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1.4. CORPO E IMAGEM CORPORAL

1.4.3. Desenvolvimento da Imagem Corporal

A evolução da imagem corporal pode ser observada a partir dos dois anos de idade, quando o bebê já passou pela importante fase do espelho, e quando a noção do corpo deixa de ser fragmentada para ser compreendida como uma unidade. Ressalta-se que a elaboração da imagem corporal não deve ser limitada a imagens visuais, mas que sua construção se desenvolve como fruto da incorporação de experiências vivenciadas ao longo da existência de cada indivíduo (LE BOULCH, 1987).

Gradativamente, com o desenvolvimento, as crianças começam a se preocupar sobre como sua aparência é vista pelos outros. Os jovens vão observando como a sociedade lida com as variadas características físicas, e a imagem corporal vai se estabelecendo. Deve-se ressaltar o fato de como eles observam a maneira como sua aparência corporal se adapta ao modelo que lhes é transmitido, o que traz consequências aos sentimentos de autovalor (CASTILHO, 2001).

Aos seis anos de idade a criança não só reconhece seu corpo como tem clareza e consciência de sua imagem corporal. Nesse período, sua identidade se torna mais forte, existe aprimoramento no senso de iniciativa, senso de culpa e existe grande aprimoramento das habilidades motoras. Com o ingresso da criança na escola, seu ambiente social se expande e os contatos sociais com os outros passam a ter influência na sua imagem corporal. Porém, é na adolescência que a comparação com o outro se torna fundamental. Nessa fase, seu autoconceito está relacionado com a aprovação e a valorização que tem por parte do outro. A

cultura e os aspectos idealizados pelos jovens também terão grande influência na formação da imagem corporal. No adulto jovem o senso de identidade se consolida, porém a imagem social ainda permanece vinculada à imagem corporal. Uma imagem saudável do corpo requer estar dentro dos padrões culturais e ter a valorização do outro, principalmente do sexo oposto (DEMPSEY, 1972).

Diante dessa compreensão, observa-se que a imagem corporal, desde a infância, se desenvolve pelo reconhecimento corporal, pela percepção do movimento, pelo contato com o outro e pela influência da sociedade e da cultura. Assim, nesta linha de raciocínio, achamos pertinente abordar, a seguir, pontos relativos à família e à mídia no intuito de melhor compreender o desenvolvimento da imagem corporal do jovem, considerando o meio em que vive e as influências as quais estão expostos.

A família, em conjunto com a escola, constitui uma estrutura crucial para a vida dos jovens, atuando ambas, sobretudo, como coadjuvantes no desenvolvimento de habilidades importantes que poderão ajudá-los a lidar com as pressões do cotidiano e a fazer a transição até a idade adulta com sucesso (WHO, 2012). Há características que são mantidas e transmitidas ao longo das gerações, sejam elas culturais, educacionais, comportamentais ou espirituais, e que determinam a pluralidade dos indivíduos. Valores éticos e humanitários são agregados, contribuindo para o aprofundamento das relações de solidariedade que muito contribuirão para a inserção dos jovens na sociedade (FERRARI & KALOUSTIAN, 1994).

Observamos que a família, em sua estruturação, vem se alterando ao longo do tempo. O modelo nuclear (pai, mãe e filhos), considerado anteriormente o alicerce das relações sociais e econômicas, passou a ter novas conformações não só em relação aos seus componentes, como também no que diz respeito ao espaço físico ocupado por seus membros. Essa pluralidade de maneiras de organização familiar faz com que não se afirme um único modelo como referência social. Rocha (2002) considera que a família se reveste de características positivas e negativas e tem componentes afetivos, de apoio e solidariedade aos jovens, embora também possa apresentar normas rígidas que levem a conflitos e ambiguidades.

A identidade dos jovens constrói-se ao longo do tempo e, em seu processo de desenvolvimento, precisa da contribuição das pessoas com quem convive, as quais funcionam como um referencial, como os familiares e os amigos. Essa construção da identidade pode ser influenciada, também, pelo que a mídia dita, uma vez que esta produz estilos de vida e modos

de comportamento (FISCHER, 2000). Refletir sobre a ingerência que os meios de comunicação exercem sobre os jovens, em um mundo dinâmico com constantes mudanças, torna-se essencial na compreensão de seu processo de identificação. Sabemos que a socialização, ou seja, o processo pelo qual o indivíduo assimila valores e atitudes, ocorre durante toda a vida, mas, essencialmente, na juventude. Como parte desse processo, destaca- se o papel da mídia, especialmente, dos meios de comunicação, como a televisão e a internet. Dessa maneira, os valores que a cultura vigente confere ao corpo, num determinado momento, influenciam na construção da imagem corporal do indivíduo.

Valladares (1997) destaca que a comunicação é um processo social fundamental. Uma mudança importante na comunicação humana acompanha sempre uma transformação social de envergadura. Os meios de comunicação veiculam programas com informações sobre o que as pessoas comem, o modo de agirem e o mundo da moda, exercendo grande influência nos jovens na elaboração da imagem corporal. Considera-se ainda o tempo que um jovem despende em frente a um aparelho de TV ou de um computador. Além de influir na questão do conteúdo transmitido, tem consequências na questão do sedentarismo, pelo período em que o corpo fica imóvel em frente ao aparelho. Indivíduos jovens, de ambos os sexos, são concebidos no papel de grandes consumidores. Essa autora ainda considera que o que se transmite na mídia é apreendido pelas pessoas, haja vista a enorme quantia gasta pelas empresas em propagandas veiculadas, normalmente associadas à juventude e à beleza.

Damasceno et al. (2006) sustentam que a insatisfação com a imagem corporal aumenta à medida que a mídia expõe corpos belos, o que, ultimamente, tem provocado uma corrida à procura do modelo ideal. As mídias definem o que influencia os indivíduos, apontando para imagens, muitas vezes distantes daquelas da realidade dos indivíduos. Silva e Gomes (2008) salientam que a TV brasileira tem se constituído em um instrumento político, com força de persuasão avassaladora, forjando os costumes sociais e inculcando valores, crenças e códigos éticos com uma eficácia e rapidez absolutamente novas na história.

Para Fischer (2008), a produção de sujeitos, atualmente, estaria bastante relacionada à experiência cotidiana, em particular dos mais jovens, com as imagens e os textos disponíveis nos meios tecnológicos de informação e comunicação. A mídia reforça a ditadura da beleza.

Muitos jovens sofrem com a procura por um corpo belo, exposto na mídia. Isto ocorre principalmente com o público feminino. Já os homens, na atualidade, valorizam músculos definidos e fortes, muitas vezes utilizando substâncias prejudiciais à saúde, a exemplo dos

anabolizantes. Os meios de comunicação, através das propagandas de produtos de beleza, veiculam certa credibilidade aos telespectadores que estão à procura de resultados satisfatórios em busca do padrão do corpo veiculado (MATTOS, 2007).

CAPÍTULO 2

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