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2 MODELAGEM E CONTROLE DE SISTEMAS

2.6 DESEMPENHO EM EMPREENDIMENTOS

Para a implantação de um empreendimento de construção é necessário o estabelecimento de um fluxo de trabalho que define os ritmos de produção que precisam ser mantidos para que as metas previamente estabelecidas sejam respeitadas.

A medição do desempenho tem a função de avaliar se o ritmo imposto é compatível com o ritmo esperado, em outras palavras, se prazos, custos, qualidade e escopo estão aquém, além ou equivalentes ao esperado numa determinada data. Os valores esperados correspondem aos valores planejados (VP) para uma data específica.

Neste caso, VP é o valor orçado de todo o trabalho planejado para acontecer até uma data específica. Estes valores são obtidos com a construção da curva S associada ao cronograma físico-financeiro do empreendimento.

Além de VP, a análise do cronograma fornece duas outras informações relevantes para o controle, que são a duração planejada (DP) e o custo orçado (CO) como mostra a Figura 2-3, que contém uma curva S hipotética com VP e CO em valores percentuais, onde CO é 100% e VP é 100% para t igual a DP.

À medida que o empreendimento vai sendo executado, o trabalho efetivamente concluído numa determinada data passa a ter:

 quantidades próprias, que podem ser iguais ou diferentes das quantidades previamente planejadas. Logo, este trabalho estará vinculado a custo orçado, que também poderá ser igual ou diferente do planejado;

 custos próprios, pois como há uma defasagem entre a geração do plano a sua produção, fatores como inflação e variações na oferta e demanda interferem nos preços praticados no momento em que o trabalho acontece.

Figura 2-3. Curva S hipotética

O custo orçado do trabalho executado é chamado de valor agregado (VA) e o custo efetivamente incorrido no momento em que o trabalho foi realizado é chamado de custo real (CR) (PMI, 2013). Destaca-se que estas grandezas são função do tempo, de modo que em sua forma mais geral devem ser representadas como VP(t), VA(t) e CR(t).

Entretanto, como nos empreendimentos de construção o tempo não é tratado de forma contínua e sim de forma discreta, estas grandezas assumem a forma descrita em (2-6). 𝑉𝑃𝑖 é igual a 100% sempre que 𝑖 é maior ou igual

a DP.

Também é necessário destacar que VP, CO e DP podem ser consideradas variáveis externas ao empreendimento, uma vez que são definidas antes da implantação ter início. Isto difere de VA e CR, que só existem durante a implantação do empreendimento, de modo que podem ser consideradas variáveis internas.

𝑉𝑃 = 𝑉𝑃𝑖 𝑉𝐴 = 𝑉𝐴𝑖 𝐶𝑅 = 𝐶𝑅𝑖 } → 𝑖 = 1,2, ⋯ , 𝐷𝑃 𝑉𝑃 = 100 𝑉𝐴 = 𝑉𝐴𝑖 𝐶𝑅 = 𝐶𝑅𝑖 } → 𝑖 > 𝐷𝑃 (2-6)

Nesse contexto, a função da análise de desempenho é determinar se os valores observados de VA e CR são compatíveis com o esperado e quais são as tendências em decorrência destes valores observados. A seguir serão apresentadas as avaliações de desempenho em custo e prazo propostas pelo Project Management Institute (PMI, 2013).

2.6.1 Desempenho em custo

Partindo da Figura 2-3, onde para cada instante de tempo 𝑡𝑖, sempre

haverá valores de VPi, VAi e CRi correspondentes. Logo, a variação no custo

(VC) para este instante de tempo é dado por (2-7). De modo que os valores ideais de VC são valores positivos, indicando que os custos reais estão abaixo dos custos orçados.

𝑉𝐶𝑖= 𝑉𝐴𝑖− 𝐶𝑅𝑖 (2-7)

Por outro lado, o desempenho também pode ser medido pela razão ente VA e CR, que é chamada de índice de desempenho em custo (IDC), como mostra a equação (2-8). Neste caso, os valores ideais são os valores maiores ou iguais a 1. Denotando da mesma forma que os custos reais estão menores que os orçados.

𝐼𝐷𝐶𝑖 =

𝑉𝐴𝑖

𝐶𝑅𝑖

(2-8)

Considerando que este IDC permanecerá constante durante a complementação do empreendimento, pode-se definir:

 uma estimativa para término (EPT), que é uma estimativa do custo necessário para concluir o trabalho restante do empreendimento. Esta estimativa é calculada por (2-9); 𝐸𝑃𝑇𝑖=

𝐶𝑂𝑖− 𝑉𝐴𝑖

𝐼𝐷𝐶𝑖

(2-9)

 uma estimativa no término (ENT), que é uma estimativa do custo final do empreendimento no momento de sua conclusão.

No caso de ENT, há três métodos distintos de cálculo (GIDO; CLEMENTS, 2007; PMI, 2013), são eles:

 índice de desempenho constante, método que considera que o restante do trabalho para concluir o empreendimento será realizado com a mesma eficiência obtida até o momento da análise de desempenho. Neste método, o valor esperado para a ENT é dado por (2-10);

 𝐸𝑁𝑇𝑖 =

𝐶𝑂 𝐼𝐷𝐶𝑖

(2-10)

 ritmo planejado, método que considera que o restante do trabalho será executado respeitando o orçamento. A diferença deste método para o anterior é não levar em consideração o desempenho medido até a data da análise. Neste método, o valor esperado para a ENT é dado por (2-11);

𝐸𝑁𝑇𝑖 = 𝐶𝑅𝑖+ (𝐶𝑂 − 𝑉𝐴𝑖) (2-11)

 revisão do ritmo, método que reavalia o trabalho necessário para a conclusão do empreendimento e refaz suas estimativas de custos e orçamentos, gerando novas estimativas. Neste método, o valor esperado para a ENT é dado por (2-12).

𝐸𝑁𝑇𝑖 = 𝑉𝐴𝑖+ 𝑁𝑜𝑣𝑎 𝐸𝑠𝑡𝑖𝑚𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎 (2-12)

Outro aspecto da análise de desempenho é determinar a tendência do empreendimento, se é melhorar ou piorar seu desempenho ao longo do tempo. Este tipo de análise é feito com base nos valores de IDC e ENT obtidos. Se os valores de IDC vão diminuindo e os de ENT vão aumentando com o tempo, indica que a tendência do empreendimento é piorar seu desempenho se nenhuma ação corretiva for tomada (GIDO; CLEMENTS, 2007; PMI, 2013).

No caso de haver necessidade de intervenção para controlar os custos e, consequentemente, melhorar o desempenho em custo do empreendimento, as ações corretivas devem priorizar as atividades que serão executadas a curto prazo e as que tiverem as maiores estimativas de custo (GIDO; CLEMENTS, 2007).

Uma vez finalizada a análise do desempenho em custos, pode-se seguir para o desempenho em prazo de um empreendimento, que é o foco do próximo item.

2.6.2 Desempenho em prazo

Assim como a análise de desempenho em custos, a análise de desempenho em prazo também faz uso dos valores planejados (VP) e valores agregados (VA). Nesse contexto, o índice de desempenho em prazo (IDP) é dado por (2-13) e a variação de prazos (VPR) por (2-14) (PMI, 2013).

𝐼𝐷𝑃𝑖=

𝑉𝐴𝑖

𝑉𝑃𝑖

(2-13)

𝑉𝑃𝑅𝑖= 𝑉𝐴𝑖− 𝑉𝑃𝑖 (2-14)

A crítica mais comum a esta metodologia, diz respeito ao fato de ela analisar prazos de forma indireta, através dos custos praticados ao invés dos próprios prazos. Para corrigir esta discrepância foi proposto o seguinte procedimento de cálculo, ainda considerando o mesmo conjunto de curvas S da Figura 2-3 (LIPKE, 2003, 2004):

 determina-se o instante de tempo onde VP é igual ao VA. Destaca-se que o VA sempre estará associado a uma data atual (DA), que é a data da análise de desempenho. Dependendo do status do empreendimento, se atrasado ou adiantado, a data equivalente (DE) será maior ou menor que a data atual;  calcula-se VPR através da diferença entre DE e DA, como

mostra (2-15);

 calcula-se o IDP através do quociente entre DE e DA, como mostra (2-16). 𝑉𝑃𝑅𝑖= 𝐷𝐸𝑖− 𝐷𝐴𝑖 (2-15) 𝐼𝐷𝑃𝑖= 𝐷𝐸𝑖 𝐷𝐴𝑖 (2-16)

De maneira análoga ao custo no término do empreendimento, sua duração no término (DNT) pode ser estimada pela razão entre DP e IDP, como pode ser visto em (2-17).

𝐷𝑁𝑇𝑖=

𝐷𝑃𝑖

𝐼𝐷𝑃𝑖

(2-17)

Entretanto, a metodologia apresentada até agora é a metodologia tradicional e sempre vinculada à gestão de empreendimentos em geral. Por conta desta condição, vários estudos a respeito da confiabilidade dos resultados obtidos apontam que em empreendimentos pequenos e rápidos as estimativas não são confiáveis, assim como para empreendimentos com menos de 20% implantado (LIPKE, 2003; LIPKE et al., 2009).

Por outro lado, o aspecto mais questionado nesta metodologia é a avaliação do prazo através de valores de custo (KHAMOOSHI; GOLAFSHANI, 2014; LIPKE, 2004). Apesar de ser possível explorar as correlações entre prazo e custo, usar custos para prever prazos é uma estratégia não recomendada para empreendimentos de construção (LOVE; TSE; EDWARDS, 2005).

Para contornar esta limitação do Método do Valor Agregado, dois outros métodos foram desenvolvidos. O primeiro é o Método do Avanço Agregado7, que recalcula os indicadores de desempenho em prazo em função

das datas atual e planejada para um determinado valor agregado (LIPKE, 2003, 2004).

O segundo é o Método da Duração Agregada8 que define e calcula

seus indicadores de desempenho em função do somatório das durações planejadas e atuais de cada atividade presente no cronograma e do empreendimento como um todo (KHAMOOSHI; GOLAFSHANI, 2014; VANDEVOORDE; VANHOUCKE, 2006)

A seguir será feito um resumo deste capítulo com destaque para o conhecimento necessário à construção do modelo de previsão e para a aplicação de filtros.

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