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Capítulo I Enquadramento Teórico

7. O Trabalho Colaborativo

7.1. Desenvolvimento do Trabalho Colaborativo

Em todas as escolas existem docentes que formal ou informalmente desenvolvem trabalho em equipa, discutindo, refletindo sobre estratégias de ensino, sobre os métodos, materiais e partilhando experiências, levando a um maior desenvolvimento humano e profissional dos docentes e consequentemente à melhoria da qualidade da aprendizagem dos seus alunos.

Começa a ser prática usual o incentivo aos professores a colaborarem entre eles, dentro e fora da sala de aula, uma vez que “as culturas colaborativas exprimem-se em todos os aspectos da vida da escola: nos gestos, nas brincadeiras, e nos olhares que sinalizam simpatia e compreensão; no trabalho árduo e no interesse pessoal; (…) na manifestação pública dos elogios, do reconhecimento e da gratidão e na partilha e discussão de ideias e de recursos” (Fullan & Hargreaves, 2001, p. 89).

Há muito que o Trabalho Colaborativo deixou de ser algo”(…) para satisfazer uma moda ou necessidade” (Gourgand, 1980, p. 11).

Cada vez mais se exige aos nossos docentes que trabalhem em equipa, discutindo e refletindo, uma vez que:

“ a escola enriquece quando é possível que, entre pares, se convoquem saberes diferenciados e, eventualmente, funções e papéis diferenciados; a escola enriquece ainda quando é possível encontrar actores educacionais que possam trazer para o processo colaborativo de construção da qualidade na escola o valor acrescentado de outros saberes e de outras funções, para desafiar o monolitismo das respostas com que os sistemas educativos enfrentaram as situações no quotidiano escolar que a sociedade pós-moderna lhes tem vindo a colocar” (Formosinho, 2002, p. 12).

Roldão (2007) reforça a ideia que o Trabalho Colaborativo se estrutura “essencialmente como um processo de trabalho articulado e pensado em conjunto, que permite alcançar melhor os resultados visados, com base no enriquecimento trazido pela interação dinâmica de vários saberes específicos e de vários processos cognitivos em colaboração” (p. 27).

Contudo para que exista Trabalho Colaborativo consistente e duradouro este têm que ir além da planificação conjunta e das relações interpessoais de apoio e “abranger o trabalho conjunto, a observação mútua e a inquirição reflexiva focalizada” (…) onde se analisam “criticamente as práticas existentes, procurando melhores alternativas e

trabalhando em conjunto, arduamente, para introduzir alterações e avaliar o seu valor” (Roldão, 2007, p. 102), sendo desejável que os professores se predisponham a introduzirem essas mesmas tarefas inovadoras na sua prática para seu crescimento pessoal e profissional, para o sucesso dos seus alunos e ainda para a eficácia da organização educativa.

A colaboração e o Trabalho Colaborativo além de um processo é também um meio para a concretização de um trabalho conjunto, com finalidades, que implica uma atitude de abertura aos outros e ao próprio trabalho, com dinâmicas especificas e renovadas interações. Alarcão e Canha (2013) resumem esta ideia, apresentando-a na seguinte figura: C OLA BO RA Ç Ã O INSTRUMENTO PROCESSO ATITUDE · Convergência conceptual · Acordo nos objetivos · Gestão partilhada

· Antecipação de benefícios para todos os envolvidos

Figura 6. Colaboração: um conceito a três dimensões (Alarcão & Canha, 2013, p. 48).

Contudo, torna-se importante realçar que a segurança no saber profissional e a forma como conduzimos a nossa prática são fatores que promovem e facilitam o Trabalho Colaborativo. A este respeito Serrazina (1999) refere que

“a mudança nas práticas parece ocorrer quando os professores ganham autoconfiança e são capazes de reflectir nas suas práticas. Isto pressupõe um elevado grau de consciencialização que os ajude a reconhecer as suas falhas e fraquezas e a assumir um forte desejo de as ultrapassar. Estas coisas levam tempo e os professores têm de ser persistentes” (p. 163).

Ou ainda como dizem Fullan & Hargreaves (2001, p. 34)

“por mais nobres, sofisticadas e iluminadas que possam ser as propostas de mudança e de aperfeiçoamento, elas não terão quaisquer efeitos se os professores não as adoptarem na sua própria sala de aula e não as traduzirem em práticas de ensino eficazes.”

A colaboração e Trabalho Colaborativo não consistem em pôr pessoas a trabalhar em conjunto, “a construção das culturas colaborativas implica uma longa viagem de desenvolvimento: não existem atalhos fáceis para lá chegar. (…) Não se desenvolvem rapidamente pelo que se podem tornar pouco atrativas para quem quer efeitos imediatos” (Fullan & Hargreaves 2001, p. 102).

Para se estar na presença de Trabalho Colaborativo ou formas de colaboração é necessário que estejam presentes algumas características específicas, tais como:

ü “que se realizem de forma frequente, regular e sistemática;

ü e que abranjam um número considerável de colegas, “trabalhar em equipe é, portanto, uma questão de competências e pressupõe igualmente a convicção de que a cooperação é um valor profissional” (Perrenoud, 2000, p. 81).

Araújo e Henriques (2005) acrescentam cinco caraterísticas que o Trabalho Colaborativo necessita para ter sucesso:

ü “Comunicação- existe a necessidade de todos os elementos comunicarem, em voz alta, abertamente, com verdade e, se necessário, até com confrontação, o que muitas ajuda e permite o estabelecimento de um clima de confiança e respeito mútuos; ü Confiança- a confiança mútua é de extrema importância no seio do grupo, pois sem ela a comunicação não se revestirá de grande sucesso;

ü Responsabilidade coletiva- numa alusão à imagem do punho cerrado, não deverão existir dedos abertos a apontar a nenhum elemento, sendo que os erros deverão ser assumidos por todos. Num trabalho colegial Ou ganham todos, ou perdem todos;

ü Preocupação com os outros- após a deteção do erro, é fundamental que todos os elementos se preocupem com quem errou, sem juízos de valor, mas também consigo próprio, numa perspetiva reflexiva de melhoramento;

ü Orgulho- quando cada um dos elementos, por si só, dá o melhor de si para com a equipa e o objetivo comum e o resultado da sua participação é positivo, deverá sentir orgulho da sua prestação no trabalho final” (p. 18).

Não é fácil introduzir na escola culturas do tipo colaborativo, onde as pessoas aprendem mutuamente, identificam preocupações e trabalham em comum na resolução de problemas. Fullan e Hargreaves, 2001, citando Nias et al., referem “não é fácil desenvolver estas culturas (…) para funcionar bem, elas precisam de um grau elevado de segurança e de abertura entre os seus membros. As culturas colaborativas são, muito claramente, organizações sofisticadas e delicadamente equilibradas, razão pela qual são muito difíceis de criar e ainda mais difíceis de manter” (p. 92).