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4 Análise dos Resultados

4.1 Organizações pesquisadas

4.1.4 Desenvolvimento dos trabalhos de consultoria

Nas três organizações pesquisadas identificou-se dois tipos de consultoria. Consultorias mais pontuais, em que o consultor é contratado para fazer um determinado serviço específico em um certo tempo, desenvolve o trabalho geralmente de forma isolada e entrega um resultado, normalmente na forma de relatório, e consultorias em que há um maior envolvimento entre consultor-cliente, propiciando uma construção conjunta do trabalho.

Nas três organizações pesquisadas, o acompanhamento e desenvolvimento do trabalho de consultoria são realizados diretamente entre o consultor e as áreas relacionadas

com aquele serviço que está sendo contratado. A direção só acompanha os produtos finais e discute previamente as linhas de ação da consultoria.

Também na maioria dos processos de consultoria, há a elaboração de um termo de referência, em que é definido o que se espera da consultoria em termos de processo de trabalho e de resultados. A partir disso, os integrantes das ONGs planejam junto com os consultores as etapas da consultoria, prestam as informações e disponibilizam os materiais necessários.

Nas consultorias mais pontuais, após a fase descrita acima, os consultores desenvolvem o trabalho de forma mais isolada, mas, mesmo nestes casos, os integrantes das ONGs revisam os materiais elaborados pelos consultores e discutem pontos que não ficam claros ou não correspondem ao que esperavam. Pode acontecer, no entanto, de o resultado, ao final, não ser o esperado pela ONG.

Já nas consultorias em que há uma construção coletiva entre consultor e cliente, após o planejamento, os integrantes das ONGs participam ativamente do processo, chegando a uma solução ou ação a ser realizada em conjunto com o consultor.

Às vezes se torna difícil caracterizar uma consultoria como pontual ou como uma construção coletiva, já que há casos em que essas duas características se misturam em um mesmo processo.

Quanto à adoção das recomendações dos consultores, os membros das ONGs afirmam que em geral as levam em consideração. Assim, as sugestões e observações dos consultores são consideradas pelas ONGs nas suas atividades. Contudo, nem tudo que é sugerido pela consultoria é adotado. De acordo com as entrevistas realizadas, os membros das ONGs adicionam que pode não ser adotado porque o produto foi considerado “ruim” ou porque o resultado não era o esperado ou, ainda, pode a recomendação ter uma dimensão muito maior do que a capacidade institucional da organização, seja porque não se adapta à realidade da ONG ou por falta de recurso mesmo. O que acontece é que as recomendações ficam em stand

by por serem inviáveis no momento, mas não são descartadas como um todo.

Às vezes ele recomenda uma coisa que tenha uma dimensão muito mais ampla do que o nosso aspecto, que não deixa de ser uma recomendação, é o ideal, mas a gente não consegue implementar. É um processo mais demorado, depende de recurso, mas fica ali a recomendação que não se descarta, mas às vezes no momento não é possível. (Entrevistada 1-C, entrevista, 14/09/07)

Algumas [recomendações] a gente consegue fazer de imediato até no tempo que ela [a consultora] está lá [na organização] (...) Outras estão no

cronograma de mudança, outras não se adaptam àquela realidade local. (Entrevistado 4-A, entrevista, 09/11/07)

Desse modo, como nem tudo que é sugerido pela consultoria se adequa ao entendimento da ONG ou à sua capacidade institucional, esse processo de análise e adoção de recomendações é realizado de forma compartilhado, para que haja um consenso entre consultor-cliente em relação às recomendações.

Além disso, de um modo geral, os entrevistado não têm dificuldade quando termina a consultoria e o consultor sai da relação, já que há um entendimento no sentido de que são as pessoas da ONG que são mais responsáveis pelo resultado final do trabalho. O consultor teria um papel mais de facilitador. Mesmo nos processos em que o consultor tem que apresentar um resultado ao final, seja na forma de relatório ou implantando uma decisão, as conclusões finais e as ações a serem implementadas são acordadas entre consultor e ONG. O que pode acontecer, no entanto, é que as recomendações do consultor não sejam adotadas após a sua saída, por decisão da organização, por concluir que não faz sentido dar continuidade:

Aqui isso não acontece (de não dar continuidade após a saída do consultor), porque sempre o trabalho já é definido na organização como nosso. O consultor ele traz conhecimento, ele facilita o processo ou ele aporta alguma habilidade de workshop, mas ele não vem pra fazer o plano pra gente, mas pra nos ajudar a fazer o nosso próprio plano e implementação. (...) O que pode acontecer é a gente concluir que aquilo não faz sentido a gente dar continuidade, mas não é por conta do consultor não. (Entrevistada 1-B, entrevista, 14/04/07)

Não, nenhuma [dificuldade com a saída do consultor] (...) Mesmo depois que ele saiu. Veja só, eu nunca me senti insegura em relação a esse tipo de trabalho. (...) [A consultoria] era proposta nossa (...) Quando ele [consultor] chegou a gente já sabia o que queria. (Entrevistada 1-A, entrevista, 21/09/07)

No caso de consultorias pontuais, em que o consultor desenvolve um produto, entrega ao cliente, e sai da relação, ainda assim, os membros das organizações consideram que não há dificuldades com sua saída, pois já ficou claro desde o começo da consultoria qual era o resultado esperado. No entendimento do entrevistado 3-B, há a compreensão de que o trabalho de consultoria vai além do trabalho do consultor. Portanto, a saída do consultor não tem interferido na continuação do processo.

Não. Sinceramente não [dificuldade com a saída do consultor], nesse processo não. Esse especificamente não. E em outros também não, a gente tem feito trabalhos muito pontuais e a gente fecha bem com a consultoria. (Entrevistada 3-A, entrevista, 01/11/07)

Como o trabalho é muito específico, aquele trabalho nunca vai resolver totalmente o problema. Então pra você ter um resultado positivo, o trabalho do consultor tem que estar dentro de todo um planejamento de um trabalho

que não começa só com o trabalho do consultor e termina, mas tem que ir além do trabalho do consultor. A partir do trabalho de um consultor, você vai continuar desenvolvendo a proposta, a partir das informações dos resultados que se tem daquele trabalho. Se as pessoas têm muito claro isso, até onde que termina o trabalho do consultor e onde que devemos continuar, então a limitação é superada. (Entrevistado 3-B, entrevista, 19/09/07)

No entanto, há membros de ONGs que admitem que, em alguns casos, a continuação do processo de consultoria sem o consultor pode ser um pouco mais difícil. As ONGs podem não conseguir dar andamento ao trabalho desenvolvido. Segundo o entrevistado 2-C, dependendo da área do serviço da consultoria, quando o consultor sai da relação “a gente não consegue tomar conta das funções que o consultor está fazendo” (Entrevistado 2-C, entrevista, 14/09/07).

4.2

Motivação das ONGs para contratação de