3 Hipóteses
3 HIPÓTESES
7.1 DESEMPENHO EM PROVAS DE COMPREENSÃO LEITORA
A respeito da avaliação da compreensão leitora neste estudo, ambos os procedimentos selecionados constataram dificuldades nos grupos experimentais. No GE1 66% (Gráfico 12) das crianças apresentaram desempenho defasado na Prova de Compreensão de Textos do PROLEC, e 100% (Gráfico 13) no Teste de Cloze. No GE2 pode-se evidenciar melhor desempenho, visto que a porcentagem de desempenho deficitário no PROLEC e no Teste de Cloze foi de 46% e 74% (Gráfico
12 e 13), respectivamente. Não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos, mesmo que o GE2 tenha se saído melhor na testagem (Tabela 9). Nos grupos controles (GCE1 e GCE2) nenhuma criança apresentou desempenho defasado em ambas às provas, o que já era previsto, visto que a dificuldade em compreender textos era um critério de exclusão (Gráfico 12 e 13). A comparação estatística dos grupos experimentais com seus respectivos controles evidenciou diferença estatisticamente significante (Tabelas 10 e 11).
Optou-se pela utilização do Teste de Cloze como um dos procedimentos de avaliação, em detrimento a outros já conhecidos, devido ao fato de que sua forma de elaboração permite que se analise o quanto o leitor se apoia nas pistas do contexto e/ou em conhecimentos prévios para entender o texto (SANTOS et al., 2002; SANTOS, 2004; MAKI et al., 2005). Algumas pesquisas evidenciam sua validade e precisão (GREENE, 2001; OLIVEIRA; SANTOS, 2005; SANTOS et al., 2002). De acordo com Brandão e Spinillo (1998) a compreensão de textos é uma atividade de solução de problema, na qual a atividade implica a "tradução" do conhecimento em palavras, ou seja, a compreensão requer a transformação das palavras em conhecimento, sendo que este processo de "tradução" das palavras em informação, ideia ou significado é uma tarefa de natureza cognitiva e linguística. Marini (1986) e Santos (1990) afirmam que a Técnica de Cloze tem se mostrado bastante eficaz, tanto do ponto de vista prático, tendo em vista a facilidade de elaboração, aplicação e correção, bem como do ponto de vista empírico, devido aos altos índices de correlação positiva de seus resultados com o desempenho acadêmico, ou seja, alunos com maiores percentuais no teste apresentam melhores resultados nas médias das disciplinas.
Para Mota e Santos (2009), a realização da atividade Cloze pressupõe que a compreensão da leitura seja resultante de processos cognitivos subjacentes que incluem, não apenas a decodificação dos símbolos e a percepção de pistas do próprio texto, como também a recuperação de conhecimentos prévios contidos na memória.
No presente estudo, a maioria das crianças do GE1 - 54% (Gráfico 14) no Teste de Cloze teve seu desempenho classificado como “péssimo leitor”, que corresponde a um nível em que o leitor, mesmo com auxílio, evidencia grande dificuldade em retirar as informações da leitura e, consequentemente obtém pouco
êxito na compreensão leitora. Essa porcentagem foi menor no GE2 - 34% - (Gráfico 14), sendo que alguns sujeitos deste grupo receberam a classificação “bom leitor” - 27% - (Gráfico 14), dado que não foi constatado no GE1. Qualitativamente, pode-se constatar que as crianças do GE1 não fizeram uso das pistas contextuais, ou de qualquer outro tipo de estratégia tal como a utilização do conhecimento prévio para realizar a tarefa proposta. Já no GE2 essas pistas e estratégias puderam ser observadas em algumas crianças, mesmo que ainda de forma rudimentar, principalmente naquelas que apresentaram desempenho classificado como bom leitor. Na literatura nacional, muitos dos estudos utilizando esse instrumento têm sido realizados com universitários, alguns deles para avaliação da compreensão em leitura, e outros, com o propósito de remediação, são empregados com estudantes que apresentam déficits de leitura (SAMPAIO; SANTOS, 2002; SILVA; SANTOS, 2004; OLIVEIRA; SANTOS, 2008). Acredita-se que a utilização da estratégia utilizada no Teste de Cloze pode contribuir não só para avaliação, mas também para a intervenção fonoaudiológica na busca da melhora da compreensão leitora.
Outro procedimento utilizado para avaliação da leitura foi à prova de compreensão de textos do PROLEC (CAPELLINI; OLIVEIRA; CUETOS, 2010). Esta prova foi selecionada por conter textos curtos e com dois tipos de questionamentos, literais e inferenciais a respeito do conteúdo lido. Nas crianças do GE1, a maioria apresentou desempenho classificado como “com dificuldade”, sendo classificado, portanto, como alterado (66% - Gráfico 12). Pode-se notar que muitas não se lembravam do texto logo após terem finalizado a leitura, o que certamente prejudicou a compreensão. Foi observado também que, as perguntas iniciais, em sua maioria referente ao início do texto, eram respondidas corretamente por algumas crianças, diferente do que foi observado nas últimas perguntas, sugerindo dificuldade na memória de curto prazo. Elas apresentaram melhor desempenho nas perguntas literais (73%), aquelas que estavam explícitas no texto, quando comparadas às perguntas inferenciais (conclusões a partir de premissas conhecidas ou verdadeiras). Desempenho semelhante foi observado por Oakhill (1994) que realizou um estudo para verificar o uso de inferências implícitas em crianças de 7 a 8 anos. Para tal avaliou dois grupos de crianças com diferentes diferenciados pela capacidade de compreensão de textos. As crianças foram solicitadas a lerem quatro histórias curtas e em seguidas a responder alguns questionamentos referentes ao
que foi lido. Os resultados evidenciaram que os leitores mais qualificados foram melhores em realizar inferências do que aqueles menos qualificados, apoiando a ideia de que uma importante característica distintiva dos leitores qualificados é a melhor capacidade em realizar inferências, que lhes permitam relacionar as ideias em um texto facilitando, assim, sua compreensão leitora.
Já no GE2 o desempenho observado foi um pouco diferente. As crianças em sua maioria (54% - Gráfico 12) apresentaram desempenho classificado como “normal”, demonstrando melhor atuação em relação à compreensão dos textos lidos. Entretanto, assim como no GE1 a maioria evidenciou melhor performance nos questionamentos literais. De acordo com os autores do PROLEC (CAPELLINI; OLIVEIRA; CUETOS, 2010) as perguntas, em sua maioria, quando realizadas nas tarefas escolares são literais e podem ser respondidas apenas por meio da memória mecânica. As inferências vão além da memória, pois implicam na interpretação do texto. O processo inferencial garante a organização dos sentidos elaborados pelo leitor na sua relação com o texto e é a partir dele que o estabelecimento da relação entre as partes do texto e entre estas e o contexto torna-se possível (FERREIRA; DIAS, 2004). Neste estudo, as crianças com Distúrbio de Aprendizagem evidenciaram maiores dificuldades em realizar inferências. Quando o leitor apenas é capaz de repetir ou responder os questionamentos apenas baseados na memória não se pode garantir que houve a real compreensão do material lido. As inferências são fundamentais para a compreensão, permitindo que o leitor complete as informações que estão ausentes no texto, estabelecendo conexões entre os diversos elementos do texto, integrando a informação explícita e implícita, além de seu conhecimento interno, levando o leitor à compreensão global e efetiva do texto.
7.2 DESEMPENHO DAS CRIANÇAS COM E SEM DISTÚRBIO DE