• Nenhum resultado encontrado

Gênero no setor financeiro - anos selecionados

3.2 - DESENVOLVIMENTO DAS CAMPANHAS SALARIAIS

“Mudar o quadro e juntos pintar uma nova realidade” foi o slogan da campanha salarial de 1992, que retomou a participação da base através da Consulta Nacional92. Este formato inovou na forma de decisão coletiva sobre a elaboração da minuta de reivindicação, que passou a ser submetida às assembléias de base. Os representantes na mesa da negociação passaram a ser discutidos de forma coletiva, nos encontros nacionais preparatórios às campanhas salariais, respeitando a representatividade de cada entidade, formando assim de forma unitária e proporcional o Comando Nacional dos Bancários93. Outra estratégia foi o diálogo com a sociedade, a respeito da segurança nos bancos, filas, ampliação do horário de atendimento garantindo jornada de seis horas aos funcionários, e regulamentação do sistema financeiro94. Outro ponto importante foi a articulação junto às organizações internacionais, a filiação a Federação Internacional dos Empregados e Técnicos - FIET, com sede em Genebra. A preocupação principal era

92 Realizada no período de 01 a 12 de junho de 1992 pelas entidades filiadas, os bancários puderam opinar sobre as prioridades da campanha salarial. Esta prática vem sendo mantida por alguns sindicatos e federações, como caso da FETEC-CUT-PR, que além de encaminhar a consulta nacional, mantém em seu site um espaço para opinião da categoria a respeito dos eixos prioritários da campanha salarial do período.

93 Principais reivindicações da campanha 1992\1993: reposição das perdas salariais; reajuste mensal de salários pelo ICV do DIEESE; direito de organização nos locais de trabalho; ampliação do horário de atendimento com dois turnos de trabalho; garantia de emprego; fim das privatizações e da corrupção; CPI para valer e impeachment para Collor.

94 No Congresso de fundação da CNB foi aprovado um Projeto de Reforma do Sistema Financeiro tendo como diretrizes principais o direcionamento do crédito para setores econômicos prioritários, definição do papel social dos bancos, implantação de mecanismos transparentes e controle social.

ação articulada a respeito da internacionalização da economia e do sistema financeiro, automação e novas tecnologias.

A CNB-CUT como estrutura orgânica da CUT participou da agenda proposta pela Central. A participação dos bancários nas jornadas de lutas contra a corrupção, pelo impeachment de Collor, por emprego, saúde95, previdência, controle das contas do FGTS, educação, terra e o fim das privatizações, foram decisivas nas mobilizações organizadas em todo o país para queda do presidente da república96. O grande avanço na organização dos bancários foi a conquista da Convenção Coletiva Nacional - CCT em 1992, acordo de abrangência nacional com vigência de um ano, renovado no dia 1º de setembro, data base da categoria, passo importante rumo ao contrato coletivo de trabalho, bandeira histórica do movimento sindical cutista97. Outro fator importante foi o compromisso dos sindicatos filiados a CNB de não ajuizamento do dissídio, pelo fim da intervenção da justiça do trabalho e a desautorização à CONTEC em negociar pelas bases dos sindicatos cutistas. O movimento sindical da categoria bancária se dividiu em duas mesas de negociação, com os sindicatos de base cutistas de um lado representando a maioria da categoria e da CONTEC de outro. Vários momentos de impasse ocorreram por conta da prática da CONTEC e seus sindicatos no ajuizamento do dissídio, mas a organização e mobilização acabaram vencendo os trâmites burocráticos de representação legal e de fato.

Em 1993 os principais sindicatos dos bancários do país assumem o projeto

“Sindicato Cidadão”, engajando-se na Ação da Cidadania contra a Fome e pela Vida, movimento idealizado pelo sociólogo Herbert de Souza. Cerca de 1.500 Comitês contra a Fome foram criados pelos bancários em todo o país. Também realizaram campanha de arrecadação de alimentos no “Natal sem Fome”. Os

95 As negociações de 1992 avançaram sobre a prevenção da AIDS com a adoção da Cláusula Trigésima Sétima - Política sobre AIDS: “As partes ajustam a constituição de comissão paritária a nível nacional, integrada por elementos indicados pela FENABAN e pelas entidades sindicais dos empregados, com o objetivo de em 180 dias (cento e oitenta dias) apresentar estudo conclusivo com vista a uma política global de prevenção da AIDS e de assistência e acompanhamento dos empregados portadores da doença. Parágrafo único: É vedada a exigência de exame admissional para pesquisa do vírus da doença. (CNB: 1992, p.35-36).

96 O aparato sindical, carros de som, jornais, funcionários e própria categoria mobilizada.

97 A Convenção Coletiva Nacional dos Bancários foi assinada por 120 sindicatos, sete federações e a Confederação Nacional dos Bancários – CNB-CUT. (CNB, 1992, p.12). No contrato coletivo as entidades nacionais de trabalhadores e empregadores firmam um instrumento único, regulamentando itens básicos e essenciais. As negociações ocorrem a partir deste instrumento para readequar ou discutir novas cláusulas, diferente da convenção coletiva que tem validade de um ano e toda a campanha tudo que foi acordado no ano anterior precisa ser renovado

bancários aderiram ao movimento pela ética na política contra a corrupção no Congresso, e também marcaram presença nos fóruns institucionais democráticos, conselhos diversos. Neste ano o movimento de oposição bancária - MOB unificado vence as eleições em Curitiba. Foi um período intenso de luta na defesa do banco público com criação e fortalecimento de fóruns e comitês; e cobrança da responsabilidade social dos bancos privados. O BB sofreu enxugamento de quadros no Centro de Comunicações e Serviços – CESECs de todo o país que resultou em milhares de demissões, só na base do SEEB Londrina foram 200 demitidos. O lema da campanha salarial foi “Entre nesta briga contra o jogo dos bancos”, tendo como mascote o galo de briga e outro material com a figura do jacaré de boca aberta denunciava a ganância dos banqueiros: “Banqueiros: cúmplices da miséria – tá na hora de perder esta boquinha”.

Em plena vigência do Plano Real a campanha de 1994 pautou-se pela denúncia do favorecimento dos banqueiros e a situação de desemprego. A CNB realizou junto com o DIEESE “O mapa do emprego bancário no Brasil” que evidenciou as perdas de milhares de postos de trabalho no setor e a elevação dos lucros dos bancos, recurso utilizado sistematicamente como subsídios nas negociações salariais. (CNB, 2003, p.34-35). O movimento sindical bancário lançou a campanha “Banqueiros: sócios da inflação – cúmplices da miséria. Não as demissões e às perdas salariais”. Com o símbolo do “real furado” o tema da campanha foi: “nossas perdas são reais” e “Real: só acredito tendo”. A mobilização foi reforçada pelas paralisações kinderovo - greves surpresas, a máquina sindical foi acionada com piquetes muitas vezes contratados. O debate sobre a saúde do trabalhador bancário foi intensificado, fazendo parte do acordo coletivo nacional.

Outra conquista foi o vale alimentação e as indenizações adicionais de aviso prévio como mecanismo para coibir demissões. No final de 1994 a CNB-CUT organiza Plenária Nacional tendo como pauta: Sistema Financeiro, Estrutura Sindical e Finanças. A grande preocupação em relação ao sistema financeiro foi os ataques aos bancos públicos praticados pela gestão neoliberal. Com a colaboração de assessores técnicos a CNB proporcionou debate sobre a conjuntura e os reflexos do projeto neoliberal sobre a categoria bancária e também para a sociedade. As resoluções da plenária denunciam o desmonte dos bancos públicos, disseminações de informações falsas visando afetar a imagem dos bancos oficiais e inibir a sua capacidade operacional. Adoção de medidas restritivas; liquidação e privatização;

desativação das carteiras comerciais mais lucrativas; limitação na atuação à nichos de mercados reduzidos; desativação das atividades sociais e de fomento. Enfatizam que o objetivo central é a entrega aos bancos privados do mercado detido pelas instituições financeiras oficiais.

O Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro – PROER98 é lançado pelo governo em 1995, o que facilitou os processos de fusão e incorporação de bancos, aumentando a concentração do sistema financeiro. A luta contra as privatizações são reforçadas, os bancários marcam presença nos atos, manifestações e campanhas99. Com o tema “Meu trabalho vale mais” e, enfrentando desemprego no setor as negociações salariais de 1995 têm poucos avanços. Destacam-se a instalação da Comissão Paritária de Saúde com participação de representantes dos trabalhadores e empregadores, cuja finalidade era discutir soluções dos problemas de saúde dos bancários e programas de prevenção às LER\DORT100; e à participação nos lucros e resultados – PLR, sendo a primeira categoria a conquistar este benefício. Neste ano a CNB promove debates regionais para discutir proposta de construção do sindicato nacional do ramo financeiro. O que suscitou várias iniciativas em todo o país de fusões e regionalização da ação sindical, no Paraná os debates foram intensificados com algumas iniciativas importantes.

No período de 1996 os processos de reestruturação e privatizações de bancos estaduais são acelerados pelo governo. O Banco Central financia a compra do Banco Econômico para o Banco Excel. A CNB intensifica campanha pela regulamentação do sistema financeiro e pela instalação de uma comissão parlamentar de inquérito - CPI para investigar atuação do BC, ação que não encontrou respaldo dos parlamentares. Em relação às mobilizações o slogan da campanha seguiu o da CUT “Reage Bancário e Reage Brasil”101; foram nove dias de

98 Segundo dados da CNB o PROER liberou mais de 20 bilhões de reais para socorrer bancos em estado falimentar, só no Banco Nacional foram gastos cerca de 10 bilhões de reais. (CNB, 2002, p.28).

99 Neste ano apesar dos protestos a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprova o Programa Estadual de Desestatização – PED, autorizando o governo estadual a privatizar todas as empresas públicas.

100 A saúde sempre foi prioridade para CNB, em 1993 é publicada a cartilha nacional “A Saúde no Trabalho Bancário”, a criação da Comissão Paritária de Saúde do Trabalho em 1995, obrigou os banqueiros a reconhecer pela primeira vez a existência da LER. (SEEB - Curitiba. 1942 – 2003 – Edição Especial. Revista dos Bancários, Curitiba, nº1 fev.2003, p. 15).

101 Plano de Ação Reage Brasil foi definido na 8ª Plenária Nacional da CUT (1996), consistia em amplo movimento envolvendo demais setores da sociedade para discutir propostas de combate à

greve com poucos avanços, nos bancos federais os salários foram congelados iniciando uma política de abono em lugar de reajuste.

Crescem as manifestações contra as privatizações em 1997. O Banerj é vendido ao Itaú, o Meridional que tinha sofrido processo de federalização, fecha 34 agências e é vendido ao Bozano, Simonsen. Com autorização do BACEN o Bamerindus é comprado pelo inglês HSBC e o espanhol Santander adquire o Banco Geral do Comércio – BGC e o Noroeste. A campanha salarial resulta em parcos avanços: reajuste no salário (1,2%) e na PLR; complementação salarial para bancários afastados por doença ou acidente, além do compromisso com o programa de prevenções das LER; instalação de várias comissões temáticas e auxílio para requalificação profissional aos demitidos. Em 1997 foi aprovada a construção do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro no II Congresso da CNB realizado em junho. Apesar de debatido entre os SEEB´s, a proposta não foi viabilizada, sufocada por várias inseguranças: reforma sindical em curso, receio de perda do patrimônio, prestigio e poder das entidades sindicais e dos dirigentes, entre tantas outras questões. Porém no Paraná este debate rendeu alguns frutos, em 1993 o SEEB Umuarama propõe a criação do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Noroeste do Paraná. A proposta era unificar os sindicatos pequenos da mesma categoria, os trabalhadores do ramo, ou seja, todos os trabalhadores que estavam prestando serviço no banco e para o banco, os terceirizados, além dos trabalhadores em cooperativas de crédito, banco postal, entre outros afins. O projeto conforme relatos do SEEB Umuarama (2007) foi interrompido na assembléia de fundação, por conta de ações judiciais iniciadas por entidades descontentes com a inovação. Porém o debate resultou na fusão entre o SEEB Umuarama e o SEEB Assis Chateaubriand, que passaram a compor uma direção única, mantendo a estrutura do SEEB Assis Chateaubriand como subsede. Além disso, os SEEB‟s filiados a FETEC-PR organizaram uma estrutura regional otimizando imprensa sindical, organização de atividades de formação, convênios para uso dos associados às estruturas de lazer, entre outras ações. Na região norte do estado formou-se o grupo denominado “Vida Bancária”, abrangendo a região do SEEB Londrina; SEEB

corrupção, privatizações, desemprego, latifúndio, trabalho escravo, trabalho infantil, etc. Com este mote muitos comitês estaduais foram organizados em todo o país, desenvolvendo diversas campanhas, como o exemplo do Reage Paraná que desenvolveu campanhas denunciando a corrupção no governo Lerner; contra os crimes do latifúndio; contra a privatização do Banestado e da Copel entre outras campanhas.

Apucarana; SEEB Arapoti e SEEB Cornélio Procópio. A região do norte novo, noroeste, centro, foi constituída pelo PACTU: SEEB Paranavaí; Assis Chateaubriand, Campo Mourão, Toledo, Umuarama e Guarapuava.

A preocupação da campanha salarial de 1998 foi o desemprego, os bancos privatizados promovem demissões em massa. A CNB lançou o caderno nº 2

“Desemprego, não à barbárie”, abordando o reflexo da reestruturação produtiva e o desmonte dos bancos públicos, preparando os dirigentes sindicais para o tema. O eixo principal da campanha salarial 1998\1999 foi o emprego, tendo como símbolo uma tesoura amarrada e os dizeres: “Desemprego dói, destrói, desespera – chega de cortes”. A conjuntura desfavorável levou os bancos a ofereceram: reajuste zero, retirada do anuênio e jornada de oito horas. Houve pouquíssimos avanços, a Comissão Permanente de Saúde conclui o Programa de Prevenção, Tratamento e Readaptação de LER\DORT. A organização bancária também inova na tentativa de realização de mesa única de negociação da campanha salarial. Articulando com as ações da CUT de redução da jornada de trabalho e horas extras, pela ratificação da Convenção 158 da OIT que protege a demissão imotivada, o movimento sindical bancário organizou pressão no congresso e governo por uma política econômica de crescimento e emprego contra as políticas neoliberais102. Outra luta empenhada pelos bancários neste período foi contra a reforma da Previdência.

A crise econômica e a política restritiva aumentaram no ano 1999, a CUT junto com outras centrais organizaram a Marcha dos Cem Mil sobre Brasília, exigindo mudanças na política econômica. Os bancários organizaram a I Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, substituindo o Encontro Nacional; a Conferência com etapas regionais e estaduais buscou melhorar o debate com a base, incluindo também os demais trabalhadores do ramo.

A campanha com o tema “Banqueiro só dá banana para os bancários”, teve poucos avanços, nos bancos privados o reajuste foi inferior a inflação do período, Banco do Brasil e Caixa amargaram 0% de reajuste. Ao mesmo tempo a Câmara Federal aprovou reajuste de 59% para o presidente da república e congressistas. O BC se envolve em novo escândalo com a operação de venda de dólares a preços abaixo

102 Segundo dados da CNB (1998) 40 milhões de brasileiros estavam no mercado informal contra 30 milhões com carteira assinada e 1.654.000 trabalhadores estavam desempregados em São Paulo.

Para agravar a situação o governo lançou propostas como a suspensão temporária do contrato de trabalho por empresas em dificuldades, fortalecendo os contratos temporários de trabalho.

do mercado aos Bancos FonteCidam e Marka103. Um destaque neste período foi o diálogo que o movimento sindical bancário estabeleceu com a sociedade com o lançamento da publicação da CNB-CUT em parceria com o Instituto de Defesa do Consumidor - IDEC “Os bancos e você” um manual dos direitos dos clientes e usuários dos bancos. Os SEEBs articularam com parlamentares e vereadores leis para coibir as filas nos bancos, exigindo atendimento de no máximo 20 minutos, além de beneficiar clientes e usuários a proposta visava conter o desemprego no setor. Participaram da campanha pela lei de combate a corrupção eleitoral e do plebiscito popular contra a dívida externa e a ALCA, no Paraná a prioridade da luta foi contra a privatização do Banestado.

“Os bancários estão no limite” foi o tema da campanha salarial de 2000; a luta contra a Resolução 2.707 do BC que autorizava a terceirização de serviços bancários motivou nova tentativa de instalar a CPI do BC, mas, a ação do governo inibe a adesão dos parlamentares. A novidade na campanha salarial é a inserção da igualdade de oportunidades na Convenção Coletiva. O século XXI inicia com esperanças de transformação na organização dos trabalhadores e dos movimentos sociais. A edição do I Fórum Social Mundial tendo como slogan “um outro mundo é possível”, realizado em Porto Alegre, é um marco destas expectativas. Os bancários participaram com várias delegações, a CNB apresentou a oficina “O poder do dinheiro na sociedade atual”. A campanha salarial do período teve como mote:

“Agora é hora de reacender a esperança”, os SEEBs passaram a investir em assembléias nos locais de trabalho, com retardamento do expediente, chamando a responsabilidade dos trabalhadores para participação. Esta prática esteve presente também como forma de deixar claro aos bancos o direito de organização e manifestação dos trabalhadores, contrapondo os interditos proibitórios tão explorados pelos banqueiros104. A fala do presidente do SEEB-SP mostra a preocupação do movimento no período:

103 Operação segundo a CNB (2002) que envolveu 200 milhões de reais, com prejuízos de 60 milhões de reais para os cofres públicos calculado pelo próprio Banco Central.

104 Os interditos proibitórios são utilizados como mecanismos para inviabilizar a ação sindical. Parte da premissa de ação cautelar e preventiva com base na ameaça do direito de posse ou de propriedade, previsto no artigo 1.210 do código civil brasileiro. O interdito não proíbe a greve, mas inviabiliza o seu exercício pelo fato de impedir que o sindicato se aproxime dos locais de trabalho, com carros de som, fixação de faixa e do uso do piquete na portas das empresas. O não cumprimento do instrumento traz multas altíssimas aos sindicatos. O uso intensificado deste instrumento por parte dos banqueiros se justifica pela agilidade do mesmo, alem de legitimar o uso da policia militar para o cumprimento do instrumento, resultando muitas vezes no uso da violência. Além de confundir o trabalhador que tem a impressão de que a greve foi proibida. A contradição deste

O bancário precisa redescobrir seu papel na campanha salarial, seu poder de influenciar as negociações ao mostrar ao banco o quanto está insatisfeito [...] o medo e a insegurança ocasionada pela “ordem econômica” tem caráter repressivo. A diferença entre a repressão política e a econômica [...] é que enquanto a primeira concentrava sua perseguição apenas nos mais envolvidos na militância, a segunda não perdoa ninguém [...] é fundamental resgatarmos a nossa capacidade histórica de agir com espírito coletivo e solidário. (SEEB-SP, 2001).

O ano de 2000 foi marcado pelas privatizações do Banespa e Banestado, os esforços do movimento sindical, assembléias, congressos, comitês, greves, atos, abaixo-assinados, processos jurídicos, não foram suficientes para barrar as privatizações. Em relação a campanha salarial a grande novidade foi a inclusão na Convenção Coletiva de Trabalho da cláusula sobre Igualdade de Oportunidade. Em 2001 os SEEB‟s do Paraná se uniram em defesa da Copel, participando de comitês de defesa, coleta de assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular para impedir a privatização, ocupação da assembléia, entre tantos outros atos. Quanto a campanha salarial foi marcada pelo fim do anuênio, a proposta dos banqueiros em acabar com o beneficio com uma indenização de R$ 1.100,00 é colocada para responsabilidade da categoria. O plebiscito é realizado em dezembro e os bancários aprovam o fim do adicional por tempo de serviço (anuênio). Este episódio demonstra ao mesmo tempo a despolitização da categoria e a falta de solidariedade de classe;

o benefício foi retirado, os trabalhadores contratados depois desta data não tiveram mais este adicional no salário, o que aumentou a pressão de demissão àqueles que mantiveram o benefício. Além do erro de avaliação por parte do movimento sindical que superestimou o poder de convencimento dos sindicatos e da conscientização da categoria ao apostar e aceitar a proposta do plebiscito.

Em 2002 a CNB participou da segunda edição do Fórum Social Mundial organizando a oficina “Com crédito para o desenvolvimento social, um outro mundo é possível”. Com os debates em torno das eleições presidenciais a CNB reforçou o projeto de reforma do sistema financeiro, papel do Banco Central, limite das taxas de juros, controle acionário dos bancos. Por ocasião do aniversário de dez anos a CNB

recurso esta no fato do esvaziamento dos direitos trabalhistas e a democratização das relações de

recurso esta no fato do esvaziamento dos direitos trabalhistas e a democratização das relações de