5. OS INDICADORES NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA
5.2. Os Indicadores Selecionados na RMC
5.2.1 O Desempenho dos Índices na RMC: 1970, 1980 e 1991
Os resultados ora apresentados são baseados no Atlas do Desenvolvimento Humano publicado pelo PNUD (1998b). Nesse trabalho, como já explicitado, a metodologia do cálculo do Índice do Desenvolvimento Humano Municipal era mais simples e possuía menos variáveis básicas do que o estudo publicado pelo PNUD, em 2006. Assim, o IDHM, no primeiro Atlas do Desenvolvimento Humano publicado no Brasil, traz:
i) No indicador do nível de renda, o uso da renda familiar per capita média ajustada pelo salário mínimo de 1991, dada a inexistência de estimativas de PIB municipal para os anos de 1970 e 1980;
ii) No indicador do nível educacional, em substituição a taxa combinada de matrículas nos três níveis de ensino, usa-se o número de anos de estudos da população de 25 anos e mais, com peso de 1/3, e taxa de alfabetização da população de 15 anos e mais, com peso de 2/3 no indicador;
iii) No indicador de longevidade, assim como no IDH original, o uso da variável esperança de vida ao nascer, que retrata a expectativa de vida desde o nascimento.
Para fins de cálculo do IDS, IDHMA e ICVA, cujos resultados estão sintetizados no quadro 3, foi utilizado o índice L de Theil para mensuração do indicador de concentração de renda para os anos de 1970, 1980 e 1991, com base nos valores publicados pelo PUND (1998b)104.
104
Como todos os índices retratam o nível de qualidade de vida nas cidades da Região Metropolitana de Curitiba, pode-se fazer analogia com a classificação proposta pela ONU (Organização das Nações Unidas) para o IDH: cidades com índices menores de 0,5
Em linhas gerais, com base no IDHM, em 1970, a RMC possuía baixo nível de desenvolvimento, reflexo dos índices de seus municípios, pois 23 cidades apresentaram baixo desenvolvimento e apenas 3 possuíam médio desenvolvimento. Com o avanço da industrialização, que concentra e polariza a economia regional em Curitiba, os resultados melhoram. Em 1980, a região dá um salto qualitativo passa a ser classificada com nível médio de desenvolvimento e passa a contar com 21 cidades nessa situação, ficando, apenas, 5 cidades com baixo desenvolvimento. Em 1991, a consolidação do pólo industrial regional, a Cidade Industrial de Curitiba, e o avanço econômico promovido pelos efeitos de encadeamento colocam a cidade pólo no rol das cidades com alto nível de desenvolvimento. O espraiamento dos efeitos da industrialização aumenta o número de cidades com médio desenvolvimento, saltando de 21 para 23. Nesse ano, apenas duas cidades apresentam resultado compatíveis com baixo desenvolvimento.
Os valores do IDHM revelam que quanto mais afastadas do pólo (cidade de 1ª ordem) piores são os resultados das cidades satélites (2ª e demais ordens). As cidades com piores valores de IDHM são as de 4ª e 5ª ordens. No período estudado, devido à instalação de indústrias em Curitiba e cidades limítrofes (2ª ordem), houve melhoria dos níveis de desenvolvimento de todas as cidades da região. Contudo, as cidades de 2ª e 3ª ordem apresentaram valores mais significativos como reflexos da polarização.
No tocante ao IDS, os resultados da RMC são mais homogêneos. Nenhuma cidade apresentou valores de alto desenvolvimento. Em 1970, havia 5 cidades com baixo desenvolvimento e 21 com médio desenvolvimento. Nos anos de 1980 e 1991 todas as 26 cidades apresentaram resultados compatíveis com médio desenvolvimento. Em 1991, as cidades de Pinhais e apresentam baixos níveis de desenvolvimento, com índices entre 0,5 e 0,8 as cidades possuem médios níveis de desenvolvimento e índices maiores de 0,8 denotam níveis de alto desenvolvimento.
Piraquara tiveram o maior IDS da região (0,682), enquanto Curitiba, cidade pólo, teve a décima posição com IDS de 0,651. No período de 1970-1991, o IDS apresentou melhoria em quase todas as cidades. A única exceção é o município de Contenda que apresentou uma redução de 7,1% do IDS.
O IDHMA, assim como o IDS, não apontou cidades com alto nível de desenvolvimento. Em 1970, havia 12 cidades com médio desenvolvimento e 14 com baixo desenvolvimento. Nos anos de 1980 e 1991, 24 cidades se posicionaram com médio desenvolvimento e, apenas, 2 com baixo desenvolvimento. As cidades que apresentaram maior elevação nesse indicador, no período entre 1970-1991, foram Pinhais (45,4%) e Piraquara (45,4%), Fazenda Rio Grande (42,5%) e Mandirituba (42,5%).
Os resultados do ICV e ICVA não alteram o cenário regional de forma significativa, pois nos dois índices a maior parte dos municípios apresentou valores de médio desenvolvimento. Com base no ICV, em 1970 havia 12 cidades com médio desenvolvimento e 14 com baixo desenvolvimento. Em 1980, apenas 2 cidades tinham baixo desenvolvimento, 22 denotavam médio desenvolvimento. No ano de 1991, Curitiba apresenta índice considerado de alto desenvolvimento e as demais cidades de médio desenvolvimento. Como nos demais, os menores índices foram obtidos pelas cidades mais afastadas do epicentro regional. Já o ICVA demonstrou que todas as cidades apresentaram valores compatíveis com médio desenvolvimento nos três anos estudados. Esse último indicador demonstrou que houve uma piora na distribuição de renda em 10 cidades, que apresentaram redução do ICVA entre 1970-1991. Mais detalhes sobre a evolução dos indicadores do quadro 3, ver os quadros 14, 15 e 16 no anexo.
QUADRO 3 – RESULTADOS DOS INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO HUMANO NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA: 1970, 1980 e1991
Município Ordem Topográfi ca em Relação ao Centro*
IDHM IDS IDHMA ICV ICVA
1970 1980 1991 1970 1980 1991 1970 1980 1991 1970 1980 1991 1970 1980 1991 Curitiba 1ª 0,713 0,760 0,819 0,575 0,606 0,651 0,667 0,695 0,729 0,708 0,771 0,835 0,619 0,636 0,648 Pinhais1 2ª 0,454 0,641 0,749 0,540 0,621 0,682 0,504 0,656 0,732 0,539 0,656 0,776 0,595 0,678 0,728 Araucária 2ª 0,506 0,670 0,730 0,604 0,614 0,676 0,550 0,658 0,705 0,583 0,663 0,745 0,632 0,642 0,688
São José dos Pinhais 2ª 0,520 0,724 0,784 0,575 0,606 0,660 0,547 0,691 0,730 0,580 0,691 0,778 0,605 0,641 0,674 Campo Largo 2ª 0,480 0,688 0,710 0,530 0,590 0,645 0,502 0,661 0,683 0,541 0,668 0,745 0,556 0,624 0,673 Colombo 2ª 0,448 0,637 0,693 0,583 0,629 0,675 0,524 0,653 0,693 0,548 0,619 0,726 0,649 0,660 0,708
Fazenda Rio Grande2
2ª 0,381 0,581 0,697 0,550 0,579 0,671 0,469 0,578 0,668 0,456 0,575 0,699 0,593 0,573 0,640 Campo Magro3 2ª 0,424 0,564 0,640 0,593 0,627 0,670 0,520 0,608 0,663 0,483 0,556 0,701 0,647 0,648 0,716 Almirante Tamandaré 2ª 0,424 0,564 0,640 0,593 0,627 0,670 0,520 0,608 0,663 0,483 0,556 0,701 0,647 0,648 0,716 Balsa Nova 3ª 0,440 0,629 0,660 0,593 0,573 0,641 0,515 0,610 0,628 0,545 0,620 0,724 0,643 0,585 0,627 Quatro Barras 3ª 0,435 0,710 0,733 0,567 0,535 0,599 0,514 0,638 0,677 0,530 0,646 0,729 0,640 0,533 0,620
Campina Grande do Sul 3ª 0,425 0,567 0,691 0,549 0,578 0,626 0,489 0,583 0,654 0,513 0,582 0,712 0,597 0,606 0,626 Contenda 3ª 0,484 0,685 0,676 0,594 0,551 0,552 0,526 0,614 0,587 0,562 0,661 0,698 0,606 0,531 0,509 Mandirituba 3ª 0,381 0,581 0,697 0,550 0,579 0,671 0,469 0,578 0,668 0,456 0,575 0,699 0,593 0,573 0,640 Lapa 3ª 0,412 0,638 0,637 0,522 0,566 0,596 0,464 0,596 0,595 0,511 0,652 0,699 0,566 0,561 0,585 Piraquara 3ª 0,454 0,641 0,749 0,540 0,621 0,682 0,504 0,656 0,732 0,539 0,656 0,776 0,595 0,678 0,728 Bocaiúva do Sul 3ª 0,368 0,538 0,567 0,547 0,545 0,592 0,461 0,546 0,561 0,456 0,563 0,610 0,598 0,567 0,575 Tijucas do Sul 3ª 0,342 0,537 0,589 0,530 0,565 0,610 0,439 0,548 0,585 0,446 0,552 0,632 0,588 0,566 0,601
Rio Branco do Sul
3ª 0,321 0,478 0,536 0,487 0,526 0,539 0,429 0,514 0,527 0,418 0,526 0,602 0,584 0,573 0,551 Itaperuçu4 3ª 0,321 0,478 0,536 0,487 0,526 0,539 0,429 0,514 0,527 0,418 0,526 0,602 0,584 0,573 0,551 Quitandinha 4ª 0,350 0,499 0,528 0,536 0,620 0,619 0,450 0,567 0,557 0,433 0,554 0,627 0,592 0,662 0,634 Agudos do Sul 4ª 0,359 0,532 0,571 0,520 0,622 0,617 0,437 0,584 0,581 0,432 0,585 0,618 0,551 0,663 0,614 Tunas do Paraná5 4ª 0,368 0,538 0,567 0,547 0,545 0,592 0,461 0,546 0,561 0,456 0,563 0,610 0,598 0,567 0,575 Cerro Azul 4ª 0,299 0,395 0,472 0,486 0,511 0,543 0,412 0,449 0,485 0,373 0,465 0,535 0,562 0,538 0,528 Adrianópolis 5ª 0,325 0,507 0,518 0,497 0,533 0,538 0,437 0,530 0,512 0,416 0,529 0,611 0,593 0,565 0,551 Doutor Ulisses6 5ª 0,299 0,395 0,472 0,486 0,511 0,543 0,412 0,449 0,485 0,373 0,465 0,535 0,562 0,538 0,528 RMC7 ---- 0,413 0,584 0,641 0,545 0,577 0,619 0,486 0,589 0,622 0,492 0,595 0,682 0,600 0,601 0,624 1
Emancipado do Município de Piraquara, em 1992. Por isso, terá seus indicadores identicos ao município de origem.
2
Emancipado do Município de Mandirituba, em 1990. Por isso, para fins de análise, terá seus indicadores idênticos ao município de origem.
3 Emancipado do Município de Almirante de Tamandaré, em 1995. Por isso, para fins de análise, terá seus indicadores idênticos ao município de origem. 4 Emancipado do Município de Rio Branco do Sul, em 1990. Por isso, para fins de análise, terá seus indicadores idênticos ao município de origem. 5
Emancipado do Município de Bocaiúva do Sul, em 1990. Por isso, para fins de análise, terá seus indicadores idênticos ao município de origem.
6
Emancipado do Município de Cerro Azul, em 1990. Por isso, para fins de análise, terá seus indicadores idênticos ao município de origem.
7 Média aritmética simples
* Configuração atual da RMC.