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Desenho da Rede do CI com centralidade dos nodos separados em escalas:

AGENDA DE PROTESTOS DOS ATORES DO FSM

DIAGRAMA 7: Desenho da Rede do CI com centralidade dos nodos separados em escalas:

Com base no esquema analítico sugerido por Anheier e Katz e, observando tal Diagrama percebe-se que quanto mais central é o nodo na rede da qual ele participa, maior é a sua capacidade de influenciar os outros nodos que a ele estão ligados (tanto direta quanto indiretamente). Assim, através de sua influência, esses atores podem influenciar na definição de temas, assuntos e até agendas interessantes na rede, variando também de acordo com seus interesses políticos particulares.

Com base na classificação em “organizações mais centrais e mais periféricas” que os autores sugerem, pensou-se em explorar a rede do FSM de acordo com tal classificação188, que foi expandida em “Organizações centrais” que são aquelas que ocupam uma posição central na rede, e que, conforme observado, em geral, são “organizações guarda-chuva”189, como muitas das listadas e apontadas na imagem:

1) AIDC;

2) Focus on the Global South; 3) IFG;

4) ATTAC; 5) CADTM; 6) Social Watch;

7) OneWorld.

Tal centralidade, por sua vez, é dada pela capacidade que uma dada organização tem de melhor orientar e solidificar as relações que mantém com outras organizações a ela conectadas, e não necessariamente pelo caráter “guarda-chuva” que uma organização pode ter.

Uma segunda classificação, diz respeito às organizações “semi periféricas”, que são consideradas aqui como organizações muitas vezes internacionais que trabalham com uma agenda temática mais restrita e com menor parceria que as “guarda-chuva”. Na imagem foram identificadas as organizações:

8) World Marches of Women (WMW); 9) TNI;

10) Narmada; 12) 50 years is enough;

13) International Gender and Trade Network (IGTN);

188No ANEXO VI está disponível um perfil das organizações listadas.

189Conforme Della Porta e Diani (1999), as organizações guarda-chuva são criadas por organizações cujos núcleos e

objetivos são específicos. Emergem geralmente em períodos onde a necessidade de partilhamento de recursos, identidade e conectividade entre seus membros se faz presente, recursos que permite que tais organizações se sustenham por maior período de tempo.

14) Corpwatch; 15) FOE;

16) Centre Tricontinental (CETRI);

17) Centre de Etudes et d Initiatives de Solidarité Internacionale (CEDETIM); 21) CEDAR.

Por fim, foram abordadas as organizações “periféricas”, definidas como organizações cujo raio de ação raramente ultrapassa seus países vizinhos, e um conjunto que se chamou de “local”, que são tanto organizações que transitam por várias temáticas, como aquelas que trabalham localmente com temáticas restritas. São elas:

18) Rede Latino americana e caribenha de mulheres; 19) Rede de socioeconomia solidária;

20) IBASE; 22) MST; 23) Jubilee South;

11) Agência Latino-americana de Informação (ALAI); 24) Congress of South African Trade Unions (COSATU);

25) CUT;

26) Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS); 27) Confederação Mundial do Trabalho (CMT) e

28) Grito dos Excluídos.

Tais classificações informam sobre um sistema complexo de organização estabelecido a partir da lógica das redes sociais. Sistema que parece estar sendo orquestrado pelo “capital social” o qual pode, certamente, ser associado à centralidade nas relações que algumas organizações possuem no interior da rede. Centralidade que as tornam detentoras de certo “poder” sobre os nodos que a elas se ligam.

Analisando a rede do FSM segundo o capital social, este capital pode estar ligado tanto às agendas temáticas dessas organizações, como ao local aonde atuam e que podem estar diretamente associados às parcerias que estabelecem. Por exemplo, no caso da rede do CO, as ONGs IBASE, CJG e o MST são grupos brasileiros com expressão e participação em redes internacionais. O MST participa de uma rede vinculada a movimentos campesinos e de reforma agrária, como o Via Campesina e CLOC (Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo), Comissão Pastoral da Terra, CUT, etc.

como as ONGs One World, 50 Years is Enough, Focus on the Global South, dentre outras, detém grande influência sobre as demais variando segundo temática abordada, como por exemplo: coalizão REPEM/FDIM (Red de Educación Popular Entre Mujeres – América Latina/ Federação Democrática Internacional das Mulheres) na abordagem das temáticas referentes ao sexismo e gênero; MST/Via Campesina com relação aos temas de reforma agrária; FOE/GREENPEACE tratando da temática ambiental, etc. Muitas dessas grandes e densas redes são coalizões antigas e cujos trabalhos atuais são muitas vezes frutos e continuidade de seus laços estabelecidos no passado.

Em outra esfera, que não contemplada pela rede do CI é possível perceber que essas grandes organizações também possuem laços com grandes agências internacionais como a ONU, OXFAM, COSATU (Congress of South African Trade Unions), AFL-CIO (American Federation of Labor - Congress of Industrial Organizations), dentre outros.

Nesse sentido, a questão do “capital social” detido por essas organizações centrais revela- se através da credibilidade que essas organizações detêm e que as tornam aptas a exercer o papel agregador e coordenador que demonstram exercer190.

Com base nas leituras realizadas e nas hipóteses levantadas, é possível pensar no fator regionalismo ou temático como fatores associativos dessas estruturas locais, sendo responsáveis pela formação de pequenas redes (compostas por díades ou tríades) dentro de uma rede maior191.

A partir da hipótese de que as organizações se unem em redes transnacionais em busca da defesa de determinados temas192, possibilitando a transferência de informações e conhecimentos entre si, é possível enxergar as disparidades nas conexões, como uma possível configuração hierárquica no interior da rede, ou mesmo como uma tendência temática específica, tal como se procurará mostrar na seqüência.

O que, por um lado, parece ser a configuração de sub-redes dentro das redes do CO e CI, acredita-se tratar-se de agrupamentos formados por interesses em determinadas temáticas ou mesmo em ações locais.

Conhecendo, portanto, que em um modelo organizacional baseado em “assembléias” como

190Pesquisas como a da ONG CIVICUS tem procurado traçar um perfil de confiabilidade das organizações do Norte e

algumas do Sul, contudo, tal pesquisa ainda não está concluída, mas, alguns dados já se encontram disponíveis no site:http://www.civicusbeta.org/csi/phase-one/csi-phase1-indicator

database?07c23fc490fb56da28db023ad7e04d9d=c36c2eba88b4f4808ab77c412050bf15

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As conexões que esses atores estabelecem também são reveladoras dos “fluxos”. Os fluxos são as formas de ligações que compõem essas redes. Por isso, aparecem como os responsáveis pelas novas formas de se obter parcerias, organização e flexibilização frente ao grupo na medida em que lhes possibilita “trocas” informacionais.

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Outra maneira de olhar para estas redes é pensar em suas estruturas locais, onde é possível ver díades (conjuntos de dois atores) e tríades (conjuntos de três atores). Nesses pequenos agrupamentos de nodos, percebe-se a existência de maior centralidade, transmissão de fluxos de informação e potencial coesão do grupo devido a algum fator simbólico chave que possibilitou que isso acontecesse.

é o caso do FSM, a possibilidade de decisões unânimes sobre uma determinada temática é quase nula uma vez que o poder de veto das organizações que participam desses conselhos é alto, é possível pensar na necessidade da realização de acordos, mesmo que mínimos, e baseados na capacidade de pressão que determinadas organizações exercem sobre outras, como um dos fatores preponderantes para se observar formações de pequenos sub-grupos dentro do grande conselho do FSM. Assim, o que por um lado parece ser uma “questão de ordem” interna, por outro, pode parecer um padrão de desfragmentação nas conexões entre os membros que compõem as redes, formando grandes agrupamentos em torno de poucas organizações. Tais conexões são, por sua vez, interpretadas como a presença de relações de poder193 entre seus membros, as quais também podem ser frutos de sólidas redes baseadas em um padrão transnacional de comunicação existente e há muito utilizado entre os movimentos antiglobalização.

Digitalmente, é possível pensar que essas redes cumprem o papel “rizomático”194 de emergirem constantemente e trabalharem juntas como numa “colméia”. No entanto, o que é contraditório nessas práticas, conforme Juris (2005) é que dentro dessas complexas relações existe um “jogo de poder”, o qual foi observado pelo citado autor através de longa pesquisa etnográfica entre os ativistas de Gênova e que também pode ser confirmado por Players (2004) acerca da rede do CO de que,

It may be dangerous (...) allowing certain leaders to gain a great deal of influence (...) Power is at stake in multiple ways at a Forum, whether in terms of being able to attend a workshop, the visibility of an association or of a topic, the names and tendencies of speakers, the frequency and location of forums or the exclusion of certain groups (...) Moreover, much power is held by the small number of organisers with agenda-setting functions: many topics, though crucial, are not addressed and others are postponed from one meeting to the next, such as the expansion of the International Council (PLAYERS, 2004, p.513).

Por fim, somadas às análises, tais assertivas sugerem a presença de “hierarquias implícitas” e de relações de força e disputa entre os sujeitos responsáveis pela organização dos FSMs. No entanto, não se acredita que tais relações partam de um único membro ou grupo tal como Anheier e Katz (2005) postulam, acredita-se na existência de múltiplos encabeçamentos como forma alternativa através da qual a rede do FSM consegue manter-se neutra e em diálogo com os vários estratos da Globalização.

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Relações que seriam inadmissíveis no FSM (como está discriminado na Carta de Princípios do FSM e, que podem estar acontecendo entre os membros do CO e CI na hora de organizar o Fórum).