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Desenvolvimento do Instrumento de Coleta de Dados

No documento Renata Albergaria de Mello Bandeira (páginas 76-79)

1 INTRODUÇÃO

3.3 PESQUISA SURVEY

3.3.3 Desenvolvimento do Instrumento de Coleta de Dados

A survey é um exame estruturado direto, de modo que os participantes são interrogados a partir de um instrumento de coleta estruturado (ENGEL; SCHUTT, 2008). A survey, neste estudo, tem o objetivo de validar um conjunto de itens que auxiliem as organizações a estruturar o seu processo decisório de terceirização logística. Tais itens foram selecionados com base na revisão da literatura e nos resultados das pesquisas qualitativas. A partir destes itens, foram formuladas as questões que formam o instrumento de pesquisa.

O instrumento de coleta resultou inicialmente de 33 itens: 9 são relacionados ao fator “Estratégia”; 5 para o fator “Custo”; 8 relacionados ao fator “Características do Processo”; 5 para o fator “Ambiente”; e 6 para o fator “Operadores Logísticos”. No desenvolvimento do instrumento, foi aplicado um estudo-piloto, previamente ao desenvolvimento do estudo completo. 3.3.3.1 Survey Pré-teste

O objetivo de um pré-teste do instrumento de pesquisa é identificar e eliminar problemas potenciais, ou seja, permitir seu aperfeiçoamento, testando o conteúdo das questões, enunciados, seqüência, formato e layout, dificuldade das perguntas e instruções (MALHOTRA, 2001).

No desenvolvimento do instrumento, aplicou-se um pré-teste seguindo as etapas do processo de validação de constructo e de instrumento de medida elaborado por Koufteros (1999), tal como apresentado na Figura 5.

Figura 5: Processo de desenvolvimento e validação de construtos e de instrumentos

Fonte: KOUFTEROS, 1999

A validação do instrumento é fundamental para o sucesso do método survey. De acordo com Engel e Schutt (2008), existem quatro tipos possível de validade: (i) validade aparente; (ii) validade de conteúdo; (iii) validade de critério; e (iv) validade de construto. A validade aparente busca a melhor forma do instrumento e do vocabulário utilizado (HOPPEN et al., 1996). Fink e Litwin (2003) definem validade de conteúdo como uma medida subjetiva que verifica se o instrumento representa o que se deseja medir e a validade de critério como uma medida de caráter quantitativo que permite a comparação do instrumento da pesquisa com questionários de outros estudos da área. Os autores apresentam a validade de construto como o critério mais importante para a validação de um instrumento de pesquisa. Porém, esta é a medida mais difícil de ser obtida, pois requer anos de experiência prévia com o instrumento. A validade de construto determina o quão significativa é a escala quando utilizada na prática (ENGEL; SCHUTT, 2008).

Neste estudo, realiza-se a análise da validade aparente e de conteúdo do instrumento de pesquisa. Como o estudo é de caráter exploratório, não se dispõem de outros instrumentos semelhantes para a realização da validade de critério. O instrumento é desenvolvido na presente pesquisa, o que impossibilita a verificação da validade de construto.

A validação de conteúdo verificou o entendimento das questões e a aproximação do vocabulário com o dos futuros respondentes. O instrumento foi validado, inicialmente, por três

(1)

( (3)

Desenvolvimento do Instrumento

-Base Teórica;

-Definições das Variáveis; Validade de face e conteúdo -

Coleta de Dados

Fidedignidade 1

-Contructos e Instrumento.

Análise Fatorial Exploratória no bloco

-Teste da Unidimensionalidade.

Fidedignidade 2 - Sem os itens eliminados - Contructos e Instrumento. 2)

(4)

acadêmicos da área de logística. Em uma segunda etapa, o instrumento foi distribuído a cinco gestores da área de logística de organizações industriais. Os executivos responderam ao questionário junto à pesquisadora, sendo apontadas dúvidas e feitas sugestões quanto à forma aparente e quanto ao conteúdo. Finalmente, o instrumento foi distribuído a 75 respondentes: 18 gestores de logística de indústrias de grande porte e 57 executivos alunos de pós-graduação - 45 alunos da UFRGS, dos cursos de Gestão Empresarial e de Operações Logísticas oferecidos pela Escola de Administração e pela Pós-Graduação em Engenharia de Produção, e 12 alunos do curso de Operações Logísticas da Universidade La Salle.

Um instrumento de coleta de dados deve ter forma e vocabulário adequados aos propósitos da mensuração, e a medida deve representar a substância ou o conteúdo do que se quer medir (NACHMIAS; NACHMIAS, 1996). Assim, os itens do modelo de pesquisa foram operacionalizadas em uma escala de intensidade tipo Likert de 7 pontos (1 = pouco; 7 = muito). Cada item foi apresentado em forma de questão, utilizando-se o formato padrão: “Em que medida o item... influencia a decisão de terceirização logística?” Uma carta de introdução, que acompanhou o questionário, explicava o objetivo da pesquisa, orientava como responder o questionário e assegurava a confidencialidade das respostas. Em todas as versões do instrumento, os itens foram dispostos aleatoriamente com objetivo do respondente não identificar o construto.

No pré-teste, procedeu-se a análise de fidedignidade (processos 3 e 5, Figura 5) a partir das mensurações de Correlações de Item Total Corrigido e de Confiabilidade (Alfa de Cronbach). O teste de unidimensionalidade (processo 4, Figura 5) foi realizado por meio da Análise Fatorial Exploratória. No capítulo 5, é apresentada a fidedignidade dos fatores e do instrumento.

3.3.3.2 Estudo completo

Koufteros (1999) revela que as técnicas tradicionais empregadas para desenvolvimento e avaliação de escalas de medidas – que incluem correlações de item total corrigido (CITC) e fidedignidade (Alfa de Cronbach) – são úteis para o pesquisador observar a consistência interna do instrumento, bem como avaliar a fidedignidade e unidimensionalidade dos fatores. O autor também destaca a importância da análise fatorial confirmatória (AFC) no processo de refinamento do instrumento de coleta de dados. A AFC é adequada para dirimir dúvidas sobre a dimensionalidade ou a estrutura fatorial de uma escala ou medida (KELLOWAY, 1998).

No estudo completo, o processo de validação e refinamento do instrumento final seguiu as etapas propostas por Koufteros (1999) e Koufteros et al. (2009). O Quadro 6 apresenta as etapas utilizadas na investigação e sua seqüência de aplicação.

Quadro 6 – Etapas do processo de refinamento e validação do instrumento de pesquisa

Etapa do processo de refinamento

do instrumento de pesquisa Técnica empregada

Elaboração Elaboração do instrumento com base na teoria e nos resultados da pesquisa qualitativa.

Pré-teste Utilizados os índices de Correlação de Item-Total Corrigido (CITC), Análise Fatorial Exploratória Convergente e Alpha de Cronbach Identificação dos Fatores e

Confiabilidade

Avaliou-se a relação dos fatores no instrumento. A confiabilidade do instrumento foi testada utilizando-se o Alpha de Cronbach.

Análise Fatorial Confirmatória

Realização da AFC através dos seguintes passos:

1. Apresentação da relação teórico conceitual entre os fatores e as itens observáveis;

2. Validade individual dos fatores;

3. AFC para o Modelo de 1ª ordem com fatores correlacionados; 4. AFC para Modelo de 1ª ordem com único fator latente – Decisão de Terceirização Logística

5. AFC para Modelo de 2ª ordem;

6. Comparação entre os modelos e seleção do modelo de pesquisa

Análise de Confiabilidade

Foi realizada nova verificação do Alpha de Cronbach para o instrumento geral e para os fatores, considerando apenas os fatores e itens selecionados no item anterior.

Fonte: Adaptado de Koufteros (1999) e Koufteros et al. (2009)

De modo a comprovar a validade da pesquisa, realizou-se a análise de viés dos não respondentes a partir do método da extrapolação, utilizando-se o teste T para a comparação das médias. Também foi analisada, a partir da ANOVA, a diferença de percepção dos executivos que trabalham em organizações de diferentes portes, representados pelas variáveis independentes número de funcionários e faturamentos anuais.

No documento Renata Albergaria de Mello Bandeira (páginas 76-79)