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Sem dúvida, a apropriação da natureza só pode desenvolver-se com base em sua dominação. Mas a primeira não se reduz à segunda – no máximo, fornece-lhe os meios – , como tenta acreditar o industrialismo capitalista (BIHR)

Durante os anos 1990, a dinâmica da ordem mundial vigente foi assinalada por duas questões estruturais. Por um lado, o desgaste dos Estados nacionais, mediante o triunfo do mercado cada vez mais mundializado e do enfraquecimento das ideologias e forças políticas estatistas frente às políticas neoliberais. Por outro, a emergência ou intensificação dos problemas socioambientais em escala global, os quais se expressam através dos riscos de acidentes nucleares ou biotecnológicos, armas químicas e dos efeitos da poluição na camada de ozônio, entre tantos outros.

Nesse contexto, emergiram e desenvolveram-se um conjunto de organizações não-governamentais em defesa do meio ambiente; de grupos e instituições científicas que estudam os problemas ambientais; de novos profissionais (administradores e gerentes) que trabalham implementando o paradigma de gestão ambiental para os processos produtivos.

Tivemos portanto, uma maior conscientização acerca da questão ambiental, que se reflete na criação de agências estatais e tratados internacionais encarregados de equacionar os problemas ambientais em escala mundial, bem como no aumento do mercado consumidor “verde”, ou seja, de pessoas que buscam alimentos mais saudáveis (particularmente os provenientes da prática da agricultura orgânica).

São atores e processos que constituem o movimento ambientalista global, cujos valores e propostas disseminam-se pelas estruturas governamentais, ONG's, grupos comunitários de base, comunidade científica e empresariado (VIOLA & LEIS, 1995, p. 76).

No início dos anos 1970, as posições ambientalistas polarizaram-se em duas vertentes, a saber: de um lado, a minoria catastrófica, expressa através do relatório “Os Limites de Crescimento”, elaborado pelo “Clube de Roma”134, a qual acreditava na necessidade de parar o crescimento tanto econômico como populacional. Do outro, a maioria gradualista, expressa através da Conferência de Estocolmo em 1972, a qual acreditava ser necessário estabelecer o mais rápido possível mecanismos de proteção ambiental que pudessem corrigir os problemas causados pelo desenvolvimento econômico e revertessem a dinâmica populacional.

Com a publicação do relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, “Nosso Futuro Comum” (também denominado Relatório Brundtland), em 1987, o conceito de desenvolvimento sustentável ganhou destaque dentro do movimento ambientalista. Desse modo, o debate travado durante os anos 1970, o qual, de certa forma, separava as questões ambientais e econômicas, foi pouco a pouco substituído por outro cuja preocupação central é “como fazer” para que o desenvolvimento sustentável seja atingido. A proposta de desenvolvimento sustentável ganhou reconhecimento e adquiriu pluralidade, ao atrair para o debate os mais variados segmentos da sociedade (ambientalistas, políticos, acadêmicos, etc.).

As bases consensuais do desenvolvimento sustentável expressas no Relatório Brundtland, pautam-se no ideal de harmonização entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental. No entanto, o desenvolvimento sustentável vive hoje um dilema entre a “necessidade de continuar ampliando e consolidando suas bases de sustentação político-social a fim de transformar-se numa alternativa realista ao modelo de desenvolvimento dominante, e a necessidade de dar uma forte base científica a suas políticas” (VIOLA & LEIS 1995, p. 79).

A resolução desse dilema certamente demandará algum recorte e adequação para que se chegue a um consenso entre “fins” e “meios”. Sobretudo pela dificuldade de articulação científica, haja vista as múltiplas dimensões de sustentabilidade (natural, social, econômica, etc.), permeadas por diferentes valores ético-sociais.

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O “Clube de Roma” era uma entidade formada por um grupo de intelectuais, que produziram estudos a respeito da preservação ambiental. Esses estudos giraram em torno de quatro grandes questões, a saber: controle do crescimento populacional; controle do crescimento industrial; insuficiência da produção de alimentos; e esgotamento dos recursos naturais. As proposições do documento emitido pelo “Clube de Roma”, denominado “Os Limites do Crescimento”, dividiu as opiniões dos países, ficando de um lado os desenvolvidos e, do outro os países em desenvolvimento, tendo em vista que estas apontavam para os problemas de pobreza, de crescimento populacional, de poluição, envolvendo também o aspecto econômico de cada país.

Os autores acima referidos, classificam as versões de desenvolvimento sustentável em três categorias: a estatista, a comunitária e a de mercado. O enfoque estatista considera que a qualidade ambiental é um bem público que deve ser resguardado de modo eficiente, necessitando portanto, de intervenção normativa, reguladora e promotora do Estado. Esse enfoque disseminou-se mundialmente entre técnicos de agências ambientais, economistas ligados a questão ambiental, ONG's, etc., e está associado historicamente com a emergência de políticas ambientais na Europa Ocidental e América do Norte.

O enfoque comunitário considera que o papel predominante no comando de uma sociedade sustentável deve ser das organizações de base da sociedade, como os grupos comunitários e as ONG's, por exemplo. Esse enfoque tem como princípio a eqüidade social e desconfia do Estado e do mercado como alocadores de recursos.

O enfoque de mercado parte da lógica intrínseca do mercado (apropriação privada dos recursos naturais e da qualidade ambiental e expansão dos chamados “consumidores verdes”) para justificar o avanço eficiente na direção de uma sociedade sustentável. Esse enfoque defende a necessidade de mecanismos estatais reguladores e a atuação educativa das ONG's, desde que ambas mantenham-se numa posição subordinada, não interfiram nos mecanismos de mercado. Tal enfoque vem se fortalecendo cada vez mais no âmbito empresarial, priorizando o princípio da eficiência alocativa em detrimento da eqüidade social.

Segundo Gonçalves (1998), no mundo da mercadoria, na qual é o valor de troca que move a sociedade e não o valor de uso, o valor de uso é apenas um veículo de realização do valor de troca. Desse modo, é preciso que os ecologistas superem a preocupação com os efeitos naturais para poder superar o antagonismo existente entre ecologia e economia. É preciso cuidado ao dizer que os homens estão destruindo a natureza, pois é necessário ter clareza de quem são esses homens. Quem são os detentores do capital e da propriedade privada que, em função da concorrência no mercado são compelidos a aumentar a produtividade, lançando mão de técnicas mais eficazes, ecológicas ou não.

Partindo desses pressupostos, procuraremos discutir e compreender os “novos” referenciais ambientais que o processo produtivo de um modo geral e, em especial do setor sucroalcooleiro vêm adotando, tendo em vista que tanto o cultivo da cana-de-açúcar, como a produção do açúcar e do álcool na unidade processadora, sempre estiveram associados à ocorrência de impactos ambientais, tais como a degradação dos solos pelo manejo incorreto; a

poluição dos cursos d’água, principalmente em virtude do destino incorreto dos efluentes líquidos, como o vinhoto por exemplo (este por muitos anos foi lançado diretamente nos rios e córregos), bem como a destruição da fauna e da flora, tanto em função dos efluentes lançados nos cursos d’água, como em função do fogo da queimada da cana-de-açúcar.

Nos últimos anos as discussões recaíram sobre as queimadas, (prática adotada há séculos para facilitar o corte manual da cana), alegando-se serem estas causadoras de transtornos para as populações que habitam áreas próximas às lavouras de cana, em função dos gazes produzidos pela fumaça e lançados na atmosfera e da fuligem (carvãozinho), que sujam cidades e casas e agravam os problemas respiratórios da população, ao coincidir a colheita com o período mais seco do ano em que normalmente já há uma maior incidência de infecções respiratórias.

Essa questão envolveu, especialmente no Estado de São Paulo, vários segmentos da sociedade, (entidades ambientalistas, sindicatos, trabalhadores, empresários, governo) numa polêmica discussão, a qual desembocou na constituição da Câmara Paulista Sucroalcooleira135, e na criação de uma legislação que regulamente a queimada da cana-de- açúcar136.

A crescente preocupação da sociedade quanto à sobrevivência das gerações futuras, a qual depende da preservação e conservação dos recursos existentes no meio, tem

135 Cf. THOMAZ JÚNIOR, 2001.

136 O Decreto Estadual n° 42.056 de 06 de agosto de 1997, é um exemplo. Esse decreto estabelecia no parágrafo 1°,

itens 1 e 2, que a queimada estava proibida no Estado de São Paulo e admitida apenas excepcionalmente e em caráter transitório na seguinte conformidade:

(P8) – áreas mecanizáveis (declividade igual ou inferior a 12%); a redução da queimada será de 25% a cada dois anos, com o mínimo de 10% no primeiro ano, num prazo de oito anos;

(P15) – áreas não mecanizáveis (com declividade superior a 12%); a redução da queimada será de 13, 35% a cada dois anos, num prazo de quinze anos.

Mediante várias discussões e propostas de revisão desse decreto, o mesmo foi substituído em 19 de setembro de 2002 pela Lei n° 11.241, a qual dispõe o seguinte sobre a queima da palha e sobre a mecanização:

ÁREAS MECANIZÁVEIS:

- 1° ano 20% da área cortada 20% da queima eliminada (2002) - 5° ano 30% da área cortada 30% da queima eliminada (2006) - 10° ano 50% da área cortada 50% da queima eliminada (2011) - 15° ano 80% da área cortada 80% da queima eliminada (2016) - 20° ano 100% da área cortada 100% da queima eliminada (2021)

ÁREAS NÃO MECANIZÁVEIS, COM DECLIVIDADE SUPERIOR A 12% E MENOR QUE 150 HECTARES: - 10° ano 10% da área cortada 10% da queima eliminada (2011)

- 15° ano 20% da área cortada 20 da queima eliminada (2016) - 20° ano 30% da área cortada 30% da queima eliminada (2021) - 25° ano 50% da área cortada 50% da q ueima eliminada (2026) - 30° ano 100% da área cortada 100% da queima eliminada (2031) (Conferir anexo 5).

contribuído para a formação desse conceito de “sustentabilidade”, ou de “produção sustentável”, o qual prescreve que as atividades produtivas devem ser “ambientalmente corretas”, “socialmente justas” e “economicamente viáveis”. Preocupação que tem sido reforçada nos últimos anos em função dos crescentes riscos e problemas sócio-ambientais, decorrentes tanto dos processos de trabalho quanto dos sistemas tecnológicos de transformação de matéria-prima e produção para o mercado de consumo.

É importante termos claro que quando refletimos sobre o conceito de natureza que está no centro da constituição dos povos e/ou culturas, precisamos ser cautelosos, visto que a questão é composta de uma multiplicidade de aspectos, que vai do ético ao tecnológico, do econômico e político ao cultural. Falar em racionalidade dos recursos naturais exige atenção para as conseqüências que o termo racional evoca, pois a razão técnica e científica não é a razão como um todo.

A sociedade contemporânea conquistou o reconhecimento de que não é só a relação desta com a natureza que precisa ser racional, mas também as relações entre os seres humanos, pois a racionalidade separou a relação homem-natureza (sujeito-objeto), da relação homem-homem (sujeito-sujeito), colocando-as numa posição de equivalência. Desse modo, a relação homem-homem adquiriu o mesmo caráter da relação homem-natureza fundamentando as relações sociais. Relações estas mediatizadas por normas, valores e objetivos constituídos histórico-culturalmente.

O corte epistemológico entre homem e natureza tem funcionado como uma forma de “reconhecimento da desnaturalização do trabalho social”, todavia não deve servir de justificativa para as investidas sobre a natureza. A origem e a explicação da exploração da natureza está nas relações contraditórias estabelecidas no âmbito da sociedade, ou seja, na forma de organização do processo produtivo.

Para Bressan (1996), os principais mecanismos que buscam expressar a racionalidade na gestão da natureza possuem enquanto característica comum a organização pautada na categoria filosófica da “totalidade”. O que significa dizer que a realidade deve ser considerada como um todo estruturado, dialético. O mesmo autor faz referência a Karel Kosik ao ressaltar que no “contexto dialético da totalidade”, as partes se interagem entre si e com o todo, mas este todo não deve ser petrificado na abstração das partes, visto que o todo se constitui a

partir da interação das partes. Por sua vez, Kosik (1976), contribuiu sobremaneira para a compreensão da concreticidade do processo contraditório da totalidade social.

Desse modo, as relações entre o homem e a natureza se assentam em pressupostos racionais, na medida em que exista instrumentos capazes de realizar um intercâmbio eficaz. Seria o caso da ciência e da técnica, visto que ambas “representam possibilidades concretas de gerar conhecimento” acerca do meio natural. Embora tenhamos consciência de que a maior parte dos problemas relacionados à interação homem e natureza estão vinculados aos avanços científicos e tecnológicos da sociedade contemporânea, a base sócio-econômica, política e cultural onde essas inovações são introduzidas é decisiva para a utilização desse instrumental. Sendo assim, as mudanças no trato com o meio ambiente não podem abrir mão de transformações de ordem estrutural, que envolvam a questão da propriedade privada, o papel do Estado, bem como o sistema político-ideológico.

A gestão do território colocada em prática no período pós-guerra, elevou o padrão tecnológico, incentivando a produção em larga escala, estimulando a exploração dos recursos naturais, bem como a exploração da força de trabalho. A modernização da agricultura (e, especialmente da agroindústria canavieira) não fogem desse contexto, visto que tem requerido a adoção de novas tecnologias e, consequentemente, novas práticas conservacionistas, maior controle dos processos e da qualidade dos produtos.

Como nos lembra Bihr (1999), a poluição e a destruição dos recursos naturais não é recente. A novidade é que o desenvolvimento industrial alcançado nas últimas décadas, bem como as possibilidades criadas pelo avanço técnico-cientifico aferiram uma dimensão global a destruição da natureza, gerando conseqüências também globalizadas (a exemplo da destruição da camada de ozônio, da ameaça de catástrofes nucleares, etc.).

Seja como for, a crise ecológica leva a recolocar em questão o funcionamento das sociedades contemporâneas em sua ‘totalidade’: suas maneiras de gerir esse patrimônio comum da humanidade que é a natureza, seus modos de produção e de consumo, os produtos que resultam de sua atividade econômica [...] (BIHR, 1999, p. 125).

Acreditamos estar ainda muito distantes do modelo de desenvolvimento apontado por Bihr, o qual supõe que, através de suas lutas, o movimento operário seja capaz de impor uma “lógica alternativa de desenvolvimento das forças produtivas, qualitativamente diferente da ‘lógica’ produtivista do capitalismo” (1999, p. 138). Uma nova lógica que permita a escolha de outras formas de produção industrial e agrícola e, consequentemente de emprego, de outras técnicas, modos de produzir, de consumir e de satisfazer as necessidades da sociedade, agredindo o mínimo possível o meio ambiente.

No entanto, acreditamos que houve um avanço da consciência ambiental, a qual se expressa, de certa forma, no aumento da pressão exercida pelas legislações ambientais, na postura da sociedade, que já demonstra sinais de preocupação com o que é produzido e consumido, bem como nas exigências do mercado.

Verifica-se que todos estes aspectos, somados à mundialização da economia, estão forçando as empresas a mudarem suas posturas em relação ao meio ambiente, procurando maneiras de utilizar os recursos naturais e efetuar o processo produtivo, de modo a agredir menos a natureza.

A abertura comercial via reduções e eliminações de barreiras tarifárias, a partir dos anos 90, acirrou a concorrência internacional, e fez surgir nos países desenvolvidos, a instituição de barreiras não-tarifárias. Entre elas destaca-se a existência dos selos verdes, de rótulos ambientais e de certificados que comprovem a qualidade do produto e garantam que ele tem origem numa produção o menos impactante possível. Isto tem contribuído para a difusão dos padrões das normas ISO e, no caso ambiental especificamente, os da série ISO 14000137.

Com a questão ambiental colocada em evidência, muitas empresas do setor sucroalcooleiro vêm se engajando no discurso de defesa do meio ambiente. Mas há o perigo deste engajamento limitar-se apenas ao nível do discurso, sem ações efetivas.

A incorporação desse debate por parte do setor produtivo pode significar tanto o aumento da conscientização do empresariado da necessidade de ações efetivas, no sentido de que o processo produtivo venha a ser menos agressivo ao meio, quanto a transformação da questão ambiental em instrumento de proteção de mercado cativo e em ferramenta de marketing para conquista de nichos de mercado. A creditamos que este último aspecto é o que pesa mais, pois para o empresário o diferencial econômico que ele pode obter com um produto que possui

certificação orgânica ou ambiental, bem como a possibilidade de ampliação da taxa de lucro tem muito mais importância do que qualquer problema relacionado ao meio ambiente.

As posturas das empresas em relação a questão ambiental são diferenciadas. A conservadora vê a questão ambiental como um modismo e utiliza-se de uma “maquiagem verde”, com perspectivas de marketing, visando desviar a atenção da sociedade da degradação ambiental que causa. A legalista pauta-se apenas em cumprir as restrições impostas pelo Estado através da legislação. A estratégica, como o próprio nome sugere, possui uma visão estratégica sobre o meio ambiente, pois é essa visão que garante a competitividade da empresa e de seus produtos no mercado. As empresas que adotam essa postura estratégica, demonstram preocupação com a educação ambiental, com a adoção de medidas de prevenção e controle da poluição, com o cumprimento da legislação ambiental vigente e com o modelo de gestão baseado nas normas da série ISO 14000 (BRAGA, 1995, p.222).

As empresas mais capitalizadas e/ou empreendedoras, têm procurado alternativas para manterem a competitividade e a permanência no mercado, sobretudo internacional. Entre essas alternativas mercadológicas encontram-se a ISO 9000, a ISO 14000 e os selos verdes, os quais são adotados, em tese, como normas de comércio, na busca da equalização da concorrência. Mas na verdade, como já destacamos anteriormente, estes funcionam como barreiras comerciais não-tarifárias de produtos e processos 138.

As normas da série ISO 14000, por exemplo, têm sido criadas para impedir a importação e/ou exportação de produtos cujo processo de produção cause impactos ambientais. Para que haja esse controle é estabelecido alguns padrões de emissões industriais ou normas de produção e gerência.

Já os chamados selos verdes, obtidos a partir da certificação dos produtos, estão associados ao produto em si e aos efeitos de seu consumo. Se um determinado produto estiver fora dos padrões ambientais pré-definidos, tanto sua importação como exportação será impedida. Esses selos têm sido utilizados de forma significativa nos últimos anos nos produtos provenientes da agricultura orgânica (hortifrutigranjeiros, produtos agropecuários, café sombreado, cana-de- açúcar, entre outros) e nos produtos certificados conforme os requisitos da norma ISO 14001139.

138 Mais detalhes, ver também: OLIVEIRA, Ana M. S. de, 1999. 139 Revista Ação Ambiental, 2000.

3.1 – A ISO 14000 e o sistema de gestão ambiental na agroindústria sucroalcooleira paulista

A ISO 14000 é uma norma que dispõe sobre o sistema de gestão ambiental e, foi desenvolvida pela ISO – International Standardization Organization (Organização Internacional de Padronização), entidade não-governamental, sediada em Genebra, na Suíça. A ISO congrega órgãos de normalização de mais de 120 países, entre eles o Brasil e tem como objetivo a padronização de normas em nível internacional. A ISO criou na década de 1990 o CT- 207 – Gestão Ambiental, Comitê Técnico140, responsável pelo desenvolvimento das normas da ISO 14000.

A série ISO 14000 foi editada visando a padronização da implantação do SGA – Sistema de Gestão Ambiental, bem como sua associação com outros sistemas gerenciais. Segundo Valverde, Silva & Trindade (2000)141, as normas desta série podem ser divididas em dois grupos: o primeiro, está relacionado à gestão dos processos de organização, fornecendo requisitos para a definição, implantação e manutenção do Sistema de Gestão Ambiental; o segundo, está direcionado para os produtos e serviços da empresa, visando a determinação de seus aspectos e impactos ambientais ao longo de seus ciclos de vida., além de definir e recomendar critérios para a elaboração e divulgação de rótulos e declarações ambientais.

A ISO 14000 possui cerca de 20 normas, no entanto, a única que pode ser aplicada na certificação de uma empresa é a ISO 14001, norma de especificação do modelo SGA, que é um conjunto de procedimentos e técnicas voltadas para o gerenciamento e administração de empresas, tendo como interface o meio ambiente. Por meio desse sistema de gestão, a empresa se prepara, tanto interna como externamente, para obter a qualidade ambiental desejada.

A implantação do Sistema de Gestão Ambiental ocorre em cinco etapas, a saber: “política ambiental da empresa; implementação e operação; monitoramento e ações corretivas; e revisões gerenciais”. (VALVERDE, SILVA & TRINDADE, 2000, p.14). No Quadro 3, apresentamos a norma ISO 14001 e as demais da série.

140 A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) representa o Brasil nesse comitê. 141 Ibid., 2000.

Quadro 3 - Normas da Série ISO 14000

Número Título

14001 Especificação para implantação

14004 Sistema de gestão ambiental – Diretrizes gerais

de 14010 a 14015 Diretrizes para auditoria ambiental

de 14020 a 14024 Rotulagem ambiental

14031 Avaliação do desempenho ambiental

De 14040 a 14043 Análise do ciclo de vida

14050 Termos e definições – Vocabulário

Fonte: VALVERDE, SILVA & TRINDADE 2000.

A tendência é que haja uma unificação dessas normas de gerenciamento

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