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Capítulo 3: Método

3.1. Desenho da pesquisa, campo e participantes

Na composição da pesquisa de campo, há uma divisão em duas etapas, visando que cada passo se desdobre no posterior, a fim de atingir o objetivo geral esperado.

Inicialmente foi realizado um mapeamento das Organizações Não Governamentais que estão desenvolvendo atividades educativas com crianças e adolescentes, a partir do contato com o Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente de João Pessoa (CMDCA). Foram fornecidos dados que apontam que, atualmente, 48 instituições estão com registro ativo, ou seja, com todos os documentos necessários para funcionar, podendo desenvolver ações voltadas para a defesa dos direitos das crianças e adolescentes

em situação de vulnerabilidade social e, dentre estas, 18 ONGS que estão desenvolvendo atividades especificamente na área da educação (CMDCA, 2015).

Dentre as 18 ONGS, foram selecionadas, para este estudo, 07 ONGs educacionais. O critério de seleção utilizado foi o da localização geográfica das ONGs, dando preferência as que estão localizadas em bairros que apresentam índices de exclusão, segundo dados da Topografia Social de João Pessoa (2009). Trata-se de uma pesquisa realizada pela Secretaria de Desenvolvimento Social do município, contendo uma análise da cidade, a partir da associação entre as condições de vida da população e os territórios, apresentando índices sociais, econômicos e culturais, quais sejam autonomia, desenvolvimento humano, equidade e qualidade, que constituíram o Mapa da Exclusão/Inclusão.

Assim, 10 ONGs foram identificadas em bairros com índices de exclusão no Mapa. Contudo, 07 ONGs consentiram em participar do estudo, estando localizadas em seis bairros da cidade, quais sejam Roger, Alto do Mateus, São José, Gramame, Ilha do Bispo e Planalto Boa Esperança.

Após a seleção das ONGs, a etapa seguinte da pesquisa foi a de conhecer as organizações e apresentar o estudo em questão. Assim, em novembro de 2015, foram realizadas visitas às ONGs, a fim de conhecer o/a coordenador/a pedagógico/a ou geral da instituição e dar início a fase de coleta dos dados. Nessa visita, foi apresentado o projeto desta pesquisa, enfatizando os objetivos e metodologia propostas. Em segunda visita a cada ONG, realizada nos meses de novembro e dezembro de 2015, foi obtido o consentimento por escrito das sete ONGs para a realização da coleta de campo.

O estudo de campo está dividido em duas etapas. A primeira fase contempla entrevistas semiestruturadas com os coordenadores ou pessoas responsáveis pelo setor pedagógico das ONGs e a análise de documentos pedagógicos referentes à missão e aos fundamentos do projeto pedagógico das organizações.

As entrevistas foram realizadas nos meses de abril e maio de 2016, a partir da elaboração de um roteiro, e com estas buscou-se identificar aspectos referentes aos conteúdos educativos, metodologias e resultados do trabalho; a formação e condições de trabalho dos profissionais; as dificuldades enfrentadas; e as concepções de infância e educação norteadoras das ações educativas. O áudio das entrevistas foi gravado mediante consentimento dos/das participantes.

A escolha pela modalidade de entrevista se deu em virtude de considerar este instrumento apropriado para obtenção de dados, a partir das falas dos participantes, acerca do cotidiano pedagógico e dos fundamentos teóricos que norteiam o trabalho da ONG. Os materiais coletados nas entrevistas, acrescido da análise dos documentos pedagógicos, se constituíram como importantes instrumentos para compreensão mais aprofundada deste tipo de trabalho que as ONGs vêm desenvolvendo.

Além disso, a entrevista permite que a própria pessoa possa relatar sobre o local em que está atuando e, no caso em questão, são os que estão trabalhando em ONGs falando sobre como entendem ou percebem as próprias ações que desenvolvem ou auxiliam a acontecer. Desta forma, há a possibilidade da reflexão do próprio sujeito participante sobre a realidade que ele vivencia, a partir do momento de diálogo estabelecido entre o entrevistado e o entrevistador (Minayo, 2010).

Com a análise dos Projetos Pedagógicos, contempla-se o estudo a respeito da missão da instituição e dos fundamentos político-pedagógicos prescritos e, com estes, visa- se obter uma compreensão mais ampla sobre os pressupostos que norteiam a atuação das ONGs.

Posteriormente, a primeira fase foi realizada uma segunda fase, nos meses de junho a agosto de 2016, referente à observações nos ambientes das organizações, visando conhecer os espaços educativos, como são trabalhados os conteúdos nas atividades e de

que forma participam as crianças e adolescentes. Tem-se que a técnica de observação visa aproximar-se dos interlocutores e interagir na realidade (Minayo, 2010) e esta foi fundamental como forma de complementar a primeira fase de coleta.

Para a realização dessa técnica, foi construído um roteiro prévio norteador das observações, que contemplou os seguintes aspectos: observação da estrutura física; acompanhar espaços pedagógicos (aula, oficina etc.); observação da interação do professor/educador/monitor com os educandos e da interação dos educandos entre si; ficar atenta para a fala dos educandos sobre a ONG (caso apareça); observação da metodologia utilizada pelo professor na atividade; acompanhar outros espaços das crianças e adolescentes que não sejam em uma atividade pedagógica (hora do lanche, momento de brincar, etc.).

Em cada ONG pesquisada, foi pedido para que os/as coordenadores/as indicassem alguns espaços educativos que pudessem ser observados e em todas as organizações foram definidas datas em que poderiam acontecer as observações. Nas organizações, foram realizadas coletas de um a dois dias, momentos em que foi possível participar tanto das atividades pedagógicas desenvolvidas com as crianças e adolescentes, como outros espaços, como a hora do lanche, o momento de acolhimento dos educandos e da saída dos mesmos. As observações foram registradas em diário de campo, instrumento que visa delinear anotações, comentários e reflexões detalhadamente sobre o que é visto e vivenciado.

Na pesquisa de campo, foram tomados os devidos cuidados éticos, com aprovação desta pesquisa no Comitê de Ética da UFRN, parecer número 1.489.068 e no caso das entrevistas foi assegurado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.