1 INTRODUÇÃO 31 1.1 Cronobiologia e suas implicações
8. Outros Transtornos do Sono
1.3 Desempenho cognitivo e o sono de estudantes
A aprendizagem representa uma forma de plasticidade neural, uma vez que ocorre a partir da consolidação da memória. O sono tem importância
fundamental, nesse processo. O cérebro é muito mais ativo durante a noite do que comumente se imagina, principalmente no que diz respeito à memorização e, por conseguinte, à aprendizagem. Isso porque o sono não serve somente para apagar informações desnecessárias apreendidas durante o dia, mas também para reforçar o que foi aprendido e que é importante que seja memorizado. Hoje, os cientistas são unânimes em afirmar que é necessária uma boa noite de sono para "consolidar" o que foi aprendido durante o dia(51).
Variações circadianas foram encontradas no desempenho humano, incluindo a eficiência para executar muitas tarefas, como sensorial, motora, tempo de reação, estimativa de tempo, memória verbal, cálculos aritméticos, e as tarefas de condução simuladas. Os ritmos circadianos envolvem três processos básicos neuropsicológicos, como funções de atenção, memória de trabalho e executivo, o que pode explicar as oscilações no desempenho de muitas tarefas. O tempo dos ritmos circadianos no desempenho cognitivo pode ser modificado, devido ao cronotipo, idade, alterações do ritmo circadiano, privação de sono e medicação(52-53).
Tem-se discutido bastante a questão de saber se a privação de sono afeta as capacidades cognitivas de uma maneira global, devido a diminuição da atenção, ou se prejudica alguns aspectos da cognição mais do que outros. A tomada de decisão e planejamento são tarefas relativamente pouco afetadas pela perda de sono, enquanto os aspectos criativos e inovadores são mais prejudicados(54). Assim, pode-se observar que alguns componentes envolvidos em uma tarefa podem ser mais afetados do que outros(55).
A privação do sono é comum na sociedade moderna, e seus efeitos em longo prazo sobre o desempenho cognitivo começam a ser entendidos a partir de investigações científicas. É de conhecimento que o sono insuficiente ocasiona diminuição na rapidez da resposta e maior variabilidade no desempenho, principalmente para atividades simples que envolvam atenção, alerta e vigilância. Há efeitos também em muitas capacidades cognitivas de nível mais complexo, como a percepção, memória e funções executivas(54).
Estudos laboratoriais realizados em relação aos efeitos da privação de sono sobre a cognição têm contribuído para a compreensão de que algumas tarefas complexas são as mais afetadas(55). A privação crônica de sono afeta o funcionamento cognitivo humano e principalmente o executivo,
diminuindo a capacidade de adaptação e adequação da conduta humana(56). Assim, na última década têm sido realizados estudos sobre o papel do sono no processamento e armazenamento de memórias(57).
Estudos realizados recentemente demonstram que os problemas do sono são muito comuns entre os estudantes e apoiam a necessidade de avaliação do sono e de identificação dos alunos em risco, quanto ao rendimento escolar(58). A associação entre relatos de distúrbios do sono e baixo desempenho escolar tem sido documentada para os adolescentes sonolentos(59-60).
Os alunos que trabalham durante o ano letivo enfrentam a privação do sono e seus efeitos, uma vez que têm que fazer malabarismos entre escola, trabalho e responsabilidades pessoais e sociais, e isso pode deixá-los com menos tempo para dormir(23). Assim, destaca-se a importância da necessidade de tempo adequado de sono para garantia do bom desempenho do aluno(61).
O ciclo vigília-sono muda durante os anos de adolescência. No período letivo há maior sonolência diurna e menor duração de sono do que nos fins de semana. Ocorre um atraso da fase do sono, o que pode ser resultante da interação entre fatores ambientais e biológicos. Muitos pais e profissionais de saúde não têm conhecimento de que, uma vez estabelecidos, esses maus hábitos de sono continuarão na idade adulta e causarão problemas durante os anos da faculdade. O início do horário escolar muito cedo pode iniciar uma perda de sono e, em consequência, iniciar um ciclo de sonolência diurna, o que pode afetar o humor, o comportamento, e aumentar o risco de acidentes ou ferimentos(62).
Em um uma pesquisa realizada no Centro Universitário Hermínio Ometto Uniararas/SP, com 139 estudantes universitários, em que se analisaram o desempenho acadêmico e os padrões de sono, observou-se que o grupo de estudantes que estudavam no período diurno demonstrou melhor desempenho acadêmico em comparação com o grupo de estudantes do período noturno. Quanto mais tarde a hora de acordar, menor foi o desempenho acadêmico, o que sugere o efeito do horário noturno e dos déficits de sono. A qualidade de sono foi melhor para o grupo do diurno(47).
No estudo realizado em São Paulo com 30 estudantes de enfermagem que trabalham no turno noturno, em 2009 e 2010, observou-se
que os estudantes que sofrem privação do sono têm um acréscimo das horas de vigília devido ao estudo, o que ocasiona alto índice de sonolência, que pode prejudicar seu desempenho escolar e no trabalho(63).
Em uma pesquisa realizada com 31 estudantes de medicina do quarto ano, da Penn State Hershey Medical Center, com o objetivo de avaliar os efeitos de uma mudança de plantão 24 horas na função técnica e cognitiva, bem como a capacidade de aprender uma nova habilidade, pôde-se observar que não houve diferença entre os grupos controle e privado de sono, para o desempenho ou a aprendizagem de tarefas cirúrgicas. Subjetivamente, a Escala de Sonolência de Epworth apontou um aumento da sonolência. Os indivíduos privados de sono foram capazes de completar as tarefas, apesar da maior carga de trabalho, e também de aprender uma nova tarefa, apesar de um aumento da sonolência(64).
Os estudantes de medicina que participaram de um estudo sobre “Distúrbio do sono em estudantes de medicina: a relação com seu desempenho acadêmico” estão expostos a um nível significativo de pressão, devido às exigências acadêmicas. O seu padrão de sono é caracterizado por tempo insuficiente de sono, início de sono atrasado e ocorrência de episódios de cochilos durante o dia. Para examinar a prevalência do distúrbio do sono em estudantes de Medicina, foi utilizada a Escala de Sonolência de Epworth. Os resultados demonstraram que 36,6% dos participantes têm hábitos anormais de sono, com um aumento estatisticamente significativo de estudantes do sexo feminino (p = 0,000) nessa condição. Dormir entre 6 e 10 horas por dia foi associado com escores normais, conforme Escala de Sonolência de Epworth (p = 0,019)(65).
Pesquisa realizada com um grupo de 196 jovens estudantes de enfermagem da Áustria teve como objetivo medir a qualidade subjetiva do sono, latência de início, duração do sono, escore de depressão, sintomas físicos, e traço de ansiedade, por meio da aplicação dos questionários: para ansiedade o State-Trait Anxiety Inventory (STAI), e para a depressão, o WHO-
5. Observou-se que a qualidade subjetiva do sono foi negativa, correlacionada
com escore de depressão (r de Pearson = -0,57), sintomas físicos (r = -0,51) e ansiedade-traço (r = -0,54) (p <0,001 para todos os três). A associação da qualidade subjetiva do sono com latência do início era mais forte do que com a
duração do sono. Além disso, a alta pontuação de depressão (odds ratio OR = 3,90, intervalo de confiança IC 95% = 1,88-8,06) e a latência do início do sono longo (OR = 3,56, IC 95% = 1,65-7,69) foram os melhores preditores de má qualidade subjetiva do sono. Observou-se que os sintomas físicos e mentais estão associados à má qualidade do sono e que, quando expostos em longo prazo, têm grande impacto negativo sobre a saúde(66).
Um estudo realizado na Universidade Caxias do Sul (UCS), com 1.180 alunos de graduação da área de ciência da saúde, biologia, engenharia, ciências humanas e arte, cujo objetivo era avaliar os distúrbios do sono e sua associação com sintomas depressivos, encontrou alterações do sono em quase 60% dos estudantes e prevalência de depressão. Identificou também depressão leve em 5,9% (n = 62), moderada em 3,4% (n = 40) e grave em 0,7% (n = 8) dos alunos. As alterações do sono são queixas frequentes entre os jovens(67).
Outra pesquisa realizada objetivou verificar a ocorrência de distúrbios do sono em estudantes do terceiro ano do ensino médio e pré- universitários de escolas públicas e particulares de dois cursos pré- universitários, em um bairro de classe média de São Paulo/Brasil. Uma população de 529 alunos de 451 cursos de ensino médio e de 78 cursos de pré-vestibular respondeu ao questionário sobre o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI). Pôde-se verificar que 52,9% dos participantes demoravam cerca de 30 minutos para dormir, com uma média de 306,4 minutos dormidos. Ocorriam sonolência diurna moderada (n = 243, 45,9%) e indisposição (n = 402, 75,9%), e também distúrbio e má qualidade do sono, na população estudada(68).
As alterações de sono estão relacionadas a problemas de saúde, como irritabilidade, depressão, fadiga, atenção e concentração(53). A qualidade do sono está associada aos parâmetros de saúde física e mental, sendo considerado um grave problema de saúde pública(66) e um fator que deve ser considerado, durante o processo de aprendizagem dos alunos. Estudos sugerem que as queixas sobre essas alterações são comuns em jovens estudantes que, na tentativa de minimizar o problema, fazem uso de café, bebidas energéticas, chá verde e preto e de álcool, e apontam uma correlação significativa entre o uso de estimulantes e a fragmentação do sono(69).
Uma pesquisa realizada com 710 estudantes da Universidade Federal de Alfenas (MG) analisou a relação entre a participação em baladas noturnas e o consumo de álcool com a qualidade do sono. Foi possível observar que o fato de os universitários participarem das “baladas ou noitadas” com maior frequência aumentou as queixas de má qualidade do sono. Houve aumento nos percentuais do tempo de sono menor que cinco horas e diminuição do tempo de sono >7 horas, aumento nos percentuais dos distúrbios do sono e muita sonolência durante o dia. Os autores sugerem que seria apropriado desenvolver políticas que resgatassem valores sobre a importância do sono e entretenimentos e comemorações sociais desvinculados do consumo de bebidas alcoólicas. Assim, diminuiriam muitos riscos e haveria oportunidades de desenvolvimento das habilidades sociais(70).
Foram examinados os padrões de sono e consequências de estar em curso superior em uma amostra composta por 1.443 estudantes de graduação que responderam, por uma semana, o diário do sono. A amostra constituiu-se de 67% americano-europeus, 13% afro-americanos, 10% latinos e 10% outros. Não foram encontradas diferenças significativas entre gênero, etnia ou posição na classe, em tempo de sono total (TST). O TST ideal foi de aproximadamente uma hora a mais do que o TST real, e o sono insuficiente foi uma ocorrência frequente (70% dormiam menos de 6 horas e 43% dormiam menos de 5 horas pelo menos uma vez por semana). Dos que participaram da pesquisa, 16% referiram adormecer enquanto dirigiam, e 2% relataram um acidente de automóvel devido à sonolência. Os homens (21%) eram significativamente mais propensos a adormecer ao volante do que as mulheres. A medicação foi utilizada como um auxiliar do sono por 6,83% dos participantes. O álcool foi usado como um auxílio para dormir por 11,36%, e os homens (16,1%) eram significativamente mais propensos a usar o álcool do que as mulheres. Os estimulantes eram utilizados para aumentar a vigilância por 60% dos participantes, e café (37%) foi o mais citado(71).
Foi realizada pesquisa com 364 estudantes do ensino médio da Noruega, para investigar a prevalência e correlatos da fase do sono atrasado caracterizado por problemas em adormecer à noite e dificuldade para despertar pela manhã. Observou-se que 216 alunos (17,2%) relataram dificuldades em adormecer antes de duas horas pelo menos três noites por semana, enquanto
345 alunos (27,3%) relataram problemas para despertar no horário. A fase do sono atrasada parece ser comum entre os adolescentes noruegueses, e está associada a resultados negativos, tais como notas mais baixas do ensino médio, tabagismo, uso de álcool, ansiedade elevada e índices de depressão(72).
Foi realizado em 2006, na Universidade do Meio-Oeste urbano, um estudo com 1125 estudantes universitários, sobre hábitos de sono, sonolência, cronotipo, estados de humor, angústia e dúvidas sobre o desempenho acadêmico, saúde física e uso de drogas psicoativas. Os estudantes com idade entre 17 e 24 anos afirmaram ter sono perturbado, e o sono de mais de 60% deles foi classificado como de má qualidade. A hora de dormir era adiada durante a semana e eles citaram o uso frequente de drogas psicoativas para alterar o sono/vigília. E referiram também que o estresse emocional e acadêmico tem impacto negativo no sono. Os padrões de sono insuficiente e irregular têm sido amplamente documentados em adolescentes mais jovens, e também estão presentes em níveis alarmantes na população universitária. Dadas as estreitas relações entre a qualidade do sono e a saúde física e mental, programas de intervenção para distúrbios do sono nessa população devem ser considerados(73).
Nos Estados Unidos, uma pesquisa com 157 estudantes universitários teve como objetivo investigar a importância do tempo de sono total e comparar o tempo de sono e vigília com o desempenho acadêmico. Os resultados demonstraram que os estudantes com melhor desempenho dormiam horas mais cedo. Cochilar era mais comum entre os estudantes com alto desempenho. Não houve diferenças significativas no tempo total de sono, com ou sem sestas, hábitos de sono nos fim de semana, tempo de estudo, sexo, raça, razões para ficar acordado à noite, nem no uso de bebidas com cafeínas e estimulantes com ou sem prescrição(61).
Realizou-se um estudo transversal entre 364 estudantes de enfermagem da Universidade de L'Aquila, na Itália, com o objetivo de realizar um levantamento para caracterizar o período noturno e hábitos diurnos para estimar a prevalência de insônia crônica e distúrbios do sono. Os resultados demonstraram que a prevalência de insônia foi de 26,7%, e que aumentou significativamente, de 10,3%, para estudantes com idade inferior a 20 anos, para 45,5%, para aqueles com idade maior de 40 anos. A prevalência dos
distúrbios do sono foi de 9,4% para os transtornos do início do sono, 8,3% para o sono interrompido, 7,7% para despertar de manhã cedo e 22,3% para a qualidade subjetiva do sono ruim. A análise dos resultados mostrou que, quanto maior a idade, maior o risco de insônia. Observou-se ainda que cefaleia, depressão severa e autopercepção da qualidade de vida ruim são fatores que predispõem ao risco de insônia. Os alunos que relataram sono de má qualidade têm maior risco de apresentar desempenho insatisfatório(58).
Em 2009 foi realizada uma pesquisa, na Palestina, com o objetivo de descrever os hábitos de sono e problemas de sono em uma população de estudantes universitários e a associação entre autoavaliação da qualidade do sono e o autorrelato de desempenho acadêmico. Participaram da pesquisa 400 alunos com idade média de 20,2. A duração média do sono noturno foi de 6,4 ± 1,1 horas. A maioria (58,3%) dos estudantes ia para a cama antes da meia- noite e 18% do total da amostra acordavam antes das 6h da manhã. A latência do sono de mais de uma hora estava presente em 19,3% dos estudantes. Dois terços (64,8%) dos alunos relataram ter pelo menos um despertar noturno, por noite. Os pesadelos constituíram o distúrbio mais comum relatado pelos alunos. O cochilo diurno foi comum e relatado em 74,5%. A qualidade do sono foi relatada como ruim em apenas 9,8%, e foi significativamente associada com a latência do sono, a frequência de despertares noturnos, a hora de ir para a cama e pesadelos. Hábitos de sono entre os estudantes universitários palestinos foram semelhantes aos encontrados em estudos europeus. Os problemas do sono são comuns e não houve associação significativa entre a qualidade do sono e o desempenho acadêmico(74).
Durante o ano letivo 2007/2008, nos EUA, foi realizado um estudo para examinar a prevalência de risco para distúrbios do sono entre 1.845 estudantes universitários. Obteve-se que 27% deles estavam em risco e pelo menos um apresentava distúrbio do sono. Os estudantes africanos, americanos e asiáticos demonstraram menor risco para a insônia e melhor qualidade do sono em relação aos estudantes latinos. Os estudantes mostraram sono insuficiente e discrepância entre o dia da semana e a quantidade de sono no final de semana(75).
Quanto ao desempenho acadêmico, um estudo com 1.471 estudantes universitários da Turquia, entre 18 e 25 anos de idade, investigou
se as preferências circadianas estão relacionadas com o bom desempenho acadêmico. Os resultados demonstraram que alguns dos estudantes frequentavam aulas durante o período que se iniciava às 8h e terminava às 14h50, e que os demais iniciavam seus estudos às 15h e terminavam às 21h50. Observou-se que o bom desempenho do acadêmico difere de acordo com a época do período letivo. O exame final, que foi aplicado às 9h30min, obteve pontuações de acordo com suas preferências circadianas, e os alunos com preferência pela manhã alcançaram notas superiores em relação àqueles com preferência pela noite ou os indiferentes. Os autores concluíram que, tanto o ensino, como os horários de início das provas, afetam o desempenho acadêmico(76).
Em outro estudo, realizado na cidade de Campinas (SP), investigou- se o desempenho de 396 estudantes universitários das áreas de Ciências Biológicas, Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia, Farmácia e Educação Física. Os resultados demonstraram uma ausência de efeito do horário do dia sobre o desempenho de indivíduos do cronotipo intermediário. Observou-se que fatores relacionados aos hábitos diários de sono e às particularidades das tarefas utilizadas para a avaliação da memória podem influenciar os resultados obtidos. Os autores entendem que diversos fatores intrínsecos e extrínsecos ao individuo podem influenciar a oscilação da memória ao longo do dia(77).
O cronotipo de um indivíduo é uma característica importante para determinar períodos de melhor desempenho e bem-estar. Essas informações podem aprimorar a qualidade do estudo e minimizar qualquer alteração associada(78).
Uma pesquisa realizada com uma amostra de estudantes de graduação das áreas de engenharia, ciências, educação, administração e línguas, em Portugal, sendo 1.654 (55% mulheres) em tempo integral, com idade entre 17 e 25 anos de idade, examinou as associações dos padrões de sono com várias medidas de desempenho acadêmico. Os estudantes universitários responderam a um questionário sobre sono, estilo de vida e bem- estar, e obteve-se que a fase do sono matutino/vespertino, a privação do sono, a qualidade do sono e a irregularidade do sono foram significativamente associadas com pelo menos duas medidas de desempenho acadêmico(79). Muitas vezes, para ter um bom desempenho, os estudantes universitários
ingerem, frequente e excessivamente, alguns estimulantes. Estudos mais recentes demonstraram deficiências do sono nessa população(80).
Em uma pesquisa com 492 estudantes universitários da área de Psicologia, nos EUA, sobre a qualidade do sono e características dos estudantes que faziam uso de estimulantes, os resultados demonstraram que os estudantes que usavam ou tinham história de uso mostraram pior qualidade do sono subjetivo e distúrbios do sono, em relação aos não usuários. Citaram, como razão mais comum para o uso de estimulantes, a tentativa de obter melhor desempenho no trabalho e concentração. A pesquisa encontrou casos de sonolência diurna que podem ser consequência do uso de estimulantes sem prescrição médica, o que vem a apontar um grave problema de saúde pública(81).
Em outra pesquisa nos EUA, com uma amostra composta de 261 estudantes universitários de Psicologia, o objetivo foi examinar a relação entre a qualidade do sono e o risco oferecido pelo uso de álcool. Não houve relação entre a qualidade do sono global e beber semanalmente, porém a qualidade ruim do sono foi correlacionada com a forma de beber excessivamente. A qualidade do sono parece desempenhar papel importante na relação entre o consumo de álcool e as consequências, de tal forma que os estudantes que bebem excessivamente são aqueles com pior qualidade de sono. Intervenções de educação em saúde e consumo de álcool podem ser adotadas, para abordar a importância de se manter um estilo de vida saudável, em termos de sono saudável e comportamentos de consumo(80).
Observou-se, em um estudo realizado em cinco escolas do município de Farroupilha (RS), entre 2007 e 2009, com estudantes de 11 a 17 anos, que os pesquisados tenderam a ser mais matutinos. Estudavam predominantemente no turno da manhã, apresentaram menores taxas de reprovação e rendimento escolar significativamente superior. Assim, o autor cita que respeitar as características temporais dos alunos poderá trazer benefícios para a educação formal nas escolas(82).
As consequências dos distúrbios de sono afetam a qualidade de vida da pessoa acometida(83). Medidas de higiene do sono podem ser iniciadas para ajudar a quebrar o ciclo, juntamente com a educação e implementação de um regime rigoroso. Se iniciadas na escola primária e ao longo dos anos de