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Acessibilidade e o Desenho Universal

2.2 Desenho Universal

2.2.1 Breve Histórico

Essa forma de pensar o projeto dos edifícios, das cidades e dos produtos que atendam a um universo mais amplo de pessoas originou-se nos Estados Unidos, como consequência de um processo de mudanças demográficas, legislativas, econômicas e sociais associadas aos idosos e pessoas com deficiência (pós 2ª guerra mundial), no século XX (STORY, 1998, p.7).

No início do século passado, a sociedade americana apresentava um número reduzido de pessoas com deficiência e idosos, que possuíam uma baixa expectativa de vida. Com os avanços da medicina e melhorias no saneamento, esse quadro começou a ser alterado, através da ampliação da média de vida e consequentemente aumento da representação desses grupos no país.

Essas transformações demográficas impactaram significativamente nas legislações desse país, principalmente entre as décadas de 70 e 90. Nesse período foram desenvolvidas leis contra a discriminação das pessoas com deficiência, buscando assegurar-lhes acesso à educação, emprego, locais públicos, transporte, enfim, de

proporcionar condições igualitárias para o desempenho das atividades na sociedade (STORY, 1998, p. 7-8).

Nesse processo de inclusão das pessoas com deficiência, as barreiras físicas foram identificadas como um entrave para a realização das atividades, culminando em uma legislação federal que apontasse para os requisitos técnicos mínimos para a acessibilidade.

Com o passar do tempo os arquitetos começaram a reconhecer que muitas das benfeitorias feitas no ambiente para atender às pessoas com deficiência também contribuíam para outros usuários e essas soluções poderiam ser mais funcionais, seguras, atraentes e vendáveis. Essas constatações acabaram formando a base para o movimento do Desenho Universal (STORY, 1998, p.11).

Esse modo de pensar os projetos visando atender a um universo mais amplo de usuários levou na década de 90, investigações mais aprofundadas entre os docentes e pesquisadores da Universidade do Estado da Carolina do Norte (North Carolina State

University), os quais se podem citar: Bettye Rose Connell, Mike Jones, Ronald L. Mace16 (Ron Mace), Jim Mueller, Abir Mullick, Elaine Ostroff, Jon Sanford, Ed Steinfeld, Molly Story e Gregg Vanderheidenentre.

Esses profissionais propuseram sete princípios que se constituem como denominadores comuns em projetos que visem atender as pessoas com ou sem restrições de mobilidade, conforme se observa abaixo:

De 1994 a 1997, o Centro para o Projeto Universal realizou um projeto de pesquisa e demonstração financiado pelo Departamento do Instituto Nacional de Pesquisa sobre Deficiência e Rehabilitação do Departamento de Educação dos EUA (NIDRR) [Departament of Education's National Institute on Disability and Rehabilitation Research (NIDRR)] dos EUA. O projeto foi intitulado "Estudos para promover o desenvolvimento do Desenho Universal" (projeto n°. H133A40006). Uma das atividades do projeto foi desenvolver um conjunto de diretrizes de projetos universais. Os princípios decorrentes do Desenho Universal foram os seguintes:

Princípio 1. Uso Igualitário Princípio 2. Flexibilidade no Uso

16 Ron Mace foi fundador e diretor do Centro de Desenho Universal (The Center for Universal Design) da Escola de Design da Universidade do Estado da Carolina do Norte (North Carolina State University). Disponível em <http://www.ncsu.edu/ncsu/design/cud/about_us/usronmace.htm>. Acesso em: 17 jun. 2013.

Princípio 3. Uso simples e intuitivo Princípio 4. Informação perceptível Princípio 5. Tolerância ao erro Princípio 6. Baixo esforço físico

Princípio 7. Tamanho e espaço para aproximação e uso. (STORY, 2011, p.4.4, tradução nossa17).

Estes princípios têm sido adotados até hoje em projetos arquitetônicos e urbanísticos focados no Desenho Universal.

2.2.2 Seus Princípios e Aplicações

2.2.2.1 Princípio 1: Uso Igualitário

Segundo os pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte anteriormente citados, o projeto deve ser “útil e comercializável para pessoas com diferentes

habilidades”. E para tanto, precisam atender a quatro diretrizes:

1a. Fornecer os mesmos meios de uso para todos os usuários: idêntico quando possível, equivalente quando não.

1b. Evitar segregar ou estigmatizar quaisquer usuários.

1c. Tornar os mecanismos de privacidade, proteção e segurança igualmente disponíveis para todos os usuários.

1d. Fazer o desenho atraente para todos os usuários (STORY, 1998, p.35, tradução nossa18).

Essas quatro diretrizes orientam os projetistas de ambientes e produtos a atender o primeiro princípio, cabendo uma exemplificação desses itens.

17

From 1994 to 1997, the Center for Universal Design conducted a research and demonstration project funded by the U.S. Departament of Education's National Institute on Disability and Rehabilitation Research (NIDRR). The project was titled "Studies to Further the Development of Universal Design" (project n. H133A40006). One of the activities of the project was to develop a set of universal design guidelines. The resulting Principles of Universal Design were as follows: Principle 1: Equitable Use; Principle 2: Flexibility in Use; Principle 3: Simple and Intuitive Use; Principle 4: Perceptible Information; Principle 5: Tolerance for Error; Principle 6: Low Physical Effort; Principle 7: Size and Space for Approach and Use. (STORY, 2011, p.4.4).

18

PRINCIPLE ONE: Equitable Use

The design is useful and marketable to people with diverse abilities.

Guidelines: 1a. Provide the same means of use for all users: identical whenever possible; equivalent when not; 1b. Avoid segregating or stigmatizing any users; 1c. Make provisions for privacy, security, and safety equally available to all users;1d. Make the design appealing to all users (STORY, 1998, p.35).

1 a. Fornecer os mesmos meios de uso para todos os usuários: idêntico quando possível, equivalente quando não.

A figura 3 exemplifica essa diretriz, na medida em que os telefones públicos do Aeroporto Internacional de Guarulhos foram instalados em duas alturas diferentes, oferecendo opções de uso equivalentes. Vale destacar também que o equipamento telefônico localizado ao fundo, possui um aparelho adicional19 (peça em azul) que permite a transmissão de informações textuais, contribuindo com a comunicação de pessoas com dificuldade na fala, audição e surdez.

Figura 3: Conjunto de telefones públicos localizados no Aeroporto Internacional de Guarulhos - SP.

Fonte: Renata Lima de Mello – acervo pessoal, São Paulo, 2013.

1 b. Evitar segregar ou estigmatizar quaisquer usuários.

Outro exemplo desse princípio e que ilustra o item “1b” (Fig. 4) também pode ser encontrado nesse mesmo Aeroporto de Guarulhos, onde há uma situação em que se associam três formas de deslocamento vertical (elevador, escada rolante e escada fixa). Essas opções distintas de circulação que conectam os pavimentos encontram-se no mesmo local, permitindo aos usuários escolher a partir das suas preferências e habilidades, sem segregar.

19

Figura 4: Formas de deslocamento vertical localizados no Aeroporto Internacional de Guarulhos - SP.

Fonte: Renata Lima de Mello – acervo pessoal, São Paulo, 2010.

1 c. Tornar os mecanismos de privacidade, proteção e segurança igualmente

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