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2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1. DESENHO UNIVERSAL

2.1.2. DESENHO UNIVERSAL NO BRASIL

consolidando normas de proteção e outras providências. As disposições constam da Lei no 7.853 de 24 de outubro de 1989. O Decreto no. 3.298 de 20 de dezembro de 1999 regulamenta a lei acima descrita e define o conjunto de orientações normativas que objetivam assegurar o pleno exercício dos diretos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência. Também classifica as diversas deficiências existentes em categorias de acordo com o grau de comprometimento da função física; estabelece princípios e diretrizes para a Política Nacional, promove a equiparação de oportunidades; acesso à educação e ao trabalho; habilitação e reabilitação profissional; entre outras questões dos Direitos Humanos (CORDE, 2005).

Mais recentemente o Decreto nº 5.296 DE 02 de dezembro de 2004, regulamenta a Lei no 10.048, de 08 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e a Lei no. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

No setor da construção civil existem normas brasileiras que tratam da questão da acessibilidade plena para pessoas com deficiência ou com dificuldade de locomoção, como é o caso da NBR 9050 – Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos; a NBR 13994 – Elevadores de passageiros – elevadores para transporte de pessoa portadora de deficiência e a NBR 12892 – Projeto, fabricação e instalação de elevador unifamiliar. (ABNT, 2004, 2000). Nota-se que a Norma NBR 9050 não trata apenas do acesso para pessoas com deficiência, mas de todo e qualquer acesso à edificação, estendido a pessoas com locomoção temporariamente reduzida, idosos, gestantes e à população em geral.

premissa fundamental para a construção de novas edificações. O Desenho Universal deve ser entendido como parte integrante da concepção do projeto de edificações e não como mera adaptação.

Existe no Brasil, até a presente data, um único edifício considerado modelo em acessibilidade. Trata-se de uma construção não residencial, o Edifício Sede da Serasa, que recebeu a Certificação NBR 9050/2004, concedida pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini. Esta certificação está baseada na Norma Brasileira NBR9050/2004 que estabelece condições para a acessibilidade em edifícios, equipamentos e mobiliário. O Edifício da Serasa localiza-se à Alameda dos Quinimuras, no 187, na cidade de São Paulo – SP. Foi realizado um projeto de ampliação em um edifício preexistente, que totalizou em um conjunto de edificações com 20.000 m2. O projeto arquitetônico é de autoria do arquiteto Edo Rocha, da Edo Rocha Espaços Corporativos, e foi elaborado no período de janeiro a dezembro de 2000. A obra iniciou-se em maio de 2001 e finalizou em agosto de 2002.

Segundo entrevista realizada com profissionais dos Departamentos de Assessoria da Qualidade, Segurança do Trabalho e Gerência Corporativa de Recursos Operacionais da Serasa, há mais de 20 anos a empresa já contava com o trabalho de pessoas portadoras de deficiência e a filosofia empresarial sempre foi a de abrir espaços para estas pessoas, de acordo com suas habilidades ou formações profissionais. Na oportunidade de ampliação da área construída a empresa solicitou um projeto que adotasse as premissas da acessibilidade em todas as suas áreas e atendesse plenamente a todos os funcionários. A garantia das condições de acesso às pessoas com deficiência foi o que assegurou a empresa receber do Instituto Carlos Alberto Vanzolini a Certificação Voluntária NBR9050/2004, atendendo em 100% aos requisitos da Norma NBR 9050:2004 (o Instituto Vanzolini é uma entidade sem fins lucrativos, criada, mantida e gerida pelos professores do Departamento de Engenharia

Uma característica que merece destaque sobre a legislação dos direitos das pessoas com deficiência é que ela está em constante modificação sendo que desde a implantação da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência vem-se procurando adequar as necessidades atuais à promoção da cidadania. O Projeto de Lei N. 640, do ano de 2003, elaborado por uma COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA, propõe a alteração da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, para acrescentar normas de acessibilidade das pessoas com deficiência em hotéis, bares, restaurantes e estabelecimentos similares. A Emenda Substitutiva aponta uma nova redação para o artigo 12-A: “Os hotéis e similares devem manter 10% dos apartamentos e respectivas instalações sanitárias acessíveis às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida”. Neste projeto de lei é citada a importância da acessibilidade no uso de elevadores por pessoa com deficiência visual e a necessidade de aparelho telefônico adaptado para o deficiente auditivo.

Embora o acesso seja muito discutido na esfera pública de uma edificação, o projeto residencial não pode colocar-se na deriva destas atribuições. Tão importante quanto em um ambiente público, o conforto funcional (incluindo a acessibilidade) apresenta-se imprescindível em um edifício estritamente privado. Analisando o déficit habitacional existente no Brasil, sabe-se que arquitetos, projetistas e engenheiros devem ter muito a contribuir para que projetos de edificações sejam verdadeiramente inclusivos.

A Lei Federal 10.098/2000 na seção que trata da acessibilidade nos edifícios de uso privado estabelece a obrigatoriedade de instalação de elevadores e garantia de percurso acessível que una as unidades habitacionais ao seu exterior. Concede ao órgão federal responsável pela política habitacional a regulamentação de reserva percentual do total de habitações de interesse social, conforme a característica da população local, destinado a

suprir a demanda de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Os projetos devem adotar tipologias construtivas livres de barreiras arquitetônicas e urbanísticas, constando unidades multifamiliares acessíveis no piso térreo e passível de adaptação nos demais pisos, incluindo a elaboração de especificações técnicas que facilitem a instalação futura de equipamentos adaptados às pessoas deficientes ou com mobilidade reduzida, como por exemplo, prever no espaço físico projetado a instalação de elevador. Esta lei também prevê a execução de partes de uso comum executadas conforme as normas técnicas de acessibilidade da ABNT.

No âmbito estadual o governo do Estado de São Paulo estabeleceu, em 1992, um decreto prevendo a reserva de 3% do total de unidades habitacionais de empreendimentos de interesse social, destinado aos deficientes físicos e com recomendação de locar tais unidades próximas aos pontos de comércio, serviços e transporte coletivo (Decreto no. 31.601, 1992).

A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, lançou no ano de 2005, através da Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida – SEPED, os selos de "Habitação Universal" e "Habitação Visitável", incentivando à construção e adaptação de imóveis com espaços para circulação de pessoas com deficiência (SEPED, 2005). Esta ação foi idealizada pela Secretaria da Pessoa com Deficiência e contou com apoio do Instituto Brasil Acessível, com o objetivo de gerar e incentivar políticas de acesso e uso de edificações e espaços independente das limitações físicas de seus usuários.

Os selos foram criados por meio do Decreto Municipal 45.990/05 e visam certificar imóveis que possibilitem acesso pleno ou parcial de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Para a certificação da Habitação Universal a residência deve permitir o acesso e

escadas, rampas, equipamentos eletromecânicos e estacionamento por pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, permitindo ainda adaptações para ajudas técnicas (possibilidade de instalação de barras de apoio, por exemplo) sem alterações estruturais. A Habitação Visitável deve permitir pelo menos o acesso à edificação, à sala, cozinha e utilização de um sanitário por pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Foram estabelecidos os seguintes parâmetros para a emissão do Selo de Habitação:

Acesso à unidade habitacional: desde a calçada, não deverá ter desníveis abruptos e caso existam, sejam vencidos através de rampas com inclinação máxima de 8,33%, bem como plataformas, elevadores e mecanismos que permitam a pessoa com deficiência e mobilidade reduzida adentrar ao imóvel, tanto do logradouro público como do estacionamento, observando o previsto na NBR 9050 e Resoluções da Comissão Permanente da Acessibilidade (CPA).

Halls e corredores de comunicação com dimensão mínima de 0,80m; desníveis da soleira das portas não superiores a 0,005m o entre 0,005 e 0,015; larguras dos corredores não inferiores a 0,90m; altura das maçanetas e comandos e controles entre 0,40m e 1,20m.

Salas deverão permitir um giro de 180º de uma pessoa em cadeira de rodas.

Cozinha e área de serviço deverão garantir a condição de circulação, aproximação e alcance das mãos aos eletrodomésticos e pia. O piso deverá ser antiderrapante.

Quartos com dimensões adequadas e com uma faixa livre mínima de circulação interna de 0,90 m de largura, prevendo área de manobras para o acesso ao sanitário, camas e armários. Deve haver pelo menos uma área com diâmetro de no mínimo 1,50 m que possibilite um giro de 360º de uma pessoa em cadeira de rodas.

Instalações sanitárias devem permitir pelo menos uma área livre com diâmetro de no mínimo 1,50 m, que possibilite um giro de 360º e permitir o uso do vaso sanitário e chuveiro e permitir a aproximação ao lavatório.

Estacionamentos e garagens devem permitir uma faixa livre de 1,20m e ter um percurso acessível até a habitação, com elevadores em caso de edifícios.

Alarmes e interfones deverão estar localizados entre as alturas de 0,40m a 1,20m do piso.

O Decreto nº 5.296 de 02 de dezembro de 2004 especifica na Seção III, parágrafo 28, as normativas para o cumprimento da acessibilidade na habitação de interesse social. As habitações devem assegurar as condições de acessibilidade nos seguintes quesitos (CORDE, 2005):

definição de projetos e adoção de tipologias construtivas livres de barreiras arquitetônicas e urbanísticas;

execução das unidades habitacionais acessíveis no piso térreo e acessíveis ou adaptáveis quando nos demais pisos (no caso de edificação multifamiliar);

execução das partes de uso comum, quando se tratar de edificação multifamiliar, conforme as normas técnicas de acessibilidade da ABNT;

elaboração de especificações técnicas de projeto que facilite a instalação de elevador adaptado para uso das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

instituído pelo Decreto Municipal no. 37.649/98 com exigências relativas à adaptação de edificações que se enquadrem nas Leis Municipais 11.345/93, 11.424/93 e 12.815/99 e nos Decretos Municipais 37.648/98 e 38.443/99. Tais edificações são aquelas que são destinadas aos locais de reuniões com capacidade superior a 100 pessoas e destinadas a grandes eventos; locais com capacidade superior a 600 pessoas e destinada a serviços, e ainda cinema, teatros casas de espetáculos e estabelecimentos bancários, independente da capacidade de lotação (CPA, 2005).

Além do cumprimento das especificações contidas em Leis e Decretos das instituições competentes, uma habitação acessível deve assegurar aos seus ocupantes uma vivência segura e confortável do ponto de vista ambiental. Os fatores relacionados com a autonomia de acesso das áreas externas até às áreas internas conferem ao usuário a capacidade de uma vida saudável, respeitando os seus próprios limites físicos. As áreas destinadas à circulação coletiva merecem uma atenção especial, pois devem considerar os diversos tipos de usuários em diversas situações (sozinho, acompanhado, em situação de pânico e /ou emergência, em cadeira de rodas, portando muletas, macas, bengalas ou cão guia).

Também o ambiente interno da residência deve considerar o modo de vida de seus usuários e o projetista deve entender que a habitação de interesse social, por exemplo, muitas vezes é a única residência que acompanha o morador ao longo de toda a sua vida. O desafio é projetar espaços que acompanhem o envelhecimento do indivíduo, quando novas e imprescindíveis necessidades virão a ocorrer. Isto justifica a ampliação do conceito de edificação acessível, onde a acessibilidade não se restringe a pessoas com alguma deficiência. O ciclo de vida de uma pessoa apresenta situações que colocam as capacidades humanas muitas vezes em situações de risco e evitar acidentes decorrentes de um projeto mal concebido e/ou executado contribui para a longevidade deste usuário.

O projeto executivo de uma habitação acessível é aquele que, além de cumprir todas as normas construtivas, considera a diversidade de usuários como fundamento para o programa de necessidades arquitetônico. Entender que o ambiente arquitetônico pode oferecer ao seu usuário não apenas as medidas mínimas em assuntos relacionados à funcionalidade, mas trabalhar de forma efetiva o impacto que o conforto do ambiente gera nas atividades deste usuário, oferecendo uma edificação digna de uma vivência saudável e segura. É preciso gerar a conscientização da necessidade de projetar espaços generosos em suas atribuições espaciais, funcionais e estéticas.

2.1.3. AVALIAÇÃO DA ACESSIBILIDADE NO PROCESSO DE PROJETO E NA

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