2 Referencial Teórico
2.2 Modelo de Ohlson
2.2.2 Desenvolvimento do Modelo
A Equação 10 demonstra o método neoclássico de avaliação, que é também conhecido como Método de Desconto de Dividendos. Então, partido desta equação (1º pressuposto), pode-se chegar a CSR (2º pressuposto) do Modelo de Ohlson. Com base nestes pressupostos, entende-se que os dividendos reduzem o valor contábil atual, mas não os lucros atuais (OHLSON, 1995).
A CSR conhecida como “lucro limpo” pode ser calculada como está expresso na Equação 11, ou seja, o Patrimônio Líquido atual será igual ao Patrimônio Líquido do período anterior, somado aos dividendos auferidos e diminuído do lucro atual.
(11)
Onde:
= Patrimônio Líquido Atual;
= Patrimônio Líquido do período ;
= Dividendos do Período Atual; = Lucros Atuais.
Já os lucros anormais que devem ser calculados para definição do modelo é apresentado na Equação 12.
Onde:
= Lucros anormais no período t; = Retorno do Ativo Livre de Risco.
Desta forma, os lucros anormais são iguais ao lucro atual diminuído do Patrimônio Líquido do período anterior descontado através da taxa do ativo livre de risco menos 1 (um), ou seja, o custo pelo uso do capital.
Combinando a Equação 12 com a restrição da CSR (Equação 11), a definição implica:
(13)
Usando a Equação 14 para substituir [...] na Equação 10 (Modelo Neoclássico ou determinístico de avaliação), chega-se a Equação 15.
∑ ̃
(14)
Onde:
= Valor do ativo na data t;
̃ = Operador do valor esperado dos lucros residuais ou anormais, condicionado pelas informações na data
O valor do ativo ) será igual ao valor contábil do patrimônio líquido mais o somatório do valor presente dos lucros residuais esperados ∑ ̃ , implicando que
̃ como sendo esta “uma condição de regularidade, que impõe que o valor
contábil do PL cresce a uma taxa menor que R” (CUPERTINO E LUSTOSA, 2006, p. 52). A Equação 14 que representa o Residual Income Valuation Model é conhecida há bastante tempo na literatura contábil, podendo ser analisada nos trabalhos de Preinreich (1938), Edwards e Bell (1961) e Peasnell (1982). Sua interpretação é bastante intuitiva, visto que o valor da empresa será igual ao valor contábil do patrimônio líquido na data t mais o somatório dos lucros anormais futuros descontados a valor presente, por uma taxa livre de risco, contudo se deve lembrar que a restrição CSR deve ser respeitada por meio da Equação 11.
Lo e Lys (2000) corroboram afirmando que não se pode testar empiricamente o Residual Income Valuation – RIV e, por isso, a inovação de Ohlson (1995) consiste no fato de relacioná-lo com proposições que podem ser testadas.
Os lucros anormais são interpretados como ganhos menos o custo de capital. Ohlson (1995) afirma que um lucro anormal positivo indica um período de rentabilidade, já que a taxa de retorno do patrimônio excedeu o custo de capital da empresa.
Com base no terceiro pressuposto, que se relaciona com o comportamento de séries temporais dos lucros anormais, o Modelo de Ohlson pôde ser formulado. Neste sentido, duas variáveis fazem parte da especificação: lucros anormais e outras informações sobre os lucros anormais .
Assume-se que { ̃ } satisfaz o processo estocástico, a seguir:
̃ ̃ (15)
̃ ̃ (16)
De acordo com os pressupostos do Modelo de Ohlson (1995), os lucros anormais do período seguinte ( ̃ ) e o vetor de outras informações ( ̃ sobre os lucros anormais
obedecem a um processo autorregressivo como pode ser observado nas Equações 16 e 17. Nestes casos, os termos de erros, são imprevisíveis, têm média zero e variáveis, isto é, ̃ e Estes erros são originados dos choques dos
processos autorregressivos, o erro 1 ( ̃ ) relaciona-se com os lucros anormais e o erro 2
( ̃ com o vetor de outras informações sobre os lucros anormais. Já o e o são dois parâmetros escalares com valores estabelecidos entre 0 e 1 (zero e um).
“Os parâmetros do processo, ω e γ, são fixos e “conhecidos”. Nós restringimos estes parâmetros para que não sejam negativos e menores que 1. A última condição implica que as médias incondicionais de and , sejam zero” (OHLSON, 1995, p. 668). Nesta citação do artigo são ditas as peculiaridades impostas aos parâmetros de persistência , que se referem aos lucros anormais.
Ohlson (1995) afirma que o terceiro pressuposto não impõe restrições sobre as variâncias e covariâncias dos termos de perturbação. Por exemplo, as variâncias podem seguir um processo heterocedástico.
Cupertino e Lustosa (2006, p. 58) explicam que:
O lucro residual do período seguinte ( é uma função do lucro residual do
período corrente (ajustado por um coeficiente de correção denominado parâmetro de persistência), outras informações e um termo de erro ( . Por sua vez,
outras informações do período seguinte ( são uma função de outras
informações do período corrente (também ajustadas por um coeficiente de correção) e um termo de erro ( o parâmetro de persistência de lucros residuais é
indicado pela notação é o parâmetro de persistência de outras informações.
Por fim, com base nos três pressupostos, na Equação 17 (desenvolvida a partir da junção das equações 14, 15 e 16), será determinado o modelo de avaliação de empresas desenvolvido por Ohlson (1995), a seguir:
(17)
Onde:
Com base nos argumentos de Ohlson (1995, p. 669), a Equação 17:
(…) implica que o valor de mercado é igual ao valor contábil do patrimônio líquido ajustado pelos seguintes fatores: i. a lucratividade corrente, conforme medida pela lucro residual; e ii. outras informações que alterem a expectativa de lucratividade futura.
Com a Equação 17 pode ser evidenciado que o valor de mercado de um ativo é igual ao valor do seu patrimônio mais a persistência dos lucros anormais e do vetor de outras informações sobre os lucros anormais. Os coeficientes e estão inteiramente relacionados com os parâmetros de persistência , contudo Ohlson (1995, p. 686) não informa critérios para obter tais parâmetros, limita-se apenas a dizer que o meio econômico e os princípios contábeis da empresa determinam os parâmetros exógenos .