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7. Desenvolvimento teórico

7.2. Desenvolvimento do Constructo

O seguinte constructo foi criado, com o objetivo de permitir a visualização das características de relacionamento dinâmico entre as dimensões estudadas: estratégia, estrutura e aspectos de TI, associados à colaboração interorganizacional verticalmente relacionada.

Estes três pilares foram construídos, a partir do agrupamento dos Macro-Conceitos, listados nas tabelas 7.1, 7.2 e 7.3, e sintetizam os principais conceitos identificados nas três dimensões da teoria apresentada.

Estes Macro-Conceitos são melhores definidos a seguir, listados, em associação com outros conceitos a eles relacionados, em cada uma das dimensões.

Direcionadores Estratégicos

1. A interação continuada é o motivo para o relacionamento em função da incerteza, assimetria de informação e os riscos inerentes às transações de mercado, que levam as empresas a procurarem estabelecer e preservar, relacionamentos de longo prazo, com alguns de seus parceiros de negócio.

2. A eficiência torna-se mais importante porque as transações crescem em complexidade e custos. Há uma maior necessidade de atrair recursos externos e coordená-los.

3. Competitividade: A empresa se apresenta vulnerável e busca proteção ao

distribuir os riscos. Tempo, flexibilidade e especialização passam a ser ainda mais críticos, à medida que a concorrência aumenta.

4. A complementaridade torna-se importante porque a concorrência não se baseia apenas na escala. Acesso aos recursos que não tem e não consegue criar, passa a ser fundamental para estabelecer diferencial competitivo. A gestão sobre a heterogeneidade torna-se fonte de vantagem competitiva sustentada. Recursos são difíceis de serem movidos, imitados e substituídos. O relacionamento torna-se interdependente.

5. Criação e Maximização de Valor são as características mais importantes neste

nível em que o relacionamento se apóia sobre variáveis não contratáveis. É preciso inovar para integrar ativos e conhecimento, que adicionam valor aos produtos e serviços criados.

Condicionantes Estruturais

1. A confiança que nasce de um mínimo de alinhamento cultural, pode transformar- se em compromisso e congruência de objetivos. Trabalha-se na atração de parceiros com a visão de benefícios compartilhados.

2. O fluxo de informações, resultado da comunicação livre e intensa entre os parceiros, traduz-se na velocidade e flexibilidade no compartilhamento de informações.

3. Parceiros buscam a especialização concentrando-se em suas competências. Surgem formas distintas de governança, adequadas ao tipo de relacionamento colaborativo escolhido. Os recursos dos parceiros podem tornar-se co- especializados. Alguns ativos tornam-se específicos do relacionamento.

4. A interdependência nascida dos recursos complementares e da proximidade na rede, induz a procura por uma base reduzida de parceiros, comprometidos com os esforços conjuntos. Admite-se uma coordenação centralizada (empresa-hub) que busca a adaptação de processos e a inserção (embeddedness) estrutural ou relacional das empresas das redes. Os ativos tornam-se relacionais e a “empresa-

hub” investe na retenção dos parceiros.

5. O compartilhamento do conhecimento passa a ser generalizado e os controles, informais e auto-impostos, e a governança, compartilhada. Os processos individuais são re-estruturados em coletivos, com enfoque colaborativo. As organizações tornam-se virtuais ou em redes.

Aspectos da TI

1. A comunicação pessoal e de grupo pode ser síncrona e assíncrona, baseada em padrões abertos. A conectividade é um dos objetivos, apoiada em infra-estrutura Internet, o que pode levar a efeitos de externalidade de rede. Os principais

elementos da TI são: e-mail, serviços de mensagens instantâneas (instant

messaging), reuniões virtuais; broadcasting, aplicações de workgroup.

2. É permitido o acesso e processamento de dados aos parceiros, para as aplicações em fronteira interorganizacional. As conseqüências são a redução e prevenção de custos, que permite níveis maiores de competitividade no uso da informação e a ampliação das possibilidades de troca de informações. Exemplos neste nível: colocação de pedidos, administração de estoques do parceiro (VMI).

3. A interação entre sistemas permite a automação da complexidade e a integração

de atividades verticalmente relacionadas, facilitando, ainda, a monitoração e a coordenação. Mercados eletrônicos surgem neste nível de relacionamento. Ex.: Sistemas de Informação Interorganizacionais (SII); Extended Markup Language (XML).

4. A integração de recursos baseada na TI permite ambas, a integração vertical e a intermediação, facilitando a transição entre tecnologias e sistemas, baseados em processos diferentes. Verifica-se a relação biunívoca da TI com a estratégia e estrutura, a TI afeta e é afetada. Surgem estruturas mais eficientes e eficazes e a possibilidade de desenvolver recursos exclusivos da parceria. A TI apóia e reforça a interdependência entre os parceiros, a especificidade do relacionamento pode resultar em ambigüidade causal e a transição para a economia de escopo. Ex.: Sistemas de Planejamento de Recursos Interorganizacionais (XRP – Cross-

Enterprise Resource Planning), aplicativos de monitoração e governança

interorganizacional.

5. O apoio ao conhecimento e decisão colaborativos pode alterar o valor de recursos estratégicos. A informação é utilizada como fator de produção e de transformação do know-how em informação, viabiliza novas estratégias e estruturas, como organizações virtuais ou em redes. É possível para os parceiros descobrirem novos usos e requerimentos para a TI. Ex.: aplicativos inteorganizacionais para inteligência de negócio (DW/DM – Data Warehouse/Data Mining), aplicativos de gestão colaborativa de conhecimento (KMS – knowledge

Para um melhor entendimento e visualização, os Macro-Conceitos apresentados, foram organizados em um modelo de cinco níveis, onde, em cada nível, as três dimensões – direcionadores estratégicos, condicionadores estruturais e capacitadores tecnológicos, relacionam-se, em equilíbrio. A figura 7.1, a seguir, sintetiza, de forma gráfica, os Macro- Conceitos de Colaboração Interorganizacional.

Fig. 7.1 – Colaboração Interorganizacional Verticalmente Relacionada Baseada na TI Fonte: elaboração própria

Os níveis foram apresentados de forma crescente do aprofundamento da relação e do emprego de tecnologias colaborativas. Contudo, as várias ações e processos colaborativos, apresentados por uma empresa, podem posicioná-la em mais de um nível, simultaneamente, em cada uma das dimensões. No entanto, uma análise conjunta da abrangência e profundidade que estes processos se apresentam, nos relacionamentos interorganizacionais, irá identificar o nível, predominantemente, ocupado pela empresa, em cada dimensão.

Este posicionamento deve ser capaz de indicar o nível de equilíbrio apresentado pelas dimensões estratégica, estrutural e tecnológica, e, por conseguinte, apontar áreas de possíveis melhorias, na capacidade de relacionar-se colaborativamente, apresentado pelas organizações. Uma forma de visualizar a disposição destes Macro-Conceitos é apresentada na figura 7.2, a seguir: Direcionadores Estratégicos: Interação continuada Eficiência Competitividade Complementaridade Criação de Valor Condicionantes Estruturais: Confiança Fluxo de Informações Especialização Interdependência Compartilhamento do Conhecimento Aspectos da TI:

Comunicação Pessoal e em Grupo Acesso e Processamento de dados

Interação entre Sistemas Integração de Recursos baseada na TI Apoio ao Conhecimento e Decisão Colaborativos

Fig. 7.2 – Modelo para Colaboração Interorganizacional Apoiada na TI Fonte: elaboração própria

Condicionantes Estruturais Direcionadores Estratégicos Aspectos da TI