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Desenvolvimento de Modelos para Operações e Processos

No documento Universidade Federal do Amazonas F (páginas 33-38)

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.4 Desenvolvimento de Modelos para Operações e Processos

O primeiro passo para a melhoria de um processo por meio da construção de modelos é o conhecimento da operação em seus diversos níveis. O mapeamento de processos, nesse sentido, precisa ser feito a nível de processos finalísticos e de suporte. Nakagima e Estender (2019) estudaram a importância do mapeamento de processos a partir do ponto de vista dos funcionários de uma empresa, concluindo que a adoção do mapeamento de processos seria positiva do ponto de vista de todos os envolvidos (shareholders) para a melhoria das operações da companhia.

Mapeamento ou Conhecimento de Processos

Identificação e Seleção do Problema

Identificação e priorização de problemas e suas causas

Ações corretivas, preventivas e de melhoria

Sistema de documentação e procedimentos operacionais e

normalização do processo

34 A etapa seguinte ao mapeamento de processos passa pela configuração de um modelo que envolve ainda a elaboração da representação gráfica do processo, por meio do desenho do seu fluxograma, sendo este um instrumento vital para permitir a identificação de melhorias ao processo.

Segundo Scartezini (2009), o fluxograma é a ferramenta que permite a visualização fácil do que está ocorrendo nos fluxos de processos das companhias e permite a identificação de seus eventuais gargalos e a aferição de possibilidades de melhorias.

Os modelos de processos podem ser apresentados em fluxograma no seu estado atual, referenciado como as is, e, a partir da sua otimização após realização de algum procedimento voltado à melhoria, referenciada como to be, e podem estar representados com diferentes símbolos e riqueza de dados que dependem da notação utilizada na sua representação.

2.4.1 Notações de Modelagem de Processos

Os modelos baseados em processos podem ser criados com base em diferentes conjuntos de símbolos, chamados de notações. As notações apresentam uma linguagem padrão que facilita o seu entendimento e manuseio nas organizações, gerando maior consistência nos modelos de processos e sua melhor aplicação nas operações (KOCBEK et al., 2015).

A partir da realização de uma revisão sistemática da literatura a respeito do uso dos métodos de modelagem de processos, Kocbek et al. (2015) preconizam que, das diversas notações em uso, a exemplo da FlowChart, UML Activity Diagrams, Petri Nets, EPC e BPMN, esta última notação se apresenta como uma ferramenta robusta de modelagem em processos utilizada no mundo inteiro, fruto de um árduo trabalho de padronização, cuja utilização se mostra eficaz para a compreensão e comunicação entre os diversos setores de uma companhia.

2.4.2 Modelo e Notação de Processos de Negócio (BPMN)

O BPMN foi, inicialmente, desenvolvido pela Business Process Management Iniciative (BPMI), de modo que a versão 1.0 do BPMN foi lançada no ano de 2004, tendo sido atualizado para a versão 1.1 no ano de 2008 e para a versão 2.0 no ano de 2011, quando teve seu nome alterado de Notação de Modelagem de Processos de Negócio para Modelo e Notação de Processos de Negócio.

Desse modo, o BPMN, como uma notação, é composto por um conjunto de símbolos que permitem o desenho e a estruturação de modelos de operações baseadas em processos representados graficamente. Em um modelo de representação dessa notação, os processos são

35 apresentados como uma sequência de atividades ou ações, com início e término, com elementos dispostos de forma hierárquica em um fluxo. Dentro da representação BPMN, os processos ficam contidos dentro de uma piscina (pool) e as atividades são, normalmente, nomeadas a partir do uso de verbos no infinitivo.

A notação possui um conjunto de símbolos e regras que auxiliam a modelagem de processos com essa notação, destacando-se os conectores, os objetivos de fluxo que envolvem atividades, eventos e decisores, além dos artefatos e dos swinlanes.

Conectores: Representações da maneira com que os componentes do fluxo do processo se conectam entre si. Podem ser divididos em três tipos: Associação, Fluxo de Mensagem e Fluxo de Sequência.

Atividades: São trabalhos executados dentro de um determinado processo, de modo que podem ser divididas em subprocessos, que são uma sequência de passos e tarefas que indicam ações executadas que geram valor ao resultado do processo, sendo graficamente representados em retângulos com bordas arredondadas.

Eventos: Referem-se a uma situação que ocorre dentro do processo, afetando o fluxo.

É imperativo ressaltar que eles possuem, ao mesmo tempo, uma causa e um impacto. Podem ser divididos, ainda, em eventos de início, eventos intermediários e eventos de fim.

Decisores (Gateways): Representam pontos onde o fluxo precisa ser controlado, separando e juntando o fluxo, com os marcadores representados no centro indicando diferentes tipos de comportamentos de divergência ou convergência, que devem ser abertos e fechados a partir do uso dos decisores representados em losangos.

Swinlanes: Os chamados Swinlanes em pools tem o objetivo de separar as entidades de negócio, enquanto os lanes, por outro lado, separam as atividades por departamentos ou por papéis.

Artefatos: Possuem a função de agregar informações adicionais ao processo em modelagem, existindo três tipos de artefatos mais comuns: os objetos de dados, que demonstram como os dados são requeridos ou mesmo produzidos em cada atividade, os grupos, empregados

36 na realização da documentação, e as anotações, que transmitem informações adicionais sobre a atividade.

Dados: Elementos que armazenam ou transmitem dados em formatos pré-estabelecidos e podem ser aceitos durante a execução de um determinado processo. Essa característica foi adicionada na versão 2.0 do BPMN.

Por ser uma notação amplamente utilizada, a BPMN é suportada por diversas ferramentas de software disponíveis no mercado. Foram identificados e listados alguns, cujas funcionalidades foram verificadas a partir de visita aos sites oficiais das ferramentas, dentre elas:

Microsoft Visio© é uma ferramenta multifuncional que permite a criação de diagramas diversos, como fluxos de rede, fluxogramas, plantas baixas, cartazes e outros, sendo um aplicativo pago. Outro software identificado é o Aris Elements©, uma ferramenta desenvolvida e distribuída pela companhia Software VG, disponível apenas em versão paga.

Pradella (2011) apresentou o software Arena, voltado essencialmente a simulações de operações reais em ambientes virtuais. Por fim, o software Bizagi Modeler©, lançado no ano de 2008, foi utilizado nos estudos de Serafim (2015), Fraga (2015) e Castilho (2019).

Segundo informações do website da ferramenta, o Bizagi vem sendo também utilizado por diversas empresas ao redor do mundo, disponível em versão paga e em versão gratuita (FRAGA, 2015). O aplicativo constitui uma ferramenta intuitiva e prevê a possibilidade de realizar simulações com indicadores pré-definidos e publicar seus resultados em diversos formatos, uma ferramenta utilizada em diversos estudos para mapeamento de processos (CASTILHO, 2019).

O Quadro 2 apresenta um resumo dos principais softwares de modelagem de dados identificados nos estudos de modelagem de processos.

Quadro 2 – Softwares de modelagem de dados

Software Companhia Disponibilidade

Visio© Microsoft Pago

Aris Elements© Software VG Pago

Bizagi Modeler© Bizagi Gratuito/Pago

Arena© Paragon Pago

Fonte: Elaborado pelo próprio autor, com base em informações disponíveis em: https://www.microsoft.com/pt-br/microsoft-365/visio/flowchart-software; https://ariscloud.com/aris-basic/;

https://www.paragon.com.br/%20softwares/arena/; e https://www.bizagi.com/pt/plataforma/modeler. Acesso em:

24/06/2021.

37 2.4.3 Validação de Modelos Aplicados à Produção Industrial

A validação de modelos pode envolver diversas ferramentas e aplicações práticas ou teóricas. É vital que se estabeleça mecanismos de controle e indicadores de desempenho operacionais para que seja possível o estabelecimento do procedimento operacional padrão e o acompanhamento dos resultados da sua aplicação.

Dias (2006) explora três tipos de indicadores para a melhor gestão de processos: os indicadores de qualidade a partir da apuração de conformidades, indicadores de produtividade que se relacionam com a eficiência da operação e indicadores de capacidade, relacionado à capacidade produtiva em um determinado intervalo de tempo.

De acordo com Pradella (2011), a simulação de processos é uma abordagem adequada para testar a implementação de melhorias e novos processos em ambiente virtual, evitando riscos e custos que seriam aplicados no contexto real e identificando gargalos em diferentes cenários e perspectivas que podem ser facilmente manipulados segundo parâmetros definidos.

Em se tratando de metodologias de melhorias de processo, Scartezini (2009) ressalta a importância de consolidar os processos otimizados por meio da ampla divulgação junto aos funcionários e aos colaboradores das companhias, além de realizar treinamento para assegurar que os novos procedimentos sejam compreendidos e adotados por todos os integrantes da operação.

Dias (2006) comprova a eficácia do método MAMP a partir dos resultados de sua implantação em uma indústria automobilística, de modo que foi possível chegar às causas raiz dos problemas e corrigi-los a uma situação de “zero falha por veículo auditado” (DIAS, 2006, p. 94). Cosme (2010), ao aplicar a metodologia MAMP em uma operação hospitalar, relata sucesso na aplicação do método que culminou na melhoria da operação estudada.

Desse modo, a validação do modelo envolve, preferencialmente, a sua implementação prática, mesmo que em caráter de teste ou simulada em condições limitadas, para que sejam avaliados os aspectos pela equipe responsável pelo desenvolvimento às possíveis melhorias aos processos em que é aplicado.

Um modelo proposto com base na correção dos problemas identificados na operação deverá auxiliar na tomada de decisões para estruturar uma operação de atração de investimentos, sendo necessário compreender ainda os aspectos e a dinâmica dos investimentos industriais.

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