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2.2 Desempenho Empresarial

2.2.2 Desempenho superior e persistente

Em busca do bom desempenho a gestão estratégica empresarial deve estar pautada na busca de criação de vantagem competitiva, cuja consequência seja a conquista de desempenho superior ao das empresas concorrentes, no longo prazo. Brito e Vasconcelos (2004) salientam que há uma ligação entre os conceitos de vantagem competitiva e desempenho superior das empresas. Conforme Carvalho, Kayo e Martin (2010), o desempenho superior no longo prazo é também denominado de desempenho sustentável ou desempenho persistente. Esse estudo utiliza o termo desempenho superior e persistente para o desempenho superior no longo prazo.

Faz-se necessário conceituar os termos vantagem competitiva e desempenho superior, que Carvalho (2009) trata de forma similar. Segundo Porter (1980), vantagem competitiva refere-se à detenção de baixos custos, vantagem de diferenciação ou estratégia de foco bem sucedida e que esta cresce a partir do valor que a firma é capaz de criar para compradores e que excede o custo da firma em criá-lo.

Peteraf (1993) afirma que vantagem competitiva significa retornos sustentados e acima da normalidade. Desenvolvendo tal conceito, Barney e Hesterly (2007) asseguram que a empresa tem vantagem competitiva quando suas ações criam valor econômico maior do que as empresas competidoras na indústria ou no mercado. Além disso, os autores relacionam a vantagem competitiva a desempenho, ao afirmar que a obtenção de desempenho acima do normal indica vantagem competitiva no mercado.

Percebe-se, portanto, que a vantagem competitiva está diretamente relacionada ao desempenho superior das empresas no mercado competitivo. Esse desempenho superior pode ser conquistado por meio de recursos ou com capacidades específicas não disponíveis para aquisição no mercado (CARVALHO; KAYO; MARTIN, 2010).

De acordo com Barney e Hesterly (2007), existem vantagens e desvantagens competitivas e ambas podem ser classificadas como temporária ou sustentável. A vantagem competitiva, como já explicitada, ocorre quando a empresa tem desempenho acima do desempenho de suas concorrentes em certo setor ou mercado, ao passo que a desvantagem competitiva é o oposto, ou seja, quando a empresa possui desempenho menor do que as demais. Enquanto a vantagem ou desvantagem competitiva temporária ocorre durante um período curto, a sustentável permanece por um longo prazo. Além desses termos, destaca-se ainda a paridade competitiva, que ocorre quando o desempenho da empresa está na média do setor ou do contexto mercadológico em que se insere.

É importante ressaltar que há duas abordagens de vantagem competitiva: uma em que se estima a vantagem competitiva examinando o desempenho contábil e outra que examina o desempenho econômico (BARNEY; HESTERLY, 2007). Apesar da diferença, os autores admitem que ambos os desempenhos (contábil e econômico) estão altamente correlacionados. Segundo Villalonga (2004), o desempenho empresarial é dito superior e sustentável de acordo com o grau em que os lucros extraordinários se mantêm de maneira persistente. Silva (2009) cita que há uma linha de pesquisa para estudar a persistência dos lucros extraordinários, voltada para as políticas públicas de proteção da concorrência. Tal linha de pesquisa teve

como origem os estudos de Brozen (1971) e Mueller (1977), que buscaram verificar empiricamente o alcance de resultados superiores aos da concorrência de forma persistente, ou seja, durante longo período.

Brozen (1971) justificou sua pesquisa, pois acreditava que os lucros anormais em um ponto particular no tempo ocorriam em virtude de algum fator extraordinário que estaria atuando em todas as empresas em um momento específico. Já Mueller (1977) utilizou um modelo determinístico, no qual a variável dependente era a taxa de lucro e o tempo era a variável independente. O autor constatou que para as empresas com lucros elevados, o coeficiente da variável do tempo decaía com o tempo, ao passo que empresas com lucros baixos apresentaram o coeficiente acrescido.

De acordo com Silva (2009), há duas principais perspectivas sobre as origens do desempenho empresarial: a visão da indústria e a visão da empresa. A primeira se refere ao alcance do desempenho por meio da estrutura de uma indústria, a partir das suas características, como a capacidade de diferenciação e a possibilidade de conluios entre competidores. Essa perspectiva é também conhecida como paradigma de SCP (structure, conduct and performance, ou estrutura, conduta e desempenho) (PORTER, 1980). Enquanto isso, a perspectiva da empresa contempla as habilidades, sorte ou compromisso como origens de desempenho superior empresarial (PENROSE, 1959). De acordo com essa dimensão, a estrutura industrial se considera um efeito transitório e secundário, de forma que não determina o desempenho, já que pode ser imitado ou buscado pela concorrência.

Conforme Peteraf (1993), a vantagem competitiva é alcançada sob quatro condições:

 Heterogeneidade entre as empresas: as capacidades diferenciadoras das empresas

podem ser fatores determinantes na competição em um mercado;

 Ex post limits to competition: sugere que após a conquista de uma posição diferenciada no mercado, obtendo retornos superiores e outras vantagens, as empresas adquirem forças que limitam a ação de seus competidores;

 Imperfect mobility: orienta que recursos são perfeitamente imóveis se não puderem ser comercializados. Enquanto isso há recursos imperfeitamente móveis, os quais podem ser negociados com um valor superior ao seu valor intrínseco. A imperfeição no mercado permite à empresa compradora, comprar recursos que poderão gerar ganhos acima da média;

 Ex ante limits to competition: antes de uma organização estabelecer uma posição diferenciada utilizando-se de uma fonte de recursos superiores, deva haver uma competição limitada ou ausência de competição por essa posição. O foco, portanto, é nos recursos das empresas.

A presente pesquisa adota a definição proposta por Peteraf (1993) e, adicionalmente, associa a conquista de desempenho financeiro superior e persistente à boa reputação corporativa, tendo em vista que as vantagens competitivas sustentáveis, ou desempenho superior e persistente podem estar relacionados ao diferencial de capacidade, que por sua vez, são também sinalizados por postura social e ambientalmente responsáveis por parte das empresas, que se constituem em uma boa reputação corporativa.

Para os fins desta pesquisa, pode-se afirmar que o desempenho superior sucede quando as empresas obtêm resultados acima da média da totalidade das empresas do mercado. Vale ressaltar que o interesse em alcançar o desempenho superior ao das outras empresas é uma realidade para todas as empresas inseridas no mercado competitivo globalizado. Contudo, auferir bons resultados sem sustentá-los e melhorá-los pode comprometer a continuidade empresarial (CARVALHO; KAYO; MARTIN, 2010). Adicionalmente admite- se que um dos fatores condicionantes desse desempenho superior e persistente é a boa reputação corporativa.