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5. Resultados e Discussão

5.2. Desempenho dos LC

A evolução temporal e os valores dos parâmetros avaliados são retratados nas Figuras 17 a 70 e nas Tabelas 6 a 59 (Apêndice).

Os valores de redução Ce/Co e da constante de redução K encontram-se nestas mesmas Tabelas.

As Análises Estatísticas de 1 a 9 encontram-se no Apêndice.

Desenvolvimento das Macrófitas Outubro/2002 a Fevereiro/2003 (5o Corte) 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 15/1 0/0 2 22/1 0/02 29/ 10/0 2 05/1 1/02 12/ 11/0 2 19/1 1/02 26/ 11/02 03/1 2/02 10/ 12/02 17/1 2/02 24/ 12/02 31/1 2/0 2 07/ 01/03 14/0 1/0 3 Altur a [m]

Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado Typha sp. retangular

3,5 Meses 04 Semanas

5.2.1. DQO

As Tabelas 6 a 11 (Apêndice) e as Figuras 17 e 22 apresentam os valores de DQO para as vazões avaliadas: 1200 L dia-1 (TDH 1 dia), 600 L dia-1 (TDH 2 dias), 400 L dia-1 (TDH 3 dias), 300 L dia-1 (TDH 4 dias), 250 L dia-1 (TDH 5 dias) e 200 L dia-1 (TDH 6 dias).

Para a vazão de 1200 L dia-1 – TDH 1 dia (Figura 17) nota-se que os LC operaram com certa instabilidade de funcionamento entre a 1a e a 3a amostras (1a e 2a semanas) com estabilização a partir desta última. Esta indicação de instabilidade já era esperada, pois se começou a retirar as amostras uma semana após a mudança de vazão.

A rápida estabilização de remoção de DQO em todos os leitos (a partir da 4a amostra – 2a semana) e o comportamento de funcionamento do sistema após este período, com concentrações efluentes variando entre 150 mg L-1 e 50mg L-1 foram importantes observações feitas nesta etapa da pesquisa, pois se presumia que não seria indicado o TDH de 1 dia para os LC porque estes apresentariam concentrações efluentes muito elevadas e instabilidade de operação.

Leitos Cultivados - DQO (TDH 1 dia, 1200L dia-1) 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra DQO [mg L -1]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 17. Concentração de DQO [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 18/06/02 a 18/07/02, TDH 1 dia, vazão 1200L dia –1

Para a vazão 600 L dia-1 – TDH 2 dias (Figura 18) nota-se que os LC apresentaram valores de concentração efluentes praticamente estáveis e em torno de 50mg L-1. Nota-se que para a amostra 7 que ocorreu alteração de comportamento para três leitos (Typha sp. quadrado, Scirpus sp. quadrado e Eleocharis sp. retangular), não sendo possível determinar qual seria a causa mais provável, pois não houve nenhuma interferência como corte de plantas ou sobrecarga de concentração afluente. Para a amostra 10 nota-se que o aumento da concentração afluente interferiu nos valores da concentração efluente, apresentando os leitos valores superiores a 100mg L-1.

Pôde-se verificar que a estabilidade de funcionamento dos LC para esta vazão foi um ponto positivo, pois a maioria das variações de concentração afluente que ocorreram foram assimiladas por todos os leitos.

Leitos Cultivados - DQO (TDH 2 dias, 600L dia-1) 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra DQO [mg L -1 ]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 18. Concentração de DQO [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 15/05/02 a 12/06/02, TDH 2 dias, vazão 600L dia –1

Para a vazão 400 L dia-1 – TDH 3 dias (Figura 19) os valores efluentes também apresentaram comportamento constante, verificando-se por vezes concentrações menores que 50mg L-1.

Somente para a amostra 11 (22/05/01) o afluente e os efluentes apresentaram altos valores de DQO devido à instabilidade de operação do TSM que apresentou liberação de lodo. O leito retangular com Typha sp. foi o único que não sofreu esta variação. Como a quantidade de lodo liberada pelo TSM foi muito grande neste período é provável que tenha ocorrido acúmulo de lodo na parte final da tubulação de distribuição, diminuído a vazão afluente a este leito nos dias que precederam a coleta, interferindo no resultado desta amostra.

Nota-se pela Tabela 8 que as relações Ce/Co foram diretamente influenciadas pelo aumento da concentração afluente na Amostra 11, indicando que Ce/Co seria função de Co.

Leitos Cultivados - DQO (TDH 3 dias, 400L dia-1) 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Amostras DQO [mg L -1]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 19. Concentração de DQO [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos LC entre 24/01/01 a 22/05/01, TDH 3 dias, vazão 400L dia-1

Das vazões avaliadas a de 300 L dia-1 – TDH 4 dias (Figura 20) foi a que apresentou maior amplitude nos valores efluentes de DQO, com valores de 2 mg L-1 (Eleocharis sp. quadrado, amostra 2) até 231 mg L-1 (Scirpus sp. retangular, amostra 3). Nota-se, também, que os valores efluentes acompanharam as variações apresentadas pelos valores afluentes.

três anos sem retirada de lodo e por vezes notou-se nas inspeções de rotina que parte do lodo saía do TSM e ficava retido na caixa de passagem do distribuidor de vazão. Esta liberação denota que o TDH deste sistema era muito menor que a de projeto e isto interferiu na capacidade de tratamento deste sistema, demonstrada pelos valores afluentes aos LC (79 a 368 mg L-1).

Apesar disto, verifica-se que a maioria dos valores efluentes dos LC apresentaram valores menores que 100mg L-1 e por vezes menores que 50mg L-1.

Leitos Cultivados - DQO (TDH 4 dias, 300L dia-1) 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra DQO [mg L -1]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 20. Concentração de DQO [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 29/05/01 a 14/08/01, TDH 4 dias, vazão 300L dia-1

Para a vazão de 240 L dia –1 – TDH 5 dias (Figura 21) nota-se comportamento regular dos valores efluentes, com diminuição de concentração destes últimos a partir da amostra 6.

Em 01/10/2001, um dia antes da coleta da amostra 6, ocorreu uma forte chuva no local do experimento. Como a rede coletora recebe também água pluvial, houve grande diluição do material contido nas câmaras do TSM, refletida nos valores afluentes a partir da amostra 6. Nota-se que os valores efluentes a partir desta amostra mantiveram-se praticamente iguais aos

observados até a amostra 5, indicando que os LC absorveram esta sobrecarga e a diluição da concentração afluente resultante (de 153-289 mg L-1 para 32-150 mg L-1).

Leitos Cultivados - DQO (TDH 5 dias, 240L dia-1) 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra DQO [mg L -1]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 21. Concentração de DQO [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 22/08/01 a 30/10/01, TDH 5 dias, vazão 240L dia –1

Para a vazão de 200 L dia –1 – TDH 6 dias (Figura 22) nota-se que os valores das concentrações efluentes foram regulares ao longo do período de análise. As grandes variações que ocorreram nos valores afluentes (Amostras 3 e 10) repercutiram, também, nos valores efluentes. Isto reforça a hipótese apresentada para a Amostra 11 da vazão 400L dia –1 (TDH 3 dias) onde a relação Ce/Co seria função de Co.

O corte das macrófitas ocorrido em 05/03/02 (entre as Amostras 5 e 6) não interferiu no desempenho dos leitos quanto à redução de DQO, pois o comportamento observado após a 6a amostra é similar ao observado entre a 1a e a 5a amostras desta mesma vazão.

A diminuição da concentração afluente (valores entre 100-140 mg L-1), bem como seu comportamento regular estão relacionados à retirada de lodo realizada por MAZZOLA (2003) para a inoculação do RAC avaliado em sua pesquisa. Retirou-se um volume correspondente a

compartimentos num total de 200L. Após esta operação, notou-se que o TSM voltou a operar normalmente sem liberação de lodo e com valores de remoção de DQO em torno de 60%.

Leitos Cultivados - DQO (TDH 6 dias, 200L dia-1) 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra DQO [mg L -1]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 22. Concentração de DQO [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 15/01/02 a 16/04/02, TDH 6 dias, vazão 200L dia –1

Pela Análise Estatística realizada para DQO (Análise Estatística 1-Apêndice) somente o fator TDH foi o que apresentou diferença significativa (α=1%). Isto mostra que a redução de DQO somente é influenciada pelo valor do TDH adotado, não havendo interferência das macrófitas cultivadas e nem da forma utilizada.

O teste de Tukey fornece duas faixas de redução distintas e uma que seria de transição, apresentando-se estatisticamente igual às outras duas:

• TDH de 1 dia: Ce/Co médio = 0,52;

• TDH de 2, 3 e 5 dias: Ce/Co médio = 0,40-0,41-0,41 (Transição); • TDH de 4 e 6 dias: Ce/Co médio = 0,26-0,23

A variação ocorrida nos valores afluentes de DQO para o TDH de 5 dias (240L dia-1) (Tabela 10) a partir da amostra 6 interferiu na análise estatística. Caso não houvesse esta ocorrência, a tendência seria do TDH de 5 dias estar enquadrado na terceira classe, juntamente

Pela análise estatística realizada, verificou-se que a faixa de redução de DQO para os LC ficou entre 0,26-0,40-0,52, sendo dependente do TDH. Os valores efluentes variaram entre 2 a 346 mg L-1.

Estes valores de redução de DQO são compatíveis com os de outras pesquisas que apresentavam configuração parecida e afluente anaeróbio: SOUZA & BERNARDES (1996) com Ce/Co = 0,37 e VALENTIM (1999) com Ce/Co entre 0,03 e 0,30 e configuração parecida e afluente aeróbio: MANSOR (1998) com Ce/Co = 0,18.

Em relação ao K e ao C* para DQO, as Equações contendo estes coeficientes para cada LC são apresentadas no Quadro 16. Estas equações foram obtidas a partir dos valores médios corrigidos de Ce/Co para cada TDH, sendo estes valores apresentados nas Tabelas 6 a 11 (Apêndice).

Quadro 16. Equação de Remoção de DQO e R2 Leito

Equação

Eleocharis sp. quadrado Ce/Co = 0,39 e- 0,03 (A/Q) (R2 = 0,91)

Eleocharis sp. retangular Ce/Co = 0,52 e- 0,05 (A/Q) (R2 = 0,94)

Scirpus sp. quadrado Ce/Co = 0,66 e- 0,06 (A/Q) (R2 = 0,95)

Scirpus sp. retangular Ce/Co = 0,56 e- 0,05 (A/Q) (R2 = 0,99)

Typha sp. quadrado Ce/Co = 0,55 e- 0,04 (A/Q) (R2 = 0,95)

Typha sp. retangular Ce/Co = 0,45 e- 0,04 (A/Q) (R2 = 0,97)

Nota-se que os valores de Kobtidos para cada LC são muito próximos entre si e sua magnitude é igual aos apresentados por COOPER (1998) para os sistemas secundários na Inglaterra (0,06 m dia-1) e para os sistemas na Dinamarca (0,083 ± 0,017 m dia-1), além dos valores de KDBO5 indicados por BRIX et al. (1989) (0,085 ± 0,025 m dia-1) e por BRIX

(1994) (0,06 m dia-1) para LCFSS instalados na Dinamarca.

Em relação aos valores C* nota-se que existe certa diferença entre eles. Porém, como a análise estatística indicou que não há diferença significativa entre plantas e formas, pode-se supor que não haveria diferença estatística significativa entre estes valores.

Os valores de K e C* presentes nas Equações constantes do Quadro 16 são específicos para o modelo matemático adotado (Equação 3.3), para o tipo de efluente tratado e para a configuração dos LC.

Em relação à carga afluente máxima de DQO aplicada nos LC (vazão 1200L dia-1, TDH 1 dia, 119,7 g m-2 d-1 Amostra 2; 75,9 g m-2 d-1 valor médio) e à carga hidráulica aplicada (50 a 300 L m-2 d-1), nota-se que estes valores são muito superiores aos apresentados no Quadro 2 (3,2 a 6,4 g DQO m-2 d-1; 2 a 30 L m-2 d-1). Estes valores confirmaram a expectativa de que os parâmetros de projeto indicados para os países do hemisfério norte não são adequados para os projetos de LC no Brasil. Isto reforça a necessidade de realização de novas pesquisas para obtenção de outros valores de parâmetros de projeto adequados às condições brasileiras.

5.2.2. SST

As Tabelas 12 a 17 (Apêndice) e as Figuras 23 a 28 apresentam os valores de SST para as vazões avaliadas: 1200 L dia-1 (TDH 1 dia), 600 L dia-1 (TDH 2 dias), 400 L dia-1 (TDH 3 dias), 300 L dia-1 (TDH 4 dias), 250 L dia-1 (TDH 5 dias) e 200 L dia-1 (TDH 6 dias).

Para a vazão de 1200 L dia-1 – TDH 1 dia (Figura 23) nota-se que os LC apresentaram o mesmo comportamento já relatado para DQO, certa instabilidade de funcionamento entre a 1a e a 3a amostras (1a e 2a semanas) com estabilização a partir desta última.

Após este período os valores efluentes de SST ficaram entre 20 mg L-1 e 40mg L-1. Esperava-se que os LC operassem com instabilidade durante toda a avaliação e até apresentassem eliminação de SST, o que não foi verificado após a 4a amostra.

Leitos Cultivados - Sólidos Suspensos Totais (TDH 1 dia, 1200L dia-1) 0 20 40 60 80 100 120 140 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra SST [mg L -1]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 23. Concentração de sólidos suspensos totais [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 18/06/02 a 18/07/02, TDH 1 dia, vazão 1200L dia –1

Para a vazão 600 L dia-1 – TDH 2 dias (Figura 24) nota-se o mesmo comportamento regular quanto às concentrações efluentes observado para a vazão de 1200 L dia-1 (TDH 1 dia), porém com valores variando entre 3 e 41 mg L-1 (Tabela 13).

As sobrecargas de concentração afluente observadas nas amostras 4 e 10 foram bem atenuadas pelos leitos.

Na avaliação de DQO para a vazão de 600L dia –1 (TDH 2 dias) foi observada uma alteração de comportamento para três leitos (Typha sp. quadrado, Scirpus sp. quadrado e Eleocharis sp. retangular) na amostra 7. Como não ocorreu este tipo de comportamento para o SST, nem para Turbidez com será visto na seqüência, presume-se que a alteração nos valores efluentes de DQO para estes leitos foi devida a liberação de algum tipo de substância não detectada nas outras duas análises.

Já o aumento das concentrações afluentes observadas para as amostras 4 e 10 na avaliação de DQO foram motivadas, em parte, pelos SST. Comparando-se as Figuras 18 e 24, verifica-se que os LC atenuaram a sobrecarga de SST e isto contribuiu para a redução da DQO

efluente nestas amostras. Este fato evidência a elevada capacidade de filtração dos LC, sendo que os sólidos ficam retidos e depois são hidrolisados.

Leitos Cultivados - Sólidos Suspensos Totais (TDH 2 dias, 600L dia-1) 0 20 40 60 80 100 120 140 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra SST [mg L -1 ]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 24. Concentração de sólidos suspensos totais [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 15/05/02 a 12/06/02, TDH 2 dias, vazão 600L dia –1

Para a vazão 400 L dia-1 – TDH 3 dias (Figura 25) os valores efluentes também apresentaram comportamento constante com valores máximos em torno de 20mg L-1. Somente para a amostra 11 (22/05/01), como no caso da DQO, o afluente e os efluentes apresentaram altos valores de SST devido à ocorrência já relatada no TSM.

Comparando-se as Figuras 19 e 25 fica evidente que grande parte das alterações observadas nas concentrações afluentes e efluentes dos LC para SST foram repercutidas nos respectivos valores de DQO, indicando certa relação entre estes dois parâmetros.

Leitos Cultivados - Sólidos Suspensos Totais (TDH 3 dias, 400L dia-1) 0 20 40 60 80 100 120 140 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Amostra SST [mg L -1]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 25. Concentração de sólidos suspensos totais [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 24/01/01 a 22/05/01, TDH 3 dias, vazão 400L dia-1

Para a vazão 300 L dia-1 – TDH 4 dias (Figura 26) os valores efluentes também apresentaram comportamento constante com valores máximos próximos de 20mg L-1.

Nota-se pelas Figuras 20 e 26 que as concentrações efluentes dos LC para a amostra 3 apresentaram o mesmo comportamento em relação à DQO e ao SST. Já para a amostra 6 esta tendência não ocorreu. Como citado, o TSM apresentava problemas de funcionamento com liberação de lodo neste período de análise, porém nota-se que houve pouca alteração no comportamento dos efluentes dos LC em relação ao SST, diferentemente da DQO. Isto indica que os LC apresentam boa capacidade de filtração.

Leitos Cultivados - Sólidos Suspensos Totais (TDH 4 dias, 300L dia-1) 0 20 40 60 80 100 120 140 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra SST [mg L -1 ]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 26. Concentração de sólidos suspensos totais [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 29/05/01 a 14/08/01, TDH 4 dias, vazão 300L dia-1

Para a vazão de 240 L dia-1 – TDH 5 dias (Figura 27) nota-se regularidade de operação dos LC, apresentando valores de concentrações efluentes máximos em torno de 20mg L-1.

Comparando-se as Figuras 21 e 27 verifica-se a mesma mudança de comportamento dos valores afluentes a partir da amostra 6 e a manutenção das concentrações efluentes de SST como no caso da DQO.

Também para SST notou-se que os LC tiveram capacidade de absorver a diluição do afluente e operar com regularidade. Isto confirma a indicação feita por USEPA (1999) que os leitos podem operam muito bem em sistemas combinados que tratam uma mistura de água pluvial e água residuária.

Leitos Cultivados - Sólidos Suspensos Totais (TDH 5 dias, 240L dia-1) 0 20 40 60 80 100 120 140 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra SST [mg L -1]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 27. Concentração de sólidos suspensos totais [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 22/08/01 a 30/10/01, TDH 5 dias, vazão 240L dia –1

Para a vazão de 200L dia-1 – TDH 6 dias (Figura 28) nota-se mais uma vez a regularidade de operação dos LC, apresentando valores máximos de concentração efluente em torno de 10mg L-1.

Verifica-se que a concentração afluente também apresentou queda em seus valores como no caso da DQO, sendo resultado da operação realizada no TSM e já descrita.

O aumento ocorrido na concentração afluente Amostra 10 (71 mg L-1) foi completamente absorvido pelos LC, reforçando mais uma vez sua capacidade de atenuar sobrecargas no caso do SST.

Leitos Cultivados - Sólidos Suspensos Totais (TDH 6 dias, 200L dia-1) 0 20 40 60 80 100 120 140 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra SST [mg L -1]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 28. Concentração de sólidos suspensos totais [mg L-1] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 15/01/02 a 16/04/02, TDH 6 dias, vazão 200L dia –1

Pela Análise Estatística realizada para SST (Análise Estatística 2-Apêndice) somente o fator TDH foi o que apresentou diferença significativa (α=1%).

Pelo teste de Tukey foram determinadas três faixas distintas de redução e duas de transição:

• TDH de 1 dia: Ce/Co médio = 0,60; • TDH de 3 dias: Ce/Co médio = 0,37;

• TDH de 2 e 4: Ce/Co médio = 0,36-0,26; (Transição) • TDH de 4 e 5: Ce/Co médio = 0,26-0,24; (Transição) • TDH de 6 dias: Ce/Co médio = 0,19;

Os SST apresentaram faixas de redução parecidas com as de DQO entre 0,19-0,25- 0,35-0,60, sendo também dependentes do TDH aplicado. Estes valores indicam, de certo modo, que a redução de DQO estaria relacionada ao processo de retenção de SST que, de modo geral, pode ser atribuído aos processos de filtração e adsorção que ocorrem por causa do meio suporte e do biofilme.

Mas as raízes das plantas também não participam deste processo de retenção de partículas? Sim, elas também participam dos processos de filtração e adsorção. Porém, verificando os valores de Ce/Co médios apresentados pelo teste de Tukey para as plantas (Eleocharis sp. = 0,32; Scirpus sp. = 0,32 e Typha sp. = 0,36) nota-se que não existe diferença significativa entre as plantas, mostrando que a atuação das raízes é menor que a atuação do meio suporte e de seu biofilme. Como o tamanho das raízes das plantas seria proporcional ao seu tamanho fora da terra, ou neste caso, da água, era de se esperar valores de remoção bem maiores para a Typha sp. em relação às outras plantas, o que não ocorreu.

Em relação ao K e ao C* para SST, as Equações contendo estes coeficientes para cada LC são apresentadas no Quadro 17. Estas equações foram obtidas, como no caso da DQO, a partir dos valores médios corrigidos de Ce/Co para cada TDH, sendo estes valores apresentados nas Tabelas 12 a 17 (Apêndice).

Quadro 17. Equação de Remoção de SST e R2 Leito

Equação

Eleocharis sp. quadrado Ce/Co = 0,55 e- 0,06 (A/Q) (R2 = 0,98)

Eleocharis sp. retangular Ce/Co = 0,71 e- 0,08 (A/Q) (R2 = 0,95)

Scirpus sp. quadrado Ce/Co = 0,64 e- 0,07 (A/Q) (R2 = 0,95)

Scirpus sp. retangular Ce/Co = 0,67 e- 0,07 (A/Q) (R2 = 0,95)

Typha sp. quadrado Ce/Co = 0,58 e- 0,05 (A/Q) (R2 = 0,96)

Typha sp. retangular Ce/Co = 0,54 e- 0,05 (A/Q) (R2 = 0,96)

Nota-se que os valores de K para SST obtidos para cada LC são muito próximos entre si e com mesma magnitude dos valores de K obtidos para DQO (0,03 a 0,06 m dia-1).

Quanto aos valores C* nota-se que existe certa diferença entre eles, como no caso da DQO. Porém, como a análise estatística também indicou que não há diferença significativa entre plantas e formas, supõe-se que não haja diferença estatística significativa entre eles.

Comparando-se os valores de C* obtidos para SST com os obtidos para DQO, nota-se que não há grande diferença entre estes, sendo os valores de C* para DQO 17% menores que os valores para SST. Esta constatação, juntamente com a do K para SST apresentada no

parágrafo anterior, indica que existe possibilidade de se utilizar estes valores do parâmetro SST para estimar a remoção de DQO, bem como a área do LC a ser projetado.

Como no caso da DQO, os valores de K e C* presentes nas Equações constantes do Quadro 17 também são específicos para o modelo matemático adotado (Equação 3.3), para o tipo de efluente tratado e para a configuração dos LC.

5.2.3. TURBIDEZ

As Tabelas 18 a 23 (Apêndice) e as Figuras 29 a 34 apresentam os valores de Turbidez para as vazões avaliadas: 1200 L dia-1 (TDH 1 dia), 600 L dia-1 (TDH 2 dias), 400 L dia-1 (TDH 3 dias), 300 L dia-1 (TDH 4 dias), 250 L dia-1 (TDH 5 dias) e 200 L dia-1 (TDH 6 dias).

Para a vazão de 1200 L dia-1 (TDH 1 dia), Figuras 23 e 29, nota-se a relação existente entre estes dois parâmetros. Os LC apresentaram para Turbidez o mesmo comportamento já relatado para SST, certa instabilidade de funcionamento entre a 1a e a 3a amostras (1a e 2a semanas) com estabilização a partir desta última. Após este período, verificou-se a rápida estabilização dos valores efluentes de Turbidez entre 20 e 60 FAU.

Leitos Cultivados - Turbidez (TDH 1 dia, 1200L dia-1) 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Amostra Turbidez [ F AU]

Afluente Eleocharis sp. quadrado Eleocharis sp. retangular

Scirpus sp. quadrado Scirpus sp. retangular Typha sp. quadrado

Typha sp. retangular

Figura 29. Valores de turbidez [FAU] do afluente e dos efluentes dos leitos cultivados entre 18/06/02 a 18/07/02, TDH 1 dia, vazão 1200L dia –1

Para a vazão 600 L dia-1 – TDH 2 dias (Figura 30) nota-se o mesmo comportamento apresentado pelo SST. Para os efluentes, seus valores ficaram, na sua maioria, entre de 20 e 40 FAU.

Nota-se, também, a atenuação das sobrecargas de concentração afluente observadas nas amostras 4 e 10.

Para a amostra 7, também o parâmetro Turbidez, como o SST, não apresentou alteração de comportamento, indicando que a variação observada para DQO nesta amostra foi resultado de outro tipo de substância que não particulada ou coloidal.

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