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Capítulo III Estudo Empírico

3.2. Material e Métodos 50

3.2.2. Desenvolvimento do Programa de Intervenção 54

3.2.2.1. Caracterização das Atividades Desportivas

O programa de intervenção foi desenvolvido entre Fevereiro e Maio de 2012, perfazendo um total de doze semanas de intervenção. As sessões eram bissemanais e com duração total de 50 minutos. A intensidade utilizada nas sessões variou de baixa a moderada.

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Durante a intervenção foi adotado o Modelo Teórico “Adherence to a physical active life by people with psycosis” (Borges, 2009), com o intuito de estimular a adesão dos participantes para a prática de atividades físicas e desportivas de forma regular. Este Modelo Teórico caracteriza-se pelo desenvolvimento da curiosidade e pelo estímulo da motivação para o envolvimento nas atividades. Deste modo, a adesão e a participação nas atividades do programa pode influenciar de forma positiva a autoconfiança do participante, e esta condição, por sua vez, atua sobre a curiosidade e a motivação para este se manter fisicamente ativo.

O Modelo Teórico é composto por quatro fases de desenvolvimento (F1, F2, F3 e F4), e cada uma das fases é composta por objetivos específicos e por metas a curto, médio e a longo prazo. Em cada fase, são contemplados o desenvolvimento e a manutenção das capacidades físico-motoras, psíquicas e sociais. A Fase 1 do programa tem como principal objetivo a formação e consolidação de hábitos de prática de atividade física através de uma ação construtiva e desenvolvimento da autoidentidade. Geralmente, nesta fase, encontram-se os pacientes que saíram recentemente do internamento e apresentam alterações das capacidades motoras (e.g., velocidade de reação e coordenação motora), devido à dosagem de medicamentos utilizados neste contexto. Desta forma, as atividades desenvolvidas abarcam noções de regras sociais e habilidades motoras rudimentares, adequadas à condição em que os pacientes se encontram. Na Fase 2 pretende-se dar continuidade ao desenvolvimento de regras sociais e habilidades motoras. Ambiciona-se também, ampliar a ação exploratória e experimental do paciente durante as sessões, assim como, desenvolver estratégias de adesão ao programa. Deste modo, nesta fase proporciona-se sessões educativas (desenvolvidas pelos diferentes profissionais de saúde) dando ênfase aos benefícios de um estilo de vida saudável. A Fase 3 tem como principal objetivo o aumento da performance física, através da melhoria da capacidade cardiorrespiratória exercitada durante as sessões. A promoção de regras sociais ganha especial atenção, pois predominam jogos de cooperação. Por fim, na Fase 4 pretende-se que o participante tenha auto nomia para praticar atividade física e desportiva com a

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aptidão física adequada. Para tal, é fundamental prestar apoio, auxiliando o participante a cooperar em programas desportivos adequado às suas necessidades. Nesta fase, verifica-se uma continuidade no incentivo à interação social e à melhoria da aptidão física.

Cada fase tem a duração de 12 semanas e no final de cada uma delas é aplicada uma bateria de testes para avaliar o desenvolvimento do participante. Antes de iniciar o programa, os participantes realizam sessões de diagnóstico durante duas semanas, onde os profissionais de Educação Física observam as suas competências e aptidões, nomeadamente a nível das capacidades motoras e físicas, psíquicas e sociais, de forma a identificar em que fase se encontra cada participante.

No que diz respeito ao nosso estudo, os resultados dos testes aplicados nas sessões de diagnóstico colocaram todos os participantes na Fase 3 do programa. Como vimos anteriormente, nesta fase pretende-se uma melhoria da capacidade cardiorrespiratória, dando-se relevo aos exercícios aeróbios. Contudo, nesta fase destacam-se também as atividades que privilegiam as capacidades motoras básicas (andar, correr, saltar, manipular, lançar) assim como as ações que desenvolvem as capacidades coordenativas como coordenação óculo-manual, coordenação óculo-pedal, destreza manual fina e global, equilíbrio, orientação espacial, lateralidade, imagem corporal, atividades rítmicas e expressivas, jogos lúdicos e recreativos, exercícios de força, entre outros. Pretendeu-se também privilegiar, através das atividades implementadas, as capacidades e competências do domínio psicológico (atenção, orientação, memória, linguagem) e do domínio social (noção de regras, comunicação, assiduidade e interação social).

3.2.2.2. Recursos Utilizados na Intervenção

As aulas foram desenvolvidas sob a responsabilidade de duas profissionais de Educação Física da FADEUP (uma estudante de Doutoramento e uma estudante de Mestrado, autora deste documento). As intervenções decorreram nas instalações do Hospital São João,

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nomeadamente na sala de psicomotricidade e no espaço externo relvado os quais se revelaram apropriados para o desenvolvimento do programa. Os recursos materiais utilizados nas intervenções fo ram disponibilizados pela Unidade de Psiquiatria Comunitária e Hospitais de Dia do Hospital São João, pelo Gabinete de Atividade Física Adaptada e pelo Laboratório de Aprendizagem e Controlo Motor da FADEUP.

3.2.2.3. Estratégias de Intervenção

Com o intuito de prestar um acompanhamento mais individualizado, auxiliando e desenvolvendo as capacidades motoras dos participantes, assim como as competências do domínio psicológico e social, optou-se por criar grupos de intervenção reduzidos. Assim sendo, os participantes do estudo (G1+G2) foram divididos em dois horários em função da disponibilidade de cada um. Um grupo participava nas sessões à segunda-feira e quarta-feira, o outro participava nas sessões à quarta-feira e à sexta-feira. Nas aulas de segunda-feira e de sexta-feira dava-se preferência a atividades direcionadas às necessidades individualizadas, enquanto à quarta-feira, onde todo o grupo estava reunido, prevaleciam atividades de grupo e de cooperação.

No que respeita à planificação das aulas, foi elaborado um plano trimestral e planos de aula diários (Anexo 6). No final de cada aula realizou-se um registo e reflexão sobre o decorrer das atividades, nomeadamente ao nível da aplicação dos exercícios, da resposta dos participantes às atividades e dos comportamentos dos participantes, entre outros aspetos.

Com o objetivo de estimular a adesão dos participantes ao programa foram adotadas algumas estratégias por parte das profissionais de Educação Física, nomeadamente, a realização de chamadas telefónicas caso estes faltassem à intervenção sem aviso prévio. Esta estratégia possibilitou um contacto mais próximo com os participantes assim como, também permitiu incutir responsabilidade nestes, pois caso faltassem teriam que informar previamente as profissionais de Educação Física.

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No que concerne às estratégias utilizadas durante as sessões, pretendeu-se valorizar e reforçar de forma positiva a realização de performances adequadas, o correto equilíbrio das capacidades psíquicas e o cumprimento das regras sociais estabelecidas.