2010). Para cada ano, essa série constitui-se de uma média da taxa real de juros de cada um dos países do G-7(Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) ponderada pela participação de cada país no total do PIB do G-7. A taxa real de juros é a taxa anual de empréstimos ajustada pelo deflator do PIB. Já a série de consumo das famílias refere-se às despesas (em valores constantes de 2000) com de bens e serviços, inclusive duráveis, realizada pelas famílias. A partir desta variável obtém-se o consumo per capta, dividindo-se o consumo das famílias pelas estimativas para população. Essas três séries (taxa de juros, consumo e estimativa populacional), bem como a taxa de

crescimento anual do consumo per capta do período, foram obtidas na base do Banco Mundial.

Os dados para o ativo externo líquido foram obtidos em Lane e Milesi-Ferretti (2012). Esses autores reuniram dados sobre passivo e ativo externo de 145 países, entre eles o Brasil, que publicam estimativas desses dados de acordo com metodologia do Fundo Monetário Internacional (FMI). O ativo externo líquido de um país é resultado da diferença entre os ativos em suas contas Investimento Direto Externo, Ações em Carteira, Títulos da Dívida, Derivativos e Reservas Oficiais, e os passivos dessas mesmas contas. Para o caso brasileiro, no período de 1970 a 2007, o ativo externo líquido foi negativo, evidenciando que o país, nesse período, apresentou mais passivo que ativo externo, ou seja, o Brasil possui passivo externo líquido.

O comportamento das séries descritas até o momento está representado na FIGURA 2. Para as séries Produto Líquido, Consumo Privado e Passivo Externo Líquido, considerou- se os valores per capta, dividindo os valores totais anuais pela população, obtido junto ao Banco Mundial, e que apresenta uma média anual do total de residentes no país independente de sua nacionalidade.

FIGURA 2 – Comportamento das séries no período de 1970-2007

Fonte: Elaborado pela autora, a partir de Banco Mundial (2012) e Lane e Milesi-Ferretti (2012).

A série Termos de Troca está na base do ano 2000 e, é calculada pelo FUNCEX (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior), mas obtida no sítio do IPEA. Os Termos de Troca constituem a razão anual entre o índice de preço das exportações sobre o

1 0 0 0 1 5 0 0 2 0 0 0 2 5 0 0 3 0 0 0 1970 1980 1990 2000 2010 Em U$$ constantes de 2000. Produto líquido per capta

1 0 0 0 1 5 0 0 2 0 0 0 2 5 0 0 3 0 0 0 1970 1980 1990 2000 2010 Em U$$ constantes de 2000. Consumo per capta

0 5 0 0 1 0 0 0 1 5 0 0 2 0 0 0 1970 1980 1990 2000 2010 Em U$$ constantes de 2000. Passivo externo líquido per capta

-. 0 2 0 .0 2 .0 4 .0 6 .0 8 1970 1980 1990 2000 2010 Em % anual Juros reais internacional

índice de preços das importações. Desta forma, pode-se interpretá-lo como os preços nacionais em relação aos importados, de acordo com a capacidade de importação do país. A série da conta corrente foi construída conforme especificação do modelo. Essa não tem a definição usual e segue a proposta da Equação 10. Calculou-sea pela igualdadea = 1 −  ˜⁄ , onde ˜⁄ é igual a média da razão de passivo externo líquido pelo consumo multiplicado por(!̅ − %š) (1 + !̅)⁄ sendo que !̅ é a média de juros reais internacional, que foi de 3,9% aproximadamente, e %šé a média da taxa de crescimento do consumo per capta, que foi de aproximadamente 2,78%. Já o valor de d pela igualdaded = 1 − + ˜⁄ que é o mesmo qued = (!̅ + %š) (1 + !̅)⁄ .

A flutuação da conta corrente intertemporal é representada na FIGURA 3 junto à reprodução do comportamento dos Termos de Troca pela proximidade do comportamento das duas séries. Ambas têm movimentos similares, passando por um vale de meados de 1970 até início da década de 1990.

FIGURA 3 – Comportamento das séries no período de 1970-2007

Fonte: Elaborado pela autora.

Para o Brasil, considerando-se de 1970 a 2007, encontrou-se d = 0,771 e, já que se trata de um período em que o país é devedor externo líquido, o que é possível observar pelo Gráfico do Passivo Externo per capta na FIGURA 3, encontra-sea = 1,108. Desta forma, ocálculo da conta corrente intertemporal, de acordo com a Equação 10, é obtida mais especificamente por: U# = W+ _`− 0,9025U− 0,5669$, sendo que U#, W, _`, U, $ são respectivamente a conta corrente log-linealizada, o logaritmo natural dos termos de troca, o logaritmo natural do produto líquido per capta e o logaritmo natural do consumo per capta

-. 4 -. 2 0 .2 .4 1970 1980 1990 2000 2010 Logarítimo natural

Conta corrente per capta observada

.6 .8 1 1 .2 1 .4 1970 1980 1990 2000 2010 Logarítimo natural Termos de Troca

logaritmo natural do passivo externo líquido per capta. Essa série observada não segue à especificação convencional, mas atende às hipóteses do modelo de equilíbrio intertemporal da conta corrente, observando as leis de maximização de consumo do indivíduo.

Obtidos os dados, apresenta-se na seção seguinte os resultados obtidos com a estimação do modelo que parte da Equação 13, pelas duas metodologias propostas acima: i) por Variável Instrumental, na qual as próprias variáveis serão instrumentos que amenizarão problema da endogeneidade; ii) por um VAR que permitirá avaliar a volatilidade da conta corrente teórica com a da conta corrente observada.

5APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA

No documento juliagoesdasilva (páginas 63-67)

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