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Durante o estágio que estou a realizar num Serviço de Pneumologia, tenho tido a oportunidade de prestar cuidados a uma pessoa (Sr.A.B.), que apresentava como antecedentes DPOC, tendo como motivo de internamento os diagnósticos de Neoplasia do Pulmão e AVC isquémico em múltiplos territórios da Artéria Cerebral Média bilateral e do cerebelo. No primeiro dia, percebi que o senhor apresentava afasia de expressão, com a capacidade de nomeação e de repetição afetada, mas com a compreensão mantida (essencialmente para construções sintáticas mais simples) (Fontoura, 2012). Neste caso, num primeiro momento, a gramática apresentava-se “telegráfica” e o vocabulário restritivo (Fontoura, 2012).

Perante a dificuldade do Sr. A. na expressão, e da equipa em compreender o que o Sr. A pretendia dizer, questionei a Srª Orientadora Clínica (OC) se a utilização de um pictograma, não poderia facilitar o processo comunicacional, estando disposta a desenvolver um adaptado à pessoa e ao serviço em questão. No dia a seguir, mostrei o pictograma à Srª. OC (que fez uma ou outra recomendação) e decidimos questionar o Sr. A. sobre se achava que aquele instrumento facilitaria o processo comunicacional – Ver Apêndice 1. Através de gestos, percebi que o Sr. A. apresentava- se bastante recetivo e contente com o instrumento, tendo ficado com este.

Perante esta situação, não pude deixar de me questionar “Serei capaz de compreender o que o Sr. A. quer transmitir?” ou “Serei capaz de desenvolver uma estratégia eficaz para o processo comunicacional?”. Da mesma forma, perguntei-me “Será que ao melhorar a forma do Sr. A. para se expressar, conseguirei prestar cuidados mais adaptados e de maior qualidade?” e, por fim, “Será que a construção de um instrumento, como o pictograma, será uma mais-valia para o serviço?”. Paralelamente, não pude deixar de me sentir receosa pela hipótese do pictograma criado não ir ao encontro das necessidades do Sr. A.. Por outro lado, senti-me satisfeita por o Sr. A. manifestar-se recetivo a novas formas comunicacionais.

Avaliando a situação, identifico como aspetos menos positivos a sensação de frustração do Sr. A. em não conseguir ser entendido e a minha sensação de impotência por eu não conseguir compreendê-lo. Em contraposição, destaco como positivo o fácies e os gestos de satisfação do Sr. A., perante a possibilidade de ser melhor entendido com o pictograma. Destaco, ainda, como produtivo o trabalho de

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reflexão que foi necessário desenvolver para auferir alternativas ao processo comunicacional.

Analisando a situação, considero que se destacam duas questões: a promoção

da participação social da pessoa para a prestação de cuidados centrados na pessoa (otimizando o processo comunicacional e identificando as suas

necessidades) e a promoção da melhoria contínua da qualidade (produzindo instrumentos úteis e facilitadores da prestação de cuidados). Na literatura, tem-se verificado que métodos efetivos de comunicação entre a pessoa e profissional de saúde (como o pictograma desenvolvido) são essenciais à prestação de cuidados de alta qualidade (Institute of Medicine, 2001). De facto, um dos seis objetivos alvitrados para a melhoria da qualidade, no século XXI, é o desenvolvimento de cuidados centrados na pessoa, isto é, a prestação de cuidados que respeitem e respondam às necessidades, aos valores e às preferências da pessoa, bem como que assegurem que os valores da pessoa norteiam todas as decisões clínicas (Institute of Medicine, 2001).

Na mesma perspetiva, também há quem encare a Qualidade em Saúde como “nível de cuidados que se aproximasse das expectativas dos consumidores e interessados” (Fragata, 2011, p. 17). Por outras palavras, refere-se a um nível de cuidados que se aproximassem essencialmente das expectativas da pessoa. Ora, otimizando o processo comunicacional, isto é, potencializando a capacidade de expressão da pessoa, não estarei a evidenciar as suas necessidades e preferências? Considero que, pelo menos, há uma tentativa nesse sentido…

Consequentemente, várias organizações e autores têm vindo a identificar a necessidade de uma infraestrutura/método de informação melhorado, que permita estabelecer um processo comunicacional efetivo e oportuno entre a pessoa cuidada e o profissional de saúde (Institute of Medicine, 2001). Também os enfermeiros consideram que a comunicação, enquanto ferramenta confortadora da pessoa e/ou família, é um fator fulcral para a criação de uma relação de proximidade (Carvalhais & Sousa, 2011). Aquando de um estudo exploratório sobre o que contribui para a prestação de cuidados de enfermagem de qualidade a pessoas idosas hospitalizadas, os enfermeiros responderam que os cuidados ideais são aqueles que satisfazem as necessidades da pessoa (como procurei fazer com a criação de um pictograma para o Sr.A.). Por fim, os enfermeiros identificaram os processos de “apoiar/comunicar com o doente” e “colher dados” como parte integrante dos cuidados de qualidade, sustentando que comunicar com a pessoa é uma forma de

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demonstrar a disponibilidade do enfermeiro, e que o momento de colher dados (neste caso através de um pictograma) pode ser utilizado para estabelecer uma relação de proximidade (Carvalhais & Sousa, 2011, p. 81).

Quando penso no que fiz, concluo que direcionei o meu desempenho para duas vertentes: para a pessoa em questão (Sr.A.) e para um determinado serviço (Pneumologia). Do ponto de vista da pessoa, creio que procurei promover a

participação social da pessoa com DPOC e outros défices do autocuidado (Objetivo J2.2), ao promover alternativas à comunicação e interação do Sr. A. com

outras pessoas.

Do ponto de vista organizacional, creio que procurei colaborar em procedimentos de qualidade aplicáveis aos cuidados, participando em projetos de melhoria da qualidade na área da reabilitação e procurando desempenhar um papel

dinamizador no desenvolvimento de iniciativas institucionais (Competência B1). Da mesma forma, procurei colaborar e contribuir para a melhoria contínua da qualidade (Competência B2), ao otimizar os processos comunicacionais com

outras pessoas com afasia de expressão.

Por fim, em futuras situações, espero desenvolver e adaptar alternativas e novos métodos comunicacionais, que facilitem a interação das pessoas com afasia com o meio. Espero, também, continuar a contribuir para a melhoria dos cuidados, com o desenvolvimento de ideias e instrumentos adequados e pertinentes (e adaptados às necessidades do serviço).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Carvalhais, M. D., & Sousa, L. (Mar de 2011). Promover a qualidade de cuidados de enfermagem a pessoas idosas hospitalizadas. Revista de Enfermagem de

Referência, III Série(3), pp. 75-84.

Fontoura, D. R. (2012). Afasia de Expressão: Avaliação Neuropsicolinguística e

Intervenção com Enfoque na Musicalidade. Tese de Doutoramento em

Ciências da Linguagem / Psicolinguística, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa.

Fragata, J. (2011). Segurança dos Doentes - Uma abordagem prática. Lousã: Lidel. Institute of Medicine. (2001). Crossing the Quality Chasm: A New Health System for

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DORMIR TOMAR BANHO LAVAR AS MÃOS LAVAR OS DENTES BARBEAR VESTIR PENTEAR

URINAR EVACUAR COMER BEBER FRUTA SOPA CARNE

PEIXE PÃO BOLOS IOGURTE CHÁ LEITE ÁGUA

TELEFONAR ABRAÇAR FALAR ESCUTAR ALEGRIA TRISTEZA FÚRIA

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EXAMES MEDICAMENTOS OXIGÉNIO INALADORES FALTA DE AR

OUTRA DOR (localizar)

FEBRE TOSSE EXPECTORAÇÃO CANSAÇO DOR DE CABEÇA

FRIO CALOR COMICHÃO

SIM

NÃO

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Gestão dos cuidados e promoção da articulação multidisciplinar –