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Desenhos para execução de armaduras

No documento Concreto Armado (páginas 34-43)

2.2 Classes de Concreto

3.3.3 Desenhos para execução de armaduras

Os desenhos para execução de armaduras devem conter todos os dados necessários à boa execução da armadura na escala 1:50, de detalhes de seção, em escala maior:

• cada tipo diferente de barra (barras de diâmetro diferente ou diferentemente dobradas) será desenhado fora da representação da peça, com cotas necessárias a seu dobramento correto e indicação de seu número, quantidade e diâmetro (φ);

• no caso de séries de estribos do mesmo diâmetro, que mantenham a mesma forma, mas cujas dimensões variem, pode-se considera-los como de um só tipo, bastando desenhar um deles e indicar em tabela ao lado os dados diferentes aos demais (dimensão variável, comprimento desenvolvido e quantidade de cada um);

• dispensa-se a representação individual de cada estribo ou cinta no desenho da peça, quando o seu espaçamento for constante, bastando indicá-lo com a letra c seguida do valor do espaçamento em cm. A mesma dispensa é permitida para as armaduras da laje.

• a numeração das peças obedecerá à feita nos desenhos para execução de formas;

• quando forem utilizadas barras corridas, admite-se a respectiva representação sem cota, mas com a notação corrido. Na lista será considerado o comprimento total, aumentado das emendas eventuais.

A representação das barras da armadura é feita faz-se pelo seu eixo, com linha, cheia, de acordo com a conveniência do desenho.

Cada tipo diferente de barra da armadura será designado por um número cuja indicação se fará na representação isolada da barra e eventualmente na da peça:

• será usado o símbolo φ para o diâmetro das barras de armadura;

• quando houver feixes de barras, será adotada a notação .... n x m onde n é o número de feixes e m a quantidade de barras de cada feixe.

As barras da armadura deverão ser numeradas e os dados referentes a cada tipo de barra (tipo, diâmetro, quantidade, comprimento de cada barra e comprimento total) deverão constar em tabelas de armadura para a execução.

• barras idênticas (mesmo diâmetro, comprimento, e forma) deverão receber a mesma numeração;

• se a tabela não constar da mesma prancha do desenho da armadura, deve-se representar em desenho esquemático, cada um dos tipos de barra;

• é facultativa a indicação do peso da armadura;

As tabelas serão elaboradas obedecendo as disposições seguintes:

Tabela de Ferros – CA 50

Comprimento

N

φ

Quantidade

Unitário Total

Obs.

1 12,5 12

485 5820

2 5,0 126

138 17388

Obs: Esta tabela pode ser denominada como a “Tabela do Armador”. É através dela que o armador cortará as barras (φ, quantidade, comprimento unitário) e com o número do ferro, verificará na planta os detalhes e dimensões da barra para a sua execução.

Nesta fase o armador executará todas as barras 01, e as reunirá em um feixe, que será etiquetado. O mesmo será feito para todas as barras (barras 02, 03 etc) constantes da tabela.

Feitos os feixes de todas as barras, o armador começará a montagem da armadura das vigas. Na planta de armação ele verá que uma determinada viga tem 2 ferros N12, 2 N13 , 1 N14 e 19 N15. Dos respectivos feixes destas barras ele o número de ferros (2, 2, 1 e 19) e procederá a montagem da armadura.

Outra tabela que é colocada na planta de armação é a “Tabela de Resumo do Aço”. Esta tabela é um resumo da tabela anterior onde se apresenta os comprimentos e pesos totais de aço correspondentes a cada bitola.

Esta tabela pode ser denominada como a “Tabela do Comprador”. É através dela que a empresa, após acrescentar uma taxa correspondente às perdas, efetuará a compra do aço.

Na planta de armação deve ser colocada uma tabela de resumo do aço para cada aço utilizado (CA 50, CA 60 etc.)

Resumo do Aço CA 50

φ

Peso

Kg/m

Comprimento Total

(cm)

Peso

5,0 0,16

61563

98,50

6,3 0,25

15888

39,72

8,0 0,40

13654

54,62

10,0 0,63

22095

139,2

12,5 1,00

15235

152,35

16,0 1,6

2265

36,24

Σ

520,63

Para as emendas de barras serão usadas as seguintes representações:

superposição: indica-se simplesmente cotando o comprimento da cobertura; luvas: indica-se com o símbolo dotando a respectiva situação:

Os detalhes dos ganchos e raios de curvatura, obedecendo às prescrições mínimas da NBR 6118,

não precisam figurar no desenho, porem constando em cada prancha, pelo menos uma indicação das medidas a adotar.

Nas lajes é facultada a representação das barras dentro ou fora do desenho de cada laje, ou ainda a

aplicação simultânea de ambos os dispositivos, conforme for mais conveniente à clareza do desenho; • a distribuição da armadura será feita sempre em faixa normal à posição ocupada pelas barras

obedecendo, portanto, à marcação que o armador tenha no taipal;

• quando a armadura superior for independente da Inferior, aconselha-se a execução de desenhos separados para cada uma delas.

A representação da armadura de vigas será feita longitudinalmente e deverá conter o traçado

auxiliar dos pontos mais conveniente da forma, indicando a perfeita posição das barras:

• quando houver várias camadas, a representação longitudinal será feita reproduzindo esquematicamente a posição relativa dessas camadas;

• sempre que necessário, será feita a representação adicional de seções transversais;

• em cada prancha de armadura de vigas será anexado pequeno quadro, contendo índice por ordem numérica das vigas nela representadas.

A representação da armadura de pilares será feita por seções transversais com indicação minuciosa

da posição das barras e de seus diâmetros:

• ao lado de cada seção será feita a representação do respectivo estribo com as convenções de 3.1.3, alíneas b) e c);

• é obrigatória a representação esquemática dos diferentes tipos de armaduras longitudinais dos pilares constantes da prancha 3.1.3.1;

• sempre que necessário (especialmente no caso de pilares inclinados ou pilares de pórticos), far-se-á a representação longitudinal, obedecendo-se então às indicações gerais dadas para vigas.

4 O concreto “armado”

Em Materiais de Construção Civil e no capítulo anterior, estudamos os materiais que compõem o concreto armado, o concreto e o aço. Já vimos que entre as desvantagens do concreto está a sua baixa resistência aos esforços de tração, que é menor que 1/10 de sua resistência à compressão.

O cálculo de um elemento de concreto armado, seja uma viga, uma laje, um pórtico etc, consiste em determinar seus esforços e a partir do diagrama de momento fletor, armar (colocar ferros) as regiões tracionadas.

Veja os exemplos abaixo:

Viga bi-apoiada.

Viga bi-apoiada com balanço

Região comprimidada

Região tracionada O concreto é fissurado.

Coloca-se armadura na região tracionada.

Região tracionada

Região tracionada

Coloca-se armadura na região tracionada.

Viga contínua

Pórtico

Nestes exemplos, a armadura está sendo disposta apenas esquematicamente. Mais adiante será visto as prescrições de norma e os detalhes de armação.

Região tracionada

Região tracionada

Coloca-se armadura na região tracionada.

Tomemos como exemplo a viga bi-apoiada com balanço, abaixo.

Esta viga tem duas regiões distintas:

Região A, com tração na borda inferior e compressão na superior. Região B, com tração na borda superior e compressão na inferior.

O “concreto armado” consiste, portanto, em dimensionar a determinar uma seção de concreto que resista às tensões de compressão, uma seção de aço que resista às tensões de tração, e que ambos, concreto e aço, trabalhem solidariamente.

A A1 B A2 C p A B Deformações Esf. Cortante Momento Fletor SB

SA Seção mais solicitada da região A

SB Seção mais solicitada da região B

Conforme o diagrama de momentos fletores, esta viga é composta por infinitas seções, e cada uma é submetida a esforços diferentes dos das demais seções. Como veremos a seguir, não há necessidade de se calcular a viga inteira, com suas infinitas seções.

Esta viga tem duas regiões tracionadas; as regiões A e B. O cálculo consistirá no dimensionamento das seções mais solicitadas em cada uma destas regiões.

O dimensionamento da seção SA, a seção mais solicitada da região A, será extrapolado para a região A (é o que se chama de “cobertura de diagrama”). Analogamente, o dimensionamento da seção SB será extrapolado para toda a região B.

Isto se aplica a qualquer elemento em concreto armado, seja uma viga, um pórtico, uma grelha, uma laje etc.

A seguir vamos começar o estudo do dimensionamento das seções de concreto armado. Região A

Concreto trabalhando a compressão

Região B

5 Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 05738 - Concreto - Procedimento

para moldagem e cura de corpos-de-prova, Rio de Janeiro, 2003.

______ NBR 05739 - Concreto - Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos, Rio de Janeiro, 2007.

______ NBR 06118 - Projeto de estruturas de concreto - procedimento, Rio de Janeiro, 2007. ______ NBR 6120 - Cargas para o cálculo de estruturas de edificações – Procedimento, Rio de Janeiro, 1980.

______ NBR 06122 - Projeto e execução de fundações, Rio de Janeiro, 1996.

______ NBR 07191 - Execução de Desenhos para Obras de Concreto, Rio de Janeiro, 1982. ______ NBR 07211 - Agregado para concreto – Especificação, Rio de Janeiro, 2005.

______ NBR 07222 - Argamassa e concreto - Determinação da resistência à tração por compressão

diametral de corpos-de-prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 1994.

______ NBR 07480 – Aço destinado a armaduras para estruturas de concreto armado –

Especificação. Rio de Janeiro, 2007.

______ NBR 08522 - Concreto - Determinação do módulo estático de elasticidade à compressão. Rio de Janeiro, 2008.

______ NBR 08953 - Concreto para fins estruturais - Classificação. Rio de Janeiro, 1992.

______ NBR 10067 - Princípios Gerais de Representação em Desenho Técnico, Rio de Janeiro. 1995. ______ NBR 12655 - Concreto - Preparo controle e recebimento, Rio de Janeiro, 2006.

______ NBR12142 - Concreto - Determinação da resistência à tração na flexão em corpos-de-prova

prismáticos, Rio de Janeiro, 1991.

______ NBRNM67 (NBR7223) - Concreto - Determinação da consistência pelo abatimento do

ABCP - Associação Brasileira de Cimento Portland. BT-106 - Guia básico de utilização do cimento

Portland. 7.ed. São Paulo, 28p. 2002.

Batista, Arildo. Aço em obras de concreto: Alterações na norma brasileira ABNT NBR 7480 – aço

destinado a armaduras para estruturas de concreto armado - especificação. Arcelor Mittal Brasil.

Disponível em: <http://www.belgo.com.br/produtos/artigos/artigos.asp >. Acesso em: 2008. Belgo Mineira. Belgo 50 e Belgo 60. ArcelorMittal Aços Longos. Disponível em:

<http://www.belgo.com.br/produtos/artigos/artigos.asp>. Acesso em: 2008

Prudêncio Jr, L. R. Tecnologia do concreto de cimento Portland. Universidade Federal de Santa Catarina: Núcleo de Pesquisa em Construção, Notas de aula: Curso de mestrado em engenharia civil, 1999.

No documento Concreto Armado (páginas 34-43)

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