A Lei 9.279/96 (art. 95) traz o conceito de desenho industrial como sendo a forma plástica ornamental de um objeto ou ainda um conjunto ornamental de linhas e cores que, quando aplicado a um produto, proporciona resultado visual novo e original na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial (BRASIL, 1996). Desse modo, o que difere os desenhos industriais das obras de arte protegidas pelo direito autoral, além de pertencerem a registros jurídicos distintos, é que o desenho industrial, por estar inserido em um produto, possui uma função estética mas também utilitária, ainda que mínima, enquanto as obras literárias e artísticas tem finalidade exclusivamente estética. (CRUZ, 2019).
O registro de desenho industrial confere ao titular a propriedade da criação, com o benefício de exploração exclusiva, podendo receber ativos financeiros da cessão de seus direitos e da indenização pelo uso indevido. Além disso, incentiva a concorrência legal e a criatividade do setor produtivo, propiciando produtos esteticamente mais atraentes e mais diversificados
(WIPO, 2019). Para ser contemplado com o registro de desenho industrial, o objeto deve possuir três requisitos essenciais: novidade, originalidade e servir de tipo de fabricação industrial.
De acordo com a legislação em comento (art. 96) a novidade constitui a necessidade de não estar compreendido no estado da técnica. Por sua vez, estado da técnica refere-se a tudo aquilo tornado acessível ao público antes da data de depósito do pedido. Importante salientar que a lei brasileira prevê um período de graça, que compreende o período de 180 dias contados da divulgação para fazer o registro, desde que tenha sido feita pelo titular ou por pessoa autorizada. O objetivo é proteger criações que tenham sido expostas em eventos, feiras e congressos antes do seu registro. Contudo, a prática pode impedir o registro em países estrangeiros que não admitem a divulgação prévia de nenhuma forma. (WIPO, 2019). Portanto, o requisito de novidade tem uma flexibilização em determinados casos, considerando como novas as criações que houverem sido divulgadas em até 180 dias anteriores a data do depósito ou a da prioridade reivindicada.
Para que um desenho industrial seja considerado original é necessário que resulte em uma configuração visual distintiva de outros anteriores, podendo, entretanto, utilizar combinações de elementos conhecidos. Ademais, a industriabilidade é a condição de o desenho industrial ser passível de ser produzido ou utilizado pela indústria (DAMIAN, 2015).
Assim como as outras formas de proteção, o desenho industrial também possui proibições que negam o registro, como é o caso de formas contrárias à moral e aos bons costumes, que ofenda a honra ou imagem de outras pessoas, como também imagens com caráter puramente artístico, que não podem ser industrializadas em grande escala por causa de sua individualidade, protegidas pelo direito autoral.
No que tange à legitimidade para requerer o registro, aplicam-se ao desenho industrial as mesmas disposições legais estabelecidas para a à obtenção da patente (art. 94 e § único, LPI), como segue:
Art. 6º Ao autor de invenção ou modelo de utilidade será assegurado o direito de obter a patente que lhe garanta a propriedade, nas condições estabelecidas nesta Lei. § 1º Salvo prova em contrário, presume-se o requerente legitimado a obter a patente. § 2º A patente poderá ser requerida em nome próprio, pelos herdeiros ou sucessores do autor, pelo cessionário ou por aquele a quem a lei ou o contrato de trabalho ou de prestação de serviços determinar que pertença a titularidade.
§ 3º Quando se tratar de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas, a patente poderá ser requerida por todas ou qualquer delas, mediante nomeação e qualificação das demais, para ressalva dos respectivos direitos.
§ 4º O inventor será nomeado e qualificado, podendo requerer a não divulgação de sua nomeação.
Art. 7º Se dois ou mais autores tiverem realizado a mesma invenção ou modelo de utilidade, de forma independente, o direito de obter patente será assegurado àquele que provar o depósito mais antigo, independentemente das datas de invenção ou criação.
Parágrafo único. A retirada de depósito anterior sem produção de qualquer efeito dará prioridade ao depósito imediatamente posterior. (BRASIL, 1996).
O pedido de registro deverá ser endereçado ao INPI com os seguintes documentos: requerimento, relatório descritivo (se for o caso), reinvindicações (se for o caso), desenhos ou fotografias, campo de aplicação do objeto e comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito, todos em língua portuguesa. Apresentado o pedido, será feita uma análise formal preliminar e, se estiver devidamente instruído, será protocolizado, considerando a data do depósito a da sua apresentação. Caso o pedido não esteja conforme os requisitos exigidos, mas contiver dados suficientes relativos ao depositante, ao desenho industrial e ao autor será concedido prazo extra de 5 (cinco) dias para que forneça as devidas correções. De acordo com a Lei 9.279/96, o pedido de registro se destina a apenas a um único objeto, admitindo, entretanto, uma pluralidade de variações, desde que se destinem ao mesmo propósito e guardem entre si a mesma característica distintiva preponderante, limitado cada pedido ao máximo de 20 (vinte) variações. Após deferido o pedido pelo INPI, será automaticamente publicado e simultaneamente concedido o registro, expedindo-se o respectivo certificado. (BRASIL, 1996). O certificado de registro de desenho industrial possui vigência de 10 (dez) anos, contados da data do depósito, prorrogável por até três períodos sucessivos de 5 (cinco) anos cada. Sendo que, o pedido de prorrogação deverá ser feito durante o último ano de vigência do registro, caso não o faça, terá um prazo extra de 180 (cento e oitenta) dias para o fazer, porém mediante o pagamento de retribuição adicional. Existe ainda a chamada retribuição quinquenal, que sujeita o titular ao pagamento de uma taxa para manter o registro, o primeiro será feito ao final do segundo quinquênio, ou seja, durante o 5º (quinto) ano da vigência do registro. As demais retribuições serão feitas junto com o pedido de prorrogação, ou ainda, dentro dos 6 (seis) meses subsequentes, mediante pagamento de taxa adicional. (BRASIL, 1996).
Assim como o registro de marcas, o registro de desenho industrial também poderá ser extinto por nulidade, caso comprovado que foi concedido em desacordo com as disposições legais. O processo administrativo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 5 (cinco) anos contados da concessão do registro. Caso seja iniciado em até 60 (sessenta) dias da concessão, haverá
ainda a suspensão da concessão do registro. O titular será intimado a apresentar manifestação em até 60 (sessenta) dias contados da data da publicação. Posteriormente, independente de manifestação, o INPI emitirá um parecer, intimando o titular e o requerente para se manifestarem no prazo comum de 60 (sessenta) dias. Após decorrido o prazo, o processo será decidido pelo Presidente do INPI, encerrando-se a instância administrativa. Importante salientar que referido processo administrativo prosseguirá mesmo que o registro seja extinto. (BRASIL, 1996).
Além da via administrativa, poderá ser utilizada a via judicial para declarar a nulidade do registro, utilizando-se o mesmo procedimento legal estabelecido para a nulidade da carta patente (arts. 56 e 57, LPI), como segue:
Art. 56. A ação de nulidade poderá ser proposta a qualquer tempo da vigência da patente, pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo interesse.
§ 1º A nulidade da patente poderá ser erguida, a qualquer tempo, como matéria de defesa.
§ 2º O juiz poderá, preventiva ou incidentalmente, determinar a suspensão dos efeitos da patente, atendidos os requisitos processuais próprios.
Art. 57. A ação de nulidade de patente será ajuizada no foro da Justiça Federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito.
§ 1º O prazo para resposta do réu titular da patente será de 60 (sessenta) dias. § 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará anotação, para ciência de terceiros. (BRASIL, 1996).
A extinção poderá ocorrer por expiração do prazo de vigência, renúncia de seu titular (ressalvado o direito de terceiros), falta de pagamento da retribuição e inobservância do disposto legal (arts. 119, 120 e 217, LPI)